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TOXICODEPENDÊNCIA, INTERESSES OBSCUROS E SOLUÇÕES


VOU ESTAR AUSENTE ATÉ 10 DE FEVEREIRO.ATÉ LÁ DEIXO ESTES TEXTOS PARA TROCA DE IDEIAS.PORQUE A DROGA EXISTE E DESTRÓI. PORQUE A DROGA É UM FLAGELO. PORQUE NÃO PODEMOS IGNORAR QUE O FLAGELO EXISTE E EXIGE MEDIDAS DE FUNDO PARA O COMBATER.


No mundo das drogas: a legalização e o tráfico

O consumo de drogas tornou-se o flagelo da humanidade assumindo tais dimensões que inviabilizam soluções no actual quadro do mundo presente vocacionado para um lucro que nada respeita, nem famílias, nem gerações, nem solidariedades. Um lucro ignóbil que põe em confronto riquezas e misérias extremas produzidas em máquinas gigantescas como o comércio da droga e das armas.
Digamos que a humanidade vive no contraciclo da construção, diminuindo-se, aviltando-se e perdendo os seus valores.
Há quem defenda perante tão vil humilhação que o tráfico da droga se combate através da legalização tal como a disseminação da SIDA se combate através da troca de seringas na prisão.
Relativamente ao tráfico, e para aqueles que defendem que o seu combate se faz através da disseminação legal de todo um conjunto de drogas leves, eu ponho reservas honestas, por não terem tabus, que este possa ser o caminho.
E isto porque num paraíso chamado Amesterdão o actual Perfeito já não consegue controlar o crime nem a degradação dos espaços resultante duma cultura de aparente liberalização sob pretexto de que a mesma faria diminuir o crime proveniente dos assaltos e do tráfico organizado.
Mas não foi preciso mais que uma década para que as ilusões fossem desfeitas mostrando o verdadeiro lado das intenções sempre assente no stato quo de sustentar impérios.
O actual Perfeito da cidade assume que quer limpar pelo menos o centro de Amesterdão do crime organizado, restringindo bares e cafés onde podiam ser exercidos livremente a prostituição e o consumo das drogas autorizadas. Diz o Perfeito que Amesterdão poderá ainda ter sexo e drogas mas de uma maneira que mostre que a cidade está sob controlo. E o que se subentende das palavras em itálico diz tudo duma cidade que visitei há mais duma década e que já nessa altura, e contrariamente a muitas opiniões que viam nela um paraíso de liberdades, me impressionou desfavoravelmente.
Não pretendo defender o meu ponto de vista até porque não tenho certezas. Apenas um mundo de interrogações. Pretendo sim, e apenas, trazer a debate e levar a reflectir sobre diferentes visões sobre tão sensível matéria para que através do confronto de ideias surjam posições sustentadas por factos que interesses múltiplos insistem em esconder.
E isto porque vivemos num mundo de contra-sensos onde se defende tudo, até o indefensável, com uma falta de pudor que choca e avilta mas que prolifera impunemente.
E se sou tolerante e solidária para aqueles que entram no mundo das drogas e que sofrem horrores por elas e em prol delas, o mesmo já não acontece em relação a quem vive do sangue alheio e se redime criando clínicas que complementam o seu negócio. Por detrás destes militantes activos do crime organizado estão figuras das mais graúdas e intocáveis que desempenham papéis sociais aparentemente incólumes na defesa de valores por vezes à sombra de religiões que exibem como feudos das suas couraças.


