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ESCOLA E IGUALDADE DE OPORTUNIDADES (III)

Elsa Abreu - professora em Viana do Castelo (Laurentina-Marginal Zambi)*

Quando se fala em igualdade de oportunidades em toda a acepção da palavra e em ESCOLA nunca se deveria esquecer o Ambiente Ecológico em que a criança/individuo/pessoa nasceu e viveu até se notar o seu comportamento na sociedade.
Note-se que ao falar ou referir um Ambiente Ecológico nada disto tem a ver com o sentido que todos nós "basicamente" lhe damos, mas também...se não vejamos:
Para se falar na pessoa/criança/pessoa integrada na escola e ou em sociedade, há que se definir qual será a pessoa em desenvolvimento focalizada. Temos obrigatoriamente que pensar na pessoa, no processo, no contexto e no tempo a partir daí, procura-se então compreender a forma como ela está inserida e a desenvolver-se nos diferentes sistemas ambientais, que são dinâmicos e vivenciados sempre.

Tome-se como exemplo uma criança que nasce numa família nuclear convencional, normal(com pai e mãe), em situação económica adequada, aqui que fique bem claro que este é um exemplo básico, que não deve ser tomado como norteador e/ou limite das aplicações de uma inclusão "normativa". Ao nascer, ela passa a fazer parte deste ambiente familiar, onde receberá os cuidados básicos necessários. Este é para ela o seu primeiro sistema, o microssistema, que é definido como sendo o ambiente onde a pessoa em desenvolvimento focalizada estabelece relações face-a-face estáveis e significativas. Mais fechado e reservado.

Neste sistema de desenvolvimento da pessoa, é fundamental que as relações estabelecidas tenham como características: reciprocidade (o que um indivíduo faz dentro do contexto de relação influencia o outro, e vice versa), equilíbrio de poder (onde quem tem o domínio da relação passa gradualmente este poder para a pessoa em desenvolvimento, dentro de suas capacidades e necessidades) e afecto (que pontua o estabelecimento e perpetuação de sentimentos de preferência positivos, no decorrer do processo), permitindo em conjunto vivências efectivas destas relações também num sentido fenomenológico entenda-se interno.

A participação da criança em mais de um ambiente com as características descritas acima introduz-la no mesossistema, que é definido como um conjunto de microssistemas. A transição da criança de um para vários microssistemas abrange o conhecimento e participação em diversos ambientes (a família/nuclear e extensa, avós, irmãos, tios, etc -, a creche, o jardim de infância, a vizinhança, etc), consolidando diferentes relações e exercitando papéis específicos dentro de cada contexto. Num sentido geral, todo este processo de socialização promove o seu desenvolvimento.

Esta passagem, chamada de transição ecológica, é mais efectiva e saudável na medida em que a criança se sente apoiada e tem a participação de suas relações significativas neste processo.

Ao tratar e falar-se do exossistema, considera-se que os ambientes onde a pessoa em desenvolvimento não se encontra presente, mas cujas relações que neles existem afectam o seu desenvolvimento. Ex:aqui terá de se ter em conta a integração em que grupo social e económico da família, tipo emprego e segurança nele, grupo de amigos e de relacionamentos diários, o fenómeno emprego/desemprego afectará a estabilidade emocional dos pais e automaticamente influência de sobre maneira as emoções gerais tanto no seio familiar como na sociedade em geral...

As tomadas de decisões pela direcção da creche ...do Jardim de Infância, os programas propostos pelas associações ou grupos de bairro, as relações dos seus pais no ambiente de trabalho são exemplos do funcionamento deste amplo sistema. Além do exossistema, o macrossistema, abrange os sistemas de valores e crenças que permeiam a existência das diversas culturas, e que são vivenciados e assimilados no decorrer do processo de desenvolvimento. É importantíssimo dizer que a relação entre estes quatros sistemas, quando analisados aparece profundamente coerente, demarcando a interacção dinâmica entre eles.

Toda esta dinâmica de desenvolvimento ambiental multicultural que se deverá ter em conta sempre que se analisa um contexto de desenvolvimento e integração do individuo na escola ou na sociedade é a amostra dos comportamentos e reacções posteriores que virá assumir.Nunca se pode tomar como ponto de partida o individuo por si só e não como um todo social fazendo parte integrante de uma teia

Todas estas questões educacionais de desenvolvimento e integração de grupos sociais nunca se poderá tomar de animo leve, nem levianamente, já que leva consequentemente a atritos e clivagens nas igualdades de acessos ás oportunidades, gorando o que se espera da escola e dos educandos.

