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ATÉ QUE A VOZ NOS DOA



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FLÁVIA VIVENDO EM COMA




FLAVIA, VIVENDO EM COMA
UMA HISTÓRIA DE NEGLIGÊNCIA E IMPUNIDADE.

Texto de Odele Souza – mãe de Flavia.
E:mail: odele.souza@gmail.com




06.01.1998 – FLAVIA SOUZA BELO, minha filha então com 10 anos, sofre grave acidente quando teve seus cabelos sugados pelo ralo da piscina do condomínio onde morava comigo e meu filho de 14 anos, no bairro de Moema, São Paulo. – Brasil. Flavia teve parada cardio-respiratória e desde então está em coma vigil, estado que segundo os médicos, é irreversível.


Passado um ano do acidente, e sem conseguir receber o seguro de responsabilidade civil existente no prédio onde morávamos, processei o CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI, a Jacuzzi do Brasil, fabricante do ralo e a AGF Seguro, seguradora do condomínio. O condomínio foi por mim processado porque trocou o equipamento de secção da água da piscina sem orientação técnica, colocando no lugar do anterior, um equipamento de sucção SUPERDIMENSIONADO em 78%.

A JACUZZI , fabricante do ralo, porque não orientou em seus manuais, sobre os riscos da instalação de um equipamento em desproporção com o tamanho da piscina, e a AGF BRASIL SEGUROS, porque não pagou quando solicitada, o seguro existente no condomínio, vindo a fazê-lo apenas um ano e onze meses depois, sem juros e correção monetária.


Ao longo dos NOVE ANOS que tramita na justiça paulista, o processo de Flavia teve dois julgamentos. Em ambos, foram concedidas indenizações em torno de 50 mil reais, valor que considerei muito baixo tendo em vista a gravidade do acidente ocorrido com Flavia e as seqüelas que lhe foram deixadas. Recorri das duas sentenças, mas mesmo tendo sido anexados aos autos, laudos periciais realizados por peritos designados pela justiça, onde foi constatado o SUPERDIMENSIONAMENTO do equipamento de sucção da piscina cujo ralo sugou os cabelos de Flavia, e mesmo continuando ela a viver em coma vigil já por 10 ANOS, até hoje, os responsáveis pelo acidente NÃO FORAM CONDENADOS a pagar a indenização pleiteada. Minha expectativa é de que no primeiro trimestre deste ano de 2008, nosso recurso final seja admitido e o processo de Flavia encaminhado para Brasília, onde deverá ser julgado em última instância.

Para protestar contra a lentidão da Justiça brasileira em condenar os culpados pelo acidente que deixou minha filha em coma, em Janeiro de 2007, criei o blog FLAVIA, VIVENDO EM COMA flávia vivendo em coma

No blog de Flavia venho também alertando as pessoas para o perigo existente nos ralos de piscinas, documentando acidentes idênticos que continuam acontecendo no Brasil e no mundo. Estes acidentes acontecem porque os ralos que fazem parte do sistema de sucção de qualquer piscina, foram ou mal vendidos,ou mal instalados e não são fiscalizados. E não raro os acidentes acontecem por estes três motivos juntos, como no caso do acidente ocorrido com Flavia.

Também em Portugal, aconteceram acidentes gravíssimos causados por ralos de piscinas.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



Em 8 de Março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, reinvidicando a diminuição do horário de trabalho, de 16h para 10h diárias. Estas operárias - que recebiam menos de um terço do salário dos homens - foram fechadas na fábrica, que foi incendiada, tendo morrido cerca de 130 mulheres queimadas.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women"s Trade Union League, associação que tinha como principal objectivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Cinco anos depois, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque protestando pelo mesmo motivo das operárias no ano de 1857, além de reinvidicarem o direito de voto. Caminhavam sob o slogan Pão e Rosas, em que o pão simbolizava a estabilidade económica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

Na Conferência Internacional de Mulheres realizada na Dinamarca em 1910, ficou decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher. Esta data, porém, só foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas em 1975.



O Dia Internacional da Mulher simboliza a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres e não é propriamente uma luta do passado. Apesar dos muitos avanços verificados há um longo caminho a percorrer como, unanimemente, reconheceram representantes de 189 países na 4ª Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres (Pequim, Setembro de 1995).

