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NO PAÍS DOS RICOS


No País da Europa Comunitária, em que se regista o maior fosso entre ricos e pobres, o PIB por habitante ficou, segundo dados da Eurostadt, 25% abaixo da média da UE. Apetecia-me fazer algumas considerações e cruzar alguns números mas não vou fazê-lo.


O jornal Noticias da Manhã publica uma noticia fabulosa, que vou transcrever na íntegra, e que espelha a nossa realidade subdesenvolvida e pouco respeitadora da pessoa humana mesmo quando é policia. Querem ver?



Polícias em missão (quase) impossível para arranjar onde dormir

Uma vez terminado o 6. Curso de Formação de Agentes, mais de 900 elementos foram colocados no Comando Metropolitano de Lisboa. A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) tem recebido muitas queixas, quer dos novos agentes, quer das respectivas famílias, dando conta dos problemas que afectam estes profissionais da PSP à chegada a esta nova unidade, chegando ao ponto de alguns familiares suplicarem à ASPP para ajudar os filhos. Um comunicado da ASPP/PSP enviado às redacções, explica mesmo: “A maioria daqueles profissionais desconhece completamente a realidade da cidade de Lisboa e são confrontados com a dificuldade de encontrar um local para residir”.Para o dirigente sindical Nelson Brito, um exemplo do que se passa com os novos agentes prende-se com as complicações de alugar casa ou quarto. “Os agentes são confrontados com o facto de as pessoas só alugarem casas por um período mínimo de dois ou três meses. O problema é que, ao fim de um mês, podem ser destacados para outra divisão, no lado oposto da cidade; e depois como é que se desenrascam? Estou a falar de agentes que são oriundos de zonas tão distantes do País como as regiões autónomas da Madeira e dos Açores ou de Trás-os-Montes e que, obviamente, não conhecem a realidade da cidade”, salienta ao NM, o presidente do sindicato.“Há casos de colegas que estão alojados no Instituto da Juventude e que arrendaram quartos por 12,5 euros por dia [ndr: o que dá qualquer coisa como 375 euros mensais]. Estamos a falar de agentes que auferem um salário na ordem dos 700 euros por mês; fazendo as contas, chegam ao fim do mês quase sem dinheiro”, destaca Nelson Brito, explicando ainda: “Aqueles que não conseguem arranjar um «tecto» para dormir, andam durante a noite a «matar o tempo» até chegar a hora de entrar ao serviço”.Carro patrulha procura casa para agentesO presidente da direcção sindical da ASPP/PSP afirma que o Comando Metropolitano de Lisboa devia ser responsável por arranjar alojamento nos primeiros seis meses de serviço destes novos agentes, a fim de que estes se habituassem à realidade da cidade e acrescenta: “Chegou-se a um ponto em que o comandante de uma esquadra disponibilizou um carro patrulha para ir a uma pensão perguntar se alugavam quartos. Da parte do Comando Metropolitano de Lisboa, há um total desacompanhamento da situação destes jovens profissionais. Já é tempo da instituição se preocupar com eles como pessoas humanas e não como meros números mecanográficos”, sublinha o presidente ao NM.Mães querem os filhos de voltaNelson Brito deu conta que, há poucos dias, recebeu um telefonema de uma mãe cujo filho passou uma noite na rua. “Esta mãe tem o filho, oriundo da Covilhã, numa divisão da cidade e falava comigo a chorar, dizendo que o filho tinha passado uma noite na rua por não ter onde dormir. São situações que incomodam e às quais não podemos ficar indiferentes. Esta mãe quase que pedia para mandar o filho de volta para casa”, finaliza o presidente da ASPP/PSP.

Equipados com «relíquias» de 40 anos

Para o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), os novos agentes foram equipados com armas, que, ao contrário do que foi dito, não são novas. Falando ao NM, Armando Ferreira salientou o facto de que “estes 900 agentes têm na sua posse, armas com mais de 40 anos de serviço e que deveriam já estar na prateleira”. Armando Ferreira afirma estar a par dos problemas dos polícias em relação a encontrar um local para residir, salientado ainda que “durante os próximos dois anos, não vai haver mais nenhum curso de formação de agentes, o que vai levar ao envelhecimento da PSP”, finaliza.

