.



COM 208 MIL PESSOAS À ESPERA DE CIRURGIA OS HOSPITAIS EPE- ENTIDADES PÚBLICAS EMPRESARIAIS DIMINUÍRAM O PREJUÍZO EM 57,4% NO 1º.SEMESTRE 2007

Os 35 Hospitais Entidades Públicas Empresariais (EPE) diminuíram o prejuízo em 57,4% no primeiro semestre do ano, face ao mesmo período do ano passado, para 127,9 milhões de euros, indicou hoje o Ministério da Saúde.
Dos 35 Hospitais EPE apenas oito registaram um resultado líquido positivo, com destaque para o Hospital de São João e para o Instituto Português de Oncologia do Porto, com lucros de 9,6 milhões de euros e 9,1 milhões de euros, respectivamente.
Pelo contrário, o Centro Hospitalar Lisboa Central e a Unidade Local Saúde Norte Alentejano foram os Hospitais EPE com maiores prejuízos, na ordem dos 23 milhões de euros, segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde, hoje divulgados.
Os resultados surgem pouco dias depois de o Ministério da Saúde ter apresentado às administrações dos Hospitais EPE o objectivo de, dentro de dois anos, 25 das 35 unidades apresentarem resultados positivos.
O secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, esteve reunido, quinta-feira passada, com as administrações dos 35 hospitais EPE para analisar a execução financeira do primeiro semestre deste ano.
A informação do desempenho económico dos 35 Hospitais EPE, hoje divulgada, adianta que o resultado operacional foi negativo em 145,1 milhões de euros, menos 56,3 por cento que nos primeiros seis meses do ano passado.
Os custos apresentaram um crescimento de 0,5 por cento, influenciados pela anulação da facturação dos fluxos de P.V. por farmácias da Administração Regional de Saúde (os medicamentos prescritos pelos hospitais e fornecidos pelas farmácias comunitárias deixaram de ser facturados pelas administrações regionais de saúde aos hospitais) e por uma maior especialização se amortizações e provisões.
O total das despesas ascendeu a 1,8 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano.
Os custos com materiais de consumo aumentaram 2,8 por cento no primeiro semestre do ano, face ao mesmo período do ano passado, para 549,5 milhões de euros.
Os custos com produtos farmacêuticos registaram um crescimento de 3,6 por cento, para 403,7 milhões de euros, e os custos com medicamentos cresceram 2,2 por cento, para 347 milhões de euros.
Os custos com pessoal registaram um acréscimo de 1 por cento nos primeiros seis meses do ano, para 958 milhões de euros, apesar das remunerações base e dos suplementos de remuneração ter diminuído 0,5 por cento, para 527,1 milhões de euros, e 2,5 por cento, para 195,8 milhões de euros, respectivamente.
Também as despesas com o pagamento de trabalho extraordinário desceram 6,2 por cento, para 98 milhões de euros.
A rubrica outras despesas com pessoal registaram um crescimento de 12 por cento, passando de 137,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2006, para 153,7 milhões de euros, nos primeiros seis meses deste ano.
Os custos operacionais antes de amortizações e provisões (cash costs) subiram 0,1 por cento, para 1,7 mil milhões de euros.
O relatório considera que a evolução destes custos operacionais é a análise mais relevante, tendo em conta que reduz o efeito das diferenças existentes relativas à especialização de proveitos e custos entre o primeiro semestre de 2006 e 2007.
Diário Digital / Lusa 30-08-07
Hospital de S. João do Porto teve o melhor desempenho dos 35 hospitais Entidades Públicas
O administrador executivo do HSJ, Duarte Araújo, disse à Lusa que «a despesa baixou substancialmente nos medicamentos e houve um crescimento zero dos custos com pessoal».
O aumento dos lucros resultou também de um crescimento da receita, nomeadamente nas áreas das consultas externas e dos internamentos, apesar de o HSJ estar com menos 100 camas, devido à reestruturação e renovação de espaços em curso.
O Hospital de São João registou uma das recuperações financeiras mais significativas, ao passar de um prejuízo de 61,8 milhões de euros, no primeiro semestre de 2006, para um lucro de 9,6 milhões de euros, nos primeiros seis meses deste ano. Esta recuperação começou no final de 2006, ano que o HSJ fechou já com um lucro de cerca de três milhões de euros.
Fonte: Portugal Diário 30-08-07

2 comentários:

ALEX disse...

Ainda hão-de dar lucro. Talvez ainda venham a ser uma fonte de receita para os partidos, quem sabe? O País é só para os muito ricos por isso fazem favor: se são muito ricos têm os seguros de saúde e os hospitais privados. Se não são muito ricos, e sobretudo se são reformados, tratem de morrer para aliviar a segurança social. Quando se fizer o balanço para ganhar as próximas eleições não queremos esta gente que atrapalha.

martelo disse...

existe aqui um dado relevante: se o prejuízo baixou em 57.4% e se se mantem uma lista de espera/cirurgia elevada não será porque o factor da "poupança" está a sobrepor-se ao interesse social? claro que sim, afinal é um estratagema semelhante ao da redução do déficit, isto é, atingir o objectivo com danos para a população desprotegida...e ainda dizem que a luta de classes já não faz sentido...