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"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht




Estamos na derradeira semana antes de eleições.

Decidamos em consciência!

NOVAS OPORTUNIDADES

Todos nós, ao longo da nossa Vida, precisamos duma nova oportunidade. Ou porque deixámos para trás um empreendimento que só passámos a valorizar mais tarde, ou porque, por circunstâncias várias e adversas, não nos foi possível uma determinada realização.
A escola e o seu percurso estão entre as realizações que falham, em determinados contextos da infância e da adolescência, deixando uma lacuna cujo preenchimento sentimos a necessidade de fazer mais tarde. A sociedade, na sua evolução, tem , por isso, que possuir mecanismos de correcção que permitam corresponder às necessidades dos diferentes estádios da Vida. Se estas respostas não forem encontradas, o percurso de cada um transforma-se num destino redutor e inexorável em que cada um irá perdendo um bocado de si próprio perante a indiferença dum ambiente que lhe fechou muitas portas e lhe nega a possibilidade de as voltar a abrir.
Novas Oportunidades é pois um conceito que me agrada sobremaneira. Significa um NÃO à desistência, à frustração e também o reconhecimento de que as sociedades não podem ser estáticas nem assentar nos pilares da exclusão.
Assim, não podemos rejeitar um projecto apenas porque esse projecto foi viciado pelo facilitismo advindo das intenções daqueles para quem as estatísticas contam mais que as realidades que enformam a vida das pessoas e os seus suportes de realização.
Se há erros nos cursos a martelo, e numa escola que falha em rigor e objectivos, corrijam-se esses erros. Se há erros na atribuição fraudulenta e/ou viciante de Rendimentos Sociais de Inserção (RSI) actuemos sobre as imperfeições de forma a colocar esta medida social, de grande alcance e necessidade, ao serviço dos mais desfavorecidos e da sociedade que os comporta. Se há erros noutro tipo de atribuições vitais para uma sociedade mais justa e harmoniosa há que corrigi-los.
Porém não ataquemos as medidas com base nos seus falhanços. Seria um jogo perigoso do qual todos saíriamos perdedores.


Lídia Soares


El gran discurso antisistema.




Agora , tão próximas as eleições estão, acho que é um bom discurso para nos ajudar a decidir do nosso sentido de voto.

Por isso, aqui fica para vossa reflexão!

1 de MAIO




1 de Maio de 1974 foi o dia mais marcante da minha vida enquanto cidadã portuguesa!

Neste 1 de Maio de 2011 onde há quem tenha a desfaçatez de afirmar que o trabalho é um privilégio, eu continuo convictamente  a defender que toda as pessoas têm direito a um trabalho decente e com regras de segurança.

Nesse sentido, aqui deixo a minha profunda solidariedade a quem se encontra numa situação irregular e sem protecção se trabalha e, ainda mais, a quem nem posto de trabalho possui.

Viva o Dia do Trabalho!

A CRISE PORTUGUESA




O sociólogo e filosofo francês, Jaques Amaury, professor na Universidade de Estrasburgo, publicou recentemente um estudo sobre "A crise Portuguesa". Aqui fica um cheirinho e.... que cheiro...

"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.

Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem - se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.

Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou a esmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.

Os dinheiros foram encaminhados para auto estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições publico - privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração publica, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.

A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando - se num enorme peso bruto e parasitário. Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram - se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país.

Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (Partido Socialista) que está no Governo e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem publica, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade. À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à esquerda, o PC (Partido comunista) vilipendiado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.

Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré - fabricada não encontra novos instrumentos.

Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países.

Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres.

A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e Tv oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.

Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia.

Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios."


Lídia Soares

ABRIL , SEMPRE !!!




Que Abril viva sempre nos nossos corações e que as novas gerações ergam o espírito que receberam de quem lutou sob dura repressão para derrubar uma ditadura de quase cinco décadas!!

 25/4/2011

REFLEXÃO PARA A SEMANA SANTA

"Numerosas crianças estão empregadas na economia informal, no artesanato,no pequeno comércio,na mendicidade.

O trabalho doméstico(no Magrebe, no Médio Oriente, na África Ocidental, na América Latina) é dos mais perniciosos, estando a criança exposta a todas as humilhações e a todas as violências, nomeadamente sexuais.

A causa primeira desta miséria é a pobreza, uma pobreza que a mundialização económica generaliza e agrava."

IGNACIO   RAMONET
("GUERRAS DO SÉCULO XXI")


 19/4/2011

O GOVERNO CAIU E ESTOU TRISTE

O Governo caiu. Era previsível, expectável e até desejável, face às convulsões sociais cada vez mais intensas. As pessoas viram-se devastadas por uma austeridade em nome de interesses que não são os seus. Aos jovens sem futuro, aos desempregados, aos proscritos, aos silenciados, juntaram-se cada vez mais descontentes. Um descontentamento que vem das situações criadas, das crises propagadas, mas também do logro de nunca se ter dito a verdade nem agido de acordo com a mesma.
Têm sido os mais pobres a pagar a crise. Os beneficiários do subsídio de desemprego, do RSI e os pensionistas que descontaram toda uma vida para terem uma velhice sem sobressaltos.
O Governo caiu mas eu estou triste. Vejo o meu País varrido por ventos que lhe arrancaram a alma. Vejo as pessoas, a esmagadora maioria, cada vez mais pobres e mais descrentes. Cada vez mais desprotegidas e inseguras.E sinto-me cansada. Cansada de ouvir que a culpa foi do outro. Cansada de que nos digam que estes sacrifícios e mais outros e outros nos levam a sair do túnel. Não aguento mais tanta hipocrisia. Os ricos continuam mais ricos e muitos deles sem se saber como (ou até talvez se saiba).
Quero para o meu País pessoas que tenham o mínimo para viverem com dignidade. Um Serviço de Saúde que chegue a todos os que dele necessitam. Quero para o meu País Igualdade de Oportunidades nas Escolas e nos acessos aos empregos. Quero para o meu País um desenvolvimento sustentável que permita acabar com a pressão humana sobre o litoral e as grandes cidades que só produzem desenraizamento, violência e solidão.Quero para o meu País uma Justiça que funcione e que não esteja sempre ao lado dos mais fortes. Quero para o meu País pessoas felizes por serem livres e exercerem a sua liberdade com respeito pelo outro. Quero para o meu País que acabem as escabrosas desigualdades sociais e que se combata a corrupção e o enriquecimento ilícito.
Se qualquer Partido, com assento na AR, ler estes meus desejos aposto que todos, um por um, se assume como sendo o mais capaz para os pôr em prática. Não há um único que diga que não faz ou não fará isto.
Por isso o Governo caiu e eu estou triste.

Lídia Soares