As mulheres constituem a maioria da população situada no limiar da pobreza.

Em boa parte de África e Ásia, representam três quartos da população analfabeta.

Em média, o respectivo salário é quase 40% mais baixo do que aquele que é pago aos homens por idêntico trabalho.

Por todo lado, é tido como grave o problema da violência contra as mulheres, em especial no seio da família. A título meramente exemplificativo e de acordo com estimativas da Amnistia Internacional, cerca de dois milhões de mulheres são anualmente submetidas a mutilação genital.


Em Portugal a Constituição da República Portuguesa de 2 de Abril de 1976 representa um passo fundamental na consagração da igualdade de direitos entre mulheres e homens. O seu art. 13º consagra o princípio da igualdade:

“ Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social.”

A Constituição da República de 1976 consagrou o princípio da igualdade de direitos e deveres dos cônjuges quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos (artigo 36º, nº3), incumbiu o Estado de assegurar condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais (artigo 58º, nº3, alínea b) e reconheceu aos trabalhadores direitos, sem distinção de sexo (artigo 59º, nº1).

Por discriminação contra as mulheres entende-se "qualquer distinção, exclusão ou limitação imposta com base no sexo que tenha como consequência ou finalidade prejudicar ou invalidar o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das mulheres, independentemente do estado civil, com base na igualdade de homens e mulheres, dos direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político, económico, social, cultural e civil, ou em qualquer outro domínio" (artigo 1º).

Entre as obrigações dos Estados previstas para assegurar a igualdade das mulheres com os homens, inclui-se:
- a revogação das disposições penais nacionais discriminatórias das mulheres (artigo 2º, alínea g);
- a adopção de medidas com vista a eliminar o tráfico de mulheres e a exploração da prostituição das mulheres (artigo 6º);
- a garantia do direito de voto e do direito de exercer de cargos públicos ou funções públicas (artigo 7º);
- a garantia dos mesmos direitos no campo da educação (artigo 10º);
- a garantia dos mesmos direitos no campo do emprego, designadamente direito ao trabalho, a oportunidades de emprego idênticas, à livre escolha da profissão e do emprego e a remuneração igual (artigo 11º, nº1);
- a proibição do despedimento com base na gravidez ou licença por parto e a introdução de licença remunerada por parto ou benefícios sociais idênticos (artigo 11º, nº2);
- a concessão de igualdade de tratamento perante a lei (artigo 15º, nº1);
- a concessão, em questões civis, de capacidade legal idêntica e de oportunidades idênticas de exercer essa capacidade (artigo 15º, nº2);
- a garantia dos mesmos direitos e responsabilidades em matéria de casamento e relações familiares (artigo 16º).

Para avaliação do cumprimento destas obrigações, foi criado o CEDAW-Comité para a Eliminação das Discriminações contra as Mulheres (art.17º).
A informação-parecer n.º 18/80, do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, analisou a Convenção, concluindo não haver obstáculos de ordem jurídica à vinculação de Portugal. Desta forma, Portugal assinou-a em 24 de Abril de 1980 e ratificou-a em 30 de Julho de 1980. Em anexo à lei que aprovou a Convenção para a ratificação - a Lei nº23/80, de 26 de Julho -, foi publicado o texto em inglês e a respectiva tradução para português. A Convenção entrou em vigor no dia 3 de Setembro de 1981.

