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POPULAÇÃO IDOSA VERSUS IGUALDADE DE OPORTUNIDADES(II)

LUIZ SANTILLI JUNIOR - BRASILEIRO

NASCIDO NA CIDADE DE SÃO PAULO- EST.DE SÃO PAULO EM 17 DE ABRIL DE 1941


FORMAÇÃO: ENGENHEIRO MECÂNICO FORMADO PELA FEI


ATIVIDADE PRINCIPAL: PROFESSOR UNIVERSITÁRIO DESDE 1965.


HOJE: APOSENTADO COM MAIS DE 30 ANOS DE MAGISTÉRIO


CARGOS NO MAGISTÉRO: COORDENADOR DE CURSOS DE ENGENHARIA NAS SEGUINTES UNIVERSIDADES:


CRONOLOGICAMENTE


1 - FEI - FACULDADE DE ENGENHARIA INDUSTRIAL - UMA DAS MAIORES ESCOLAS DE ENGENHARIA DO MUNDO - 8.000 ALUNOS APENAS DE ENGENHARIA - POR 8 ANOS


2 - UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA - POR 4 ANOS


3 - UNIP (UNIVERSIDADE PAULISTA)- A MAIOR UNIVERSIDADE PARTICULAR DO BRASIL( MAIS DE 100.000) - COORDENADOR DO CURSO DE ENGENHARIA POR 10 ANOS.


4 - FATEC - FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO - FUNDADOR EM 1971 E CHEFE DO DEPARTAMENTO DE MECÂNICA POR 2 ANOS E DEPOIS POR 4 ANOS


5 - DIRETOR GERAL DA UNIDADE DE BRASÍLIA DA UNIP (UNIVERSIDADE PAULISTA) -10.000 ALUNOS - POR 5 ANOS- ONDE ME APOSENTEI


Sou autor de material didático na área do DESENHO TÉCNICO DESDE 1970, com quase 300.000 cadernos publicados (juntamente com mais três autores, nestes 38 anos de edições). Hoje também me aventuro como escritor: Fator J é meu livro que pode ser visto em meu blog: BOA LEITURA <http://fator3j.blogspot.com/>



Terceira idade – caminhos e descaminhos

As condições de vida dos idosos variam segundo o tipo de sociedade em que vivem, porém a principal diferenciação no padrão de tratamento está nas condições econômicas, sempre ela a nos atrapalhar a vida.



Para organizar meus critérios de análise, os idosos serão classificados em três grupos, segundo suas condições financeiras.



O primeiro grupo, com menos pessoas, são os idosos que pertencem a famílias de alto ou bom poder aquisitivo. Do ponto de vista prático, a questão aqui é mais facilmente resolvida, com uma boa casa de saúde, uma boa acompanhante em casa, um asilo de alto padrão. O viés emotivo sempre vai existir, pois as soluções que as famílias adotam, em geral, desagradam aos mais velhos, porém não há como ser diferente, pois as injunções do cotidiano não permitem uma maior convivência familiar, nos moldes de outrora. Isto vale para qualquer classe de padrão econômico!
Os ajustes vão depender das relações pessoais, dos interesses de cada um, das afinidades entre os familiares , forma como se deu a criação dos filhos, e de outros fatores conjunturais.



Entre os mais bem postados na vida, a facilidade das soluções financeiras acaba atenuando os problemas emocionais, as frustrações de um afastamento do lar e outras questões de ordem pessoal.



No segundo grupo estão as famílias de classe intermediaria, com médio poder aquisitivo. Embora esse grupo ainda conte com alguns recursos próprios para resolver a questão dos seus idosos, o sacrifício financeiro começa a afetar a estabilidade das famílias, já oneradas com a escola das crianças, com seus filhos jovens ainda sem o primeiro emprego, enfim, com uma luta incansável e inglória. Com apertos financeiros, sobra pouco para ajudar pai, mãe ou outros parentes. Então se estuda uma composição com o que a família pode e a mísera pensão dos idosos, quando há.



Asilos mais modestos, revezamento de filhos na guarda dos pais, uma amiga de família, e assim vão se levando o problema.



A pior situação é a dos idosos de famílias de baixo poder aquisitivo,
que depende muito do que o estado oferece de assistência social, em geral muito pouco, ao que representa a grande maioria dos idosos.

Ocorre que o estado somos nós!

Se a sociedade, por opção dos mais novos casais, começa a envelhecer, ou seja, a taxa de natalidade é menor e a expectativa de vida cada vez maior, então ela vai envelhecendo e as receitas para a Segurança Social vão diminuindo.

A educação moderna exigindo cada vez mais recursos, a saúde da era informatizada cada vez mais sofisticada e mais cara, os transportes modernos e as estradas nos padrões da CEE, mais caras, enfim, os custos da modernidade vão às alturas, pouco sobra para os idosos, até porque na ótica dos políticos é investir a fundo perdido, pois nem votar os idosos precisam!
Então sobra para as famílias!

