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SOLIDARIEDADE, AMIZADE E ARTE

A solidariedade pode ter um rosto e a arte pode ser a sua expressão mais fiel.

O ART & DESIGN de Isabel Filipe é um espaço de referência que merece ser visitado.

Isabel é uma mulher de causas com um interioridade que desafia a imobilidade das coisas. Dá vida e sensualidade às figuras femininas, empresta a sua ternura e disponibilidade para que a arte diga o que as consciências calam.

Dela recebi este prémio de que muito me orgulho. Criado por ela e dado com afecto será também uma referência no diálogo do Silêncio Culpado.



UMA NOVA ABORDAGEM SOBRE O ESTIGMA


Visite o SIDADANIA e colabore na formação de opinião sobre um tema que diz respeito a todos.

A cidadania passa por este novo olhar. Junte-se a nós.





GANHEI MAIS ESTA BICICLETA.




PRÉMIO DE LIBERDADE FLORIDA concedido por minha amiga Carminda Pinho do FÓRUM CIDADANIA

Tenho que escolher mais 5 blogues mas como já devia ter escolhido outros 5 porque o meu amigo do SE EU BLOGO LOGO EXISTO já me tinha oferecido. As minhas nomeações vão apenas para mulheres porque têm que "pedalar mais" para acompanhar os homens e terem o mesmo reconhecimento nomeadamente no mercado de trabalho.


Aqui vão as "10" MULHERES mais:

JOGOS COM MATEMÁTICA
SÃO
ARTE AUTISMO
FLÁVIA VIVENDO EM COMA
INSTANTES DE VIDA
SOPHIAMAR
COISAS DE VIDAS
NO REINO DE ESTHER
SEXTA FEIRA
BRANCAMAR
FOTÓGRAFA
ART & DESIGN ISABEL FILIPE
FERNANDA & POEMAS
CANTARESDEAMIGO
SAIBA DE SAÚDE
O CHEIRO DA ILHA
PASCOALITA
PETISKAKY
RECALCITRANTE
FAROL NO VENTO DO NORTE
RECANTO DA ALMA
VALSA LENTA
SEI QUE EXISTES
VAGABUNDA-DE-MIM
CU DE JUDAS
LUZ DE LUMA
POETISAR

O ESTIGMA

Quem nunca se sentiu alvo dum estigma? Quem nunca sentiu a dor de frases mais ou menos como estas: Já o teu pai era um grande (sacana, preguiçoso, mau-feitio). És burro, indolente, gordo. Nunca vais ser ninguém na vida porque não prestas. E daí por diante?

Exemplos não faltam e, todos eles, representam facadas que deixaram marcas fundas. Algumas mudaram mesmo a nossa forma de sentir minando a nossa confiança e alegria de viver.


Porém há uns estigmas que são mais estigmas que outros.

O blogue SIDADANIA convidou-me a fazer parte do painel de textos que está a publicar.

Neste contexto irei contribuir com um conjunto de posts sobre o estigma que, através duma visão particular, pretendem lançar a discussão sobre um tema de real importância na vida de todos nós.

Porque todos estigmatizamos e somos estigmatizados e porque o estigma mata mais que a própria morte, não deixem de participar com a vossa opinião.

Há que quebrar as correntes que nos prendem a um conceito de vergonha e humilhação que não pode fazer parte duma sociedade evoluída que defenda a dignidade humana.

Para que sejamos gente temos que dizer NÃO AO ESTIGMA. Quem pretender participar com um post, nesta discussão, poderá fazê-lo enviando o texto para: Lídia Soares/Silêncio Culpado lnsoares@aeiou.pt




O PRÉMIO FLORIDO

O meu amigo do SE EU BLOGO LOGO EXISTO, deu-me este maravilhoso prémio que tem um grande significado simbólico: representa a capacidade de circular com liberdade na blogosfera transmitindo mensagens livres e solidárias.

É um conceito interessante que deveria transmitir, segundo a regra, a 5 blogues amigos. Porém como tenho mais que 5 que o merecem optei por conferi-lo apenas apenas ao SIDADANIA, solicitando a todos os visitantes que não deixem de apoiar este espaço de grande valor e interesse pelos seus ensinamentos.





S.O.S LÚPUS

A minha amiga Sílvia Madureira, a jovem professora de Matemática proprietária do JOGOS COM MATEMÁTICA, tem um familiar próximo a quem foi diagnosticado a doença de LÚPUS.