Datas e Factos Significativos da História das Mulheres em Portugal
1867 - Primeiro Código Civil, que melhorou a situação das mulheres em relação aos direitos dos cônjuges, aos filhos, aos bens e sua administração.
1910 - É admitido o divórcio (Decreto de 3 de Novembro de 1910), com igual acesso para ambos os cônjuges.
Novas leis de casamento e filiação assentes na igualdade entre homens e mulheres. A mulher deixa de dever obediência ao marido.
O crime de adultério passa a ter o mesmo tratamento quando cometido por mulheres ou homens.
1911 - As mulheres adquirem o direito de trabalhar na função pública.
1913 – 1ª mulher licenciada em Direito.
1918 – O Decreto nº4876, de 17 de Julho de 1918, autoriza o exercício da advocacia às mulheres
1931 – Reconhecimento do direito de voto às mulheres diplomadas com cursos superiores ou secundários ( Decreto com força de lei nº19 694, de 5 de Maio de 1931).
1933 - Constituição do "Estado Novo", que estabelece a igualdade dos cidadãos perante a lei, "salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família" (artigo 5º).
1935 - Primeiras deputadas à Assembleia Nacional: Domitila de Carvalho, Maria Guardiola e Maria Cândida Parreira.
1966 – Ratificação Convenção nº100 da OIT, relativa à igualdade de remuneração entre mão-de-obra feminina e masculina para trabalho de valor igual.
1967 - Entrada em vigor do novo Código Civil.
1968 – lei nº2137, de 26 de Dezembro de 1968, proclama a igualdade de direitos políticos do homem e da mulher.
1969 – introdução na legislação nacional do princípio “salário igual para trabalho igual” ( DL n.º 49 408, nº2, de 24 de Novembro).
1974 - Diplomas que permitem o acesso das mulheres à magistratura e à carreira diplomática (Decreto-Lei n.º 251/74, de 12 de Junho, e Decreto- Lei n.º 308/74, de 6 de Julho, respectivamente).
O Decreto-Lei n.º 621/A/74, de 15 de Novembro, definiu a capacidade eleitoral activa para a Assembleia Constituinte, sem distinguir quanto ao sexo.
Primeira mulher ministra: Engª Maria de Lourdes Pintassilgo.
1975 – Ano Internacional da Mulher. Elaboração de um levantamento e denúncia das discriminações contra as mulheres e consequentes propostas de legislação. 1976 – Entrada em vigor da nova Constituição, que estabelece a igualdade entre homens e mulheres em todos os domínios.
1977 - Institucionalização da Comissão da Condição Feminina.
1978 – Entrada em vigor da revisão do Código Civil ( DL n.º 496/77, de 25 de Novembro). A mulher deixa de ter estatuto de dependência para ter estatuto de igualdade com o homem.
1979 - Entrada em vigor do DL nº392/79, de 20 de Setembro, que visa garantir às mulheres a igualdade com os homens em oportunidades e tratamento no trabalho e no emprego. Primeira mulher nomeada para o cargo de Primeiro-Ministro: Engª Maria de Lourdes Pintassilgo.
1980 – Portugal ratifica a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres – II Conferência da ONU para a Década da Mulher.
1983 – Entrada em vigor do Código Penal (DL nº400/82, de 23 de Setembro). São introduzidas importantes alterações, nomeadamente, no que diz respeito a maus tratos entre cônjuges, subtracção de menores.
1984 Lei da Protecção da Maternidade e da Paternidade (Lei 4/84, de 5 de Abril). Eclusão da ilicitude em alguns casos de interrupção voluntária da gravidez (Lei nº6/84, de 11 de Maio).
1986 – Aprovação do II Programa Comunitário sobre a Igualdade.
1988 - Garantia dos direitos das Associações de Mulheres (Lei n.º 95/88, de 17 de Agosto).
1990 - DL n.º 330/90, de 23 de Outubro aprova o novo Código da Publicidade. É proibida a publicidade que contenha qualquer discriminação em virtude do sexo.
1991 - Entrada em execução do III Programa de Acção Comunitário sobre a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens.
1993 - Uniformização da idade de reforma para as mulheres aos 65 anos ( DL n.º 329/93, de 25 de Setembro).
1994 - Resolução do Conselho de Ministros n.º 32/94, de 17 de Maio, sobre a promoção da igualdade de oportunidades para as mulheres.
1995 - Revisão do Código Penal ( DL n.º 48/95, de 15 de Março) - agravação das penas dos crimes de maus tratos do cônjuge, violação.
1996 - Criação do Alto Comissário para as Questões da Promoção da Igualdade e da Família ( DL n.º 3-B/96, de 26 de Janeiro).
- Aprovação do IV Programa Comunitário sobre Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens (1996-2000) - Decisão do Conselho de 22 de Dezembro de 1995.
1997 - Resolução do Conselho de Ministros n.º 49/97, de 24 de Março, que aprova o I Plano Global para a Igualdade.
- Reforço dos direitos das Associações de Mulheres (Lei n.º 10/97, de 12 de Maio).
- Lei Constitucional n.º 1/97, de 20 de Setembro, que considera como tarefa fundamental do Estado a promoção da igualdade entre homens e mulheres, e estabelece o princípio da não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos.
- Alargamento dos prazos de exclusão da ilicitude nos caos de interrupção voluntária da gravidez (Lei n.º 90/97, de 30 de Julho).
- Lei n.º 105/97, de 13 de Setembro, que prevê um regime, aplicável a entidades públicas e privadas, que visa garantir a efectivação do direito dos indivíduos de ambos os sexos à igualdade de tratamento no trabalho e no emprego. Este diploma contém a definição de "discriminação indirecta".
- Decreto Legislativo Regional n.º 18/97/A, de 4 de Novembro ( Região Autónoma dos Açores), cria a Comissão Consultiva Regional para a Defesa dos Direitos das Mulheres.
1999 - Criação do Ministério da Igualdade.