Neste ponto da questão cabe uma colocação ideológica: não seria necessário criar um novo sistema social-politico-econômico para os países do ocidente, pelo menos?

Por que o PIB do mundo é de cerca de US$ 37.000 trilhões, o que dá uma renda per capita para a humanidade de US$ 6,000.00, valor superior ao da imensa maioria dos países do planeta! E o desemprego na maioria dos países, mesmo desenvolvidos cresce a cada dia, ainda que cresça a produtividade, mercê das técnicas digitais de produção! E esses empregos perdidos pela invasão cibernética, nunca mais serão repostos, pelo contrário, vai diminuir cada vez mais!

Se as sociedades não pararem para pensar num outro modelo de vida sócio-econômica, a longo prazo vamos entrar em colapso social, como os idosos já estão sentindo na própria pele, pois são absolutamente “improdutivos” no conceito globalizado de setor produtivo.

Se as coisas são boas para um pequeno grupo e ruins para a maioria, com o tempo serão ruins para todos (“Allons enfant de la Patrie...”)!

Pondo de novo os pés no chão, somente uma política justa de governo, com reserva de valores para aplicações na Segurança dos Idosos, como a nossa (no Brasil) malfadada CPMF (contribuição provisória sobre movimentação financeira) porém usada com critério pelo governo, por determinado período, até que a economia permita os ajustes necessários.

Por outro lado, há o ângulo emocional que as pessoas gostam de colocar. Evidente que o ideal seria filhos carinhosos, que acolhessem seus pais e avós com todo carinho em suas casas e lhes devolvessem todos os mimos que receberam em vida.

Fui criado mais ou menos assim!

Mas eram outros os recursos da sociedade, havia uma classe média numerosa, de força política e fazedora de opinião, que tinha um bom padrão de vida, resultado das políticas sociais possíveis na época e uma estabilidade econômica razoável.

Hoje, a chamada classe média é a mais numerosa pois mesclou-se com a classe pobre, formando esse grande terceiro grupo do qual falei no início. Luta com grandes dificuldades, marido e mulher trabalham, não há como manter pessoas idosas em casa, principalmente se estas demandarem cuidados especiais.

Poucas famílias ficam felizes em abandonar seus idosos, mas é uma imposição das contingências sócio-econômicas de nossos dias.

Essa consideração com os mais velhinhos, por ironia, é mais fácil de ser vista nas classes mais abastadas do que nas classes mais pobres.

É sem dúvida uma imensa ingratidão, sim, para com aqueles que dedicaram todo seu amor para nos tornar seres humanos dignos, gastaram sua saúde e suas vidas por nós, e somos incapazes de cuidar deles! Porém nós também estamos fazendo isso com nossos filhos e talvez daqui há anos estejamos nessa mesma situação, se nada mudar!

Então não é uma questão de falta de amor, mas de falta de condições matérias.

Jogar o problema no campo da moralidade familiar, dos costumes corrompidos, da falta de consideração das novas gerações, do consumismo, pode nos justificar, mas estaremos mascarando uma realidade muito mais assustadora, que é a falência dos modelos econômico-políticos-sociais do terceiro milênio, onde nós, fora do primeiro mundo, somos apenas espectadores.

Por outro lado, a própria sociedade cobra do estado outros serviços que são essenciais e que também oneram o Caixa. Assim os governos agem como cobertores curtos, quando cobrem as cabeças, correm o risco de descobrir os pés.

Em Portugal o número de idosos cresce acima do índice de jovens.

Enquanto a população jovem diminuiu de 17% entre 1991 e 2001, nesse mesmo período a população de idosos aumentou em 26%.

Com mais idosos e menos jovens, temos o envelhecimento assustador da idade da população, isto representa a longo prazo um desequilíbrio entre a receita e a despesa da Segurança Social.

Esse fenômeno ocorre de maneira geral nos países da Europa, principalmente na França e na Itália.

Tenho uma tia, viúva de um cidadão italiano, combatente da Segunda Guerra e que viveu mais de 40 anos no Brasil. Minha tia tinha uma pensão de US$ 300,00 que foi reduzida à metade e ainda teve que devolver um ano de contribuição pois a lei teve efeito retroativo! Isso para mostrar a gravidade da situação das aposentadorias e pensões, em países que estão ficando demograficamente mais idosos.

Agrava essa situação o fato das famílias de menor poder econômico já terem suas receitas abaladas e sem condições de assumir mais ônus, por uma política sócio-econômica inadequada a um país de tradição econômica alicerçada na propriedade rural familiar, sem tempo ainda de se ajustar a uma economia de mercado ingrata, mas real, em um cenário de globalização total dos meios de produção, controlados pelos países mais ricos.

Essa problemática dos idosos não é privilégio de Portugal, é um problema que afeta toda a CEE, com raras exceções. Os novos casais estão tendo muito poucos filhos, menos de 1 por casal, quando a média que os experts colocam é de 2.1 filhos por casal para manter um bom equilíbrio demográfico. Não sei do sucesso de nenhum programa de incentivo à natalidade que tenha dado certo na Europa.