Noticias da Manhã 17-12-2007

37 comentários:

René disse...

Portugal está 25% abaixo da média Europeia no que concerne ao PIB mas se retirarmos 4% dos portugueses mais ricos possivelmente estará a 50% ou 60% abaixo. Por acaso tinha curiosidade.

No que concerne à situação dos polícias é miserável. Num País onde se usa e abusa das viagens, em grande estilo, nem se consegue garantir, em condições mínimas, os polícias deslocados. Miserável, mesmo.

Menina do Rio disse...

Amigos.com

Fala-se muito em virtual ultimamente
Mas o que é essa tal virtualidade
Será que é o não ver pessoalmente
Não será o virtual, realidade?

Há ternura, encanto e alegria
Nos versos que nos chegam pelo ecrã
Tantos alegram meus dias
Enchem de luz minhas manhãs

Uns acalentam minha alma
Dizendo: não fique triste
São palavras que me acalmam
Quando meus dias são tristes

Amigos.com são tão reais
Eu os sinto, como a vida a pulsar
São flôres, companheiros leais
que enfeitam esse meu caminhar

Ps: Tudo de bom que vc me fizer, faz minha vida ficar mais bela
Pra ti, um carinho sincero e meus votos de BOAS FESTAS!

Beijo na alma

O Sibarita disse...

Oi dona menina! Tanto ai como cá é a mesma coisa, faça fé!

Bom texto!

bjs
O Sibarita

Joseph disse...

A degradação do poder de compra dos portugueses vai-se reflectindo na actividade do pequeno comércio que fecha portas e atira mais uns para o desemprego. As regras impostas pela ASAE vão impedir as formas artesanais de conseguir mais alguns trocos, e atira mais outros tantos para a pobreza.
Neste país, como tu bem dizes, em que há tantos ricos, algumas fortunas conseguidas através da especulação dos mercados financeiros, há também muita pobreza. Estas grandes desigualdades são característica dos países subdesenvolvidos que, paralelamente, vivem com elevados níveis de corrupção. Depois poupa-se no ordenado do pobre como é o caso dos policias que apresentas.

ALEX disse...

Vou começar pelo caso dos polícias que me indignou até dizer chega.
Acabados de sair de grandes cimeiras onde se investiram balúrdios (e até nem discordo porque há que promover a imagem de Portugal), depararmo-nos com uma situação como a que aqui apresentas, é uma coisa quase pornográfica. Dum lado está o esbanjamento e a fartura e noutro a pobreza em toda a sua dimensão.
Nem uns trocaditos para ajudas de custo nas deslocações?
Quanto ao nosso poder de compra ser 25% abaixo da média europeia, estou como o René: é ainda muito mais gravoso se tirarmos aquela meia dúzia de ricaços que entram no bolo.

Sheila disse...

A situação está preta e não se vislumbram melhoras. O ano de 2008 trará mais desemprego e maiores desigualdades.
Coitados dos polícias que têm que passar por essa humilhação que revela o pouco que se importam com eles quem manda e dirige.
É com toda essa penúria que querem combater uma insegurança que não pára de aumentar e está a adquirir contornos preocupantes?

Tiago R Cardoso disse...

E depois exigem que as policias façam mais e melhor.
Para qualquer pessoa ser produtiva naquilo que faz tem de ter condições para isso, no caso das policias, que prestam um grande serviço a o país é evidente que tem de ser colocadas a sua disposição os meios necessários ao bom funcionamento, como também estabilidade.
Nunca é demais lembrar que este tipo de serviço é fundamental o que acaba por influenciar o resto dos cidadãos.

M.M.MENDONÇA disse...

E é com pessoas desmotivadas, vexadas e sem condições de trabalho que se faz a segurança no País?

Estamos muito abaixo da média europeia no poder de compra e tudo indica que continuaremos a divergir.

GIL disse...

Estamos muito abaixo da média da UE no que se refere ao poder de compra mas, talvez para 2009, já se comecem a ver os resultados de algumas das políticas ditas anti-populares. Nessa altura os discursos vão mudar por completo.
Quanto aos policias, eles ganham 700 euros, não ganham? Não dá para viver bem mas também não é caso para dormirem na rua.

quintarantino disse...