*Mestre em Educação de Infância e Básia Inicial*
31 anos de serviço e 15 de experiência na formação de professores e orientação de estágios profissionais.

49 comentários:

Laurentina disse...

Bom dia Lídia ,por favor vai ao teu mail .

Beijão grande

SILÊNCIO CULPADO disse...

O texto apresentado explica claramente a influência da socialização primária na vida de qualquer indivíduo. E essa socialização marca, claramente, o início do percurso escolar cujos professores não poderão estar alheios a cada uma das realidades específicas.
Neste contexto o professor terá que trabalhar com turmas cujo número de alunos lhe permita esse acompanhamento cuidado e sistemático.

JOY disse...

Mais uma vez tenho de te dar os parabéns por este projecto a nossa querida amiga Lidia,e o quanto nos faz pensar quando lemos esta colecção de textos de excelente qualidade com que aqui nos tens brindado.É para mim indescutivel que se desde tenra idade a criança se sente acarinhada ,acompanhada ,motivada (não confundir com mimada no mau sentido da palavra)pela familia que ao mesmo tempo lhe impôe determidas regras de conduta essa criança em prencipio será menos problemática na sua vida escolar do que as crinças que são abandonadas á sua sorte sem controle sem apoio da familia que lhe é mais chegada ao sabor das influencias dos amigos ,de uma televisão que pouco ou nada se preocupa com a formação das crianças sabendo que elas passam demasiado tempo á frente de um ecrâ,estas crianças vão crescendo sem regras sem valores sem acompanhamento sem educação ,dificultando e de que maneira a sua socialização na escola.Obviamente é fácil dizer que nos bairos mais pobres esta situação é mais visivel ,mas temos muitos casos que acontecem em familias ditas estáveis económicamente mas que a atenção dada aos filhos é pouca ou nenhuma.Parante isto obviamente e como já tive oportunidade de dizer vamos ter uma quantidade de crianças e jovens em idade escolar com enormes dificuldades de se socializarem com o meio em que estão enceridas,sendo depois pedido ao professor a quem a criança não reconheçe qualquer autoridade (respeito) que faça na escola aquilo que a familia deveria fazer em casa.E mais uma vez gostaria de lembrar que é um erro pensar que esta situação só acontece nas familias de menores recurssos económicos ,nada mais falso.

JOY

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOY
Isso que dizes é a mais pura das verdades. Porém as famílias ricas têm mecanismos que geram oportunidades enquanto as pobres não têm. As famílias ricas pagam a empregadas, colégios com prolongamentos de horários, ATL´s etc. As famílias ricas levam os meninos a viajar, aos museus, compram-lhes computadores, livros, jogos didáticos. As crianças das famílias ricas ouvem em casa os pais falarem numa linguagem erudita. Podem não ser alvo das atenções desejadas e isso provocar-lhes ansiedade e dificuldades de integração mas, pelo menos, vão bem alimentadas para a escola. Vão vestidas com roupas confortáveis.
Há um mundo de diferenças.

Dalaila disse...

o início de um percurso escolar, vai influenciar toda a vida de uma pessoa, o quão é feliz na escola, o que aprendeu, as recordações dos colegas, o professor, assim os professoras têm um dos maiores papéis na construção dos indivíduos.

beijinho

Laurentina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laurentina disse...

Por esse motivo é que eu costumo chamar sempre á atenção aos alunos futuros professores durante a sua formação nas ESE's, o imperativo que é para estes terem sempre á mão os seus conhecimentos de psicologia, sociologia, pedagogia, enfim todo um leque de matéria importantes para que se apercebam sempre e a cada momento do desenvolvimento comportamental dos seus aluno na sala de aula e ou nos recreios...assim como das famílias também.
O facto de se estar alerta permanentemente ao mais pequeno sinal evita muitas vezes o confronto família/escola/familia.
Agora não é retirando a autoridade aos docentes no terreno que se vai promover o sucesso escolar e evitar o conflito entre as instituições e ou geracional...
É que muitas vezes ao dar-se uma aula de formação o próprio professor/formador é confrontado com questões de ambientação ecologica do formando bem como outras exigência curriculares.
Na minha opinião os cursos basicos de professores deveriam ser encerrados temporariamente a fim de serem remodelados e reestruturados não sem antes saber exactamente o que é que o Governo pretende a nível deste tipo de formação e mesmo a propria sociedade...