As famílias das classes mais pobres, mesmo que queiram cuidar dos seus pais e avós, acabam por ter profundas dificuldades, no caso de doenças ou de tratamentos que exijam hospitais e remédios caros.

O interessante é que Portugal tem grupos econômicos fortíssimos na Telefonia e no Mercado de Imobiliário, mas acabam investindo mais nos países emergentes do que por aqui!

Isto gera riqueza ao país, mas isso não cria emprego e não distribui renda, ao contrario, concentra cada vez mais e isso não melhora a vida das classes menos favorecidas, e mais uma vez os idosos ficam a espera de dias melhores.

No Brasil o problema é a sonegação e o redirecionamento das rendas da Previdência, que são polpudas, mas as verbas são em sua maioria absorvidas pelos funcionários públicos, com gordas aposentadorias e assistência social diferenciada, pouco restando a ser distribuído aos aposentados do setor privado, que sustentam as receitas com sua contribuições mensais. O que resta da dinheirama é desviado para programa de assistencialismo eleiçoeiro, ficando os idosos novamente esquecidos!

Não caiam aqui na armadilha que o sistema financeiro brasileiro inventou para arrancar mais dinheiro dos idosos: cartão da Terceira Idade, um cartão de crédito ao idoso registrado, com desconto do débito feito automaticamente pelo banco a favor do Agente financeiro, antes do provento cair na conta do idoso, ou seja, risco zero para quem aplica e desgraça para os idosos que se endividaram até o pescoço!

Dizem os bancos que são juros subsidiados! Mais de 2% ao mês, para uma poupança que rende 0,6% nos mesmos trinta dias e uma inflação anual de menos de 5%!

Cá, como ai, vivemos toda essa mesma situação, que vai se tornando universal!


Sem uma mudança dos paradigmas sócio-econômico-polticos não vejo uma saída imediata, que não seja o imenso sacrifício daqueles que têm idosos em sua família e não podem mantê-los condignamente.

Luiz Santilli Jr

59 comentários:

Raul disse...

Caro Luiz
A sua reflexão é perfeita e foca a realidade portuguesa em que a natalidade é inferior á mortalidade. Ainda temos a agravante, que muitos jovens serão obrigados a emigrar para outros países onde haja oportunidades. Muitos dos nossos licenciados acabados de sair das universidades nas mais diversas áreas, encontram o seu primeiro emprego, nos call centers das empresas financeiras, nas caixas de pagamento dos supermercados ou nos restaurantes de fast food. O certo é que este fenómeno tem o efeito bola de neve e vai agigantando-se. São os nossos doutores de baixo aquisitivo, chamada a geração dos 500.
Fico contente por ter recuperado a sua audição e a sua voz, porque a maneira clara como vê este grave problema, fazem falta aqui. De qualquer maneira é imperdoável que o paraíso onde se encontrava,e onde se deve sentir feliz tenha um vírus tecnológico que o impeçam de ouvir e de falar. Cuidado com o avião em voo rasante, pois quando menos esperamos pode um avião cair no nosso prato da sopa e estragar-nos o almoço (gostei do seu humor).
Vou ler o seu texto mais em pormenor. Um abraço.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Luiz
Esta é a abordagem que põe em destaque os que têm poder económico para envelhecer condignamente e os que não o têm e, por isso, vêem acentuadas as suas dificuldades numa fase da vida que deveria ser tranquila e com os apoios necessários.
Quanto ao que diz o Raul sobre o desemprego entre os nossos licenciados,ou emprego inadequado nos call centers, resta-me acrescentar que também esses são filhos de famílias pouco influentes. Porque os filhos dos grandes senhores da praça podem ter curricula bem inferiores que estão todos muito bem colocados.
Muitos dos nossos licenciados têm recebido prémios internacionais vide:http://valoresportugueses.blogspot.com.. no entanto em Portugal ninguém lhes liga nenhuma.
Um abraço

Aromas de Portugal disse...

Um post interessante.Gostei de o ler.

Virei mais tarde fazer um comentário mais profundo.

"Em Portugal o número de idosos cresce acima do índice de jovens."

Sobre a juventude ficará para depois também o comentário.Pois são as franjas mais fracas que sofrem nas crises sociais.
No Aromas de Portugal está patente uma reportagem da RTP2 sobre a adopção.Um cancro enorme que pesa sobre esta franja importante da nossa juventude.

saudações

Raul disse...

Lídia, obrigado por ter tido a coragem dizer aquilo,que eu não consegui dizer. Temos de denunciar estes atropelos aos valores dos nossos jovens.Estamos vivendo uma ditadura opressiva fasciosocialista, curiosamente democrática. Como poderá um país evoluir mandando para o esgoto a massa cinzenta da sua juventude. Que velhice teremos face a este grave problema?

