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UM ALERTA

É frequente recebermos dos nossos amigos virtuais os mails mais variados e sobre os mais variados temas. Alguns amigos enviam-nos mensagens magníficas que mexem com a nossa sensibilidade e nos fazem empreender viagens através de paragens de sonho no mundo das emoções.

Há os que nos enviam alertas, há os que fazem apelo a causas solidárias e há os que nos convidam a aderir a determinadas campanhas ou grupos de amizade.

Relativamente a estes últimos eu ponho de parte as minhas naturais reticências em relação a determinados casos específicos quando conheço a pessoa, ainda que virtualmente.

Por essa razão que envolve o respeito e a amizade pelo emissor entro por vezes, reconheço que ingenuamente, em assinaturas que implicam o fornecimento de dados pessoais nomeadamente o número de telemóvel.

Penso que deve ter sido uma dessas situações que deu origem ao episódio que a seguir vou relatar.


Há cerca de 1 mês fui surpreendida por uma mensagem da TMN que me dava conta que o meu saldo estava a zero. Efectivamente eu não tinha ideia de ter feito chamadas no valor do saldo e, por isso, decidi fazer uma experiência. Carreguei o telemóvel com 7,5 euros e não fiz qualquer chamada naquele aparelho. Passado dias recebo a confirmação da TMN de que o meu saldo estava negativo.

Agora já sem dúvidas de que algo de anormal se estava a passar ligo para a TMN donde sou informada que o meu saldo estava a ser “papado” pelas mensagens constantes enviadas pelo nº.3350. Cada mensagem que me enviavam descarregava 2 euros no meu saldo. Fiquei estupefacta em como pode ser possível “legalmente” limparem-me a conta sem haver qualquer serviço de contrapartida que tenha por mim sido encomendado.

Da TMN informaram-me de que havia mais casos de pessoas a queixarem-se. Solicitei então que me barrassem o acesso a esse tal número. A TMN recusou-se com o argumento de que só o lesado, neste caso eu, poderia pôr fim ao envio de mensagens.

Teria que enviar para o 3350 uma mensagem a dizer STOP.

Mas para enviar a mensagem teria que fazê-lo do número que estava a ser afectado o que implicaria recarregar o dito telemóvel, correndo o risco de o saldo ser entretanto papado pelas mensagens que entretanto chegassem.

Ameacei ir à televisão, pôr a TMN em tribunal, mas nada. Recarreguei o telemóvel e recebi uma mensagem do dito 3350, desta vez sem descarregar os 2 euros, a dizer que o cancelamento tinha sido aceite.

Efectivamente passaram-se já uns dias e parece tudo ter voltado ao normal.

Porém pergunto: que lei da selva é esta?

JUSTIÇA PARA FLÁVIA





FLÁVIA VIVENDO EM COMA


Há dez anos, Flávia, que a tua vida foi interrompida tal como era. Há dez anos que deixaste de brincar como as outras crianças e não te deste conta que te fizeste adolescente e depois mulher.

Há dez anos que precisas de cuidados redobrados e de atenções especiais para que as tuas necessidades básicas sejam satisfeitas. Há dez anos que precisas de apoios financeiros para a longa terapia que te espera, se se confirmarem os prognósticos dos médicos de que o o teu estado de coma vigil é irreversível.


Há dez anos que assim vives e muitos mais anos assim te aguardam. Flávia, tu não estás sozinha. Tens o nosso amor que é imenso, que atravessa oceanos e continentes para te dizer quanto te amamos. Porém tu precisas mais que isso. Tu precisas que a justiça se cumpra e te seja dado o que te é devido pela incúria que te causou tanto mal.


Nós somos a tua voz, a voz que não podes expressar, e por isso dizemos que é preciso castigar os culpados e dar-te o pouco de sol que os cuidados da reparação financeira te poderão proporcionar.


Minha querida, o amor faz milagres, que faça ainda mais este o de seres ressarcida de tanto dano e - quem sabe-, um dia poderes acordar.

MALDITA DÚVIDA

Depois da fuga rocambolesca à justiça e do regresso em pompa, da foragida Fátima Felgueiras, temos o Procurador da República, Pinto Bronze, a pedir a sua absolvição pelo crime de corrupção, o mais gravoso de todo este processo.

