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JUSTIÇA SOCIAL E ROTEIROS PARA A INCLUSÃO

Cavaco Silva pôs a tónica da sua presidência na inclusão social. Efectivamente, admitir a inclusão, é admitir que há exclusão e, logo, uma aberração que deve ser corrigida. Isto porque a igualdade de oportunidades é um direito e as sociedades terão que saber lidar com as diferenças e reunir sinergias e capacidades mesmo onde, à partida, parecem mais improváveis e difíceis. As situações de exclusão seriam, assim, residuais, logo houvesse vontade para resolver os problemas que as provocam.


Todavia, e sem actuar sobre as causas profundas que estão na génese das situações, os governos procuram criar uma imagem actuante trazendo, à opinião pública, preocupações hipócritas vinculadas a operações de cosmética e do faz de conta.


A sociedade civil, depauperada e deprimida, é chamada a intervir na solução dos problemas, criados e alimentados pelo poder económico, dum país, socialmente injusto, onde a política serve os interesses dos grandes senhores e os governos são frequentemente veículos de transmissão de interesses adjacentes.


Por isso, o exercício da democracia e da cidadania, através da política, é um falso exercício de resolução de problemas porquanto, com ele, apenas se procura manter privilégios a uns e aliviar tensões a outros. Soluções à vista não se vislumbram.


José Sócrates vem a terreno falar que a situação de pobreza, em Portugal, regista uma melhoria percentual de dois pontos saindo dos 20% para os 18% como se, efectivamente, a sociedade portuguesa estivesse menos pobre e fossem menores as diferenças que separam os ricos dos pobres. O que, muito convenientemente se oculta, é o facto de que temos uma classe média empobrecida e galvanizada pelo peso dos incumprimentos de obrigações adquiridas em tempos mais prósperos, e que os mínimos de subsistência, que permitem não ingressar nos excluídos, são obtidos através de trabalho escravo e precário em tudo indigno e em tudo desgastante.


O jogo da ajuda aos pobrezinhos é uma indignidade que mais parece o regresso aos tempos da outra senhora, e a um passado em tudo de má memória, para quem os valores da democracia e da liberdade ainda são uma orientação de vida. A solidariedade, só o é, se for assente em princípios de dignidade despojados de conceitos de esmola e caridade que aviltam e humilham quem os recebe. A equidade fica, com estes exercícios, irremediavelmente comprometida.

Dizia o meu amigo Raul, incansável lutador pela causa da SIDA, referindo-se aos roteiros para a inclusão da Presidência da República, nomeadamente da prostituição, dos sem-abrigo, idosos e voluntários: “Depois de um ano, após o início destes roteiros presidenciais, está na altura de analisarmos a utilidade dos mesmos e verificarmos os frutos que essa visitas produziram.


Quantas prostitutas deixaram esse modo de vida, e foram ajudadas pelo Estado através de programas de reinserção social e hoje têm o seu emprego e o passado para elas é algo que desejam esquecer?

Quantos sem-abrigo deixaram de viver em vãos de escadas, ou debaixo de pontes e hoje têm um tecto e um meio de subsistência que lhes permita viver com dignidade?


Quantos idosos em situações de carência, muitos deles sem família encontraram um lar que os acolhesse e que lhes permita viver felizes, os últimos anos de suas vidas?


Quantos outros excluídos, entre os quais a população prisional, os tóxicos dependentes e outros, viram as suas vidas melhorar com estes roteiros? Se a intenção é realçar a importância do voluntariado, então que através da influência que tem como Chefe de Estado, faça com que haja condições e apoio, para que os mesmos possam alargar a sua esfera de acção em apoio aos mais desfavorecidos” (http://sidadania.blogspot.com/).


Apesar do que diz Raul, ainda defendo alguma validade dos roteiros de inclusão do nosso Presidente. Que mais não seja, servem para chamar a atenção para as situações existentes contribuindo para contrariar a sua camuflagem.


Porém, e utilizando uma expressão de Cavaco Silva, acrescento perante as situações que justificam os seus roteiros: não nos resignemos!