Louise disse...

Os meus parabéns à Lídia e ao Silêncio Culpado por proporcionar um debate desta natureza sobre um tema tão actual, e os parabéns a Luiz Santilli por ter abordado, de forma tão desassombrada, um tema desta envergadura.
Não vale a pena escamotear a realidade dos factos. Santilli resume com chave de ouro a sua excelente intervenção:
"Sem uma mudança dos paradigmas sócio-econômico-polticos não vejo uma saída imediata, que não seja o imenso sacrifício daqueles que têm idosos em sua família e não podem mantê-los condignamente."
Esta é que é a realidade e é contra esta realidade que nos temos que insurgir.

Silvia Madureira disse...

Luiz:

Li muito rápidamente seu texto.
Não consegui tempo para mais.
Voltarei aqui.

Só digo algo "numa sociedade onde quem produz é desvalorizado como é que não se haveria de desprezar os que não produzem?"

Esta questão é complexa.
Voltarei a reflectir sobre ela.

beijo

São disse...

Texto muito interessante e focando claramente os vários aspectos desta delicada questão!
Parabéns pela maneira aberta e inteligente com abordou o tema!!
Um grande abraço, desta sua amiga do lado de cá do mar.

Mocho-Real disse...

Problema muito delicado é-me difícil opinar assim. cada caso é um caso.
A nossa melhor juventude está a ser exportada, pois cá não há quem lhe reconheça méritos inquestionáveis.

Se fosse jovem, agora, dificilmente me apanhariam a ficar em Portugal. E não é porque não goste do país...

Um abraço.
Jorge G.

Mac Adriano disse...

Um belo texto que aqui deixa. E que mostra que a roubalheira política está internacionalmente institucionalizada. Embora em alguns países mais do que noutros, é verdade, como posso comprovar desde que saí de Portugal, país onde me pagavam metade pelo mesmo trabalho que faço aqui onde agora me encontro (metade, caso tivesse emprego, o que estava cada vez mais difícil). É que, como refere a Silêncio Culpado, e muito bem, é preciso ser oriundo de famílias influentes para poder ter esperança no presente e no futuro. Em Portugal, pelo menos, é cada vez mais assim. Abraço.

elvira carvalho disse...

É uma abordagem clara e realista do mundo dos idosos, nestes tempos actuais.
Um abraço

Robin Hood disse...

Luiz Santilli
Apreciei a abordagem, muito bem documentada, ao ponto de se saber que em Portugal a população idosa cresce acima da população jovem. Apreciei também o homem justo que escreveu este texto e que não tem problemas, apesar de usufruir duma situação privilegiada, como se pode ver pelo seu curriculum,de falar na má distribuição da riqueza e das desigualdades mais dramáticas e brutais sentidas na velhice quando tudo falta e as necessidades crescem.
Um abraço fraterno deste lado do oceano

Nilson Barcelli disse...

Excelente análise sobre um tema que cada vez mais preocupa tantos países.
Parabéns ao autor e à dona do blogue.

Abraço.

Louise disse...

Luiz Santilli

Que prazer vê-lo por cá e nesta postura sóbria a falar dum tema que é universal.
E admiro a sua coragem em apontar o dedo e não se pôr com falsos moralismos a encobrir a verdade.
Há 3 classes de velhos, sim senhor. E a velhice é sentida e vivida de forma tão absurdamente diferente que é caso para perguntar se somos todos gente.
Filho sem condições, de mal com a vida, como é que aceita de bom grado mais sobrecargas e fica todo feliz e sorridente e cheio de paciência.

Luiz Santilli sabe do que fala.

Abraço

Rafeiro Perfumado disse...

Quase tenho pena de não ser religioso, porque assim não sei para onde hei-de endereçar as minhas preocupações quando tiver de ficar dependente de terceiros. Sim, porque do estado, não espero nada.

amigona avó e a neta princesa disse...

Meu querido Luiz parabéns pelo teu texto que coloca muito bem as questões mais preocupantes a nível dos idosos.

Naturalmente que a questão financeira quando existe em abundância resolve sempre um conjunto de problemas MUITO importantes: o apoio de funcionário credenciado, o médico, o enfermeiro, o lar luxuoso equipado com todas as respostas...não se julgue, no entanto, que não há problemas...há-os a nível do amor, do carinho, dos afectos. Existem idosos extremamente infelizes que vivem rodeados do maior luxo.


A pior situação é, de facto, quando os rendimentos da família mal dão para custear as despesas habituais - rendas, água, luz, escolas, roupa, alimentação - e ainda tem que se ponderar pagar os apoios necessários aos seus idosos (em casa ou a nível do lar);

Penso que é aqui que colocas o dedo naferida quando afirmas:

"
Sem uma mudança dos paradigmas sócio-econômico-polticos não vejo uma saída imediata, que não seja o imenso sacrifício daqueles que têm idosos em sua família e não podem mantê-los condignamente."