O Viriato disse...

Este espaço bate mesmo na mouche.
É incrível como se plasmam ideias tão geniais e ironicamente inconsequentes porque o poder de mudar, alinhar, comungar ou seguir escapa a quem tem poder de tão subtilmente meditar.
É pena.

Julgo que a educação é o pomo da nossa sociedade, seus problemas endógenos e igualmente a sua solução, ainda que para isso haja a necessidade dum sacrifício geracional.

Julgo que é inadmissível a ideia de existir um professor desempregado num país onde a educação é o que mais falta faz. Se as turmas têm 20 alunos passem a turmas de 5 e empregeuem todos os professores, não por eles, não pelos alunos, mas pelo NOSSO FUTURO como sociedade coesa e autónoma.

saudação

NINHO DE CUCO disse...

Elsa/Laurentina
Parabéns pelo texto e pela consciencilização que nos transmites sobre aquilo que deve ser o papel do professor.
Ontem, alguém levantou a questão de eu ter referido a jovem professora de matemática como imatura para lidar com situações difíceis que requerem calo e conhecimentos que se vão adquirindo com o tempo e a experiência.
Hoje, analisando a tua visão, encontro nela um background indispensável a um bom professor para lidar com os grandes desafios que a escola de hoje apresenta.
Destaco esta passagem do teu comentário:

"o imperativo que é para estes terem sempre á mão os seus conhecimentos de psicologia, sociologia, pedagogia, enfim todo um leque de matéria importantes para que se apercebam sempre e a cada momento do desenvolvimento comportamental dos seus aluno na sala de aula e ou nos recreios...assim como das famílias também.
O facto de se estar alerta permanentemente ao mais pequeno sinal evita muitas vezes o confronto família/escola/familia.
Agora não é retirando a autoridade aos docentes no terreno que se vai promover o sucesso escolar e evitar o conflito entre as instituições e ou geracional...
Bem hajas, Laurentina.

quintarantino disse...

Simplesmente bem explanado e com ideias escorreitas.
Na minha perspectiva a educação é o espelho do estado do País, daí que seja um ardente defensor de um modelo em que o rigor e a exigência começassem na base. Não depois, a meio do percurso académico.
Seria ali, no 1º Ciclo do Ensino Básico, que se deveriam começar a sedimentar o rigor, a excelência e a capacidade de organização mental.

NÓMADA disse...

Aqui está um excelente texto que revela uma professora com "P" grande, que percebe que a realidade tem que ser interpretada e comprendida para poder ser ensinada.
Os alunos não são verbos de encher a quem se exige que saibam e papagueiem as matérias da escola. Ensinar e ser professor é muito mais que isso.É perceber as diferenças, construir pontes, integrar incutindo valores para além dos saberes que a escola pretende certificar.
O texto da Laurentina mostra este caminho árduo que nem todos sabem trilhar.
Parabéns Elsa Abreu/Laurentina.

Silvia Madureira disse...