94 comentários:

Sophiamar disse...

Querida Amiga

Sem tempo para ler este post, que à semelhança dos outros deve ser muito interessante e pertinente,deixo-te mil beijinhos e desculpa a minha ingratidão. Mereces visitas frequentes, palavras adequadas,tudo, tudo, tudo....

Um abraço apertado.

amigona avó e a neta princesa disse...

Voltarei mais tarde para comentar! Hoje é dia de aniversário! Aceitas uma fatia de bolo?! Beijinhos grandes, minha querida Lídia...

O Viriato disse...

Na esteira de outras trata-se duma reflexão densa e consistente, para além de uma conclusão "esperada". Aqui, neste País das bananas, tudo se passa para a Imagem e para o Faz de conta.

O Raúl que esteja atento mas sem falsas espectativas pois nada de bom virá por aí, infelizmente...

Saudação

Robin Hood disse...

Minha cara o que está em causa é o desmantelamento do Estado Social. O que importa agora é colocar na iniciativa privada e na sociedade civil a resolução dos problemas sociais.
Estamos a assistir ao ressurgimento das senhoras da Mocidade Portuguesa, muito católicas e representantes da alta burguesia, a fazerem peditórios em seus casacos de peles.
É isto o socialismo, minha cara. O socialismo do PS & Cª.
Não desista de escrever que eu não desisto de lutar.

José Miguel Gomes disse...

Basta andar um pouco pela estrada, para ver toda a in(ex)clusão... Somos cada vez mais autómatos?

Fica bem,
Miguel

Tiago R. Cardoso disse...

É uma iniciativa interessante, no entanto considero que deveria ser mais incisiva e profunda sobre os assuntos, onde o Sr. Cavaco Silva deveria ir mais fundo dos problemas, da mesma forma que tem realçado muito do bom que existe por cá.

ABEL MARQUES disse...

Cavaco Silva tem-se colocado nitidamente à esquerda de José Sócrates. No entanto os roteiros, que procuram pôr o governo nas baias, são insuficientes até porque Cavaco Silva não tem poderes executivos.
O mal está num governo que não é PS nem social democrata e que pisa e humilha a classe média.

Marreta disse...

Os roteiros para além de tudo isso, servem também par ir apreciando a beleza das paisagens naturais e a rica gastronomia portuguesa.
Não creio que este tipo de manobras possa ter um impacto alargado em termos práticos na resolução das questões prementes que se colocam.
Tal como as folhas de outono caídas no chão que voam com o vento, amanhã já ninguém se lembra do percurso do roteiro.
Este, é um dever maior do Estado que deverá saber e poder gerir os recuros financeiros e nomeadamente os nossos elevados impostos de forma a canalizá-los para as áreas realmente necessitadas da nossa sociedade.
Saudações do Marreta.

Teresa Durães disse...

não há inclusõeds, há apenas estigmas. não há um maior nivel de pobreza quando os preços aumentam acima da inflação e os ordenados mantém-se.

bah!

M.M.MENDONÇA disse...

Miseravelmente vamos baixando a canga enquanto os arautos das boas noticias vão dando uma no cravo e outra na ferradura para nos convencerem que não há alternativas ao PS e PSD.
Aguardemos.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sophiamar
Sinto-te triste, amiga, e é só isso que me preocupa. Amigo também sabe compreender a ausência e está sempre próximo mesmo quando não se visita.
Beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
Já fui provar uma fatia do bolo.
Está excelente!
Beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Viriato
É isso mesmo, amigo. Um País das bananas em que tudo se passa para a imagem e o faz de conta.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Robin
Por outras palavras queres tu dizer o liberalismo económico no seu pior.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

José Miguel Gomes
Puseste o dedo na ferida meu amigo: é preciso andar na estrada e deixar os gabinetes com ar condicionado e os amigos que dizem todos a mesma coisa porque são peixes do mesmo aquário.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Tiago, meu querido
A Presidência da Rebública não tem poderes executivos.
Isso cabe ao governo.
Talvez fosse bom que Cavaco Silva se demarcasse mais e não andasse sempre preocupado em defender o executivo de José Sócrates.
Mas, na prática, o que o PR quer é isso mesmo: ser o seguro de vida do actual governo. Por isso está no seu papel.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Abel Marques
Cavaco Silva está de unha com carne com o actual governo, não tenhamos ilusões.Só aparentemente é que poderá estar à esquerda e isto para aliviar tensões populares e ajudar à reeleição de José Sócrates.
Pelo menos eu não consigo convencer-me do contrário.
Um abraço (como está a tua pequena?)