Trata-se duma doença crónica, ainda pouco conhecida entre nós, de causa desconhecida, em que se processam alterações de fundo no sistema imunológico da pessoa, atingindo principalmente mulheres. O sistema imunológico é uma rede complexa de órgãos, tecidos, células e substâncias encontradas na circulação sanguínea, que agem em conjunto para nos proteger de agentes estranhos.

Ora uma pessoa que tem LÚPUS, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo por conseguinte afectar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa torna-se "alérgica" a si própria, o que caracteriza o LÚPUS como uma doença auto-imune.

Solicita-se que, quem tiver informações sobre a doença obtidas por situações concretas de familiares ou amigos próximos, contacte

LÚPUS, Um blogue sobre a doença

Não deixe de acudir a este apelo. A hora é de todos.

PORQUE ACREDITO NA VIDA - UMA NOVA ABORDAGEM SOBRE O HIV








Porque acredito na vida não quero falar das causas com as cores tétricas da derrota. Quero falar das causas sentindo a seiva da esperança e o afecto pelas pessoas que as encarnam.

Por isso aceitei o desafio do Raúl que me propôs moderar o debate no Sidadania.

A questão fulcral está agora em saber em quem deve o infectado com HIV confiar a sua nova condição e junto de quem deve procurar ajuda. Será que é sua obrigação revelar que está infectado?

Perguntas e respostas que a todos interessam e que não podemos deixar de assumir.

Porque o HIV existe.

A cada 10 segundos morre no mundo uma criança com sida.

Em Portugal são registados, diariamente 3-4 novos casos. Continuamos mal informados e mais assustados com os fantasmas que com a realidade em si.


Sejamos pois solidários para com esta causa mas sejamos, acima de tudo, solidários para com nós mesmos. Porque a SIDA pode acontecer a qualquer um venha partilhar connosco a sua opinião e ouvir o que o Raul e o Paulo têm para vos dizer.

Há Primavera e eu eu insisto nas flores. Com elas caminharemos no sentido da vida.


Visite o SIDADANIA e aprenda, como eu aprendi, a conhecer e a admirar pessoas que fizeram da sida um novo ciclo de vida mais promissor de solidariedade e muito mais rico do ponto de vista humano.

ASSUMIR O HIV




Eu tinha uma tia velha que me dizia quando eu tinha algo de desagradável que deveria dizer aos meus pais: quanto mais depressa o fizeres mais depressa ficas descansada. Seja qual for a reacção que os teus pais tiverem verás que depois de te confessares sentirás um enorme alívio.

E foi assim que, ao longo da minha vida, fui praticando esta máxima. O tempo amadureceu-me e ensinou-me que as confissões poderão ver suavizadas a sua parte dolorosa se, quem as faz, souber encontrar o momento e forma de as fazer.

Não quero dizer com isto que um infectado pelo HIV se deva retratar perante seja quem for e, em especial, perante um companheiro que traiu e que está ressabiado. Nunca aconselharia ninguém a sofrer quando esse sofrimento não traz qualquer benefício a ninguém.

Assumir o HIV é, na minha perspectiva, assumir que se tem essa patologia e que, doravante, tem que se viver e agir de acordo com ela. Parece-me, pois, de todo desaconselhável que um portador se abstraia da sua realidade. Não quero, no entanto, significar com isto que essa mesma realidade o deva acompanhar como uma perseguição.

É sempre possível reconstruir e viver com base em novas realidades que, pese embora os seus handicaps, não têm por isso que ser menos completas e mais restritivas. Porém, insisto, quanto mais depressa o infectado assumir, perante si próprio, o HIV mais depressa encontrará o caminho do futuro noutra direcção.

É difícil, para qualquer um de nós, colocar-se na situação de outros. Especialmente numa situação tão contingente quanto aquela que nos é imposta pela doença e pela incapacitação. Porém, estou em crer que, se um dia tal me vier a acontecer, eu tenha a força suficiente para lidar com a situação de forma nobre, sem aceitar a compaixão nem impor a outrem as consequências dos meus actos (erros?).

Entendo assim que alguém que contraia o HIV, em relação extraconjugal, não deverá contar ao companheiro como quem põe a corda ao pescoço e pede perdão. Deverá sim procurar viver sozinho e dar a conhecer depois o motivo da separação. Se a pessoa, com quem vive, for capaz de amar e perdoar pedir-lhe-á que volte. Se não o fizer deverá aceitar, como natural, essa decisão e procurar outros incentivos e outros caminhos que dêem sentido à vida.