Irei sempre acompanhar este debate porque é um assunto que sem dúvida me interessa, ao qual estou interligada e que significa uma parte importante da minha vida.
Obrigada Silêncio Culpado pelas palavras de incentivo a todos os professores.
Um professor em minha modesta opinião tem uma tarefa importantíssima na sociedade: ensinar, educar, exemplificar, criar...
Eu tento fazer o meu melhor...claro que não sou infalível...nenhum ser humano o é...
Como professora posso dizer que a minha formação ocorreu numa universidade tendo Psicologia no 3º e 4º ano e sempre com grande carga horária. Estudei tudo o que a Professora Laurentina referiu e foi muito bom recordar alguns conhecimentos que me foram incutidos. Obrigada.
Situações difíceis todos os professores vivem, uns mais, outros menos...
Sempre que me falo com um aluno que apresenta comportamentos desviantes tento conversar com ele, dialogar, esforço-me por não berrar. Isto porque, se o aluno está nervoso e eu berro ele irá responder na mesma medida.
Outra das minhas atitudes é demonstrar que sou humana como eles e que fico triste com determinadas atitudes que promovem...às vezes bem um "desculpa"...eu fico feliz nestes momentos: alguém reconheceu o erro.
Nunca humilho o aluno mesmo que no nono ano não saiba somar (acontece) e tento incentivá-lo mesmo quando faz exercícios muito simples...
Normalmente converso...não sou uma "cara fechada" que entra ali e sai muda...pergunto sobre o fim de semana, ensino a dizer obrigada.
Mesmo assim os alunos tais como eu não são perfeitos e por vezes apresentam comportamentos que me entristecem mas...até estou contente porque eles olham para mim e dizem "a professora está bem?" Eles sentem que não agiram bem...e isso deixa-me feliz.
Muitas vezes os alunos têm uma sensibilidade que está escondida.
Portanto, para além de ensinar a minha disciplina que requer muito trabalho intelectual, preocupo-me com tudo o que referi...
Como disse não sou humana e por vezes falo mais alto do que devia mas penso que "perfeito só Deus".
Dou o meu melhor, num sistema educativo desmotivador, tento motivar quem à partida já chega chateado por ter que ter a minha disciplina, tento dar alento ...
Volto a dizer: não sou perfeita e tal como o médico mais experiente poderei cometer erros...
Sinto que tenho melhorado e vou sempre melhorar...ninguém nasce educado...tal como os meus alunos.
A única diferença é que os meus alunos tiveram um mau ponto de partida na sua educação mas acredito que esta vai melhorar...
Estou consciente do trabalho que tenho para enfrentar, do que enfrentei...não sei muito bem qual irei enfrentar.
Penso que estabilidade a todos os professores, também permitia melhor sucesso escolar. Agora um professor jovem que anda tipos os índios, tem mais dificuldades em ser reconhecido e valorizado pelas pessoas da população.
Obrigada Laurentina e Silêncio Culpado. Esta são as minhas vivências e sinto-me feliz com elas, com elas aprendi, aprendo e trilho o que realmente me vai formando a mim como pessoa conjuntamente com os meus alunos...os alunos também ensinam muito.
Sei que existem maus professores, conheço alguns em minha opinião mas...não podemos generalizar...e penso que esta profissão exige muito respeito...eu lembro dos meus professores e às vezes com saudades.

NINHO DE CUCO disse...

Silvia Madureira
Assim é que é falar. Rendo-me.

martelo disse...

Pois é, Lídia, mas a forma como a socialização tem sido desencadeada apresenta muitas falências e para isso tem contribuído a amálgama de décadas de ignorância e de recalcamentos. Isso reflecte-se em muitos aspectos,nos comportamentos individuais de imediato.... Como se pode pedir que se faça bem ou melhor se não se abrem as portas do saber, da cultura, dos meios essenciais?...os "animais" adaptam-se ao meio ambiente conforme as circunstâncias...

ALEX disse...

Só há escola, agora dita inclusiva, quando se der uma revolução cultural que permita que todos tenham as mesmas oportunidades à partida, do nascimento à morte.
Essa revolução irá impôr condições mínimas de dignidade humana assente numa justa distribuição de recursos.
Os filhos das classes desfavorecidas estão em permanente desvantagem na escola e, por mais que os professores se esforcem, só pontualmente, num ou noutro caso excepcional, essas diferenças poderão ser eliminadas.

O Guardião disse...

Os horários de trabalho, a precariedade no emprego, as dificuldades económicas, o pouco tempo que se dá à família e aos filhos em particular, os excessos da influência cada vez maior da sociedade de consumo, vão causando mossas na estabilidade das famílias e acabam por atingir os afectos, o apoio e a atenção que as crianças necessitam para o seu desenvolvimento em todos os sentidos.
A sociedade está cada vez mais doente, somos cada vez mais egoístas e sedentos de sucesso e de bens. É o tempo que vivemos!
Se queremos o melhor para os nossos filhos e netos temos que repensar tudo isto, e encontrar algum equilíbrio.
Claro que a tarefa dos professores se torna cada vez mais difícil e ingrata, exigindo cada vez mais deles também.
E socialmente o que é que se está a fazer?
Cumps

Mary disse...

Socialmente não se está a fazer nada apesar da sociedade estar doente. Este comentário do Guardião toca fundo porque coloca o dedo na ferida.
Uns porque não podem de forma nenhuma, outros porque privilegiam os bens materiais em relação à atenção que deve ser dada à família, a verdade é que as crianças vão sendo cada vez mais desamadas e compensadas na falta de afecto por bens de consumo privilegiado.
Ou há uma reviravolta neste estado de coisas ou caminhamos para uma situação de tensão social que poderá culminar numa revolta de massas.
Os professores estão cada vez mais entalados entre uma reforma de ensino, que destrói em vez de construir, e alunos que vêm de famílias destruturadas, são mal acompanhados e trazem toda a revolta dentro de si pronta a explodir na escola.

walter disse...