Não havendo apoios há um imenso sacrifício...nem sempre, luiz, nem sempre...sem respostas a família volta-se, muitas vezes, para dentro de si e deixa os seus familiares entregues a si próprios ou, como já foi referido no debate, sendo alvo de violência que assume um conjunto diversificado de formas.

É preciso ter sempre presente essa chaga real: a violência sobre os idosos!

Gostaria ainda de referir que em Portugal os idosos são importantes na altura do voto! Aliás é, talvez, a única ocasião em que muitos idosos são lembrados por alguns políticos!!!

Saibamos nós exigir do governo um conjunto de políticas que consigam esbater alguns destes problemas esperando, assim, que seja posssível transmitir felicidade àqueles que a merecem ter na recta final da sua vida...
Beijos...

Peter disse...

"As famílias das classes mais pobres, mesmo que queiram cuidar dos seus pais e avós, acabam por ter profundas dificuldades, no caso de doenças ou de tratamentos que exijam hospitais e remédios caros."

Até mesmo famílias com um certo poder económico, por impossibilidade física de proporcionarem ao paciente tratamentos adequados, só possíveis em hospitais.

C Valente disse...

Boa cronica, com sentido
saudações amigas

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida amiga Lìdia, passei para deixar-te um beijinho de boa noite.
Fernandinha

joshua disse...

Estou disposto a abdicar de tudo para cuidar dos meus pais. É, aliás, o que já estou a fazer.

PALAVROSSAVRSV REX

Eduardo P.L. disse...

Muito bom o texto, como aliás tudo que o Luiz Santilli escreve!
Parabéns pela postagem.

Mary disse...

Luiz Santilli
Não é fácil falar sobre a terceira idade e sobre os muitos tabus que ainda pesam quando se fala dos mais velhos. O excelente texto de Luiz Santilli mostra como a capacidade económica influi na forma como é vivida e encarada a 3ª.idade.
A Amigona põe sempre a tónica no afecto o que, se por um lado percebo que se deva defender que os velhos devam ser amados, por outro parece-me que queremos tapar o sol com a peneira jogando todas as cartas nesse número.
O amor dá-se quando se tem para dar. O amor esgota-se quando é maltratado.
Um outro aspecto que ainda não foi abordado é o da sexualidade. Será que a idade retira a necessidade duma satisfação emocional? Parece-me bem que não. E aqui o Santilli volta a ter razão quanto à influência do poder económico na forma como se vive esta fase da vida.
A mãe da directora da empresa onde trabalho é mais velha do que a minha mas não tem nada a ver. Roupas desportivas de qualidade, ginástica que lhe permite uma optima desenvoltura, uma alimentação na base de peixes, frutos legumes e vegetais, a pele e o cabelo tratados em nada se parece com a minha mãe. E a disposição também é outra porque tem empregada todos os dias. Mesmo que haja aborrecimentos entre mãe e filha eles são dissipados pelas circunstâncias não ficam fechados entre quatro paredes escuras e abafantes.
Pobre não devia nascer, Santilli

Raul disse...

Mary
A sexualidade existe nos idosos, mas faz parte de um tabu que desperta sentimentos de vergonha e até de culpa. A medicina niglegencia esta abordagem e mesmo os idosos têm dificuldade em falarem com os seus clinicos sobre o problema.
Os idosos não são pessoas asexuadas e a falta de actividade sexual devido a vários factores entre os quais a perda de privacidade, é um factor que diminui a sua qualidade de vida.
Por outro lado a sociedade não vê com bons olhos e sexualidade na terceira idade.
O certo é que cada vez acontecem mais casos de SIDA e outras DSTs em pessoas de idade avançada o que não deixa de ser um indicador que os idosos têm vida sexual activa.

ABEL MARQUES disse...

Ora bem, aqui está um ponto que ainda não tinha sido abordado e que é fundamental relevar. Os idosos não são assexuados e necessitam do amor fisico e emocional para se sentirem completos. Os velhinhos não são coisas para a gente achar muita graça como se não tivessem inscritas no seus percursos histórias de vida que, na maior parte dos casos, influíram decisivamente na qualidade do fim. Não são seres para ser amados como se amam os coitadinhos. Os velhinhos têm desejos, emoções, sexualidade e, tal como noutras fases da vida, os seus ódios e fixações e também os seus egoismos.
Apreciei a forma de expor do Santilli porque não foi pela pieguice e pelo sentimento mas pelas causas na sua raiz mais funda.
Um abraço

Raul disse...

Abel e aderentes à causa da continuidade de uma vida sexual activa nos idosos.
Eu iniciei essa aproximação, interessante para debate no sidadania e vou continuar com ela,porque é importante saber a vulnerabilidade dos idosos face à infecção pelo HIV.
É um tema Tabu, e corro sérios riscos de me acusarem de querer pôr os velhinhos todos a darem umas quecas,se é que isto já não está acontecendo e se o digo é porque tenho amostras que podem ser indicadores do que está acontecendo em certos extractos da nossa sociedade idosa,classe média ou média baixa.A alta sociedade e a classe média alta, está mais protegida e caladinha.
Acho o debate interessante e só tenho medo que em breve a nossa sociedade moralista exclua socialmente os idosos (para se ver livre deles)dando-lhes o rótulo de adictos sexuais ou sexo-dependentes.
Um abraço

O Árabe disse...