O início duma nova relação deve sempre ser feito na base da sinceridade de forma a não criar situações dolorosas para ambas as partes. Assumir o HIV é a forma mais fácil para não ser discriminado. Se quem é portador do HIV se envergonha da situação e lida com ela como se fora crime na sua interacção com os outros, como pode esperar que os outros a compreendam e a aceitem como natural?

Também não se deverá partir do princípio que, ao portador do HIV, são devidas todas as atenções e honrarias porque, “coitado”, está doentinho.

O HIV tal como qualquer outra patologia, ou incapacitação, não deve colocar o indivíduo em situação de excepção. Todo o indivíduo tem direito a ser integrado, a ter afectos e a ter a sua própria identidade ainda que essa identidade seja a de uma pessoa com sida.

Penso que será desta postura e desta luta que resultará o homem novo que ressurgirá destes encostos da vida. É através duma postura de verdade e de verticalidade que edificará um futuro para si e para aqueles que pisam o mesmo trilho.

Só acreditando na vida teremos vida. E a vida é um percurso desconhecido no campo da ciência e das probabilidades. Novas oportunidades estão sempre a surgir e, mesmo nos momentos mais difíceis, elas estão lá.

É preciso saber encontrá-las. Porque a felicidade existe e é possível mesmo quando o sol se esconde.

Não fiques no teu lugar. Vem ao SIDADANIA falar sobre um problema que nos aflige e é de todos nós.

UM BIPOLAR NUMA VIDA A DOIS




Texto de Maria N.


Por vezes ficamos surpreendidos com acontecimentos que não deviam surpreender-nos. E isto porque os sinais estavam todos lá à espera de serem lidos.

Quando me casei, há mais de três décadas atrás, ainda não se falava em doentes bipolares. A expressão vaga, "sofre muito dos nervos", dava para tudo. E era exactamente o que se dizia do meu ex-marido, que sofria muito dos nervos. Havia quem atribuísse aqueles nervos destemperados ao facto de ter estado na guerra mas a minha sogra confessava-me que ele sempre fora assim de pequenino. Ou estava muito eufórico ou então chegavam-lhe os nervos e, por vezes, se lhe diziam algo que o contrariasse, ficava violento.

Aconteceu ter batido ao médico da terra por algo que este fez, e não devia ter feito, e também a outros às vezes por situações bem curiosas.

O meu ex tinha um sósia na terra onde nos conhecemos. Era um pintor, muito malandreco, que andava sempre a arrastar a asa a mulheres casadas. Ora acontece que o marido duma das amantes desse tal pintor um dia, por engano, agarrou o meu marido pela gabardina e diz ah M….. agora é que não me escapas. E deu-lhe um murro na cara. Embora tivesse percebido que o murro não era para ele o meu ex-marido revidou de tal forma que deixou o outro estendido.

Também, na vida a dois, depressa me apercebi que ele ou estava muito bem ou estava muito mal mas e, mesmo quando estava muito bem, era difícil acompanhar toda aquela energia tresloucada.

Várias vezes fui aconselhada a levá-lo a um especialista mas era sempre difícil abordar esta questão embora ele admitisse que não conseguia ter um comportamento estável como as outras pessoas.

Porém algo veio alterar completamente o rumo dos acontecimentos. Foi num dia em que decidimos fazer jardinagem e mudar algumas plantas duns vasos para outros. O meu marido deu-me um martelo e aconselhou-me a partir os vasos, donde as plantas deviam ser retiradas, devido às muitas raízes que continham.

Comecei a tarefa mas as batidas do martelo enervaram-no de sobremaneira. Chega ao pé de mim transtornado e diz-me: - pára com isso! Começo a rir e respondo: - porque hei-de parar, não disseste para eu os partir?
E continuo a martelar os vasos. Com os olhos fora de órbitas ele agarra-me por um braço e abana-me com força. Eu pergunto-lhe: - vais bater-me por causa disto? Foi a gota de água que faltava. Espancou-me brutalmente em frente ao nosso filho de 10 anos deixando-me cheia de escoriações e com a boca a sangrar e um dente partido.

O meu filho chorava e ele também chorou. Chorou durante muito tempo e teve que ser tratado pelo médico enquanto eu procurei que ninguém soubesse e, por isso, tratei-me a mim própria.

Foi então que ele começou a ser medicado e acompanhado por um psiquiatra que identificou estas alternâncias de humor como sendo “bipolar”.
Porém eu nunca mais fui capaz de dormir com ele situação que se arrastou até culminar na separação.

Embora, da minha parte, a parte emocional tivesse morrido para sempre, consegui perdoar-lhe e ficámos amigos.