Apesar de tudo isso, em Portugal a mulher continua em franca desvantagem usufruindo, em certas profissões, salários inferiores para trabalho igual e estando minoritárias no topo da hierarquia das empresas, nos órgãos de soberania e centros de decisão.


São também as maiores vítimas de violência doméstica, aquelas sobre quem mais recai as situações de desemprego e obrigações familiares.

Por tudo isto o DIA 8 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, tem que ser vivido de forma intensa e não esquecido.

EM BUSCA DE JUSTIÇA




Todos nós temos os nossos limites e as nossas incapacitações por mais dotados que sejamos.

Porém, um dia, poderemos ser confrontados com uma situação mais dramática: um acidente imprevisto, ou uma doença nunca calculada, atira-nos, ou a alguém próximo, para outra dimensão de vivência em que são mais as portas que se fecham que as oportunidades que se nos abrem.

Uma justiça injusta, ou indiferente, acaba por cansar os menos audazes e persistentes. Não é o caso de Odele Souza, uma mãe coragem e uma mulher inteira, cuja saga em prol da filha nunca conheceu desfalecimento.

Durante os próximos posts vamos conhecer a história de Odele que é a história de todos nós quando quebramos aquele elo, extremamente frágil, que torna vulnerável qualquer ser humano.

Há 10 anos em como vigil, Flávia vive, respira e sente a dor e o aconchego duma mãe que não desiste de lutar por ela.

Unamo-nos em torno desta causa.

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Noticias da Manhã

SER DIFERENTE

A natureza e Deus, para quem acredita, deram, a cada ser humano, diferentes características e diferentes oportunidades.
A sociedade dos homens determinou quais as características que deverão ser valorizadas segundo determinados padrões a que deverão obedecer. Serão esses padrões justos? Serão esses padrões imutáveis?
Naturalmente que não. Ser diferente não é uma inferioridade mesmo quando a natureza impede que cumpra comportamentos comuns. Quem não tem uma zona de interdições no seu código genético?
Mas ser diferente pode significar a superação do ser humano no seu mais sublime transcendente. Este vídeo, oferta dos meus amigos Luiz Santilli e São Banza, mostra-nos, de forma tocante, a capacidade de desafiar os limites mesmo quando se sofre duma incapacitação que, aparentemente nos limita.
Que este vídeo sirva para que todos comecemos a olhar a diferença como uma potencialidade de enriquecimento do património humano com contributos de distintividade e de elevação.

A MENSAGEM DE ZÉ DO CÃO - OS VELHOS VISTOS POR UM IDOSO

Nota prévia: O texto que se segue merece-me uma ternura especial. Não que os outros textos não me mereçam mas porque não é todos os dias que temos alguém, nascido em 1931, a falar sobre idosos como de uma população que lhe seja estranha. José Oliveira tem uma eterna juventude e uma filosofia de vida, que sempre me atraíram, e fizeram dele um dos meus amigos predilectos nestas andanças da blogosfera.