No mundo das drogas: Não sejamos hipócritas


Segundo dados oficiais mais de 100.000 portugueses vivem em situação de toxicodependência sendo que apenas cerca de um terço recebe tratamento nos CAT´s. Portugal é também, seguido da Espanha, o País que mais regista aumento de casos de HIV entre esta população fragilizada. Várias vozes se erguem a defenderem as salas de chuto, a troca de seringas nas prisões e até a legalização das drogas. Que entre os toxicodependentes estas posições sejam assumidas eu entendo e respeito. Que dor e aflição não passam estes presos dum vício que não os liberta e que os leva a cometerem actos que repudiariam em circunstâncias normais? E quando nós estamos no auge da dor ou da necessidade extrema não aceitamos soluções, sejam elas quais forem, que nos arranquem do corpo e da alma os gumes das facas que nos manietam? Para o toxicodependente consumir sem marginalidade acrescida e libertar-se do horror da procura e da humilhação, é como mostrar-lhes o paraíso vislumbrado dum inferno onde vão ardendo sem mãos que os afaguem. Sim, eu entendo que quem está, ou passou por isso, defenda essas situações. Também entendo essa defesa por parte de alguns bem-intencionados que vêm nela a solução para um tecido social que se rompe e não se regenera. Também não pretendo pôr uns entreolhos na defesa do meu ponto de vista tornando-me impermeável a opiniões contrárias. Entendo, sim, que devemos questionar os caminhos, que às vezes nem o são, porque para haver escolha tem que haver alternativas e para haver liberdade de escolha terá que haver informação. Relativamente à troca de seringas, nomeadamente nas prisões, confesso que não a entendo muito bem. Como é possível que em relação a drogas cujo tráfico é crime se assuma que se deverá praticar esse crime porque se colocam nas mãos das vítimas armas sanitárias esterilizadas? E mais: como podemos nós achar lógico que em prisões onde, por princípio, deveria imperar a segurança e a impermeabilidade ao crime organizado, o mesmo aconteça sob os olhares dos guardas e que, ao invés de se combaterem os prevaricadores, se dêem aos doentes condições para não se redimirem do vício que lhes roubou duas vezes a liberdade? O mesmo acontece em relação às salas de chuto. Claro que eu acho que o toxicodependente não deverá ser duplamente humilhando injectando-se no pó e na disseminação de vírus sob olhares recriminadores e assustados, que por vezes os enxotam como a vermes, esquecendo que são seres humanos e vítimas dum sistema que não se condói de fraquezas nem de maus-passos. Um sistema que cria a vítima que depois vem mostrar como uma orientação para a salvação da sua face humanista que cada vez é mais só fachada porque a máquina continua intocável a produzir lucros para os impérios que a sustentam. Mas como podemos nós defender salas de chuto e troca de seringas sem ir ao âmago da questão? E a questão está na prevenção e no combate ao tráfico. A questão está na salvação dos que enveredaram no caminho das drogas e não no prolongamento da sua agonia. Ou não será assim?