É certo que, com os McCann, nos habituámos a perceber como a justiça funciona (ou não funciona) e das dificuldades em atribuir culpas quando se trata de indivíduos influentes e com capacidade económica para pagar bons advogados. Mas, mesmo assim, com o treino intensivo que tivemos, incentivado por uma comunicação social ávida de sangue, a verdade é que nos questionamos passo a passo pelo desfecho de um sem número de processos.

Na operação Furacão, em que o Estado foi lesado em mais de 200 milhões de euros, algumas correcções foram feitas, algumas dívidas ao fisco foram cobradas, mas resultados práticos em relação a empresas concretas não são vistos pelos olhos do cidadão comum.

Também não são vistos, pelos olhos do cidadão comum, grandes resultados pelo que se falava à boca cheia do dito “Apito Dourado” e vamos lá ver se, no caso Vale e Azevedo, existe efectivamente alguma pena a ser cumprida que escape às malhas dum bom advogado.

De surpresa em surpresa, se é que ainda podemos ficar surpreendidos, assiste-se ao desfecho do chamado “caso do álcool” em que o Estado foi lesado em 243 milhões mas que, dos 197 arguidos, só um foi condenado a prisão efectiva. Provavelmente porque tinha que haver um bode expiatório assim como no tristemente famoso processo Casa Pia em que, apesar de haver vítimas (que até foram indemnizadas pelo ex-ministro Bagão Félix), não se apuram culpados para além do tristemente Bibi, certamente o elo mais fraco.

Nesta linha de pensamento também não surpreende já que Paulo Pedroso seja indemnizado e regresse ao parlamento. O efeito psicológico da indemnização ofusca o facto de que a mesma não iliba Paulo Pedroso e se reporta apenas à prisão preventiva como foi noticiado.

Mas afinal estamos ou não estamos num País em que um cidadão é baleado numa esquadra da policia, episódio que nos põe ao nível, segundo Rui Pereira, dos EUA quando Lee Harvey Oswald, o suposto assassino de John F.Kennedy, foi baleado à entrada para a sala do tribunal?

E, como qualquer cidadão comum deste jardim è beira-mar plantado, uma angústia crescente quando faço um replay de memória sobre a informação que me chegou de tão mediáticos acontecimentos, toma conta dos meus dias e das minhas incertezas.

É que, no mesmo pensamento, existem duas versões contraditórias: de um lado a possibilidade de se condenar para a vida, a uma expiação cruel, pessoas inocentes, e doutro a possibilidade de se deixarem impunes verdadeiros culpados.

E esta dúvida que se tornou comum a tanta gente, mina, corrói e mata os nossos valores e as nossas certezas.

Porque a justiça falhou, por que falharam as nossas instituições, porque falhou todo o mediatismo que se estabeleceu em volta dos casos mais para ganhar audiências ou vender jornais, que para construir o que resta dum furacão devastador da nossas crenças.

Maldita dúvida que se instalou para ficar como se fosse um paradigma dos sinais dos tempos!

VIOLÊNCIA

Sou uma pessoa pacífica mas a violência chega-me de toda a parte agredindo-me com a sua existência. É da comunicação social, dos automobilistas impacientes, das filas do supermercado e até na blogosfera onde a maioria das pessoas nem se conhece.

Os laços de solidariedade são coisa do passado quando, em culturas distantes menos massificadas, menos materializadas, menos desumanizadas ainda se dedicava algum tempo a incutir valores às crianças.
Não bater às pessoas caídas, respeitar os mais fracos, os idosos os doentes. Coisas simples mas que fazem a diferença.

A violência é algo que me incomoda não tanto pelo medo mas pelo sentido da vida que se perde a defendermo-nos, obsessivamente, das constantes ameaças. Há este descrédito nas pessoas que mina a confiança e nos impede sentir o sol.

Mas o que ainda mais me desagrada na violência é o carácter pusilânime de que a mesma se reveste. É sempre o mais forte a exercer o poder sobre o mais fraco, aquele que não tem forma de se levantar e ripostar de igual para igual.

Crianças espancadas por familiares frustrados, nos seus sonhos medíocres, a maior parte das vezes porque é medíocre o sonho ilusório que não assenta numa realidade que se constrói. Sonhos presos no vazio e que secam tudo à sua volta.