Texto de José Oliveira - ZÉ DO CÃO - Zé do Cão


= Os Velhos vistos por um Idoso =

Sei que sou idoso, o meu Bilhete de Identidade também o afirma. Nasci em 1931 e já tinha um irmão 5 anos mais velho do que eu. Tivemos uma infância feliz, sem sobressaltos, já que meu pai era encarregado fabril e simultaneamente vinhateiro, visto possuir quintas recebidas de herança, por falecimento de meus vós paternos.

Desde cedo toda a gente dizia que o menino Zé era brincalhão, gostava de fazer partidas e rir às gargalhadas pelo efeito das mesmas.

Estudei, tirei curso em Escola Comercial na Cidade de Lisboa, empreguei-me e continuei a ser vida fora igualzinho ao Zé brincalhão que gostava de rir.

Fui sempre saudável e as doenças não me apoquentaram, até que ultrapassando os 40 e tais resolvi casar. Mudanças radicais, não, não tive , mantive o meu estilo de vida, julgando que por ele se deveu a maneira de pensar e agir que sempre tive.

Comer saudavelmente, beber com moderação, recusar bebidas fortes em álcool, não fumar, não perder noites e até na sexualidade houve sempre peso e medida (ás vezes não), viajando, viajando muito, alargando os conhecimentos de vida.

Abandonei o trabalho aos 72, sinto falta dele e arrependo-me de o ter feito, faz-me falta o contacto humano e as preocupações que advinham dele.

Tenho um corpo direito, talvez um pouquito barrigudo, fruto da cadeira, continuo a gostar de rir de fazer uma partida e contar uma boa anedota. Assim, este idoso não se sente velho e de maneira nenhuma o é.

Tenho muita dificuldade em poder apreciar o que é ser velho, o que é ter dificuldades de
locução, de doença, porque não vivo essa realidade.

Estou convicto que quando em nossa casa, existe um velho doente, acamado e sem possibilidades de se lhe poder dar assistência, será um drama naquele lar. E neste momento em quantos lares, asilos ou simples casas com o nome pomposo de repouso, haverá idosos em fim de vida a sofrerem por falta de apoio, dos familiares, filhos sem coração, que recusam dar um carinho e apoio aos seus progenitores, que tudo fizeram durante a sua existência retirando da sua frente os escolhos que lhe podiam fazer frente.

Alguns mesmo, retirando-lhe a possibilidade de desfazendo-se de bens materiais, poderiam ter menos sofrimento durante o curto espaço da sua curta existência.

José Oliveira

AS IMAGENS DA TERCEIRA-IDADE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA


Texto de SONIA DE AMORIM MASCARO* - LEAVES OF GRASS -
http://leavesgrass.blogspot.com/ e ONLY PHOTOS - http://samascaroonlyphotos.blogspot.com/ onde publica textos e fotos com ênfase em temas relacionados à Enseada Azul (ESP), São Paulo e Brasil.


Falar de envelhecimento e velhice pode provocar muitas vezes uma profunda angústia nas pessoas. O temor que mesmo os jovens têm ao pensar que um dia irão envelhecer pode traduzir o receio de viver no futuro uma velhice sofrida, solitária e dependente. Observando as condições de vida e as desigualdades sociais de uma grande parcela de idosos brasileiros, formamos um quadro sombrio do que seja envelhecer, e este panorama pode explicar a existência de uma imagem estereotipada e negativa do envelhecimento e da fase da velhice. A escritora Simone de Beauvoir conta que ao começar a escrever seu livro sobre a velhice, ouvia com freqüência a exclamação "Mas que assunto triste!..."

É também importante perceber que o medo de envelhecer é bem diferente da vivência de envelhecer, como observou a psicóloga e gerontóloga Elvira C. Abreu e Mello Wagner: "Muitas pessoas ao imaginarem a sua própria velhice, receiam que não irão conseguir enfrentar as limitações naturais do envelhecimento, mas quando a idade chega, ela consegue mobilizar vários recursos e viver bem essa nova fase da vida. Por outro lado, se as representações sociais da velhice estiverem fortemente associadas à doença, dependência, improdutividade, pobreza e solidão, muitos idosos irão relutar em identificar-se com essas imagens negativas, e essa atitude pode inclusive representar uma forma de defesa, cujo objetivo é preservar uma auto-imagem e uma auto-estima positiva."