No mundo das drogas: O POLVO


Fala-se da dor mas não se fala de quem a produz. Fala-se do Universo feio dos que consomem mas não se fala de quem lá os pôs. Fala-se de medidas para castigar os que prevaricam mas não se fala em prevenção. Ou talvez se fale um pouco de tudo mas apenas para confundir e deixar na sombra os monstros gigantescos. Acredito que o Homem seja vítima das suas próprias criações e que desmontar os impérios da droga já não se faça de forma pacífica nem resultados tranquilos. Um Relatório da ONU, de 2005, dá-nos conta que o mercado mundial de drogas ilícitas supera o Produto Interno Bruto (PIB) de 88 por cento dos países do mundo. Mas para que se perceba melhor as implicações deste polvo transcrevo algumas passagens dum trabalho da autoria de Osvaldo Coggiola e publicado em “O olho da História” que poderá ser consultado na Internet. “Foi largamente demonstrado que a oferta de coca latino-americana é simplesmente a resposta à demanda dos 40 milhões de consumidores das drogas legais (…). A América Latina se degrada ao ver-se obrigada a integrar-se como abastecedora da importante população dos países desenvolvidos que recorre aos excitantes e calmantes artificiais para evadir-se da alienação laboral, da falta de horizontes sociais, ou da destrutiva competição hiperindividualista imposta pelo mercado. O consumo de drogas, que o capitalismo universalizou e massificou em cada época em grupos sociais e nacionais diferentes, esteve, na década de 1980, diretamente associado à extensão da marginalidade, da pobreza e da desocupação. O capitalismo só pôde oferecer crack, cocaína e heroína aos jovens que não emprega, aos emigrantes que expulsa, às minorias que discrimina ou aos trabalhadores que destrói. Na América Latina só reingressa entre 2 e 4% dos US$ 100 bilhões que produzem anualmente as vendas de cocaína nos Estados Unidos. A parte mais lucrativa do negócio é incorporada pelos bancos lavadores e, em menor medida, pelos próprios cartéis que internacionalizaram a distribuição de seus lucros, seguindo o padrão de fuga de capitais que desenvolveram as burguesias latino-americanas na última década. O preço da coca na plantação boliviana é 250 vezes menor que nos EUA. A mesma mercadoria no porto colombiano é cotada 40 vezes menos que nas cidades norte-americanas. Esta impressionante diferença é uma manifestação típica do intercâmbio desigual que governa os preços de todas as matérias primas latino-americanas. Para o principal país consumidor, os EUA, o narcotráfico é, à primeira vista, um grande problema. Bilhões de dólares têm sido gastos na guerra aos traficantes, e igual quantia tem sido perdida em consequência do vício dos cidadãos norte-americanos (gastos com reabilitação, perdas na produção, aumento da criminalidade etc.). Por outro lado, o narcotráfico é de grande utilidade para os EUA, chegando a gerar lucros, pois com a venda dos componentes químicos das drogas, a economia americana recebe em torno de US$ 240 bilhões, uma parte dos quais é investida em diversos setores da economia ou vai para os bancos. Os bancos da Flórida são especializados em "lavar" o dinheiro dos narcotraficantes e neles circula mais dinheiro em efetivo do que nos bancos de todos os demais estados juntos. Os EUA recorrem ao protecionismo para resguardar seus "narcoprodutores" da competição externa. Utiliza desfolhantes contra o cultivo de marijuana no México, para favorecer seu desenvolvimento na Califórnia; destrói laboratórios de drogas proibidas no Peru e na Bolívia para reforçar o envenenamento legalizado que realizam os monopólios farmacêuticos com estupefacientes substitutivos; luta contra as drogas naturais e processadas em defesa das sintéticas patenteadas e comercializadas pelos grandes laboratórios; guerreia contra os cultivadores latino-americanos auxiliando seus velhos sócios do sudeste asiático. A repressão extra-econômica ao tráfico é a forma de regular os preços de um mercado potencialmente estável pelo caráter viciante do produto. Com a "guerra ao narcotráfico", os EUA tratam de salvaguardar suas companhias químicas provedoras de insumos para o processamento, propiciando, em geral, uma "substituição de importações" no grande negócio de destruir a saúde e a integridade de uma parte da população (…). O domínio do comércio de narcóticos foi, desde o século passado, um campo de rivalidades interimperialistas e, por isso, a atitude do governo estadunidense frente ao problema nunca se baseou em considerações sanitárias, mas nas alternantes necessidades políticas. Isto explica o oscilante predomínio de períodos de tolerância e repressão, permissividade e perseguição, e o tratamento do consumidor como delinqüente ou enfermo.




UM PRÉMIO NO FEMININO


Geralmente os prémios no feminino não me agradam. Luto por derrubar muros onde se acoitam feudos em que vivem pessoas que, como toda a gente, fazem parte duma humanidade que se quer de livre circulação na igualdade dos direitos e, por conseguinte, nos reconhecimentos.

Porém e no sentido de dar a conhecer mulheres que no anonimato vão edificando percursos sofridos ou que com uma generosidade extrema se entregam aos outros, vou fazer deste prémio algumas referências - parcas por não caberem todas e porque em muitos casos peco pelo desconhecimento -.


O prémio que me foi atribuído pela minha amiga Rosário de Instantes de Vida será atribuído a estas 8 mulheres que passo a citar:

- Xana - Porque só eu sei o esforço que faz para emergir das cinzas e a luta que trava por um reconhecimento.Vale a pena visitar o blogue recém criado e sentir a força das suas emoções.

