.



UNS E OUTROS




Quem se desloca pelos roteiros turísticos fazendo uso do seu transporte individual até é levado a crer que a crise, se existe, pouco se faz sentir pois continuam a circular filas e filas de carros, faltam os lugares de estacionamento e os restaurantes, cafés e esplanadas continuam tão cheios como antes.


As lojas de produtos de gama alta também não se queixam da crise o mesmo acontecendo no sector do imobiliário onde as casas de luxo se continuam a vender sem dificuldades.


Porém, se abandonarmos as rotas “obrigatórias” de Sintra, Lisboa e Cascais e circularmos nos transportes públicos, uma paisagem humana completamente diferente surge-nos de forma abrupta como uma bofetada.


A urbanidade de Lisboa, perdida como cultura, aparece-nos sob a forma da solidão e do medo com que se caminha pelas ruas sujas, pelos prédios maltratados, pelas obras em sessão contínua salpicadas de transeuntes que ou são turistas ou são mendigos, ou são ladrões, ou já não são nada limitando-se a existir enrolados em cobertores próximos dos Ministérios no Terreiro do Paço.


Antes de sair para deambular nas ruas, eu, que quero saber onde estou e que País tenho, certifico-me de que não levo mais dinheiro do que o necessário e despejo a carteira dos cartões bancários e outros documentos. Eu que andei durante uma vida inteira pelas ruas de Lisboa, sem medo, hoje procuro não deixar transparecer as minhas inquietações sempre que circulo por locais apinhados de gente apressada, empobrecida e descaracterizada. Locais onde sou assediada por pedintes sujos e insistentes, por Associações das mais variadas índoles e por todos aqueles que, à pala da confusão, procuram aproveitar-se das carteiras e malas disponíveis.


Deixo o espectáculo desolador que se me oferece no Terreiro do Paço, junto à chegada dos barcos do Barreiro, e vou subindo a Rua Augusta onde os turistas fotografam homens e mulheres-estátua, essa nova forma de angariar fundos copiada do estranja donde praticamente só se copia o que não se deve copiar.


Confrange-me esta realidade, redutora de valores e de princípios, e interrogo-me o que pensarão os senhores dos Ministérios quando descem dos seus carros de alta-cilindrada, conduzidos por motoristas solícitos que lhes abrem as portas para que os gestos comuns não se lhes colem. Então concluo que talvez não meditem sobre as situações porque talvez não tenham tempo de dar por elas. Entre orçamentos, reuniões, entrevistas e conferências, complementados com algumas viagens, lá se ficam os tempos todos tomados.


Nos condomínios onde habitam não existem estas desgraças e transportes públicos só tomam em dias de inaugurações.


Enquanto isso, no País de uns e outros, cada vez existem mais uns que não cabem no mundo dos outros. Importante verdadeiramente é o que cada um pensa para si porque a comunicação social se encarregará de fazer outras leituras.





54 comentários:

Pata Negra disse...

Nunca levei os meus filhos à baixa lisboeta - tenho medo dos pobres!
Sou rico? Não, não ando nesses carros com vidros defumados de indiferença! Dos que vão lá dentro também tenho medo, sou um medricas!
Um abraço da pacata aldeia

Maria disse...

A crise ainda não chegou a todos...

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra

Não tenho medo dos pobres mas sim da violência de condições de vida a que estão sujeitos. Tenho medo duma cidade que se tornou violenta e que deixou de ter aquela cultura própria que era um traço de união em certos locais.
Mas não confundo os pobres com os assaltantes.
Relativamente aos que passam em carros de vidros defumados de indiferença, acho-os rídiculos.
Lembro-me de uma vez, há já bastante tempo, ter visto numa revista a princesa Vitória da Suécia (e futura rainha) numa paragem de autocarro de ténis e anorak como qualquer cidadã comum. Mas é na Suécia que é um dos países da OCDE que tem menor fosso entre ricos e pobres e, naturalmente, aquela evolução que não se presta à postura dos nossos governantes.
Abraço sem medo

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria

A crise ainda não chegou a todos nem vai chegar. Há sempre até quem lucre com ela.