A sociedade tem um papel importante no papel que os idosos irão viver, ou seja, os idosos irão absorver (ou rejeitar), elaborar e recriar os traços culturais e ideológicos do espaço social em que vivem. Numa sociedade de massa, a regulamentação social opera por meio de um repertório de símbolos, de imagens e estereótipos, que são expressos através dos meios de comunicação de massa. Portanto, as idéias que a mídia expressa em relação ao envelhecimento e à velhice são muito significativas, pois podem exercer a função de ponto de referência para os próprios idosos, influenciando seu comportamento e suas atitudes, e também as idéias da criança, do jovem e do adulto, a respeito do que significa envelhecer em nossa sociedade.


Muitas imagens estereotipadas ainda são expressas nos meios de comunicação de massa em relação à sexualidade na velhice. Em algumas novelas de tv, por exemplo, as cenas de amor entre idosos poucas vezes expressam sensualidade, transmitindo a falsa idéia de que na velhice o desejo é extinto: não somos mais desejáveis e nem sexualmente capazes. A imagem estereotipada da velhice sem sexo pode levar muitas mulheres a se convencerem de que com a menopausa, sua sexualidade será extinta e muitos homens a acreditarem que com a chegada da aposentadoria e a conseqüente perda do papel de trabalhador, eles perderão também a sua capacidade sexual. Durante as crises normais que acompanham o envelhecimento, como problemas de saúde, aposentadoria, perda do companheiro, entre outros, os idosos podem também ser afetados por imagens negativas relacionadas à velhice, podendo ter seu auto-conceito diminuído e desprestigiado. Assim, forma-se um círculo vicioso, e os idosos passam a se sentir doentes, incapazes e inadequados.


Quando os meios de comunicação de massa veiculam imagens positivas em relação aos idosos e ao envelhecimento, estão revelando uma nova atitude em relação ao significado dessa fase da vida, o que é muito construtivo. Mas é preciso atenção para não idealizar e "dourar" a fase da velhice, criando outro estereótipo, o clichê de que o idoso bem adaptado é aquele que se apresenta sempre animado, ativo e jovial. Existem muitos idosos que são contemplativos, introspectivos, mas que se sentem bem adaptados e felizes. Imagens idealizadas e também estereotipadas da terceira idade podem levar muitos idosos a um sentimento de inadequação e frustração por não se identificarem com esses modelos de envelhecimento e de velhice.


A nova imagem da terceira-idade


O aumento da longevidade, o progresso social e científico, as transformações na estrutura da família, a modernização dos costumes, acarretaram transformações profundas na sociedade e no comportamento das pessoas. À medida que a longevidade aumenta, mais etapas na vida poderão ser vividas. A expectativa de vida dos brasileiros em 1950 era de cerca de 50 anos, em 2000 era de 70,5 anos e em 2005 a expectativa de vida cresceu para 71,9 anos segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Constatamos assim que "a idade da velhice" está sendo "empurrada para a frente" e os idosos estão tendo mais tempo de vida para a realização de novos projetos. Assim, iniciar uma carreira musical aos 60 anos, encontrar o amor e casar-se depois dos 70 anos, voltar a estudar, a trabalhar, viajar, cultivar novos hobbies e despertar para novos projetos são alguns exemplos estimulantes que revelam novos interesses e comportamentos inovadores.


O desejo de viver intensamente sua própria vida, de realizar novos projetos, de não sucumbir aos preconceitos e estereótipos, faz com que muitos idosos rejeitem a idéia de que na velhice o único papel que lhes sobra é o da "vovó" tricotando e tomando conta dos netos e do "vovô" de chinelos e pijama, sentado na cadeira de balanço. A nova imagem dos idosos transformou também a maneira de nomear as pessoas. Atualmente, chamar aquele que envelhece de velho pode expressar desprestígio ou desrespeito. A palavra velho nos leva a pensar em algo antiquado, desgastado e obsoleto, tendo sido substituída por idoso, que nos remete ao significado de vivência, de passagem do tempo. A palavra velhice tem sido substituída por terceira-idade e também por maturidade. Os jornais têm inclusive uma norma adotada em seus manuais de redação e estilo, que orienta os jornalistas a terem cuidado com a carga de preconceito que a palavra velho encerra. A opção foi usar a palavra idoso ou apenas registrar a idade dos protagonistas da notícia.