- À Fatyly uma força viva do tempo, actualizada com a dor dos lugares e incansável na luta contra a injustiça e a discriminação.

- À M. por ser capaz de provar a superação do ser na expressão dos seus belos escritos e na sua militância junto de grupos fragilizados.

- À São Banza uma mulher guerreira e desassombrada que nos ensina a ver a força noutra dimensão.

- À SOPHIAMAR que sei que não virá receber este prémio mas com quem comungo as areias e as paisagens do Sul e aqueles sonhos partilhados no silêncio.

- À ODELE pela sua luta e persistência que une vozes em todo o mundo em prol da criança que deixou de o ser e vive há 10 anos em coma vigil.

- À RAY a mãe coragem que se orgulha do seu filho autista e luta com denodo pela sua integração e reconhecimento num mundo ainda não preparado para as diferenças.

À ALICE Um percurso de sensibilidade e força a mostrar a capacidade de seguir em frente.

Aqui não estão todas as MULHERES que eu queria colocar e que me visitam. Não porque estas sejam as mais importantes mas porque são estas. Agora e apenas. Para que vocês as sintam como eu as sinto. Sem se dispersarem.

A DROGA E O MUNDO


A toxicodependência e o tráfico de drogas são, sem dúvida, dos problemas fundos e incontroláveis do mundo contemporâneo.

Serão, segundo estatísticas, mais de 200 milhões, em todo o mundo, os que consomem drogas ilegais tendo o seu tráfico experimentado um crescimento ímpar nas três últimas décadas do século XX, sobretudo o da cocaína com particular enfoque na América Latina onde a baixa dos preços das matérias-primas nos anos-70, nomeadamente do café, cacau e algodão, empurrou milhões de camponeses para uma produção intensiva de folha de coca que pretendia contrabalançar os deficits de produção indispensável à sua sobrevivência.

Na Bolívia, os mineiros que só na COMIBOL-minérios viram o desemprego atingir os 75% tornaram-se nómadas forçados passando a deslocar-se com as suas barracas à procura de emprego e acabando por juntar-se aos camponeses que já sobreviviam da plantação ilegal de coca. Actualmente a coca representa qualquer coisa como 75% do PIB da Bolívia. É assustador pensar na sua produção a tão grande escala e igualmente assustador pensar o que sucederia a esta população se de repente a plantação da coca deixasse pura e simplesmente de existir.

O narcotráfico é, no mundo presente, um dos negócios mais lucrativos. A sua rentabilidade é da ordem dos 3.000%. Os custos de produção representam 0,5% e os de transporte gastos com a distribuição cerca de 3% em relação ao preço final de venda. Este negócio expande-se à sombra da livre circulação de capitais, dos paraísos fiscais, na progressiva eliminação das fronteiras, da impunidade com que as organizações criminosas actuam, do sigilo bancário, do contínuo branqueamento de capitais onde os valores provenientes do tráfico de droga são convertidos em importantes activos pelos mais insuspeitos grupos económicos.

Estima-se que existam, em Portugal, mais de 100.000 toxicodependentes com uma larga percentagem ligados à cocaína contrariando a tendência generalizada para outro tipo de drogas sintéticas, e que se explica em parte pela posição geográfica de Portugal que, tal como o sul de Espanha, é um corredor de passagem das drogas vindas por mar de Cabo Verde e da América Latina.

Apesar do combate e das apreensões a nível local das drogas ilícitas a sua expressão a nível global é nulo ou por demais insignificante. Tendo em conta os milhões que geram e os interesses que encobrem todas as operações desencadeadas pecam por ingénuas quando todo o polvo se estende e alimenta num quadro de deterioração das condições de vida que ora fomenta ora se demarca mascarando de humanismo a desumanidade que o leva a alimentar-se do sangue e da pobreza.

