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REFLEXÃO PARA A SEMANA SANTA

"Numerosas crianças estão empregadas na economia informal, no artesanato,no pequeno comércio,na mendicidade.

O trabalho doméstico(no Magrebe, no Médio Oriente, na África Ocidental, na América Latina) é dos mais perniciosos, estando a criança exposta a todas as humilhações e a todas as violências, nomeadamente sexuais.

A causa primeira desta miséria é a pobreza, uma pobreza que a mundialização económica generaliza e agrava."

IGNACIO   RAMONET
("GUERRAS DO SÉCULO XXI")


 19/4/2011

O GOVERNO CAIU E ESTOU TRISTE

O Governo caiu. Era previsível, expectável e até desejável, face às convulsões sociais cada vez mais intensas. As pessoas viram-se devastadas por uma austeridade em nome de interesses que não são os seus. Aos jovens sem futuro, aos desempregados, aos proscritos, aos silenciados, juntaram-se cada vez mais descontentes. Um descontentamento que vem das situações criadas, das crises propagadas, mas também do logro de nunca se ter dito a verdade nem agido de acordo com a mesma.
Têm sido os mais pobres a pagar a crise. Os beneficiários do subsídio de desemprego, do RSI e os pensionistas que descontaram toda uma vida para terem uma velhice sem sobressaltos.
O Governo caiu mas eu estou triste. Vejo o meu País varrido por ventos que lhe arrancaram a alma. Vejo as pessoas, a esmagadora maioria, cada vez mais pobres e mais descrentes. Cada vez mais desprotegidas e inseguras.E sinto-me cansada. Cansada de ouvir que a culpa foi do outro. Cansada de que nos digam que estes sacrifícios e mais outros e outros nos levam a sair do túnel. Não aguento mais tanta hipocrisia. Os ricos continuam mais ricos e muitos deles sem se saber como (ou até talvez se saiba).
Quero para o meu País pessoas que tenham o mínimo para viverem com dignidade. Um Serviço de Saúde que chegue a todos os que dele necessitam. Quero para o meu País Igualdade de Oportunidades nas Escolas e nos acessos aos empregos. Quero para o meu País um desenvolvimento sustentável que permita acabar com a pressão humana sobre o litoral e as grandes cidades que só produzem desenraizamento, violência e solidão.Quero para o meu País uma Justiça que funcione e que não esteja sempre ao lado dos mais fortes. Quero para o meu País pessoas felizes por serem livres e exercerem a sua liberdade com respeito pelo outro. Quero para o meu País que acabem as escabrosas desigualdades sociais e que se combata a corrupção e o enriquecimento ilícito.
Se qualquer Partido, com assento na AR, ler estes meus desejos aposto que todos, um por um, se assume como sendo o mais capaz para os pôr em prática. Não há um único que diga que não faz ou não fará isto.
Por isso o Governo caiu e eu estou triste.

Lídia Soares


DIA DA POESIA


NAVEGAÇÃO

Navegando
Em lágrimas
Passa
Pesada e densa
A barca da vida
Ao largo da esperança
E longe da alegria
Enquanto
No limbo do tempo
S´embota o gume
Dos nossos dias partilhados
Hora a hora
Com os afiados caninos
De todos
Os lobos resguardados
Nos olhos abertos
Dos mortos.

SÃO  BANZA
( " EM OURO CRU")

O Caos sob a forma de jardins coloridos, em escrita onde a inspiração é omissa.
Escrevo sobre nadas que o não são na realidade. Escrevo sobre sentires que outros não sentem, sobre dores que outros não têm. Escrevo porque gosto de escrever e sinto como se o teclado de letras fosse de notas musicais de um piano a ser dedilhado. Tento compor melodias de palavras a cada dia mais trabalhadas rumo ao modelo pretendido pelos puristas.
Hoje não quero falar sobre as guerras no mundo, nem sobre a fome. Deixo as convulsões sociais e o desespero das famílias.
Saio do mundo real e vivo o utópico mundo dos poetas. Vejo o clarear e o nascer do sol e ouço o cantar das rolas que anunciam o novo dia. Um melro de bico amarelo pousa em centenária oliveira de ramos secos que teima em viver. Sinto nas faces a brisa gélida da manhã como que a despertar-me para a vida.
Sento-me ao teclado do piano virtual e toco a melodia dos sentires. Escrevo sobre nadas e calo a revolta em notas musicais que saem como um grito abafado. Silêncios que a morte cala.
Escrevo para não esquecer. Escrevo para lembrar aquilo que gostaria de escrever.

Zeca Afonso





José Afonso deixou-nos em 23/2/1987.

Mas a sua mensagem , o seu exemplo e a sua voz são intemporais!

Viva José Afonso  e tudo quanto simboliza!

Viva a Liberdade!

SÃO BANZA

PERGUNTAS

Segundo li ontem(18/2/2011) num jornal, um garoto de treze anos esfaqueou a mãe porque esta o proibiu de utilizar a play station, dadas as suas más notas escolares.

Também fora noticiado há tempos o caso de um jovem de dezanove anos que ameaçara a mãe de morte se lhe não comprasse um automóvel.

Que sociedade é a que estamos formando?

Que Educação é a que vigora actualmente ?

Que futuro nos aguarda?

Estaremos todos já em loucura completa?


SÃO  BANZA

POBRES DOS NOSSOS RICOS


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem ...

MIA COUTO - Poeta moçambicano


Pub. Lídia Soares

O VALOR DA VIDA.


Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, enfim, de tudo o que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre nós.
Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável.
Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer os seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno da sua inteligência.
Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que amamos. É abraçar, entregar-se, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção. Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria existência e desvendar os seus mistérios.
Se os seus sonhos são pequenos, a sua visão será pequena;
As suas metas serão limitadas, os seus alvos serão diminutos;
A sua estrada será estreita, a sua capacidade de suportar as tormentas será frágil.
Os sonhos regam a existência com sentido.
Desejo que não tenhamos medo da vida, tenhamos sim medo de a não viver.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Sejamos sonhadores, mas unamos os nossos sonhos com disciplina,
Pois os sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.
Sejamos debatedores de ideias!
Lutemos pelo que amamos!

Lúcia Dias