Finalizando estas considerações, é importante compreender que envelhecer bem não depende unicamente do idoso. Como observou a psicóloga e gerontóloga Anita Liberalesso Neri, não é verdade que basta se manter ativo, participante e útil, apesar das perdas biológicas, psicológicas, econômicas e sociais, para que o idoso possa vivenciar uma velhice satisfatória. Uma velhice bem-sucedida, com boa qualidade de vida, "depende das chances do indivíduo quanto a usufruir de condições adequadas de educação, urbanização, habitação, saúde e trabalho durante todo o seu curso de vida", e também "do delicado equilíbrio entre as limitações e as potencialidades do indivíduo, o qual lhe possibilitará lidar, com diferentes graus de eficácia, com as perdas inevitáveis do envelhecimento".


Artigo adaptado do meu livro "O Que é Velhice”, Editora Brasiliense, SP, Coleção Primeiros Passos, 1ª. Edição em 1997 e 2ª. Edição em 2004. Índice de temas: O desejo da Eterna Juventude; Um pouco de História; Qual a Idade da Velhice; Teorias Biológicas que Explicam o Envelhecimento; O Envelhecimento Biológico; Imagens da Terceira-Idade; Pensamentos da Maturidade; Envelhecer: Um Desafio e Indicações para Leitura. O livro “O Que é Velhice” foi baseado na minha tese de doutorado, intitulada “As Imagens dos Velhos e da Velhice nas Páginas do Jornal “O Estado de S. Paulo” (1988-91)”.

*SONIA DE AMORIM MASCARO
Brasileira, nascida em São Paulo, Estado de São Paulo, em 28 de novembro de 1942.

Formou-se em jornalismo em 1966 pela Faculdade de Jornalismo “Cásper Líbero”, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Redatora do noticiário da Universidade de São Paulo, Reitoria da USP, (1963-65). Repórter e redatora do jornal “Última Hora”, do Grupo “Folha de S. Paulo”, (1968-70). Repórter e redatora da “Revista Claudia”, Editora Abril, (1968-70) e (1976-81) onde também escrevia a seção mensal “Mulher e Trabalho”. Em 1979 recebeu o “V Prêmio Abril”, na categoria "Jornalismo", pela realização da melhor reportagem intitulada "Para Viver Melhor Como Dona de Casa”. Realizou também matérias como free-lance para o “Jornal da Tarde” (SP), do Grupo “O Estado de S. Paulo” (1986-94).

Pós-graduada em Ciências da Comunicação, pela Universidade de São Paulo, defendeu Dissertação de Mestrado em 1982, na Escola de Comunicações e Artes da USP, com o trabalho intitulado “A Revista Feminina: Imagens de Mulher – 1914-30”. Realizou Curso de Aperfeiçoamento em Gerontologia Social no Instituto “Sedes Sapientiae” (SP) em 1988. Defendeu Tese de Doutorado, em 1993, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, com o trabalho intitulado “As Imagens dos Velhos e da Velhice nas Páginas do Jornal “O Estado de S. Paulo” (1988-91)”.

Livro Publicado: "O Que é Velhice”, Editora Brasiliense, SP, Coleção Primeiros Passos. 1ª. Edição em 1997 e 2ª. Edição em 2004.

Ministrou cursos de “Criação Literária” e “Atualização Cultural” em instituições culturais. Atualmente tem sua atenção e projetos voltados para o tema da terceira-idade, sob a perspectiva das Ciências da Comunicação.

A POPULAÇÃO IDOSA VERSUS IGUALDADE DE OPORTUNIDADES (III)



Texto de Maria da Conceição Banza - São - http://saobanza.blogspot.com *





Pede-me a nossa querida amiga Lídia um texto sobre a igualdade de oportunidades para a população mais idosa. Sem querer ser pessimista, devo dizer , porém, que muito poucas existem. Para não dizer nenhumas!

