quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

INTERREGNO

Por motivos de força maior (doença de familiar) as postagens encontram-se temporariamente suspensas.


Logo que possível retomarei as visitas aos vossos espaços.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

QUANDO A JUSTIÇA ACONTECE


O Tribunal de Trabalho da ONU deu razão a uma funcionária portuguesa, Maria Veiga, que foi despedida em 2006 depois de ter sido contratada para investigar um caso de alegada corrupção na Organização Meteorológica Mundial (a agência das Nações Unidas para as questões do clima). Segundo a agência Associated Press, o painel de oito juízes decidiu atribuir à portuguesa indemnizações no valor de 200 mil dólares (perto de 142 mil euros) por «danos morais e materiais».

O caso começou em 2003 quando surgiram as suspeitas de desvio de milhões de euros na Organização Meteorológica Mundial (OMM) por um antigo responsável que teria fugido para o Sudão. Maria Veiga foi então mandatada pela própria OMM para fazer uma auditoria interna e averiguar se havia fundamento nas alegações

A portuguesa confirmou o desvio de fundos e terá mesmo descoberto que algum do dinheiro desaparecido teria sido usado para influenciar votos nas eleições para escolher o novo secretário-geral da organização, em 2003, uma acusação que a organização sempre negou.

Acabou por ser dispensada em 2006, depois de cerca de três anos de trabalho, e apresentou uma queixa contra a OMM por despedimento sem justa causa e assédio moral, junto do tribunal administrativo da Organização Internacional de Trabalho, que tem competência para julgar casos de funcionários da ONU.

Maria Veiga diz que recebeu telefonemas intimidatórios e ameaças de processos legais.

O tribunal considerou agora que houve despedimento sem justa causa e condenou a OMG a pagar à funcionária os salários de Novembro de 2006 a Maio de 2007, acrescidos de juros.

A porta-voz da OMM, Carine Richard-van Maele, já disse que a agência vai acatar a decisão.

Dedico este post a todos os injustiçados deste País onde a justiça demora e não se cumpre para que acreditem que um dia talvez a justiça também aqui aconteça.

Faço um particular realce a todos os que procuram denunciar corrupções e branqueamento de capitais e são por isso perseguidos bem como aos trabalhadores que não recebem os seus salários porque a nossa justiça permite que haja patrões que não cumprem as suas obrigações para quem os sustenta.



domingo, 26 de Julho de 2009

O QUE RESTA DE NÓS



Será que o homem nasce lobo e que só através da socialização se apresenta digno?
Ou será a inversa - nós nascemos bons e a vida em sociedade nos torna monstros-?

Será que a competitividade, criando status e desigualdades, ajuda ao desenvolvimento seleccionando os mais capazes ou gerará novas e profundas formas de injustiças?


Para todas estas peguntas encontraremos respostas para um lado e para o outro lado porque a verdade não é só uma.


Porém convém reflectir quando o monstro encoberto se manifesta ameaçando valores e solidariedades que julgamos essenciais defender.


O caso que poderão ler, clicando aqui, não pode passar despercebido. É que como este há muitos mais e chegará o dia em que despidos do que resta de nós nem daremos por eles.


Felizmente que ainda há pessoas como o Raul do Sidadania, para nos alertar para estes perigos.

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

UM SOCO PELA MANHÃ



* Imagem retirada da net

Sempre defendi que devemos ajudar quem precisa e nunca aceitei o argumento de que o embuste, inerente a certas necessidades, fosse argumento para esconder as minhas mãos. Claro que não posso ajudar todos nem sequer muitos. Mas há sempre alguns que me tocam à campainha, e são sempre os mesmos, conhecidos na gíria entre os meus amigos como os meus “clientes” e a quem dou uma pequena ajuda independentemente de saber que dois deles são toxicodependentes.

Como dizia o grande Sousa Martins “Antes enganar-me dando uma moeda que vá alimentar o vício, do que negá-la a quem dela precise para alimentar a fome.”

Porém tenho “clientes” certos e não admito aumentar o número que estabeleci como meu limite.

Por volta das 9h-00m oiço a campainha e entreabro janela. Quem tocava não tinha ar de pedinte bem pelo contrário poderia ser tomado por quadro aposentado duma grande empresa. A camisa de xadrez vermelho e creme, com calças cremes tudo de boa qualidade e impecavelmente limpo, os cabelos brancos tratados, os sapatos de cabedal castanho luzidios, nada levava a supor que era um pedinte mas de facto era-o.

Os olhos azuis tristes e suplicantes, a voz educada e terrivelmente rouca, deixavam passar o drama duma vida que deslizou do alto para as dificuldades de sobrevivência. Disse-me que o dinheiro era para comprar remédios.

Podia ter dito outra coisa que, subitamente, senti que o sol era frio e despejei nas suas mãos o que tinha na carteira e que por sinal era bem pouco.

Agradeceu-me e desculpou-se. Na rua a sua figura alta e esguia tentava em vão ficar erecta. Os passos pesavam a cada porta.

O fim duma vida provavelmente de trabalho, provavelmente de sonhos e oportunidades perdidas. Mas não se confundia com um mendigo. Nem os meus cães lhe ladraram como costumam com os outros pedintes.