Abraço

mfc disse...

Dói ver esta pobreza silenciosa que vai por aí!

O Guardião disse...

Lisboa está cada vez mais longe dos meus roteiros, e uma ida à capital é um sacrifício que faço apenas por obrigação profissional ou de saúde. O acaso, e o trabalho, faz com que conheça alguns dos figurões que vivem em condomínios fechados ou em mansões vedadas e vigiadas por seguranças, e o que posso dizer sobre eles é que não sabem o que custa ganhar a vida, nem quanto custa um litro de leite. Gastam porque não lhes custa a ganhar, e quando discutem um preço basta acenar-lhes com a exclusividade, a novidade absoluta ou dizer o nome de uma celebridade que tenha o produto ou algo parecido, para os ver inchar o peito e desistirem de regatear.
Estes não se conquistam pelo estômago mas sim pela vaidade.
Pobreza, isso sim aflige-me, mas cá pelo interior ela não assume o aspecto decadente e sem esperança que se vê por Lisboa. O quintalito, as galinhas e uns coelhos lá vão iludindo um pouco a pobreza.
Cumps

Marreta disse...

É esta, que muito bem descreves, a realidade de um país de faz-de-conta que tarda em encontrar o caminho certo. O país do fosso entre os ricos e pobres, que eu costumo chamar de fossa, o país do pseudo-novo-riquismo, o país da miséria encoberta, o país da telenovela, do telemóvel e do cartão de crédito.
Cada vez mais acredito que o grande visionário sobre o futuro do nosso país, ainda maior que Nostradamus, foi Julio César, quando proferiu aquela célebre frase: "Nos confins da Ibéria existe um povo que não se governa, nem se deixa governar".

Saudações do Marreta.

P.S.: Mudei de poiso. Agora estou em "marreta.wordpress.com".

P.S.2: Noto que para poder publicar um comentário é necessário ter uma conta no Blogger, não sei se é propositado, se foi um lapso, mas desta forma só poderá comentar quem tiver um blog no blogger, não permitindo a outras plataformas o comentário, como é o caso do Wordpress, Sapo, etc.
O meu é um desses casos,visto que estou agora no Wordpress. Por agora, para poder comentar, ainda entrei como utilizador do blogger, mas de futuro desta forma já não conseguirei publicar um comentário.
Convinha que alterasses as definições de forma a que os blogs de outras plataformas pudessem também comentar.

ManDrag disse...

Salve! Lídia
Constrangedora a realidade social, mais do que do país, do mundo em que vivemos.
Exacta e real a descrição que fazes de Lisboa. Mas igualmente a podemos encaixar na descrição de outras, muitas, cidades deste mundo global, em que tudo que é mau e degradante se repete e copia até à exaustão da indiferença.
Abraço de esperança.
Salutas!

Peter disse...

Há um ditado: "quem não rouba, ou não herda, enriquece uma merda".
Eu não roubei, mas também não enriqueci. Digamos que o facto de ser filho único e de alguns parentes terem morrido sem descendentes, permitiu-me viver sem dificuldades.
Talvez que com a crise e o seu complemento: a desvalorização da moeda, elas surjam.
Entretanto faço o que sempre fiz: utilizo os transportes públicos dentro da cidade, mas sem tomar precauções de deixar valores em casa.

Talvez seja um erro e o seu exemplo fez-me parar para pensar.

SILÊNCIO CULPADO disse...

MFC
Uma pobreza que tende a agravar-se com a subida do preço dos alimentos essenciais, nomeadamente o arroz, a carne e o pão.
Uma pobreza, em muitos casos escondida mas que é a mais sentida.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Guardião

Os condomínios fechados são uma aberração onde se escudam os que têm a temer.
Essas ilhas de suposto bem estar são uma afronta por excluirem aqueles que sendo gente deveriam circular livremente por todos os caminhos.
O contacto entre pessoas diferentes enriquece as partes envolvidas. Esses ricos, de mente pobre e alma mendiga, aprenderiam grandes lições de vida com aqueles de que nem se aproximam.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Marreta

Vou então fazer as alterações.