Acho que idosos e crianças são igualmente negligenciados. Mas a elas, ao menos, ainda resta a esperança...

fotógrafa disse...

Passando para desejar bom fds
abraço

C.Coelho disse...

Luiz Santilli, apesar de não ser português pôs o dedo na ferida no que concerne à nossa realidade. Ele sabe que num mundo de assimetrias as realidades também são assimétricas. Enquanto uns podem pagar o conforto aos seus idosos e é-lhes mais fácil ser para com eles atenciosos na medida em que não estão sobrecarregados em termos financeiros e de trabalho para além das forças e dos limites, "as famílias das classes mais pobres, mesmo que queiram cuidar dos seus pais e avós, acabam por ter profundas dificuldades, no caso de doenças ou de tratamentos que exijam hospitais e remédios caros." E é aqui que está o cerne da questão.
Também acho interessante como se abriram as portas para que se fale da sexualidade na terceira idade. Um tema que, como disse um dos comentadores, é mais difícil de gerir pelas classes mais desfavorecidas. A cultura e a capacidade económica também jogam aqui um papel determinante.
Excelente este confronto de ideias.

parvinha disse...

Uma abordagem bem séria e realista.

Foca todos os estatutos sociais.

Fico chocada com os idosos, que têm uma reforma tão pequena, que mal dá para comer e medicamentos.

Idosos, que estão sozinhos, é uma realidade dura de ver.

Luiz, parabèns pele texto, muito bom!

Lídia, bom fim de semana.

Beijinhos

martelo disse...

uma sociedade justa e honesta cuida de pessoas... desde o berço até ao horizonte esbatido...
os políticos pretensamente defensores dos direitos deviam ter outra pena!
mas, não esquecer os filhos ( os que podem cuidar) que se ausentam do dever moral e afectivo e deixam ao deus dará os que os fizeram... e este é o maior defeito...
entretanto, as gerações passam com o pendor do abandono...

Odele Souza disse...

Luiz,
Seu texto sobre a população idosa dá margem a um debate por demais necessário. Parabéns pelo excelente texto que gerou comentários tão interessantes.Detenho-me aqui no comentário de Amigona. Concordo que o aspecto financeiro é da maior importância, mas falta também amor Luiz. É como diz Amigona,sobre o idoso com poder aquisitivo, mas sem o carinho da família.
"...há-os a nível do amor, do carinho, dos afectos. Existem
idosos extremamente infelizes que vivem rodeados do maior luxo."

O descaso com os idosos não acontece só da parte do governo, mas muitas vezes também da família, que esquecendo-se de quem lhes deu tanto afeto e cuidados, não lhes cuidam na velhice. É um quadro triste que talvez possa ser mudado ou pelo menos minimizado com campanhas de conscîentização e valorização do idoso. Algo há de ficar na mente dos que ouvirem a mensagem.

Um abraço.

São disse...

Velhice é uma fase de idade como qualquer outra, só que é a Juventude - enquanto tal- que está na mó de cima!!
Eu disse Juventude, não jovens.
Feliz final de seamna.

G.BRITO disse...

Parabéns a Luiz Santilli pela forma inteligente e clara com que expõe a sua tese sobre a velhice. Julgo que esta tese complementa a anterior da Amigona quando ela insiste que é no amor que se encontram as soluções e que há quem seja rico e não seja amado. Verdade que há mas um rico mal amado tem mecanismos de defesa que um pobre mal amado não tem. Os ricos também morrem mas morrem de forma diferente e também amam de forma diferente e também vivem de forma diferente. Não estou a defender que só consegue ter uma velhice digna quem é rico o que defendo é que todos, sem excepção, têm direito a ter uma velhice digna. Os governos têm que encontrar soluções para proporcionarem uma velhice com as condições básicas de dignidade garantidas a todos os seus cidadãos. E as gerações mais novas têm que ser "educadas" para olharem com respeito, amor e consideração para os mais velhos.
Um abraço

O Profeta disse...

É fantástica a quantidade de informação que nos passas...és uma fabulosa humanista...

A chama que explode na noite
Consumiu a palavra dispersa
As virtudes do som das águas
Ouvem-se na manhã que começa

No silêncio há tanto som, tanta emoção
Convido-te a sentir o meu silêncio total



Bom fim de semana


Doce beijo

Adriana disse...

Lídia,voce é realemnte magnífica!Quando relemos com calma é percebemos a magnitude do que falas!!Bom fim de semana!

Aromas de Portugal disse...