Drª.Elsa Abreu/Laurentina

Ofereceu-nos uma óptima reflexão que ajudará bastante a perceber como uns alunos entram na corrida mais cedo que outros e em condições de desvantagem em todos os sentidos.A escola tem aqui um papel determinante para conseguir o diálogo com a família. Mas se não houver apoios fortes à acção educativa certamente que os professores sozinhos acabam por ser cilindrados pelas próprias situações.

Boris disse...

Silêncio, minha Silêncio,
não te perdes a esmerar
na escolha dos teus temas
que põem todos a pensar.

Isto da educação
tem muito ainda que contar
e a doutora Laurentina
tem muito ainda p´ra dar.

Porque a porra desta vida
não pára de nos espancar.
Pobres alunos,pobres mestres
que p´ra eles vai sobrar.

É um país de pernetas
que em pilecas vão montar.

Olá!! disse...

Peço desculpa, tenho estado um pouco ausente, mas vou voltar para ler atentamente o que se tem escrito aqui.
Estou a tentar por a minha escrita em dia e deixei lá no meu cantinho um pequeno mimo para este blog.
Beijos

David disse...

voltei... comentários seguem já de seguida :)

Um beijinho

Teresa Durães disse...

não só o professor mas também terapeutas da fala, psicólogos para que a igualdade de oportunidades seja real.

O professor não consegue abarcar todas as áreas mas com uma componente pedo-social (não sei se existe a palavra :)) a integração dos que são diferentes por algum motivo torna-se mais fácil

Teresa Durães disse...

não só o professor mas também terapeutas da fala, psicólogos para que a igualdade de oportunidades seja real.

O professor não consegue abarcar todas as áreas mas com uma componente pedo-social (não sei se existe a palavra :)) a integração dos que são diferentes por algum motivo torna-se mais fácil

Carol disse...

Parabéns pela escolha deste tema e pelo post, todo ele com ideias claras, precisas e, a meu ver, muito correctas.
Eu também sou professora. Não estou colocada e, como tal, há algum tempo atrás optei por abrir um centro de explicações.
A minha ligação ao ensino tem demonstrado que, de facto, as condicionantes sociais, económicas e culturais das famílias influenciam em muito o percurso escolar dos alunos. Como é óbvio, condicionam e não determinam, mas a sua influência está lá, bem patente.
O professor, na minha opinião, devia ser mais respeitado e a sua autoridade deveria ser reforçada, pois ele não é um mero educador. Os meus alunos/ explicandos ensinam-me muito, todos os dias, mas sei que também os influencio bastante. E não me refiro, apenas, aos seus resultados escolares. Por vezes, é comigo que vêm falar de temáticas que não podem abordar com os pais, quer pela falta de tempo destes quer pelo tipo de relacionamento que existe entre eles.
As nossas conversas incluem, muitas vezes, referências a sexo, a doenças sexualmente transmissíveis, drogas, relacionamentos, política, cultura geral, etc, etc.
Tenho muito orgulho em ser professora, em ter o privilégio de me manter actualizada sobre as mais variadas questões, em poder influenciar e ser influenciada por cada um dos míudos com quem lido diariamente.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carol
Que pena é que não estejas colocada. Uma pessoa que ama ser professora e que admite aprender com os alunos, tem um potencial de excelência que só um país mediocre pode desperdiçar.
Os problemas de violência na escola e das dificuldades extremas com que os professores lidam para acorrer a tanta situação diversificada, exigiriam turmas muito mais pequenas e muito mais professores colocados.
A educação é a base de construção de qualquer sociedade. É com grande apreensão que constato o actual estado de coisas.

Carol disse...

Obrigada, amiga. Eu também temo pelo futuro, já que a criação de pólos educativos só irão contribuir para uma diminuição dos professores colocados.
Isso será catastrófico para os alunos, para o ensino e, a médio/longo prazo, para o país.

GIL disse...