Abraço

polidor disse...

não fora por ex a ajuda dos pais e assistiríamos a uma pior realidade, refiro-me a gente jovem com cursos acabados e sem trabalho adequado à sua formação e pagos à jorna... e não fora os filhos a cuidar dos pais velhos e teríamos uma realidade ainda mais deprimente...mas, os que não podem porque não têm? e são muitos.

abraço.

amigona avó e a neta princesa disse...

Minha querida Lídia o trabalho (dia e noite) tem-me impedido de andar por aqui...eu sei que perco muito mas agora tem mesmo que ser. Até ao fim -do -ano vai ser de loucos!!!
Um abraço amiga e deixo muitas saudades...

Mário Relvas disse...

"Enquanto isso, no País de uns e outros, cada vez existem mais uns que não cabem no mundo dos outros. Importante verdadeiramente é o que cada um pensa para si porque a comunicação social se encarregará de fazer outras leituras."

Que belo texto. Ando para escrever algo no género sobre a realidade que observo no dia-a-dia.Fá-lo-ei em breve. Olha que a classe média sente já a situação que descreves. Os casais que tinham cada qual o seu emprego, viram desmoronar o seu orçamento por um deles, quando não os dois, ter perdido o seu sagradinho emprego, fruto do apertar da cinta económica das empresas. E muitos funcionários públicos viram os seus vencimentos ser ultrapassados pelos constantes aumentos dos bens e impostos, sem que os aumentos dos vencimentos acompanhassem minimamente a inflação, há largos anos.
Não entendo o que é ser-se de esquerda ou de direita. Entendo sim, que os valores sociais devem ser primordiais. Eu que nunca fui um adepto de um Estado gordo, não fico nada satisfeito com o emgracimento da qualidade das coisas públicas, nomeadamente na área da Educação e da Saúde.
A pobreza gera becos sem saída. Gera jovens sem futuro. Sem objectivos tornam-se marginais. A marginalidade social cria insegurança. Logo iremos ter um aumento de pobreza e de insegurança! Mas digo-te que temos carolas nos ministèrios, como bem escreveste, que não sabem disto. Ou então estão-se nas tintas!
Pior, a insatisfação nas FA e nas FS são indesmentíveis.A comunicação social tem patrões. Vive de quem manda! Anda ao vento. Reparem nos jornais do mesmo grupo, uns atacam mais estes, outros defendem mais estes e atacam aqueles. Será o director que traça o verdadeiro rumo? Ou são as administrações/empresários de mão estendida?
Estejamos atentos ao que aí vem. Um orçamento eleitoralista que nos trará mais desgostos no futuro.
Preparem-se, dêem as mãos ou tranquem as portas!

Um abraço

Oliver Pickwick disse...

Seja em Lisboa ou em qualquer outro lugar, prezada Lídia, os ricos estão imune às crises. Exceto as intimistas, tais como: languidez por nada; enfado da vida boa; e depressões duvidosas. ;)
Quanto aos excluídos, dia virá em que o seu clangor terá a força de dez tisunames.
Um beijo!

Zé Povinho disse...

Cada vez mais desigualdades, cada vez menos justiça. Não sei quando é que isto vai levar uma volta, mas quanto mais tarde mais perigosa será "a volta".
Abraço do Zé

António de Almeida disse...

-Nascido e criado em Lisboa, habito hoje num concelho da margem sul do Tejo, um suburbio, embora com alguma qualidade de vida, onde existem espaços verdes e a construção em altura não é praticada. Raramente vou ao centro de Lisboa, quando o faço é para ir fazer compras, almoçar ou jantar, ou por situações obrigatórias, uma ida ao médico por exemplo. De facto há muito que não frequento a Baixa, em rigor nunca a frequentei, quanto muito Alfama e Castelo no mês de Junho, Chiado e Bairro Alto sempre, actualmente Docas ou Expo quando posso. Evito zonas potencialmente perigosas, actualmente não ando armado, mas já andei no passado, ser roubado é algo que me chateia, é uma questão de princípio que me vem desde os tempos de escola. De resto pobres não são obrigatoriamente marginais, e ricos podem ser bem piores, morava muita gente séria e decente no Casal, mora muito bandido na Lapa, mas também não subscrevo que ser rico é estar nas tintas para os pobres ou que a riqueza deve ser redestribuida. Até porque se fosse possível por artes mágicas amanhã todos termos o mesmo dinheiro, ponto de partida igual para todos, bastaria um mês para existirem ricos e pobres.