Os mesmos que injectam a morte e a destruição são também os que defendem o negócio privado do tratamento e da reinserção social quais lucros paralelos e complementares duma realidade indigna e por demais cruel.


SURPRESAS

Para quem ama a arte, a imaginação e a criatividade, essa relação excelente que o ser humano estabelece com as coisas que o rodeiam, e o torna realmente um ser superior, é uma obrigatória uma visita pelos blogues do grupo do VARAL DAS IDEIAS


É um desafio à imaginação em que todos os objectos mesmo os mais prosaicos se expõem em diferentes perspectivas, estabelecendo um diálogo soberbo com quem os olha com um olhar diferente. Ao Eduardo p.l. agradeço a caricatura que a seguir exponho e que foi produzida a partir da minha foto. Poderão apreciá-la in loco em VÍTIMA DA QUINTA







Mas as boas surpresas não ficaram por aqui. Também o meu amigoManDrag tem um conjunto de blogues de grande gabarito cultural, atento aos problemas da época e revelador duma sensibilidade ímpar. Por isso me orgulho muito do prémio que dele recebi (tal como outros blogues) e das palavras que acrescentou à nomeação do Silêncio Culpado e que se encontram no CONFESSIUM


Prémio atribuído a Silêncio Culpado pela oportunidade de conteúdos e pela clareza com que apresenta esses mesmos conteúdos em óptimos textos, bem elaborados.


QUANDO A DROGA ACONTECE. UM NOVO CICLO DE DEBATES. LEIA NO SIDADANIA OS MALEFÍCIOS DA DROGA E NO SOL POENTE O TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES

ESPERANÇA NUM HORIZONTE TRISTE



A esperança é a última a morrer mas também morre. Só que quando a esperança morre em quem com fé porfia, os braços não pendem e outros caminhos se constroem. Permitir que nos levem a esperança sem que nada façamos, não seria digno de sermos gente. Gente com história e com passado. Talvez não tão glorioso como aquele em que nos fazem crer mas um passado de não confinação.

O ano começa com a recessão da economia que já existia e que continua. E com aquelas notícias a que estamos habituados e que fazem que os nossos amigos, familiares e companheiros nos digam a propósito de tudo e de nada perante os acontecimentos que vão chegando ao nosso conhecimento.

- Eu não te dizia que o Armando Vara foi promovido na CGD já depois de ter saído para o BCP? Vê lá se não foi verdade.

- Eu não te dizia que o desemprego ia aumentar e que as promessas de José Sócrates não passavam de fogo-fátuo? Claro que a culpa é da crise. Tem sempre que haver um culpado e nenhum melhor que a crise para transportar o fardo às costas.

Estamos mais pobres, mais endividados, mais inseguros e mais espoliados. O país está envelhecido e as crianças que vão nascendo nascem muitas delas sem as mães terem condições para as criar. Milhares de bebés nasceram no ano passado filhos de toxicodependentes, vítimas de violência doméstica e com problemas de saúde mental.

Muitas das famílias que os receberam são disfuncionais ou têm dificuldades tão grandes e de tal ordem que chega a haver situações em que os hospitais recusam entregar os filhos às mães quando estas saem da maternidade.

- Eu não te dizia que vamos de mal para pior e que não há remédio para a crise enquanto se pretenderem lançar remendos para deixar tudo na mesma? Sabes que 75% dos pensionistas têm menos que um ordenado mínimo? E que de 1.600.000 pensionistas nestas condições só cerca de 160.000 recebem o complemento solidário para idosos?

- Eu não te dizia que um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês? E que 32% da população activa entre os 16 e os 34 anos seria pobre se dependesse só do seu trabalho?

- Eu não te dizia que… Não, não vale a pena continuar. Os exemplos são por demais evidentes. Que consciência se cala contra este afundar? A minha não. Porque há esperança quando se perde a esperança. Não é o mundo feito de renovação?