SILÊNCIO CULPADO disse...

Marreta
Dizes tudo o que eu penso. Assino por baixo.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

teresa Durães
Nada mais verdadeiro amiga. Há os estigmatizados porque há quem estigmatize. E é em relação a estes últimos que nos insurgimos.
Quanto aos aumentos abaixo da inflacção a quem atingem? Aos que trabalham por conta de outrem e os pensionistas. Já os patrões saem reforçados.
Bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mendonça
Talvez os arautos de boas noticias tenham uma boa/má surpresa.

Um abraço(passo por aí 3ª.f)

Olhos de mel disse...

É minha amiga! Complicado entender os objetivos deles. Difícil ver certas coisas e nada poder fazer.
Bom fim de semana!
Beijos

Mac Adriano disse...

Pois, Silêncio, mas falar é fácil. E é a única coisa que o Presidente tem para fazer: falar. Como Primeiro-Ministro viu-se as suas preocupações com os excluídos. Não! Esse também não me engana. Abraço.

René disse...

Há em Portugal uma vasta população que vive num apartheid no que concerne à qualidade de vida que nos é apresentada nos spots publicitários, nas telenovelas, na promoção do Allgarve e do turismo em geral.
A maior parte dos portugueses não pode entrar nesse mundo.
Há o desemprego, a droga, a exclusão. A falta de respostas na saúde e na educação.
Que vão rezar a missa para outro aldo!
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Olhos de Mel
Amiga, aí no Brasil é a mesma coisa, não? O poder ensandece e rápido esquecem quem lho ofereceu.
Beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

mac adriano
tens toda a razão: as palavras estão gastas. Precisamos de obras. E de obras condizentes com os discursos.

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

René
É verdade, amigo. Parece que não somos todos da mesma espécie, uns são gente e outros não.

Um abraço

António de Almeida disse...

-admitindo que sempre existirá quem queira viver á margem, é de facto necessário combater fenómenos de exclusão social, aos quais ninguém pode ficar indiferente.

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Almeida
Há sempre diferenças e há sempre quem queira viver à margem e há sempre quem tenha mais competências e capacidades para ir à luta. Agora a situação em que se encontra uma larga faixa da população envergonha qualquer pessoa que se preze.
Podemos ter pontos de vista diferentes relativamente à forma de combater mas não podemos ter em relação à necessidade.
Um abraço

Joseph disse...

A realidade do País é muito diferente da que nos mostram as campanhas orquestradas pelos grandes especialistas do marketing político.
Podem arregimentar uns lacaiozitos que nunca foram ninguém e quando se lhes passa a mão pelo pêlo caem de quatro, mas o povo não é tão estúpido e acomodado quanto nos querem fazer crer.
Aguardemos melhores dias

Mary disse...

Claro que não há resultados práticos, Silêncio. Esperavas que houvesse? É tudo faits divers para entretenimento. Entrevistas, blá, blá, discursos.
Tenho a paciência torradinha com esses rapazes.
bjsnhs

calminha disse...

obrigada por este artigo que tão bem alerta, não podemos viver de estatisticas de humanidade,a que qualquer ser humano tem direito, não é esmola , é direito a vida digna aquilo que precisamos, ser diferentes, tratados de modo diferente por serem diferentes , mas com a mesma igualdade de direitos, de digindade humana, mesma liberdade de cidadãos que são desta sociedade, a quem nós também devemos estar mais atentos para a tornar mais justa, quando a fazemos mais justa , com os casos que estão ao nosso lado e podemos conseguir mudar algo para melhorar

Zé Povinho disse...