Elsa/Laurentina
Compreender os contextos sociais e as dinâmicas de grupo é já um princípio para compreender um aluno. Porque um aluno não é um número, um nome e uma caderneta. Um aluno é uma história de vida com um passado de vivências, afectos, mágoas, insuficiências, sonhos e frustrações. Ninguém pode transmitir valores e conhecimentos a quem não conhece daí que o professor tem sempre que ter uma relação de proximidade com o educando e com as famílias. Muitas destas não querem, nem se interessam, mas o professor tem que conhecer o que está a influenciar a vivência do educando.
Para isso tem que trabalhar com turmas pequenas e não andar sempre a mudar de escola.

Brancamar disse...

Venho desejar-te uma boa noite.
Quero ler e comentar estes teus trabalhos, mas volto amanhã, hoje já caio. Venho de comentar nos 7 pecados mortais e alonguei-me. Amanhã há que levantar cedo, é dia de trabalho,graças a Deus, nem todos podem dizer o mesmo neste país.
Beijinho

C.Coelho disse...

Quando estamos em países que não respeitam a pessoa humana nem dão às famílias, a todas as famílias, as condições mínimas de subsistência, não se pode falar em igualdade de oportunidades.
A escola não pode obviar todos os inconvenientes que os alunos trazem consigo quando chegam pela primeira vez à escola e os professores são humanos e não superpessoas.
O que diz a Drª. Elsa é fundamental para a compreensão de todo este processo.

René disse...

"Todas estas questões educacionais de desenvolvimento e integração de grupos sociais nunca se poderá tomar de animo leve, nem levianamente, já que leva consequentemente a atritos e clivagens nas igualdades de acessos ás oportunidades, gorando o que se espera da escola e dos educandos".
Não se pode tomar mas toma-se. O que esta ministra está a fazer com a educação e a perseguição que pôs em curso aos professores é meio caminho andado para matar o que resta duma escola inclusiva em determinados bairros de risco em que as exigências são muitas e as condições poucas.
É inadmissível que se fale em professores desempregados, psicólogos e sociólogos e estes sejam tão precisos para ajudarem a formar as gerações futuras.
Mas quem se importa com isso?

M.M.MENDONÇA disse...

Parabéns à Lídia Silêncio e à Elsa/Laurentina. À primeira pelo grande debate que está a proporcionar e à segunda pela excelente abordagem que fez e que foca a inserção social do aluno e o diálogo com a família como pontos nucleares de importência para uma escola que se pretenda inclusiva e com condições de igualdade de oportunidades.

Laurentina disse...

Gil,René,C.Coelho,Walter e todos os outros , que deixaram aqui um comentário sobre este tema...
concordo e subscrevo tudo o que aqui foi escrito, no entanto continuo a acreditar que todo o esforço Titanico que os professores fazem no dia a dia nas escolas em realizarem condignamente todas as suas interacções escola/alunos/familia/escola não vale a pena enquanto não houver um governo honesto que se queira sentar á mesa com todos os intervenientes do acto educativo, sem sufismas para se debuçar a serio e resolver convenientemente toda esta questão não se anda para lado nenhum...
Um país , um governo que não valorisa os seus pofressores , que não valoriza o ritmo de aprendizagem individual e colectivo dos variados grupos sociais, enfim que não valoriza a Educação em geral dos seus cidadaõs de hoje e de amanha , não vai longe.
Neste momento em Portugal ou se para imediatamente com os cursos que proliferam por ai que não servem para nada e não dão saídas a não ser nas carteiras das familias, ou vamos ser piores que os chineses na questão das copias e pirataria...

Têem que me provar quer os chineses criam para eu acreditar...os chineses limitam-se a copiar e mal na maior parte dos casos, nós nas escolas estamos a ser obrigados a priveligiar a copia, a falsidade, o assobia para o lado, o facilitismo, etc.

As equipes interdisciplinares (psicologos, sociologos, professores)devem obrigatoriamente existir nas escolas para interagirem conjuntamente no dia a dia na superação dos casos.

Fechem-se os cursos de formação de professores 1,2,3 anos os que forem precisos e aposte-se sériamente nos que já estão formados sem perseguições, sem admoestações hierarquicas.Todos têem a aprender uns com os outros, ninguém nasce ensinado, e a aprendizagem é evolutiva.
Nos países Nordicos onde se vão importar os modelos também se fizeram ajustes destes sem medos

Joseph disse...