- Sim, e então? Não temos só desgraças. O grande empresariado tem tido lucros fabulosos e houve quem ganhasse milhões na Bolsa. Também os nossos gestores são dos que mais ganham na Europa. Vamos ter um TGV que nem a Noruega, país tido como dos mais desenvolvidos, se atreveu a construir.

Nós somos felizes assim na nossa pequenez. Se o rendimento dos dois milhões dos mais ricos é 7 vezes o dos dois milhões dos mais pobres é porque uns são políticos, banqueiros ou corruptos e os outros são apenas trabalhadores ou com vontade de trabalhar. Tudo isto é natural. Pertencemos à U.E., vivemos em democracia e vamos continuar a votar para que nada mude.



FUJAM DESTE PAÍS...


Afinal, porque é que Portugal é, cada vez mais um País desagradável onde, segundo um estudo, até as pessoas têm vindo a sorrir cada vez menos desde 2003?

Será por causa da crise? Da recessão anunciada? Do desemprego? Do frio? Da gripe?Não. Talvez todos estes factores tenham algo a dizer, mas o que é verdade é que o maior problema está no facto de, diariamente, sermos confrontados com notícias ao estilo «isto-não-pode-estar-a-acontecer».

Exemplos? Pode ser mesmo este: em Alcobaça, havia uma fábrica de faianças chamada Aljubal, que, em 2000, fechou as portas, deixando 21 pessoas sem emprego.

Como manda a lei, estes trabalhadores (maioritariamente mulheres, muitas com mais de 60 anos), para além da carta para receberem o subsídio de desemprego, tiveram também direito à devida indemnização. E estamos a falar de indemnizações entre os 10 e os 20 mil euros - ou seja, nada de valores milionários, mas sim apenas compensações devidas a pessoas que trabalharam uma vida inteira para se verem sem trabalho a dada altura.

Sucede que, no final de 2008, estes ex-trabalhadores foram notificados pelo Tribunal Judicial de Alcobaça para, no prazo de dez dias, depositarem nos autos, a favor da massa falida da empresa, a importância que receberam. Isto porque a Aljubal devia mais de 700 mil euros à Segurança Social e esta última entidade achou por bem «espoliar» os ex-empregados de uma indemnização que estes receberam há oito anos.

Se alguém perder o emprego, a Segurança Social é a primeira entidade a criar todas as dificuldades ao desempregado para que este possa receber o subsídio que lhe é devido. Faz-se de má pagadora, mas não admite que alguém lhe fique a dever um cêntimo que seja. Ou seja, a Segurança Social protege-nos, mas quem nos protege da Segurança Social?



Vasco Lopes - Jornalista(vascolopes.nm@gmail.com)




Nota: Apesar de não ser a autora do texto subscrevo-o na íntegra. O forte impacto que me produziu justifica a selecção e a divulgação.


AS SEGUNDAS OPORTUNIDADES




Entre os paradigmas modernos, que procuram dar da sociedade uma visão humanista, é frequente defender-se que todos deverão ter uma segunda oportunidade independentemente do seu passado e, naturalmente, dos desvios que tenham cometido.

Esta visão não é consensual porquanto quem sofre uma agressão violenta ou sente os efeitos de um crime sobre um ente querido, dificilmente perdoa ao autor que provocou tão grande dano e que não deixou às vítimas a tal segunda oportunidade que agora reivindica.

É difícil colocarmo-nos num e noutro lugar quando não estamos numa ou noutra circunstância ou não fizemos um determinado percurso num determinado sentido. Se por um lado podemos admitir que o facto de castigarmos alguém com a prisão ou a morte não nos devolverá o ente querido que nos foi roubado, por outro acredita-se que todo o ser social deverá pagar à sociedade o muito que lhe rouba quando dos seus actos resultaram danos voluntários. Nesta perspectiva o cumprimento duma pena teria, também, segundo opiniões, um carácter desincentivador de práticas marginais.