Os roteiros pouco impacto têm, infelizmente, e as estatísticas são muitas vezes enganadoras quando utilizadas fora do contexto. A realidade é que o poder de compra diminui a olhos vistos, o desemprego aumenta, joguem ou não com os números, o trabalho precário generaliza-se, e a segurança social cada vez mais se vai transformando numa esmola, como se quem trabalha ou trabalhou a ela não tivesse direito.
Falar em inclusão tem algum cabimento?
Bom fim de semana
Abraço do Zé

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joseph
Nós sabemos que a realidade é diferente mas se aceitamos como boas todas as campanhas de imagem estamos a contribuir para que as campanhas se desenvolvam uma vez que têm público.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mary
Não é com a paciência torradinha que se encontram soluções. Nós temos que estar avisados e lutarmos pelos nossos direitos.
bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Calminha
Bem vinda a Silêncio Culpado. Não te conhecia mas gostei de te conhecer. O que tu dizes vem exactamente de encontro áquilo que penso. O direito à dignidade será sempre a razão da minha luta e do meu trabalho, ainda que modesto, no mundo virtual.
Passarei a ser tua visita nos teus espaços.
Bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho
Estou sempre em sintonia contigo e, por isso, faço minhas estas tuas palavras: "A realidade é que o poder de compra diminui a olhos vistos, o desemprego aumenta, joguem ou não com os números, o trabalho precário generaliza-se, e a segurança social cada vez mais se vai transformando numa esmola, como se quem trabalha ou trabalhou a ela não tivesse direito.
Falar em inclusão tem algum cabimento?"

Um abraço

Sheila disse...

Os roteiros para a inclusão revelam um conceito vazio uma vez que não produzem resultados práticos. São sobretudo uma forma de fazer crer que se está no caminho do combate à exclusão incluindo, mas incluindo o quê, e como, com um governo que mata os direitos e as garantias dos mais fracos?

Carreira disse...

Olá amiga.
Eu não me resigno com faciliade e acredito que é possível fazermos mais e mlehor.

Carreira

Louise disse...

Não podemos aceitar, de ânimo leve, que o modelo de desenvolvimento que se diz ser o adequado para Portugal se aproximar da média Europeia tenha provocado mais desigualdade e exclusão e depois apareça o senhor PR, como se descobrisse a pólvora, a mostrar-nos aquilo que estamos carecas de conhecer.
Por aí não vou e também não me resigno.
Bjs

Odele Souza disse...

Lidia,
Um excelente texto que nos leva à reflexão. E excelente a citação da frase do sidadania de nosso amigo Raul.

Um abraço e bom fim de semana.

aDesenhar disse...

fabuloso texto.
estamos no país das maravilhas "tecnológicas".
do faz de conta.
e alguns lá vão cantando e rindo.
quantas mais manobras de diversão
melhor, assim ocupam o zé povinho.
mais fado
mais um milagre acelerado
mais um Ronaldo...

assim vai este país.
abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sheila
Estou como tu: mais faz de conta não!
bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carreira
Força, não nos resignemos.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Louise
Pois a crise é geral mas neste País, sendo menos geral, é maior que nos outros.
bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
Não deixarei de em bater por causas e também contra os sistemas que as não apoiam.
bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

aDesenhar
É isso mesmo que eu quero evidenciar: o folclore à volta do vazio e da pobreza.
bjs

Mocho-Real disse...

Com esta inclusão, façam-me o favor de ir para um raio que os parta!

Saudações.

jorge G.

Mário Relvas disse...

O Presidente quiz chamar à atenção do governo para a falência do Estado social e da perseguição às IPSS e à Igreja católica que bem ou mal, depende da opinião de cada um, tem sido primordial nas obras sociais.

Não se chama Presidências Abertas, mas ROTEIROS PARA A INCLUSÃO.

Fica este texto de um sociólogo para análise:


"A revolução mais necessária parece ser a mais improvável" Herbert Marcuse.