São espancados velhos dentro da própria família, como se ser velho não fosse o destino de todos os que não morrem cedo. Como se extravasar frustrações sobre pessoas indefesas apagasse percursos e vislumbrasse caminhos. O respeito de outro acompanha, miseravelmente, a curva da decadência em que a pessoa não se defende porque já não pode.

A violência entre o casal também aumentou e são as mulheres a quase totalidade das vítimas simplesmente porque estão em desvantagem na força física. A violência doméstica mata mais mulheres do que o cancro. Segundo dados oficiais em Portugal registam-se, em média, 5 mortes/mês colocando preocupantemente o nosso País acima da média mundial.

O indicador de Violência Doméstica das Estatísticas da APAV 2006 revela que chegam à APAV (na sua rede nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e número nacional 707 2000 77) 16 mulheres vítimas de violência por dia, 112 por semana.

A violência doméstica em Portugal aumentou no ano de 2007 mais de seis por cento relativamente ao ano anterior. Os dados são de um relatório de segurança interna que dá conta de quase 22 mil crimes registados pela PSP e GNR só no ano passado.

Mas, para além da violência doméstica, crescem os crimes de violência sexual nos quais as crianças são um alvo privilegiado. Crianças indefesas que, para além de serem maltratadas, servem de gáudio a pais, padrastos e outros familiares, que são procuradas por “amigos” da família que, em troca de rebuçados e de ameaças, lhes roubam a inocência e as marcam para toda a vida quando não as destroem por inteiro. Crianças que são abusadas em instituições que deveriam ter como missão educá-las e fazer delas pessoas de bem. E não há culpados, há só vítimas. E mesmo quando se apuram culpados, entre a arraia-miúda, estes ficam a aguardar julgamento em liberdade e sofrem condenações absurdamente leves tendo em conta a enormidade do crime.

A violência parece ser hoje um tema central porque eclode, na sua face mais visível, que é a do dito crime violento. Mas omite-se, silenciosamente, as violências que se unem para engrossar o caudal desta violência culminante como se tudo se resolvesse pela força e pela autoridade. Como se as tensões não fizessem rebentar o tecido que as sustenta.

FOI O PRETO

Vivemos na sociedade da discriminação. Uma sociedade que se assume como evoluída mas que discrimina, de forma cruel, quem não corresponde aos seus padrões.

Não me refiro à discriminação dos que prevaricam mas sim a uma discriminação que recai sobre características físicas sejam elas étnicas, de deficiência, de sexo ou de aptidões.

Esta forma desumana de apontar o dedo é corroborada por uma comunicação viciada no serviço ao poder que a sustenta e a paixões fáceis que prendem, vinculam e facilmente se incendeiam.

Muitas minorias étnicas que vivem nos subúrbios das grandes cidades desenvolvem hábitos de violência que não praticam nas suas terras de origem. O desenraizamento cultural, a violência das condições de vida propiciam marginalizações de costumes que se transformam nos delitos que todos conhecemos e a comunicação social tão profusamente noticia. Porém estas notícias, ao invés de contribuírem para o esbatimento da situação são, em si, uma fonte duma outra violência: a discriminação fortuita que acaba por justificar para o discriminado os actos de violência que a si próprio associam.

É frequente, a propósito de tudo e de nada, ouvirmos ou lermos na comunicação social: x indivíduos de raça africana, ou de etnia cigana, ou do leste europeu, roubaram ou assassinaram, como se para o conhecimento do acto em si fosse importante este tipo de identificação. Identificação que já não é feita quando se trata dum europeu comum e ainda menos quando esse europeu é natural do País onde a noticia é produzida.

O que relato pode parecer de somenos importância mas não é. A formação da opinião pública é assim trabalhada e muitas pessoas concluem que determinada etnias têm atributos de violência e de inferioridade que as torna propensas ao crime organizado. Poucos pensarão nas condições de vida bem mais responsáveis que a cor da pele ou qualquer outra característica menos valorizada.

Recordo que um dia, ao sair de casa para uma caminhada pela avenida paralela à linha do comboio, ter sido avisada, por uma transeunte, que andava por ali um grupo de cinco “pretos” a roubar e a assaltar e que, por isso, tivesse cuidado.