O discurso sobre o miserabilismo da polícia pode servir para denunciar algumas situações, mas também não é preciso estar com exageros. São só eles que precisam de local para viver? Os outros não?

Quanto ao PIB, tirem lá as grandes fortunas e refaçam as contas. Somos capazes de cair mais um bocado.

ruy disse...

Estamos a cair no capitalismo selvagem, onde o valor da força de trabalho já é inferior às necessidades de sobrevivencia do trabalhador.
abraço,
ruy

JOY disse...

Começa a ser preocupante que estas noticias não nos provoquem nenhuma surpresa,custa-me que paises que ainda á pouco tempo entraram para a União Europeia já tenham maior poder de compra que nós ,vemos vergonhosamente um governo atribuir mais 23 euros ao salário minimo e as organizações patronais a falar como se nos estivessem a dar o mundo.Desemprego a aumentar, infelizmente as prespectivas para 2008 são sombrias .

JOY

C.Coelho disse...

Realmente é preocupante o que se passa e, também, o fatalismo como aceitamos situações tão injustas e preocupantes como se de coisas naturais se tratassem.
O caso dos policias pode ser evidenciado numa perspectiva do coitadinho mas que é inaceitável que se faça formação sem as necessárias ajudas de custo e de acompanhamento, lá isso é. E a falta de meios e de motivações é preocupante com o aumento do crime e da insegurança.

Boris disse...

Nós estamos a assistir três fenómenos que coexistindo contribuem para a degradação das condições de vida:
1- Um capitalismo selvagem que entrou para ficar com efeitos cataclíticos e de longa duração.
2- Governantes incapazes de inverter a situação e de inflectir estratégias.
3- O convencimento que tomou conta dos portuguesas de que estas desgraças são necessárias porque sem elas.... aqui perco-me. O que é que acontecia? Eramos menos desgraçados. Mas o Sócrates tem sabido manipular a comunicação para que todos se conformem com o fado, o futebol e Fátima. Aonde é que eu já ouvi isto?

Louise disse...

O dinheiro está muito mal distribuído, minha amiga, e os interesses dos galifões falam mais alto que todas as boas vontades.
Todos os trabalhadores têm que estar motivados para exercerem a sua profissão com dedicação, competência e vontade de evoluir. Com condições dessas, ainda que se admita alguns exageros na forma como se conta, o que poderemos esperar da nossa polícia? Quem lucra com isso? Os marginais, claro.
A continuarmos assim assusta-me pensar o que vai ser deste País.

Laurentina disse...

Como é que se pode depois exigir a estes homens e mulheres que cumpram as suas funçoes condignamente?!
Mas estas situações dão-me uma semelhante furia...


beijão grande

O Viriato disse...

Pois claro que não pode haver dinheiro para garantir condições mínimas de trabalho aos polícias "deslocados" porque TEM DE HAVER DINHEIRO para champagnes e circos de Tratados que nada nos dizem em concreto.

BASTA. BAASSSSTTTTTTTTAAAAAAAAAAAAAAAA
Saudação ao blog e a toda a corporação policial

sol poente disse...

É este estado de coisas que justifica a minha existência como blogue solidário onde, diariamente, denuncio as maiores atrocidades. Convido-vos a consultarem
O SOL POENTE
http://o-sol-poente.blogspot.com

António de Almeida disse...

Qualquer marginal consegue andar melhor armado que um agente da autoridade. Depois o agente, ainda tem que pagar o fardamento e equipamento. Se der um tiro, nem queiram saber a papelada que terá de preencher para justificar uma simples munição. Admiramo-nos pois, que agentes façam serviços de segurança em discotecas, e surjam ligações perigosas? Se alguns sabem separar as águas, limitando-se a um trabalhinho extra, outros infelizmente passam a barreira da legalidade. Como há-de querer a sociedade mais segurança, se não acarinha quem a proteje e a serve? Sou pelo reequipamento das forças policiais, em lugar de investirem em radares, poderiam e deveriam adquirir novas armas, e cuidar dos nossos agentes policiais!

NINHO DE CUCO disse...

Concordo com tudo o que aqui é dito pelos diferentes comentadores. Queria, no entanto, realçar a tese de António Almeida quanto à necessidade de não se fazerem "poupanças" nas forças policiais. Não podemos viver seguros se não tivermos forças policiais com capacidade de resposta.

