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MENSAGEM DE BOAS FESTAS AOS MEUS AMIGOS


DESEJO A TODOS OS MEUS AMIGOS UM NATAL MUITO, MUITO FELIZ QUE SE PROPAGUE POR TODOS OS DIAS DAS VOSSAS VIDAS.
Estar ausente não significa esquecimento. Significa apenas não estar fisicamente aqui. Porém trago-os em mim, por tudo o que aprendi convosco, pelos testemunhos de Amizade que me deram. Há coisas que são eternas.

RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO, O DRAMA ETERNO



Este texto pretende começar por chamar a atenção para uma situação que está a ocorrer em que as economias do Governo, no que concerne a prestações sociais, levaram a cortes substantivos em RSI´s de valor exíguo (ex. 289 €/mês) a pessoas com doenças crónicas e em situação de necessidade absoluta de dignidade de subsistência e cuidados de saúde (caso Hepatite C, VIH, etc.).





O Rendimento Social de Inserção (RSI) parece congregar, da parte de alguns agentes da nossa praça com altas responsabilidades como leaders de opinião, todo um conjunto de responsabilidades pelo descalabro a que o País chegou em vários domínios.
Parece que a crise económica, segundo algumas cabeças sábias, se resolveria, pura e simplesmente, cortando este Rendimento a pessoas que, segundo elas, não querem trabalhar ou são um peso morto na sociedade.
Sem pretender subestimar a necessidade duma vigilância efectiva sobre os beneficiários desta medida no sentido de se acompanhar a sua capacidade de resposta social e de perceber a necessidade que existe e persiste em lhe conferir o RSI, não posso deixar de me indignar quando se fazem cortes cegos sem se perceber quanta vida se encurta, se destrói ou se torna indigna. Medicamentos e tratamentos que deixam de ser feitos, alimentação adequada que não é cumprida e, em cúmulo, o recurso a expedientes como o tráfico o roubo e a prostituição para alguém manter um simulacro de vida.
O que é curioso é que, quem questiona este magro subsídio, nunca se viu pôr em causa as avultadas verbas despendidas pela Presidência da República nos seus roteiros para a inclusão que, para além de pretenderem fazer passar uma imagem humanista de quem as promove, outros resultados práticos não são conhecidos nem procurados.
Também é com humildade, e submissão, que os portugueses vão pagando a nossa RTP 1 e 2, quer nas facturas da luz quer nos pacotes como MEO e TVcabo que permitem uma tributação dupla e ilegítima. Isto para não falar no déficit da RTP também pago com o dinheiro dos contribuintes, que segundo se estima, fica em 40 €/ano a cada português. E tudo isto para difundir a comunicação do poder que permite manter a discriminação, a aceitação das injustas desigualdades e, naturalmente, ter alguns bem-falantes a baterem nas prestações sociais dos mais necessitados.
Poucos põem em causa as despesas de representação que continuam a ser feitas, quer a nível do governo quer das empresas públicas nem os estudos inúteis pagos, a peso de ouro, por este País fora na relação de promiscuidade Estado e seus acólitos.
Não vou citar mais exemplos embora muitos me ocorram. A justiça é um processo que irá ocorrer porque uma nova tomada de consciência há-de ser feita ainda que a duras penas. E caridade das elites há-de dar lugar à dignidade, ao respeito e à igualdade de oportunidades.
Porém, e em especial neste Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, não podemos permitir que situações como as atrás descritas ocorram sob a égide da nossa anuência.


Junta-te a nós na nossa indignação!

ESTIGMA E CONTEXTOS: QUEM DECIDE?


O estigma é uma postura punitiva que não aparece do nada. Ela existe, e é criada, a partir de determinados pressupostos que uma elite de poder entende aplicar de acordo com os seus interesses fragilizados, noutras ameaças, de que se protege apontando.
Os factos que determinam o estigma são dolorosamente subjectivos, e logo discutíveis. Só que quem é atingido raramente tem voz ou capacidade para os discutir.
A sociedade e o poder são feitos de incongruências.
Na guerra um soldado pode matar velhos, crianças e outros indefesos, e ser condecorado por estes actos heróicos que permitiram erradicar inimigos, reais e potencias, numa escala de valores patrióticos dos quais quem executou raramente teve a consciência. Porém, esses mesmos indivíduos, soldados do nada e da destruição, uma vez regressados do teatro da guerra, deverão despir-se das suas motivações bélicas e transformarem-se em cordeiros submissos.
É que se matarem alguém num acto de desespero, e na génese duma guerra que lhes tirou a alma, serão considerados criminosos e, por vezes, condenados à pena capital...
Também quando se fala em prostituição todos representam as prostitutas da rua e do bordel como se este conceito só se ajustasse a estas pessoas fragilizadas.
Todavia, se entendermos a prostituição como a prestação sexual em troca de um bem, logo concluiremos que vivemos em sociedades amplamente prostituídas em todas as suas vertentes. Não será prostituição aquele ou aquela que faz sexo com o parceiro, por vezes num contexto do abençoado matrimónio, só para ter segurança económica e social? Não será prostituição todos os lugares/cargos a que muitos ascendem envolvendo-se com as pessoas certas e utilizando-as nos mais diversos domínios? Não será prostituição todos os casos que acontecem, a todos os níveis, em que a cama é utilizada como trampolim de ascensão social?
Porém só a prostituta de rua é estigmatizada. Só a prostituta de rua paga a factura do estigma porquanto ao mais alto nível o dinheiro e o poder tudo apagam.
E os ladrões? Serão só os que roubam carteiras ou assaltam estabelecimentos? E quem dirige empresas e leva-as, dolosamente e em proveito próprio, à falência tirando o pão da boca a tantas famílias? Quantos usam e abusam de influências para atirar para as margens os mais capazes só porque lhe fazem sombra? Quantos se apropriam do que lhes não é devido, levando a sociedade a cobrir, com impostos que cobra aos mais pobres, a sua falta de ética? Quantos são condenados? Às vezes um ou outro para transmitir a falsa ideia que a justiça se cumpre e que até é igual para todos.
Veja-se nos U.S.A. de que classes são oriundos os indivíduos que passam pelo corredor da morte.
A construção do estigma não é pois inócua. Ela serve vários e obscuros interesses. Interesses de poderosos, interesses de frustrados que julgam os outros sob a teoria do espelho e apontam o dedo para se sentirem diferentes. Porque só os pobres e desprotegidas carregam o estigma de serem ladrões e são discriminados quando pretendem trabalhar, quando pretendem viver redimindo-se dos erros cometidos. Mas para estes não há remissão. O estigma está sempre lá e nada podem fazer para o apagarem de si. Porque é hipocrisia falar-se em inclusão quando se promove o estigma de forma inexorável.
Estes são apenas uns exemplos que citei entre muitos que poderia citar para que todos nos recusemos a sermos estigmatizados. A dignidade é de todos e para todos. Não temos que a mendigar. Apenas demonstrar que a verdade e a justiça só podem ser faladas a uma só voz. A voz que procura a compreensão e o respeito e jamais se levanta.
Quem acha que não merece o estigma, ou que o estigma não lhe diz respeito, que pare e pense: será que não?