Vejamos, o que quero eu significar com a anterior afirmação. A velhice é, na actual sociedade ocidental, completamente desvalorizada; pior, é recusada de todo. Se assim não fosse, não estariam em alta ,como estão, as operações plásticas. E é-se velho a partir de que idade?...Pois não sei. Só sei que empresas existem a solicitar pessoas com o máximo de 25/26 anos e que outras colocam o limite máximo nos trinta e cinco.

Sei também que a católica Associação de Leigos para o Desenvolvimento me disse directamente só aceitar voluntariado de pessoas até aos quarenta anos!!!

E como não possuo respostas, aqui ficam as perguntas que se me colocam com perplexidade e angústia: Que oportunidades tem quem fica sem emprego aos cinquenta anos em Portugal? Que oportunidades tem uma pessoa que se aposenta com uma reforma miserável, e que o Governo ainda taxa como se não fosse um direito seu? Que oportunidades tem quem não pode escolher como tratar de si e da sua saúde numa fase da vida onde estas dificuldades se acentuam? Que oportunidades tem quando quem não possui poder económico para optar onde acabar os seus dias ?

A tudo isto acresce a complexidade das relações humanas. Porque se é verdade existirem pessoas idosas muito mal tratadas pelos seus familiares mais próximos( filhos , filhas), não é menos verdade o contrário. Mas este não é o assunto de hoje.

Uma das respostas encontradas com alguma felicidade para esta temática foi a das Universidades Para A Terceira Idade, que ocupam as pessoas de maneira muito interessante e proporcionam um salutar convívio. Acabo agradecendo o convite , também a vossa presença.


*Curriculum:
Maria da Conceição Banza, bacharelato em Educação de Infância pela ESE João de Deus e licenciatura em Ciências da Educaçãopela Universidade Clássica de Lisboa( vertente Formação de Professores/ Formação de Formadores). 35 anos em Educação / Formação, foi sindicalista e desempenhou funções de Directora do Centro de Bem Estar Social da Baixa da Banheira(valências: Creche, Jardim de Infância e Actividades de Tempos Livres), orientou estágios profissionais e Círculos de Estudos( neste momento é responsável pelo que decorre na Barreiro) e Acções de Formação. Ao longo destes últimos 23/24 anos tem publicado artigos publicados em vários órgãos da comunicação social regional e em revistas especializadas. Desempenhou a função de supervisão técnico-pedagógica das IPSS em Montijo, Alcochete, Barreiro.

DESAFIO, PRÉMIOS E MENSAGENS

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Manuel Damas do blog SEXUALIDADES, AFECTOS E MÁSCARAS - http://sexualidadesafectosemascaras.blogspot.com/ propôs-me um desafio de 12 definições. Em vez de 12 palavras diferentes optei pelo conceito de liberdade ao qual atribuí as 12 definições que as arrumei assim:

Ser livre é não ter medo de partir


quando o caminho se abre aos nossos passos.


Ser livre é não ser escravo nem senhor


é construir o chão dos nossos laços


e amar só por amar e com amor.


Ser livre é um permanente prosseguir

para onde nos levam os nossos passos.


Ser livre é resistir


sem falsos pudores ou embaraços


às vozes que nos impedem de ir


e semeiam cansaços.


Ser livre é sentir desprendimento


tão forte como as cadeias e os traços.

Ser livre é não vergarmos à corrente


é renascermos da morte e dos fracassos


e depois de magoados sermos gente.



Ser livre é desprender e perdoar


Ser livre é seguir em frente!


O Silêncio Culpado tem recebido vários prémios a que não tem dado continuidade não porque não os valorize a todos, um por um, mas porque tem dificuldades em lhes dar seguimento, de forma continuada, sem sacrificar temas e postagens que considera relevantes. Assim, os prémios recebidos irão sendo partilhados, ao longo do tempo, e oportunamente, de forma livre e espontânea como o deverão ser todas as dádivas.


De momento estou atravessar um período algo conturbado em termos de saúde a nível próximo e familiar. Espero, por isso, que me perdoem algum deslize ou algumas descontinuidades nas postagens ou nas visitas.



Ámanhã, 2ª.feira, o Silêncio Culpado retomará o tema da "População Idosa versus Igualdade de Oportunidades" com mais um excelente contributo este da nossa conhecida amiga SÃO BANZA -

São - http://saobanza.blogspot.com/