Odele Souza disse...

Essa diferença de classes, do modo como cada um vive, nos choca pelo contraste. Uns muitos ricos e outros muito pobres. Mas lendo o que relatas sobre Portugal vejo incluido nesta situação o meu Brasil, também tão desigual.

sideny disse...

Ola Lidia
pois é os pobres estão cada vez mais pobres, e os ricos cada vez mais ricos.
estamos num pais em que éo salve-se quem puder, e infelismente
ninguem t~em pena de ninguem.
beijinhos

São disse...

Lídia, cada vez mais o fosso entre quem tudo possui e nada tem se cava bem fundo.
Como será possível que os grandes vejam o que quer que seja?!
Infelizmente, estamos na Kaly -Yuga.
Um abraço fraterno.

Mar Arável disse...

A vida não é fácil

é preciso resistir

e combater

C Valente disse...

Pois é assim estas assimetriaso uns comem tudo outros não tem nada
Saudações amigas

samuel disse...

Realmente, como diz o escritor, "Quem tiver olhos, veja. Quem puder ver, repare!"

Abreijos.

M. disse...

Há quatro dias entrei aqui para comentar a adopção e fui interrompida, ficou um coment no ar com a promessa de ser continuado. Dois dias depois fui de novo interrompida. Ontem voltei e já tens outro post que me prontifiquei a comentar e pimba! nova interrupção. É o que dá viver no campo. Não conheço aqui a realidade de que falas no post mas tenho consciência dela nas grandes cidades e em Paris onde vivi 15 anos o retrato é em tudo semelhante. Ontem quando vinha do trabalho recordei que nos aproximamos da época natalícia; começa a anunciar-se nos panfletos publicitários, nos centros comerciais,nas ruas onde vão montar as armações para a iluminação de natal. mesmo com as tensões sociais que se vivem no país, os despedimentos, o desemprego e a criminalidade evidente. Mas nas extravagâncias dos próximos dois meses será como se nada se passasse, e tudo é colocado na lista de compras excepto a renúncia ao superflúo, a ajuda aos carenciados- os verdadeiros permanecem silenciosos-, a partilha mutua dos haveres em excesso porque a verdade é que uma boa percentagem torna-se puro disperdício. Mas as luzes e a ostentação tendem muitas vezes a tapar a vista à percepção das necessidades dos mais fracos.

Abraço

fotógrafa disse...

Se amigos são flores que duram, um ano ou um dia,
não faz diferença, porque o importante,
são as marcas que deixam nas nossas vidas.

Bom fds
abraço

tagarelas-miamendes disse...

Lidia E' realmente muito triste sermos confrontados com esta realidade. Eu tambem me tenho apercebido, que o Pais que deixei `a doze anos esta muito mais empobrecido. Tambem me choco com o desmoronamento das nossas baixas. E falo do Porto, a minha cidade e de Lisboa, cidade de adopcao, onde vivi dois dos meus melhores anos, da minha juventude. Cidades que eu percorria a qualquer hora do dia ou da noite, sem qualquer receio.
As coisas mudaram realmente e choca-me a atitude, dos nossos governantes que procuram passar a imagem do "Portugal moderno" e nada fazem para recuperar, as zonas antigas, esquecendo-se que o nivel europeu que pretendem alcancar passa precisamente por ai.
E as desigualdades? Isso entao, da muito que pensar! As verdadeiras crises foram sempre as crises sociais.

Olhos de mel disse...