DE REGRESSO E ANTES DA INSPIRAÇÃO



De regresso e antes que a inspiração me posicione noutro post - que poderá não ser de todo inspirado mas terá que ser de todo sentido - deixo-vos, com muita amizade, este poema de Brecht que acho lindo.


Ah! Desgraçados!

Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado?
Grita de dor o ferido e vocês ficam calados?
A violência faz a ronda e escolhe a vítima, e vocês dizem:
"a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando".
Mas que cidade?
Que espécie de gente é essa?
Quando campeia em uma cidade a injustiça,
é necessário que alguem se levante.
Não havendo quem se levante,
é preferível que em um grande incêndio,
toda cidade desapareça,
antes que a noite desça.



AMIGOS NÃO SE PODEM DEIXAR



Poderia arranjar mil desculpas para a minha ausência mas entendo que isso seria indigno de mim e que devo proceder sempre, com amigos tão especiais e dedicados, com aquela lisura que eles sempre tiveram comigo e que sempre tive para om eles.

Tenho estado afastada porque criei vários projectos no Facebook e tenho estado ligada a causas que me absorvem sobremaneira. Um blogue exige sempre textos mais longos e um acompanhamento mais moroso e dedicado.

Porém, se o impulso de deixar estas lides tomou conta de mim, já os comentários que recolhi me caíram fundo. E aqui estou com mais um post e juro que vou vê-los hoje a todos para matar saudades.

Há pessoas que nos marcam e passam a fazer parte da nossa identidade.


AGRADECIMENTO, NOTÍCIAS E INTERREGNO

É com alguma mágoa, e muita saudade, que leio os comentários que os amigos - aqueles amigos verdadeiros que nunca nos deixam -, vão colocando neste post antigo e desactualizado como uma planta que perdeu o viço por falta de alimento.

E pareço ingrata, eu que combato a ingratidão que agora pratico.

Estes amigos fazem parte duma jornada que nos deveria conduzir a causas e a ideias que façam da vida menos agreste e das pessoas mais justas e solidárias. Saí do grupo não por falta de amizade e coesão para com os que ficaram. Saí porque saí. Os ventos que sopram nem sempre se compreendem.

Agora vou continuar ausente. Ausente aqui e do País, provavelmente. Mas voltarei um dia destes. E trarei a minha força, aquela força que todos juntos nos ajudamos a ter. E há tanto que fazer e tanta estrada para caminhar!... Voltarei sim e me perdoem por ainda não ter voltado.

Não os esqueci nem esquecerei.

A todos obrigada e até um dia destes.


TODOS SOMOS GENTE - VIVA O 1º.DE MAIO


VIVA O 1º. DE MAIO





O 1º. de Maio é uma data que tem que ser assinalada, de forma veemente e sentida, por todos os que são injustiçados e por todos os que, não o sendo, reservam dentro de si um espaço de consciência social. Porque temos mais de 600 mil desempregados, mais de 2 milhões de pessoas no limiar da pobreza, cerca de 4 milhões sem condições de dignidade.

Porque vivemos num mundo global em que os 500 mais ricos consomem recursos equivalentes aos que consomem 46 milhões dos mais pobres.

As nossas escolas continuam a ser reprodutoras das desigualdades, a saúde continua a ser privilégio só de alguns e a luta pela sobrevivência cansa e mata quem a procura sem espaço para o sonho nem para a liberdade.



OS NOSSOS POETAS





Deixo-vos mais esta poesia de Fernando Cardoso e, para que tenhamos presente que sem crianças não há amanhã e que para que esse amanhã seja de partilha e não de guerras, há que ensinar as crianças a amar. Fernando Cardoso ensina-nos o caminho.

CRIANÇAS-ADULTAS


Mas há e houve crianças

a quem ninguém perguntou

o que desejavam ser,

nem ninguém lhes deu esperanças

de um dia lograrem ter

no trabalho prematuro

uma réstea de futuro.


São as cianças-adultas

que nunca foram meninos,

que cresceram, sem brincarem

e sem histórias lhes lerem,

a trabalhar às ocultas

para assim sobreviverem

numa sociedade louca,

numa vivência vetusta,

numa sociedade mouca,

numa sociedade injusta.

in "O Ciclo da Vida" - Editora PortugalMundo.