Cinco anos depois da separação ele casou com a psiquiatra com quem se estava na altura a tratar e penso que, presentemente, consegue ser feliz e ter uma vida mais ou menos equilibrada.

Já o meu filho nunca lhe perdoou.

SER BIPOLAR


Texto de Ana Marques*


Desde que me lembro que ouvia a minha avó dizer referindo-se a mim: esta miúda ou está a rir ou está a chorar. Não conhece o meio-termo.

E realmente eu não conhecia, mas levei tempo, talvez demasiado tempo, para saber isso. E quando soube também não soube o que fazer nem como lidar com a informação.

Na escola era inquieta e tinha dificuldade em concentrar-me. Tudo nas matérias que os professores explicavam, me conduzia a analogias hilariantes. Ria que nem uma perdida e várias vezes fui posta na rua.

Alguns professores achavam que eu gozava com eles e mandaram informações muito negativas sobre o meu comportamento para o encarregado da educação (meu pai) assinar. Ninguém procurou saber o que se passava comigo.

Batiam e punham-me de castigo e eu, quando ia para a escola, levava as mãos transpiradas de nervoso, apetecia-me morrer e levava noites sem dormir a pensar porque é que me ria com tudo e com nada.

Por mais que quisesse suster o riso não conseguia. A dor era imensa. Apesar disso ia tendo resultados mais ou menos satisfatórios porque os meus pais, ambos professores, insistiam em ensinar-me e em pôr-me de castigo a estudar. Eu sentia que os odiava.

Recusei ir para a Faculdade. Fiz o liceu e fui trabalhar para um Banco. Aí conheci o homem com quem casei e de quem tive duas filhas. Contudo a minha doença ia-se agravando.

Se algo, aparentemente simples me podia dar uma alegria esfusiante que era acompanhada duma energia incontrolável que só se saciava com exercício físico, ou com sexo, também qualquer coisa que me dissessem de menos abonatório me fazia mergulhar numa tristeza imensa.

Uma tristeza que me entorpecia por completo, que me apertava a garganta como um garrote e me trazia uma angústia tão terrível que eu sentia necessidade de magoar e de me magoar para que acontecesse algo que fosse mais forte que a minha dor. Mas nada era.

O meu marido sofreu imenso comigo porque quando me chegava a “negra” eu era simplesmente insuportável. Feria-o, humilhava-o, tinha vontade de o contrariar. Mesmo que eu quisesse suster este impulso não havia forças em mim que chegassem para isso.

Foi numa festa de aniversário, em que esteve presente um psiquiatra famoso que este, ao olhar para mim e vendo-me muito excitada e fora de órbita, me disse para eu passar pelo seu consultório. Eu parecia ébria mas não tinha tocado em qualquer bebida alcoólica.

Foi então que a minha doença foi diagnosticada e que comecei a ser medicada.

Aí começou um novo calvário em casa e no trabalho. Ao assumir que sou bipolar assumo a discriminação e, pior ainda, um atestado de incompetência que estão sempre a atirar-me à cara cada vez que quero tomar uma decisão que afecte a outra parte.

Ainda que o meu comportamento se torne mais regular e eu consiga um melhor controle sobre as situações, toda a troca de opiniões, toda a tomada de posição acaba sempre por me mandarem "tratar-me" e isto dito como quem atira um punhal certeiro ao coração da vítima.

Um dia o meu marido sugeriu que mudássemos de terra e que eu procurasse fazer um trabalho que não me criasse ansiedades nem necessidade de gerir equipas.

Comecei a trabalhar por conta própria, numa terra do interior em que organizo a minha vida de modo a não ter pressas. Consigo falar com pessoas simples e participar de várias actividades. Até deixei os medicamentos embora tenha visitas regulares ao médico. Visitas que escondo do meu círculo de amizades.

O meu marido deixou-me depois de eu estar bem. Compreendo que o desgaste de 12 anos foi excessivo. As filhas ficaram com ele. Foram elas que assim decidiram. Vêm ver-me por longos períodos mas nunca quiseram ficar. Para elas eu sou sempre um perigo. Uma espécie de vulcão que pode explodir o que realmente acontecia noutros tempos.

Estou a criar uma menina africana filha duma família numerosa e em dificuldades. Sou a madrinha e ela está comigo há 7 anos e até me prefere. Sem ela não teria sido capaz de sobreviver. O mais espantoso é que nunca tive medo de a amar enquanto com as minhas filhas senti sempre uma certa distância, como se não fossem de todo minhas.

Esta é igual a mim, desamparada e, por isso, não tenho medo.

* A autora não é conhecida por este nome.