Pode mudar a foto.Pode mudar o texto, mas a verade é bem pior que a aqui retratada:

"UM DIFUSO MAL ESTAR"

TOMADA DE POSIÇÃO - FEVEREIRO 2008

1) UM DIFUSO MAL ESTAR
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.

Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.

2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO

Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.

É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.

Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.

Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...

É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.

Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.

3) VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL

Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.

Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.

Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.

Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.

Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.

4) CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS

A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.

Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.

Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.

5) APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.

As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.

Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.

Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.

Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.

A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.
Sedes, 21 de Fevereiro de 2008
O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias)

in http://www.sedes.pt

LUIZ SANTILLI JR. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M.M.MENDONÇA disse...

Este texto, muito bem apresentado e estruturado tem muito que se lhe diga quanto a ilacções que dele podemos extrair.
Fala-se muitas vezes na situação do idoso ou de pessoas com deficiência, chamando ao sentimento como se a culpa duma certa incúria e abandono fossem das famílias. Mas ninguém, ou quase ninguém, fala que para que essas famílias dêem o que esperamos delas, terão que fazer um sacrifício de tal ordem que significará uma morte em vida. Terão que abdicar de possuírem um espaço privado seu, terão que abdicar, frequentemente, de terem uma vida emocionalmente realizada, terão que abdicar de ir a eventos culturais, a espectáculos, a terem férias.
Terão que viver 24 horas por dia como se a vida começasse e acabasse com o ser que têm sob a sua dependência. Nem para estarem doentes estes familiares têm autorização. Porquê? Porque não há equipamentos sociais que dividam com eles, gratuitamente ou a preços suportáveis, essas responsabilidades. É isto justo? Deve-se esperar ou exigir de alguém semelhante sacríficio?
Luiz Santilli refere estas situações de forma clara quando, por exemplo, afirma:
-Jogar o problema no campo da moralidade familiar, dos costumes corrompidos, da falta de consideração das novas gerações, do consumismo, pode nos justificar, mas estaremos mascarando uma realidade muito mais assustadora, que é a falência dos modelos econômico-políticos-sociais do terceiro milênio, onde nós, fora do primeiro mundo, somos apenas espectadores.-

Boris disse...

Silêncio, Minha Silêncio,
viva a bela discussão
que está a ser proporcionada
por nossso país irmão

na pessoa de um letrado
que bem que sabe exprimir
o que é ser velho e lixado
sem ter sequer p´ra onde ir.

E os vários comentadores
vão deixando, aqui e além,
uma dica de doutores
que disto percebem bem.

Toda a gente aqui insiste
que o rico defesas tem
e que à velhice resiste
fazendo o que lhes convém.

Já ao pobre coitadinho
há que a cabeça coçar
e achar graça ser velhinho
e à caridade de amar.

Até para fazer amor
o pobre tem que parar,
a casa estreita não dá
ninguém o pode autorizar.

Devemos amar os velhinhos
devemos amar os pobrezinhos
o céu os irá recompensar.
Por que nós aqui na terra

precisamos que haja guerra
para nos podermos governar.
E precisamos de pobres
para do alto os olhar.

Santilli, oh Santillli,
nós estamos a afundar
na hipocrisia dum mundo
que está a naufragar.

Santilli, oh Santilli,
temos que nos libertar.

Sheila disse...

Em Portugal o número de idosos cresce acima do índice de jovens.


Enquanto a população jovem diminuiu de 17% entre 1991 e 2001, nesse mesmo período a população de idosos aumentou em 26%.

E não se previram medidas adequadas para lidar com esta situação.
Mas como diz a Amigona/ Rosário, autora do post anterior, os idosos tornam-se importantes, e só, na altura do voto. Aí vale tudo no que concerne a formas de ludibriar esta população desvalida, abandonada e esquecida fora dos períodos de campanha eleitoral.

Obrigada, Luiz Santilli, por esta reflexão que nos proporcionaste.

Joseph disse...

Efectivamente está a ser muito boa a participação sobre a terceira idade. Após o texto da Amigona Rosário, que apelava à parte afectiva e aos valores, Luiz Santilli vem despoletar outro tipo de análises que se inscrevem no papel do idoso na sociedade perante governos que se vão demitindo no seu papel de Estado Providência empurrando para a sociedade civil a solução do problema dos idosos como de outros problemas em que o Estado deveria estar presente. Com uma classe média empobrecida, sem condições para pagar lares incomportáveis face aos orçamentos, com patrões a exigirem mais e mais, com contratos de trabalhos precários e baixos rendimentos, que esperam as novas gerações? Mas o pior de tudo, segundo o meu ponto de vista, está no êxodo das populações para as grandes cidades e o litoral. Porque se as populações se fixassassem no interior era muito mais fácil prestarem assistência aos seus idosos. Os vizinhos conhecem-se, as distâncias são curtas, os mais velhos estão dentro do seu habitat.

Pata Negra disse...