Não tardei em cruzar-me com o referido grupo que vinha em louca correria e que atirou ao chão uma mala furtada. De etnia africana era apenas um.

E assim se marca com um ferrete, independentemente da culpa e das aptidões, conotando com características censuráveis outras pessoas de bem que sofrem uma discriminação injusta para a qual em nada contribuíram e que não conseguem mudar.

Mas não se diz “foi o preto” quando se refere um jovem nigeriano que ganha a vida a vender lenços de papel junto a um semáforo em Sevilha e que tendo encontrado uma carteira com 2.700 euros, um cheque no valor de 870 euros, um livro de cheques, uma caderneta de aforros, assim como documentação pessoal e empresarial, a foi entregar à polícia que posteriormente encontrou o seu dono, um sevilhano de 68 anos que a tinha perdido quando circulava de mota na estrada Esclusa para realizar uns pagamentos (PD 13-08-08).

Mas eu digo, foi o preto, o autor de tanta integridade que nos faz acreditar nos valores de um mundo em que tantas vezes descremos.

E digo “foi o preto” quando penso nessas pessoas maravilhosas como Eusébio, Francis Obikwelu e Nelson Évora, entre outros, que tanto contribuíram para o prestígio de Portugal no mundo. E digo “foi o preto” quando penso em todos esses imigrantes que trabalham e ajudam a construir um país do qual se sentem irmãos apesar da guerra.

E digo foi o preto, ao servente de pedreiro na casa em reconstrução ao lado da minha, que trabalha com dedicação e faz um sorriso rasgado quando me cumprimenta.


O RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO



São já 334 mil os que recebem o Rendimento social de inserção. Em finais de 2007 eram cerca de 312 mil mas, desde então, não têm parado de crescer. É esta nova faixa de pobreza onde se albergam toxicodependentes, desempregados e imigrantes que caracteriza os beneficiários duma prestação social destinada a famílias carenciadas.

Em terra de crise e de contestação os olhares acusadores recaem sobre uma população incaracterística que vive da miséria mesmo quando à porta têm carro e em casa um um plasma ou play station. São pobres na cultura e na subserviência que os impede emergir do pântano para uma vida com mais dignidade. Sim, porque o que importa é a realização pessoal conquistada pelo trabalho e pelo respeito dos outros coisas difíceis de interiorizar para quem vagueia pelas margens da vida, considerando talvez o Governo e o País que já fizeram o suficiente quando os libertaram duma miséria extrema através dum subsídio retirado aos cofres do Estado e algures aos bolsos dos contribuintes.

Pessoalmente não sou dos que acham que o dinheiro é mal gasto. Defendo, e sempre defenderei, o combate à pobreza e, por uma questão de coerência, não posso ir contra a uma medida de grande alcance social que nos eleva e redime de muitas outras maldades dos gestos e da indiferença.

O que condeno é que o País não tenha encontrado as soluções necessárias para a verdadeira inserção social libertando os subsidiários das cadeias da dependência e dando à população o desenvolvimento necessário à assumpção da sua maturidade social. Nesta perspectiva o Rendimento Social de Inserção deveria ser, como o nome indica e o conceito sugere, uma ponte de passagem e não um porto de chegada.

Porém jamais a minha voz se erguerá contra esta prestação social que peca não pelo conceito nem pela finalidade, mas pela incapacidade de construção a que estamos votados neste País que definha em moral e em costumes talvez porque os exemplos vindos de cima não tenham sido edificantes nem de molde a elevar os que chafurdam no charco.

Curiosamente, à medida que se extremam posições, vão-se ouvindo as vozes de certos senhores do antigamente, daqueles que sonham com um Salazar ressuscitado, como se fosse possível ressuscitar as trevas e delas fazer luz para os caminhos do futuro. E essas vozes indignam-se e insurgem-se contra o rendimento social de inserção, como se estivesse aqui a salvação da Pátria e a solução para todas as indignidades.

Porém estas mesmas vozes nunca se ergueram contra os grandes corruptos que não são condenados, contra os chorudos vencimentos acumulados em serviços públicos nem contra as fortunas que surgem do nada.

Essas vozes apenas se erguem contra esta espécie de bastardos do rendimento social de inserção apelando às paixões fáceis, de quem está desesperado, para atirarem mais uma pedra à execução do estado social.