Nesses tempos em que os noticiários falam de milhões de reais - ou de dólares – trocando de mãos – normalmente inescrupulosas - com uma frugalidade tal que parece se tratar de um prato de alface, uma ninharia qualquer, a única impressão que me resta é a da falência dessa democracia inerte, de vitrine, bem como do, já ruim, Estado de Bem Estar social.

Referi-me à nossa democracia como sendo “de vitrine” pelo seu aspecto meramente decorativo, freqüentemente exibido ao mundo como um belo exemplo de democracia. Ainda que esse “belo exemplo” seja forjado a cada eleição, quando somos forçados, sob a pena da Lei, a “escolhermos livremente” aqueles que irão legislar sobre nossas vidas, nos governar e cuidar da nossa sociedade, administrando o dinheiro que nos é cobrado para fazer funcionar o sistema de “bem estar social” que não funciona, visto que os cidadãos comuns, por sua própria posição dentro do organograma social, alijados que são da estrutura do poder, apenas tentam se manter vivos, em busca de alimento e manutenção da prole.

Para essa “livre escolha” nos são oferecidos candidatos previamente fabricados, forjados numa retórica enganosa, maquiados com recursos hollywoodianos de som e luz, cheios de efeitos especiais e interpretações dramáticas. Ora, não são gente como a gente. São personagens irreais, tão fictícios quanto seus programas promocionais que, como toda boa produção cinematográfica, custa bem caro e alguém tem que pagar a conta. Como aprendemos desde crianças que dinheiro não nasce em árvores, não sei porquê a sociedade não protesta contra esse espetáculo carnavalesco cuja conta será paga por ela mesma. Ou seja, dentro desse modelo de democracia que nos é imposto, apertar o botão “Confirma” tem sido um gesto parecido com o apertar o botão da descarga do vaso sanitário só que, despejando algo com pelo menos seis zeros.

Referi-me também ao Estado falido não em termos financeiros, pois, como lembrei no início, dinheiro em caixa existe, nos dois. Mas, falido na sua missão precípua de promover o tal bem estar social do seu povo. Sendo assim, o Estado deixou de ser, perdeu o rumo ou está vivendo uma crise de legitimidade – e não estou falando a respeito do governo – compelido pelas forças de mercado em torno das quais o mundo gira como se fosse uma das Leis da Física.

O Estado tornou-se, assim, apenas mais uma empresa capitalista que não compete apenas com suas concorrentes mundiais, mas, e também sob a pena da Lei, com seus cidadãos, drenando seus recursos na forma de impostos. Pior ainda, uma empresa que não gera renda nem bem estar, apenas consome como uma praga, gasta, desvia as riquezas que deveria produzir em benefício comum. O Estado tornou-se uma máquina de engorda para os que o administram e nós os carvoeiros que alimentam as caldeiras.

O Socialismo sucumbiu à corrupção humana, os regimes totalitários sequer merecem alguma consideração, o Capitalismo fincou suas raízes. E este, por sua vez, já traz em sua natureza a necessidade de corromper como ferramenta adicional para a obtenção do lucro. Uma social-democracia de fato, nunca saiu do campo das idéias. O que nos reserva o futuro? Definitivamente, não sei.

Gui disse...

José Sócrates veio dizer que houve uma melhoria? Mau sinal, então é porque piorou. Lá lhe cresceu o nariz um pouco mais. Está enorme.

São disse...

Concordo contigo, Lídia.
Vale a pena chamar a atenção.
Mas Cavaco Silva que se não arme em inocente!
Abraço-te, linda!

G.BRITO disse...

Não acredito em falsas promessas. Estou desiludido com o PS eu que acreditei e dei o benefício da dúvida até ao meu limite.
A minha esperança de ver, não a igualdade que é também em si uma injustiça, mas a dignidade defendida de quem tem menos poder e menos rendimentos, já caiu por terra.
Um abraço

amigona avó e a neta princesa disse...