C Valente disse...

Cada vez esta politica e estes politicos me dá nojo, (desculpa mas já não encontro outra palavar) para a cimeira de Lisboa ultrapassaram o orçameto e dizem com o ar mais natural, sem problemas, a polica que foi destacada viveu momentos dificeis, nada importantepara os assassinos viverem momentos de super luxo
trsite país
Saudações amigas com paz e amizade

C Valente disse...

à pouco não agradeci, mas cá volto a passar para o fazer: obrigado pelos versos que me foram enviados
Bem haja. Santo Natal

C Valente disse...

Á pouco não agradeci, mas cá volto a passar para o fazer: obrigado pelos versos que me foram enviados
Bem haja. Santo Natal

NÓMADA disse...

É realmente um País triste este que se acomoda perante vergonhas como esta.

Rafeiro Perfumado disse...

Os polícias também nunca estão satisfeitos. Dão-lhe para as mãos peças de museu e eles reclamam? Está bem que não devem servir de grande coisa se tiverem de as usar, mas devem ser bonitas para admirar! ;)

Zé Povinho disse...

Smos um país triste e envergonhado e temos bastas razões para isso. Os problemas são muito reais, mas dos lados quem governa, fazem-se festas, botam-se discursos mas de resto, nada. As assimetrias aumentam e o povinho que se aguente. Até quando, é que não sei...
Abraço do Zé

Peter disse...

É chocante e revoltante.
Exigem que os polícias arrisquem a vida na defesa dos cidadãos e depois o que lhe oferecem em troca?
O que descreveste, mais o desprezo e a crítica sistemática à sua actuação.
Qual a motivação deles?
Quem os protege no campo legislativo?
O criminoso, o ladrão, o infractor "não podem ser tratados como inimigos, mas sim como cidadãos". Não sou eu que o digo, mas um alto responsável.
Continuem com os "paninhos quentes", que já têm dentro de casa o crime organizado e não estão treinados para tal, nem dispõem de meios para o combater.
Combater?
Sim, combater é o termo.

Não, não sou polícia, mas sinto-me receoso e necessito de protecção

Keops disse...

Isto é a realidade. E os professores que se sujeitam ir para longe dos seus meios?E os outros civis que têm de recorrer a tantas fragilidades?
Uma coisa que não me esqueço:os polícias quando se candidatam sabem quais as condições de trabalho. Precárias, algumas. Retrato da nossa sociedade, infelizmente não circunscrito a determinada classe!

O Viriato disse...

Bom natal para o SILENCIO CULPADO e para todos os que ainda dão provimento à palavra verdade.

Girassol disse...

Existem momentos em que simplesmente venho aqui ler, e fico sem saber o que falar.
É que há tanto para dizer que uma pessoa fica até perdida...

Cati disse...

E são estas pessoas que nos protegem... Mais valia dar-lhe pedras e fisgas...

É triste ver este estado de coisas e ver os ministros sempre com o último grito de tecnologia e de automóveis...

Para quando uma mudança de mentalidade política?

Uma beijoca grande!

amigona avó e a neta princesa disse...

Passei para te deixar um abraço apertado...

avelaneiraflorida disse...

Cada vez maior o fosso entre ricos e pobres!!!
Uma lição da História que ninguém parecer querer ver...

Entretanto não se procuram soluções ou não se preocupam em encontrá-las para os problemas que existem no país...
Criar uma imagem externa de PODER ...enquanto internamente o "buraco negro" se vai alargando!!!!
Que vida é esta?????

herético disse...

mais uma vergonha.

mas em compensação, somos temos os melhores "mordomos" da União Europeia...

como ficou demostrado...

Smile disse...

Vim comunicar a mudança de blog :-)

Beijoka e Feliz Natal

* um silêncio

Smile

martelo disse...

Bom Natal com saúde.

Pata Negra disse...

É assim,
eu já nem sei o que hei-de de dizer! Já nem sei se simpatizo com os polícias e destesto a polícia, se simpatizo com a polícia e detesto os polícias. Já nem sei se gosto dos portugueses e detesto Portugal, se gosto de Portugal e destesto os Portugueses!
Isto é, só sei que nada sei e foi porque mo disseram!
Um abraço num dia em que me encontro mais "despachorrento"