É minha amiga linda! Escuto falar em crise, mas vejo que a vida pra uns, continua a mesma. Infelizmente, a crise apenas alcança, a uma parte da população.
Bom domingo! Beijos

Alexandre disse...

Ontem à noite tive que atravessar a ponte de Alcântara para vir para casa. Eram cerca de 1 da manhã, tinha ido para aqueles lados não para beber copos mas por outros motivos!

Não é que estive mais de meia-hora no trânsito, nem à hora de ponta tinha visto aquilo alguma vez assim... tanta gente e tantos carros!!!

Crise? Onde está a crise? Parece que só no meu bolso...

Muitos beijinhos!!! Bom domingo!!!

Mar Profundo disse...

Olá, venho dar a conhecer o meu novo blog, apos alguns dias para ficar tudo bem decidi começar com ele hoje, espero que goste de o visitar e que faça parte dos seus favoritos... com o tempos darei a conhecer o que gosto de fazer - Escrever..

Beijos e boa visita.

http://marprofundo.mine.nu

amigona avó e a neta princesa disse...

Mesmo com os Centros Comerciais cheios, mesmo com as discotecas com muita gente aos pulos, mesmo que nos próximos dois meses se gaste o que se tem e não tem até porque muitos vão "empurrar-nos" para isso, apesar disto tudo Lídia não podemos ignorar a miséria que EXISTE mesmo,as MUITAS pessoas que vivem (???) com pouco mais de 200 euros (!!!, os muitos casais que fazem contas à vida para pagar a alimentação da família, as escolas e tudo mais que é preciso, os muitos jovens que pulam de precário para precário quase sem ganhar para os transportes...infelizmente são muitos e cada vez mais o número aumenta...cuidado...às vezes com estes pensamentos tentamos apagar a realidade que está ao nosso lado e preferimos não ver...
A precaridade, o desemprego,a miséria, a solidão, a pobreza escondida são realidades assustadoras e NÃO podemos ignorar...até porque como diz o poeta.
VEMOS
OUVIMOS
E
LEMOS...
Beijos querida amiga...não foi para ti que falei mas para alguns que conheço e assim se convencem que podem fazer a sua "vidinha"...bom domingo querida...

Paulo disse...

"Enquanto isso, no País de uns e outros, cada vez existem mais uns que não cabem no mundo dos outros."

E aqui se resume todo o teor, todo o conteúdo, deste país em que sobrevivemos... em desgoverno.

Um abraço apertado.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mandrag
Sei, infelizmente, que Lisboa não é única nos aspectos negativos. Encontrei muitas capitais como Lisboa.
Gosto muito de andar a pé e nos transportes públicos, um pouco a esmo, para que a realidade me surja tal como os meus olhos vêem e não como ma querem impingir.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Peter
Como várias vezes tenho referido, os transportes públicos mostram-nos uma realidade que os percursos protegidos pelo transporte individual entre as nossas casas e sítios que frequentamos, não deixa antever. Mas não posso ignorar os incómodos e os assaltos que certos grupos marginais provocam. Os comboios suburbanos, o metro os autocarros são, diariamentel alvos privilegiados.Há pois que tomar precauções.
Só para te dar um exemplo: Há uns meses atrás almoçava no João do Grão, numa das mesas que são colocadas na rua quando há bom tempo, quando um larápio apanhou pela alça a mala duma senhora e desatou a correr. Porém, neste caso, havia polícias perto que foram a correr atrás dele e o apanharam.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Polidor
Eu sei do que falas e também me aflige pensar em quem não pode auxiliar os filhos ou os pais necessitados porque já não tem que chegue para si.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona

Minha querida, a tua obra é grande e já contribuis em muito para combater situações de grande fragilidade de final de vida.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas


Como não concordar com um comentário tão bem fundamentado?
É preocupante a situação que se vive. Também concordo que em áreas como a Saúde e a Educação o Estado não se possa demitir das suas responsabilidades na medida em que estão em causa direitos essenciais dos cidadãos que têm que ser protegidos e salvaguardados.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Oliver Pickwick

