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A FERNANDO NOBRE


Permita-me dizer-lhe: foi uma derrota merecida a que sofreu na sua candidatura à presidência da Assembleia da República.

Espero que regresse em definitivo ao meritório trabalho que tem realizado ao longo dos anos na AMI e que nunca deveria ter interrompido para se imiscuir de maneira tão infeliz na política.

E estou tão à vontade para lhe fazer sentir o que penso quanto é verdade ter votado em si para Presidente da República. Coisa que jamais voltarei a fazer dada a profunda contradição entre o seu discurso e a sua prática!

DESIGUALDADE E PRIVILÉGIOS

"A desigualdade na remuneração significa que o privilégio é transmitido à geração seguinte.

Assistimos também ao aumento da riqueza herdada e, por isso, teremos de regressar a uma tributação eficaz da transmissão de riqueza.

A desigualdade sempre foi maior nos Estados Unidos da América do que na Europa, independentemente de os Estados Unidos estarem a crescer mais depressa ou mais devagar do que a Europa."

ANTHONY ATKINSON
Professor na Universidade de Oxford
( Maio, 2011)

"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht




Estamos na derradeira semana antes de eleições.

Decidamos em consciência!

NOVAS OPORTUNIDADES

Todos nós, ao longo da nossa Vida, precisamos duma nova oportunidade. Ou porque deixámos para trás um empreendimento que só passámos a valorizar mais tarde, ou porque, por circunstâncias várias e adversas, não nos foi possível uma determinada realização.
A escola e o seu percurso estão entre as realizações que falham, em determinados contextos da infância e da adolescência, deixando uma lacuna cujo preenchimento sentimos a necessidade de fazer mais tarde. A sociedade, na sua evolução, tem , por isso, que possuir mecanismos de correcção que permitam corresponder às necessidades dos diferentes estádios da Vida. Se estas respostas não forem encontradas, o percurso de cada um transforma-se num destino redutor e inexorável em que cada um irá perdendo um bocado de si próprio perante a indiferença dum ambiente que lhe fechou muitas portas e lhe nega a possibilidade de as voltar a abrir.
Novas Oportunidades é pois um conceito que me agrada sobremaneira. Significa um NÃO à desistência, à frustração e também o reconhecimento de que as sociedades não podem ser estáticas nem assentar nos pilares da exclusão.
Assim, não podemos rejeitar um projecto apenas porque esse projecto foi viciado pelo facilitismo advindo das intenções daqueles para quem as estatísticas contam mais que as realidades que enformam a vida das pessoas e os seus suportes de realização.
Se há erros nos cursos a martelo, e numa escola que falha em rigor e objectivos, corrijam-se esses erros. Se há erros na atribuição fraudulenta e/ou viciante de Rendimentos Sociais de Inserção (RSI) actuemos sobre as imperfeições de forma a colocar esta medida social, de grande alcance e necessidade, ao serviço dos mais desfavorecidos e da sociedade que os comporta. Se há erros noutro tipo de atribuições vitais para uma sociedade mais justa e harmoniosa há que corrigi-los.
Porém não ataquemos as medidas com base nos seus falhanços. Seria um jogo perigoso do qual todos saíriamos perdedores.


Lídia Soares


El gran discurso antisistema.




Agora , tão próximas as eleições estão, acho que é um bom discurso para nos ajudar a decidir do nosso sentido de voto.

Por isso, aqui fica para vossa reflexão!

1 de MAIO




1 de Maio de 1974 foi o dia mais marcante da minha vida enquanto cidadã portuguesa!

Neste 1 de Maio de 2011 onde há quem tenha a desfaçatez de afirmar que o trabalho é um privilégio, eu continuo convictamente  a defender que toda as pessoas têm direito a um trabalho decente e com regras de segurança.

Nesse sentido, aqui deixo a minha profunda solidariedade a quem se encontra numa situação irregular e sem protecção se trabalha e, ainda mais, a quem nem posto de trabalho possui.

Viva o Dia do Trabalho!

A CRISE PORTUGUESA




O sociólogo e filosofo francês, Jaques Amaury, professor na Universidade de Estrasburgo, publicou recentemente um estudo sobre "A crise Portuguesa". Aqui fica um cheirinho e.... que cheiro...

"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.

Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem - se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.

Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou a esmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.

Os dinheiros foram encaminhados para auto estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições publico - privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração publica, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.

A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando - se num enorme peso bruto e parasitário. Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram - se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país.

Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (Partido Socialista) que está no Governo e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem publica, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade. À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à esquerda, o PC (Partido comunista) vilipendiado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.

Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré - fabricada não encontra novos instrumentos.

Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países.

Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres.

A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e Tv oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.

Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia.

Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios."


Lídia Soares

ABRIL , SEMPRE !!!




Que Abril viva sempre nos nossos corações e que as novas gerações ergam o espírito que receberam de quem lutou sob dura repressão para derrubar uma ditadura de quase cinco décadas!!

 25/4/2011