A igualdade de oportunidades dá vontade de rir quando se transpõe para o país que temos em que a escola e tudo o resto é para quem pode.
Tenho um amigo que é pobre e anda aos biscates e que me diz que nunca consegue comprar aos filhos os materiais escolares que os professores pedem e que eles andam o ano inteiro a atirar-lhe em cara o facto de serem pobres. Os colegas na escola não os deixam entrar em certos grupos e até lhes batem. O que fazem os professores perante isto? Simplesmente não fazem.
Os professores também têm cagufa. Quem põe mão nisto?

São disse...

Parabéns para vocês, Elsa e Lídia!
A questão interessa-me muitíssimo porque, além de educadora de infância e licenciada em Ciências da Educação, não há nada em Educação que me tivesse passado ao lado.
Além disso, a minha vida profissional de trinta e cinco anos abrangeu cargos directivos, de supervisão técnico-pedagógica, publicação de artigos, formação, orientação de estágios, etc.
LÍDIA, vai ao teu e-mail logo que possas.
Um abraço grande às duas!!

Adriana disse...

Lídia,não tenho mais nada a dizer,os outros comentários já disseram tudo.Aescola é tão pouco valorizada no Brasil,o que nos dá um imenso desgosto.São grandes as suas colocações.Deixar de lutar pela educação é desistir de nossos jovens.Um grande beijo

preconceitos disse...

Estou a retribuir a tua visita ao meu canto e cumprimentos que ali deixaste. Fica bem

Silvia Madureira disse...

Depois de mais alguns comentários que li, tenho a dizer que mais uma vez penso que a educação precisa de uma grande revisão.

Não atribuo culpas a ninguém, sei que existem maus e bons professores, sei que existem boas e más famílias mas...o facto de um aluno sair do sexto ano sem saber a tabuada...é grave...de quem é a culpa? Deles? Eu penso que nós no geral somos vítimas da nossa sociedade e este exemplo demonstra isto mesmo.

Como professora não posso ficar serena e feliz com a constatação destes casos. Concordo com Dr. Elsa quando fala na paragem para reflexão...o que posso mudar para melhorar? Atenção que, não queremos mudar para pior (é o que se está a verificar) mas para melhor...e isso exige muita reflexão.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sílvia
Tenho mais professores em linha para serem publicados textos. Para ámanhã temos o do Joshua e outros que irei anunciando por ordem. Poderás também enviar um texto teu. Depois passaremos a ouvir os alunos antes do balanço final.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carol
Neste momento tenho mais 3 textos (2 dias/cada) para publicar, depois deste da Elsa/Laurentina. Se me enviares dentro de 6 dias, isto se não receber outros textos entretanto, eu publico a seguir. Caso contrário a seguir vamos "ouvir alunos" e vou precisar depois dos textos de balanço final.
Fico sensibilizada pela disponibilidade.
Um beijinho.

Zé do Cão disse...

Escola e Igualdade de Oportunidades.
Li o texto e também li os variados comentários, constatando a presença de inumeros prof. Achei interessante os de "o guardião". Olhando o caso da minha família e colocando em paralelo com outras minhas conhecidas fico atrapalhado para opiniar. Se não vejamos.
Minha mãe, tinha nascido em 1904, filha de um cabreiro e de uma doméstica. Não sabia ler nem escrever, tal como meus avós maternos. Com 7 anos, de madrugada percorria 9/10 km com uma cestinha de vime para vender porta a porta, queijinhos de leite das cabras. Meu pai nascido em 1900, filho de agricultor com várias propriedades, apenas tinha a 2ª classe, porquando trabalhava nas quintas e aos 12 anos foi trabalhar para uma fábrica. Meus avós paternos eram analfabetos. Isto, imaginem numa terra a 10 Km da capital. Eu e o unico irmão que tenho, depois da 4ª classe, fomos para Lisboa ele para a escola industrial Fonseca Benevides e eu para a Escola Comercial Veiga Beirão. Ambos, acabamos.
Casei e quando tive filhos, ambos tiraram cursos superiores, mas foram sempre, sempre, acompanhados
em tudo possivel e imaginário. Nunca tiveram explicadores, nunca perderam um ano e nunca tiveram problemas com nada nem ninguém. Tenho por isso muitas dificuldades
em perceber o porquê das desigualdades. Talvez no fim do que chamo debates que este Blog nos trás venha a entender.

Sei que existes disse...