Querida Lídia no Sidadania referi que:

"Quanto às cruzadas presidenciais têm o seu lado positivo e acredito que valem a pena...infelizmente do que conheço é assim uma coisa mais ou menos, como hei-de explicar? Fica-se num território conhecido, nunca se sai muito da área definida por alguns, não sei se diga...os compadres, as influências...sim, também aqui..."

Do que conheço é assim mais, como dizes, do reino do faz de conta...e até fica bonito...nos discursos, na Tv, nos próximos livros...desculpa amiga mas QUEM PODE mesmo e fica-se com pouco mais do que discursos, não me convence, não!!! (e, por favor,não digam que o Presidente não PODE!)...beijos...

Boris disse...

Silêncio, minha Silêncio
que boa dissertação
anda todo o mundo teso
neste País em recessão.

O pobre não tem protecção,
e o doente é como um peso
ao orçamento do Estado
que só o rico deixa ileso.

Perseguem-se os professores
fecham escolas e hospitais
acrescentam-se os impostos
para sermos mais desiguais.

Silêncio, minha Silêncio
que se lixe a inclusão
com tanto malandro à solta
a mandar nesta Nação.

Podemos calar-nos um dia
mas para sempre é que não!

Templo do Giraldo disse...

Obrigado pelo comment, eu tamb espero que a introdução da skylander na região que traga postos de trabalho e que crie condições de vida para as pessoas que tanta falta faz. SAUDAÇÔES

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mocho-real
Simples e directo como se quer.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário
A grosso modo é também isso que eu sinto. Acho que estamos de acordo.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

GUI
Pode ter havido melhoria. Melhoria para Sócrates, para a Banca, para o Joe Berardo e tantos mais.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

G.Brito
Mais vale tarde que nunca. Eu bem te dizia...

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
Nenhum poder é inocente em relação ao que se está a passar mas o pior é que se está a passar.
Beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
É preciso que os roteiros aliviem tensões e não façam ondas. E com isso têm a sua missão cumprida.
Bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Boris
Tu és impagável em pôr tudo em verso. E está tudo aí dito.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

templo de giraldo

Felicidades para o novo empreendimento. Continuarei a seguir com interesse os futuros desenvolvimentos.
Um abraço

Menina do Rio disse...

É sempre a mesma história, em qualquer pais. O que muda é o nome dos personagens!!

Um beijinho

SILÊNCIO CULPADO disse...

Menina do Rio
Imfelizmente assim é.
Beijinhos

amigona avó e a neta princesa disse...

Querida Lídia tens lá mais um desafio. É diferente...beijos...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
Lá vou eu.
bjs

Å®t Øf £övë disse...

Os políticos, não gostam de analisar resultados, dados concretos, números irrefutáveis. Os políticos preferem mais ficar pelos jogos de palavras, porque assim conseguem sempre levar a "conversa" para onde mais lhes convém, enquanto que falando através de números, seria muito mais complicado, porque os números enganam muito menos, e as evidências são bem maiores.
Bjs.

Divinius disse...

Tocas nos pontos essenciais...
Bom resto de fim de semana.
Bj:)(netmito)

SILÊNCIO CULPADO disse...

Art of Love
Os políticos não gostam de ser transparentes. É altura de começarmos a exigir que nos prestem contas. Foram eleitos por nós, são pagso pelos nossos impostos...
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Divinius
Valha-nos a beleza dos teus poemas.
Beijinho

Paulo Sempre disse...

O Presidente da República e o Provedor de Justiça são agora "figuras apagadas"...uma forma segura de se manterem nos cargos sem areias movediças.
Abraço

Boris disse...

Paulo Sempre
Exactamente como dizes.
Um abraço

zé lérias disse...

Obviamente não nos resignaremos.
A notícia que me deste tinha-a lido e fiquei enojado. Não pelo pedófilo que esse para mim não é bem uma pessoa, mas pelo tipo de leis que temos.
Lutar sem parar, é preciso.
Um abraço e continuação de bom fim-de-semana

Oliver Pickwick disse...