Quem pudesse acabar com a caridade que obriga a pessoa a inclinar-se quando estende a mão e devolver a dignidade ao sol poente e a quem nele caminha...


domingo, 12 de Julho de 2009

POR TREZENTAS E TRINTA E TRÊS MOEDAS DE UM EURO




Fátima Coelho, operária da fábrica têxtil FERSONI foi despedida em Janeiro de 2007, após dois processos disciplinares. Em Abril de 2008 foi reintegrada depois do Tribunal de Trabalho de Famalicão ter declarado o despedimento ilícito.

Na passada quinta-feira, Fátima foi chamada ao Departamento de Recursos Humanos da FERSONI Fersoni para receber o ordenado de Junho. Esperava-a um saco de moedas de um euro, mais propriamente 333 euros e cinco cêntimos, que levaram 30 minutos a contar. A explicação foi a de que o salário estava a ser pago em dinheiro porque Fátima, delegada do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, não tinha conta no Banco da Empresa.


À Fátima e a todos os que, duma forma ou doutra, são humilhados quando procuram ver reconhecidos os mais elementares direitos ao trabalho e no trabalho que garanta a sua subsistência, deixo este humilde poema que expressa a minha indignação e que pretende arregimentar outras indignações para que a consciência daquilo que somos não sucumba aos interesses vorazes da indiferença para com os mais frágeis e sacrificados.

Por trezentas e trinta e três moedas dum euro
Foi decretada a tua humilhação.
Um patrão que não suporta a tua altivez
De fronte digna capaz de dizer NÃO
Quer dobra-te à sua pequenez
Incapaz de entender o que é ganhar o pão
Neste universo macabro de surdez.

Trezentos e trinta moedas dum euro o que são?
São dores infindas de quem não se sustenta,
De quem vive morrendo e se aguenta
Mas a espinha não dobra, isso não,
Porque a alma não se compra por tal preço
A quem sempre se opôs à servidão.

Trezentas e trinta e três moedas que envergonham
Se vergonha houvesse em tal patrão.



HÁ VIDA EM MARTA - UM DESAFIO EM CÂMARA LENTA

A MARTAdeixou-me um desafio a que não poderia deixar de corresponder.

A Marta tem um espaço único com uma vida interior profunda, um espaço de beleza e sentimentos onde o repouso significa vida, porque viver é sentir bater o coração das coisas.

Ela quer que eu fale de cinco acontecimentos que mereçam ser recordados em câmara lenta. Não sei exactamente quais os cinco acontecimentos mais precisos e importantes mas relevo um primeiro amor, a vivência duma paixão intensa,a finalização do curso, o nascimento do meu filho e o nascimento do meu neto.

Já disse cinco mas há tantos outros... Acontecimentos simples, feitos de coisas simples mas que marcam toda uma vida.


segunda-feira, 6 de Julho de 2009

UM LUGAR INSEGURO




Todos nós pertencemos a um lugar inseguro. Todos nós vivemos sob ameaças constantes de cataclismos, guerras e outras catástrofes. Mas a maior ameaça é a que vem de nós mesmos e dos nossos semelhantes. É essa ameaça que nos rouba os afectos e nos torna vacilantes em percursos naturais que faz, em voo rasante, sinais que nos marcam, que nos destroem ou que nos constroem umas vezes sensíveis outras de granito.

Segundo um relatório do Comité Alemão da UNICEF, em Berlim, todos os anos perto de 150 milhões de raparigas e 73 milhões de rapazes menores são vítimas de exploração e violência sexual em todo o mundo.

A prostituição e a pornografia infantil são um negócio cujo lucro anual se estima em 8,3 milhões de euros, apenas ultrapassado pelo tráfico internacional de armas ou das drogas. A destruição enche os bolsos de uma elite que se quer venerada e que vende imagem numa imprensa sedenta de “notícia”.

Alguém indaga, depois de tanto indagar, qual o fim e os entraves ao processo Casa Pia? Que mudanças estruturais se verificaram, desde as primeiras denúncias, de forma a proteger dos predadores crianças indefesas entregues a Instituições?

Há dois dias a imprensa portuguesa noticiava o caso duma menor brasileira, de 16 anos, que tinha um sonho: estudar e ter uma carreira. Alguém lhe ofereceu trabalho e a possibilidade de continuar os seus estudos. Ela acreditou e viu-se prisioneira da dona duma casa de massagens que, sob ameaça de armas, a obrigou a prostituir-se.

A menor conseguiu fugir e pedir a protecção da policial. Conseguiu, assim, que esta casa, exemplo de muitas outras que impunemente são anunciadas nos jornais, fosse fechada e outras mulheres recuperadas duma prostituição forçada.

A jovem regressou ao Brasil, morto o sonho do estudo e da carreira nesta passagem traumática num mundo inseguro onde as pessoas se aproveitam umas das outras e onde os sonhos de glória através do esforço raramente acontecem.

Em Portugal do século XXI, há escolas que rejeitam alunos mais pobres (JN 09-07-05) assumindo assim, de forma clara, o papel de reprodutoras das desigualdades sociais que têm escondido na fachada da igualdade de oportunidades.

Nestes lugares inseguros, cruéis e agrestes, hoje só falei dos jovens não porque para eles o mundo seja mais inseguro, não porque a sua consciência seja mais ciente da sua insegurança, mas porque eles mereciam ter escolha e oportunidades que lhes são negadas.


Em todo o mundo e também neste.


terça-feira, 30 de Junho de 2009

REGRESSO


Amigos, acabo de regressar de férias. Antes dum novo post vou aproveitar para pôr as visitas em dia e para me inteirar das novidades.

Por isso esperem por mim no vosso cantinho que venho com saudades vossas.