Todos nós influenciamos e somos influenciados pelos meio que nos rodeia...
Concordo que as diferentes fases e o como elas são feitas na socialização da criança devem ser vistas com atenção e não de ânimo leve!
Beijo grande

amigona avó e a neta princesa disse...

Queridas amigas,não posso deixar de dar os parabéns: a ti Lídia pela tarefa que te propuseste e a ti elsa pelo contributo que nos deste. Permite-me, no entanto, que destaque o teu último comentário pela importãncia do mesmo. Dizes algo MUITO importante:

" entanto continuo a acreditar que todo o esforço Titanico que os professores fazem no dia a dia nas escolas em realizarem condignamente todas as suas interacções escola/alunos/familia/escola não vale a pena enquanto não houver um governo honesto que se queira sentar á mesa com todos os intervenientes do acto educativo, sem sufismas para se debuçar a serio e resolver convenientemente toda esta questão não se anda para lado nenhum...
Um país , um governo que não valorisa os seus pofressores , que não valoriza o ritmo de aprendizagem individual e colectivo dos variados grupos sociais, enfim que não valoriza a Educação em geral dos seus cidadaõs de hoje e de amanha , não vai longe...."

Pois amiga é isso mesmo! E não se diga que o governo tem a culpa de tudo, claro que não! Mas é uma peça fundamental!

Parabéns mais uma vez, fico espantada com os contributos que estão a ser dados! Mesmo que ache curioso que até nós bloguistas acabemos por ser "influenciáveis" - porque é que começaram a tratar a Elsa/Laurentina, um doce de pessoa simples, que tem um blogue com um linguagem ao nível de qualquer um, de senhora doutora???!!!! Eu sei que o seu texto aqui tem um conteúdo diferente mas que diabo, não é preciso exagerar!!! (desculpa querida, mas sei que não te zangas...)

Beijão...

Sheila disse...

Muitos ensinamentos poderão daqui ser retirados.
A desigualdade de oportunidades existe a montante a juzante da socialização da escola. Há professores com grandes competências e vocações que não estão devidamente enquadrados pelo actual sistema educativo que não corresponde minimamente aos desideratos do combate às diferenças.
Educar é mais que ensinar. É incutir valores e compreender.

Louise disse...

Vou abusar e fazer um copy paste do comentário da Amigona na passagem em que refere:
"todo o esforço Titanico que os professores fazem no dia a dia nas escolas em realizarem condignamente todas as suas interacções escola/alunos/familia/escolanão vale a pena enquanto não houver um governo honesto que se queira sentar á mesa com todos os intervenientes do acto educativo, sem sufismas para se debuçar a serio e resolver convenientemente toda esta questão não se anda para lado nenhum...
Um país , um governo que não valorisa os seus pofressores , que não valoriza o ritmo de aprendizagem individual e colectivo dos variados grupos sociais, enfim que não valoriza a Educação em geral dos seus cidadaõs de hoje e de amanha , não vai longe...."
E aqui é que nos devemos focalizar. Precisamos duma nova cultura, duma nova forma de olhar, de novas posturas que nos permitam vencer os desafios da modernidade sem perdermos a nossa identidade e os nossos valores.
Claramente falhamos e continuaremos a falhar enquanto os senhores que nos governam não saírem dos seus lugares para darem lugar a outros que se preocupem connosco. Não sei quais são mas têm que ser outros.

Laurentina disse...

Amigona,
Acredita que estive toda a tarde a pensar escrever aqui um comentario nesse sentido, só não o coloquei mais cedo porque se sobrepunha sempre algo, ou a campainha, ou o telefone, enfim ainda bem que te antecipas-te ...que raio de mania a dos portugueses e brasileiros.
Nós com os DR's. eles com os Coroneis.
Eu nasci nua, descalça e a minha MÃE pôs-me um nome Elsa que adoro, no meu tempo de mais jovem era invulgar, agora nem tanto.
Mas é mesmo assim que gosto que me chamem, mesmo os meus alunos adultos.

Bem hajam todos
E viva a diferença multicultural
Beijão grande

Carol disse...

Lídia, o texto está quase pronto. Logo que o conclua, envio. Se, entretanto, precisares de falar comigo podes fazê-lo através do seguinte e-mail:
c.poetisar@gmail.com

herético disse...

excelente artigo. gostei muito

abraços

walter disse...

Boa base para discussão, amigos!

Laurentina disse...

lOUISE,
A educação foi e é o maior fracaço do 25 de Abril...
beijão grande