O mais letal dos vírus se chama político. Quando estes organismos deletérios esmagarem finalmente as grandes massas excluídas, engolirão eles mesmos uns aos outros, no único espetáculo de antropofagia que eu gostaria de presenciar, aplaudir e festejar.
O único dirigente público que eu lamento a morte, é Ciro II, o grande, da antiga Pérsia. Muito apropriadamente chamado pelo seu povo, de grande pai.
Abraços, querida amiga.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Lérias
Lutar sem parar porque é preciso. Estamos em sintonia.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Paulo Sempre
O Presidente da República e o Provedor da Justiça são figuras de retórica. E com o actual executivo de José Sócrates vamos para onde?
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Boris
Perdeste o dom de versejar?
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

OLIVER PICKWICK
"Quando estes organismos deletérios esmagarem finalmente as grandes massas excluídas, engolirão eles mesmos uns aos outros, no único espetáculo de antropofagia que eu gostaria de presenciar, aplaudir e festejar."

Isto que dizes não irá acontecer simplesmente porque as massas não se deixarão engolir.
Lutar sempre pela dignidade e pela justiça será o lema.
Um beijinho

O Profeta disse...

A melodia do teu canto reverbera no tempo
A lonjura é o momento do abraço
O teu sorriso chegou ao meu silêncio
Solta palavra doce no espaço



Uma torrente de emoções espera-te


Bom domingo



Doce beijo

fotógrafa disse...

Passando só para dar um olá...e dizer o quanto me é grato ler o que publicas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Profeta
Por vezes não consigo soltar a palavra que os teus poemas merecem. Mas irei passando, naturalmente.

Um beijinho

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fotógrafa
O teu espaço e as tuas palavras revelam as afinidades que temos. Não importa o quanto dizes porque sei o que queres dizer.
Beijinhos
Lídia

zé lérias disse...

Agradeço a refª. ao m/blog. Não era preciso tanto, minha amiga!
Agradeço aqui porque não consigo postar no "7 pecados". A minha máquina tem andado com manias. Agora deu-lhe para não ter acesso à "VERIFICAÇÂO DE PALAVRAS" na hora de clicar para mandar "comment".

bem...
Ao ir de novo ao 7 pecados mortais para saber o nome do local onde pomos as letrinhas ("verificação de palavras") dei conta de que já podia actuar normalmente. O meu computador está como eu. Velho e rezingão...

Como já tinha este "comment" alinhavado, não o vou eliminar, até porque é um gosto voltar aqui.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Lérias
A minha máquina anda com manias e eu também porque estou com gripe.
Amigo, não há que agradecer, há que divulgar o trabalho de cada um para para que as causas que defendemos tenham visibilidade.
Bjs
Lídia

Mar Arável disse...

Não nos resignemos a Cavaco

façamos com que neste país

a opinião pública actue

no terreno

por causas justas

O seu texto é um estímulo

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mer Arável
É exactamente como diz.
bjs

parvinha disse...

Querida Lídia, é um assunto preocupante, de facto há pessoas que conseguem um novo modo de vida, mas as taxas de insucesso são grandes, o governo aposta pouco na reinserção destas pessoas, continua a haver muitas recaídas, pois continuam a ser descriminadas e é difícil.
É uma realidade muito complicada.
Já existem muitas associações a lutar mas sem verbas nada feito.
O lado positivo é que já existem muitos a lutar por estas pessoas.
Beijinho

SILÊNCIO CULPADO disse...

Parvinha
A reinserção social e a igualdade de oportunidades são princípios fundamentais para a dignidade humana.

Bjs

ABEL MARQUES disse...

Não sei que inclusão é esta que gera cada vez mais excluídos.

O Mr.Cavaco Silva que se retrate.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Abel Marques
Concordo.
Abraço

martelo disse...

a resignação tem sido o selo dos menos favorecidos, porque há o medo...
bj

SILÊNCIO CULPADO disse...

Caixinha de Pregos
Eu pertenço a uma geração que lutou contra a ditadura. Não me resigno com o medo.
Beijinhos

Vieira Calado disse...

Também digo:
Não nos resignemos!
Boa semana para si.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Vieira Calado
Gritemos em uníssono contra a resignação.

Um abraço