Rambém penso assim, Oliver, os ricos estão imunes às crises. Porém num mundo em que os 500 mais ricos - repara apenas 500 - consomem os recursos de 416 milhões dos mais pobres, alguma coisa tem que ser mudada.
Esperemos o tal clamor.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho

Há desigualdades e desigualdades. Estas desigualdades em que uns enriquecem exponencialmente à custa da especulação dos mercados financeiros, da corrupção e do branqueamento de capitais advindos de negócios ilícitos enquanto outros, ou não têm trabalho apesar de o procurarem, ou trabalham e se esforçam mas não ganham que chegue para as necessidades básicas, é algo que é intolerável.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Almeida
Com tudo o que dizes eu concordo mas acrescento algo que, digamos, é o espírito do post que fiz. O que está em causa aqui são as desigualdades quase pornográficas e sem justificação moral ou racional. Nem os ricos (a maioria) têm enriquecido utilizando uma massa crítica que contribui para o desenvolvimento e criação de emprego, nem todos os pobres são incapazes e mandriões ou mesmo marginais. Há quem trabalhe, ou tenha trabalhado a vida inteira, arduamente e não tenha o mínimo que garanta a satisfação das necessidades básicas, e há quem não produza e, através dos mais diversos engenhos, esteja a encher-se até mais não.
Também a marginalidade tem diversas causas que não têm sido combatidas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
O teu Brazil e tantos outros países, muitos deles desfraldando a bandeira do desenvolvimento.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sidney

O que mais aflige é exactamente isso: o salve-se quem puder e o ninguém ter pena de niguém.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
O que mais aflige no enriquecimento são as formas ilícitas como o mesmo se processa.
Relativamente à pobreza ela é particularmente dolorosa entre os jovens que se vêem privados da igualdade de oportunidades, entre os idosos que depois de trabalharem toda uma vida não têm os mínimos que lhes permitam sobreviver com dignidade(saúde, alimentação)e entre os que, tendo um trabalho, usufruem dum salário que não chega para garantir a sua subsistência.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mar Arável

É preciso antes de tudo identificarmos os males e as suas origens para que possamos lutar pelas curas possíveis.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

C.Valente
Pois uns comem tudo mas o pior é que os que comem tudo não são muitas vezes os que contribuiram para criar os alimentos.


Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Samuel

Gosto desta frase.
"Quem tiver olhos, veja. Quem puder ver, repare!"


Ela diz tudo.


Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

M.
Ainda bem que conseguiste comentar porque é um prazer enorme contar contigo aqui.
Realmente, amiga, vamos entrar num período de consumo irracional, em que se desbarata no supérfluo recursos que fazem falta para o essencial.
Tudo faz parte do mesmo neste mundo em desequilíbrio alimentado por muitos interesses que não têm em conta o bem estar do próximo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fotógrafa

Obrigada pela visita e pelas palavras amigas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

tagarelas-miamendes

Realmente ao ouvirmos os nossos governantes não somos levados a crer no País que temos, nesta pobreza explícita e implícita, no abandono do interior do País, na degradação de zonas emblemáticas das principais cidades etc.
Dizem os governantes coisas tão positivas que mais parecem um conto de fadas que a realidade percebida.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Olhos de Mel

A crise é material e de valores porque a desumanização e o individualismo crescem a olhos vistos.


Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Alexandre
Olha, meu querido, eu no texto advirto para esses percursos de rotas enganadoras. Fazem lembrar aqueles partidos, com grande capacidade de mobilização, e que enchem ruas e estádios mas que em votos ficam muito aquém.
É que nós nunca contamos com quem ficou em casa e menos de 20% da população dá para encher todos os caminhos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mar Profundo

Obrigada pela visita que retribuirei logo que possível.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
Certamente que do teu contacto com pessoas idosas que estão institucionalizadas tens muitas histórias tristes para contar. Isto para não falar dos casos que, infelizmente, vamos tomando conhecimento no nosso dia a dia.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Paulo

Isto de haver uns que não cabem no mundo dos outros dói que se farta. Não somos nós animais da mesma espécie?


Abraço