Particularmente, sou defensora de que a criminalidade deverá ser combatida através da prevenção. Para tanto será necessário que as instituições, a diferentes níveis, não encubram as causas identificadas para essa criminalidade estabelecendo programas e compromissos a serem postos em prática mediante objectivos concretos e resultados visíveis.

É minha convicção que as sociedades actuais, nomeadamente a portuguesa, desperdiçam recursos humanos que poderiam ser muito úteis à qualidade dessas mesmas sociedades que se deterioram por falta de regeneração e pelo recrudescimento da violência associada a todo um conjunto de factores que, embora identificados, são desvalorizados ou omitidos pelos governos e pela própria comunicação que prefere dar vazas ao gosto circense a esclarecer e desenvolver uma consciência colectiva em torno de problemas concretos.

Entre os recursos humanos desperdiçados temos desempregados a receber subsídio e com formação em áreas vitais no combate à criminalidade e temos os próprios indivíduos que cumprem penas e que são susceptíveis de poderem ver revertidas essas penas em serviço comunitário, devidamente acompanhado e com algumas compensações. Alguma coisa já se faz neste sentido porém ainda muito longe do que pode vir a ser feito e que as circunstâncias aconselham.

Neste 2009 em que se espera o agravamento das condições de vida e o aumento da violência, seria desejável que políticas de prevenção e reinserção fossem encaradas intensivamente de forma a devolver às populações condições de paz e segurança sem as quais pouco valor têm todos os bens que possuem.


Bem vindos a 2009 e que este seja um ano positivo apesar das dificuldades que se perspectivam.





ANO 2009, O ANO DA VERDADE?



Há uma velha máxima que diz que podemos enganar muitos durante muito tempo mas não todos durante toda a vida. As receitas milagrosas do marketing e da comunicação para vender teorias económicas que levam ao descalabro ou para vender a imagem dos poderosos que com elas beneficiam, terão que procurar novos ingredientes uma vez descobertas as suas intenções pouco éticas e de grande injustiça moral e social.

Hoje, um pouco por todo o mundo industrializado, os cidadãos não têm dúvidas sobre as injustiças sociais devastadoras originadas por uma corrupção que não é combatida embora esteja, cada vez menos, no segredo dos deuses. Os políticos que dizem e se contradizem e cuja ambição se fixa no objectivo de tomarem o poder, de mandarem e serem poderosos seja a nível material seja a nível de ideias, vão ficando cada vez mais desacreditados em sociedades cuja informação corre à velocidade da palavra.

Os logros em que caíram os que acreditaram em modelos que lhes sugam o sangue em consumos desenfreados, frenéticos e alienados, que alimentam quem decide e mexe os cordelinhos, estão cada vez mais evidentes e são cada vez mais apontados.

Em Portugal os movimentos sociais crescem e reproduzem-se e, a nível de ideias, surgem novos paradigmas que questionam realidades tidas como verdades até um passado recente.

Todos sabemos que uns são pobres e desempregados mas que os mais ricos não param de enriquecer à custa da especulação, da corrupção e de tráficos da mais variada ordem.

As máscaras vão caindo à medida que os ventos açoitam os rostos.

A solidariedade estratégica e institucional do actual Presidente da República a José Sócrates caminha para o colapso caídos os disfarces em que se escudava.

Cavaco Silva provavelmente não tenciona recandidatar-se e, assim sendo, já não precisa renegar a sua família de origem mais conservadora e de grandes laços de raízes funcionais e afectivas.

Também o processo Casa Pia caminha para uma clarificação. Não significa que se tenha feito, ou se vá fazer justiça e que todos os culpados venham a ser julgados. Porém já não restam dúvidas sobre a não existência de cabalas, difamações perpetradas na calada da noite com fins obscuros de destruir pessoas bem colocadas.

Apesar de muitas dúvidas que ainda subsistem, e do lento caminho para quem percorre a verdade, acredito firmemente que o ano de 2009 seja um ano de luz e de mudança.

Há crises que dão origem a ressurgimentos. É com essa fé que me despeço e desejo a todos um BOM ANO 2009!