Não, a minha voz nunca fará coro com quem pretende que o sol nasça no outro lado, onde a impunidade não conhece grilhões e onde a caridade é um bem das elites às quais as mãos estendidas deverão prestar vassalagem.

Sou contra a pobreza e contra a indignidade. Sou contra os joelhos que têm que vergar. Sou contra a vida que se prostitui para que uns possam ser gente.

O Rendimento Social de Inserção é uma medida de grande alcance social pese embora a incompetência na forma como é gerido. Porém nunca a minha voz se erguerá contra o pão que alguém comeu com o meu suor, seja ele de plasma ou de DVD. A minha voz ergue-se contra quem quer confundir os gritos de justiça para que não se saiba, ou se minimize, as grandes facturas que uns pagam para gáudio dos outros. Não dos pequenos, dessa arraia-miúda, mas dos impérios que crescem e florescem na economia do nada.

IRONIAS


Vivemos num mundo em que já nada espanta. Não sei se o mundo será pior do que quando eu não existia mas que exibe com despudor a sua hipocrisia, disso não me restam dúvidas.

Já não me bastava ver George W.Bush preocupado com os direitos humanos na China. -Não que eu ache que a China não viola os direitos humanos. Só que não deixa de ser irónico este apelo vindo dum fazedor da guerra do Iraque e do presidente dum País em que a pena de morte continua a ser aplicada, nomeadamente no Estado do Texas em que, enquanto governador, George W. Bush assinou qualquer coisa como 152 penas capitais. -

Mas dizia eu, já não me bastava ver George W.Bush preocupado com os direitos humanos na China, como ainda tive que saber que o espectáculo de abertura do Jogos Olímpicos, era um espectáculo viciado que revela o quanto beleza pode esconder a fealdade das intenções.

Ainda perdoo que, parte do espectáculo do fogo de artifício, fosse pura ficção dos computadores. Agora que a organização dos Jogos Olímpicos optasse por escolher Lin Miaoke, de 9 anos, para cantar em playback porque Yang Peiyi, a dona da voz que encantou o mundo, não era suficientemente bonita para ser mostrada, é algo que revela a postura dum país fechado sobre si mesmo numa ideologia pobre de valores humanos.

E nós por cá? Não temos as nossas ironias? Claro que temos e optei por uma que achei realmente ilustrativa de quanto pode a manipulação dos números.

O INE acaba de publicar o resultado dum Inquérito às Despesas da Família que revela que as famílias portuguesas têm, em média, um rendimento líquido mensal de 1.845 euros.

Fiquei baralhada. Outros dados indicam que 47 por cento das famílias portuguesas vivem ou viveram, pelo menos num determinado período, em situação de pobreza, que o ordenado mínimo nacional é dos mais baixos da Europa, que continua a proliferar os contratos precários de 500 euros. Como é que chegamos então a um valor médio de rendimento aparentemente satisfatório?

Bem sei que o estudo é de 2005-2006, algo que deveria impedir que os jornais o colocassem em grandes parangonas até porque a realidade se altera a cada momento num mundo de desactualizações extremamente rápidas. Porém, esta forma de atirar com os números, é algo equivalente a colocar a criança bonita com a voz da criança feia. Porque há uma verdade menos agradável que se encobre quando se soma e divide para achar a média.

Há um Portugal desigual em que as pensões e ordenados máximos são exponencialmente superiores ao que eram antes do 25 de Abril. Existe um fosso cada vez mais visível entre ricos e pobres com todos os privilégios que os avanços tecnológicos proporcionam em lazer e em conforto a uns e estão ausentes nos outros.

Não me custa aceitar que existam diferenças. Mas custa-me a aceitar que essas diferenças possibilitem a uns uma alimentação e cuidados de saúde adequados e a outros o sofrimento e o abandono.

E para isto não há médias.


FLÁVIA - A LUTA CONTINUA



Após o programa na TV-record em que Odele divulgou o caso de Flávia, haverá no próximo dia 15 de Setembro uma blogagem colectiva agora que o processo de Flávia seguiu para Brasilia.


Adere a esta luta e informa-te dos seus desenvolvimentos em FLÁVIA VIVENDO EM COMA .

Hoje por Flávia, amanhã por ti, em nome de todos nós não fiques indiferente.