É um texto longo e detalhado. Nem sei se seriam necessárias tantas palavras. "Não há outro caminho", temos de procriar, o Estado tem que dar.
Primeiro, há outro caminho, segundo procriar para assegurar um sistema nem é amor, terceiro o Estado não dá porque é este o estado da nossa democracia.
Tenho uma experiência: nunca nos afastámos muito dos nossos pais, comprometemos a ambição, a carreira e novos mundos porque, entre outras coisas, nunca admitimos a vida sem estarmos próximos dos nossos pais. Os meus pais e os meus sogros já morreram, nunca tiveram em lares ou completamente sós, gostámos de os ver morrer assim. Privilegiados nós? Talvez, mas somos quase pobres!
Reconheço que nem sempre é possível, mas se renunciássemos um pouco a este caminho, talvez pudesse ser possível mais vezes!
É por isso que eu não tolero que se fechem os serviços da província!
Um abraço algures de um lar

SILÊNCIO CULPADO disse...

Estou a seguir, a par e passo, e com todo o interesse, o desenvolvimento deste tema em que cada comentador acrescenta sempre algo.

Luiz Santilli deu-nos excelente matéria para questionar e verifico que isso tem acontecido aparecendo as mais diversas visões e contributos.
1-O conceito de idoso;
2-A inserção socio-económica do idoso;
3-A sexualidade na terceira idade;
4-A falta de equipamentos sociais para dar resposta a esta realidade;
5- O sacríficio das gerações mais novas pela população idosa;
6- Os idosos maltratados;
7- A vida nos lares.

Estas foram algumas das abordagens. Porém eu queria acrescentar uma outra, que ainda não foi focada, e que tem a ver com a construção social sobre o idoso. Construção feita por uma comunicação ao serviço do poder e que desvaloriza as pessoas mais velhas.
Estamos sempre a passar a mensagem do ansião, do sexagenário, do idoso que contém sempre conotações negativas: o velho "choné". Se um político mais velho diz algo com que não concordamos dizemos que é da idade, que está esclorosado.
Só há bem pouco tempo o cinema e a TV começaram a apresentar, ainda que timidamente, situações de romance entre pessoas mais velhas.
Para mim ser velho é, acima de tudo, uma construção social que, nas sociedades ocidentais, se apresenta pela negativa mas que, noutras sociedades, poderá significar um estatuto pelo saber e pela experiência.
Porém, e o que está em causa, é que nestas sociedades demasiado materializadas tudo o que não é produtivo é desvalorizado.
E é esse conceito de desvalorização que é inculcado na nossa vivência quotidiana em que a pessoa se liberta de valores em vez de os fixar.
Nós somos "ensinados" a desvalorizar os mais velhos enquanto improdutivos, e logo inúteis, e depois querem que os recuperemos através da doutrina da caridade e bondade que mandam amar os velhinhos. Importa, por isso, em meu entender, começar por recusar estes conceitos depreciativos e mercenários do que é uma sociedade. Só assim aprenderemos a respeitar os mais velhos e a nós mesmos.
Só assim podemos dar um passo em frente na igualdade de oportunidades.

zé lérias disse...

Pelo que li, apetece-me voltar com mais tempo.
Virei reler e, se for muito o descaramento, darei a minha sempre atrapalhada opinião.
Vamos ver.
Para já aqui fica o desejo de um bom fim-de-semana para o autor do pose.

-------------------------------
Para a Lídia:
Obrigado pelo relatório da Sedes.
Aqui fica o meu ponto de vista sobre o assunto:

Em Portugal a Sedes, como o Partido Socialista, são dos últimos redutos da defesa do capitalismo.

A sua preocupação tem, pois, razão de ser.

Porém, a história ensina-nos que a dialéctica contraria as empenhadas acções desse tipo de agremiações. O processo histórico não perdoa e outros tempos virão deixando para trás mais uma etapa histórica. Quer queiram quer não. Nem que se tenha de esperar mil anos.

Como aviso para os males lusos actuais (?), a chamada de atenção até que está bem. A Europa do grande e pequeno capital também deve estar preocupada com esta gente que nos (des)governa (e tem (des)governado).
xi coração e bom fim-de-semana, minha amiga.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Estava eu a publicar o meu comentário quando, quase em simultâneo, foi publicado o do Pata Negra que me tocou nesta passagem:
"nunca nos afastámos muito dos nossos pais, comprometemos a ambição, a carreira e novos mundos"...
Deverá ser esse o preço? pergunto-me.
E há aqui também uma importante chamada de atenção para o fecho de certos serviços na província. Certamente que o Pata Negra conseguiu conciliar o apoio aos pais/sogros visitando-os em casa e num ambiente mais regional que suburbano.
Ele chama também a atenção para o tipo de democracia que temos e que, segundo relatório da SEDES, que consta no comentário de Mário Relvas, está com uma avaliação muito negativa.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Lídia, bom fim de semana.
Beijinhos de ternura e carinho.
Fernandinha

René disse...

O conceito de idoso é um conceito capitalista tal como o conceito de deficiente, de preto ou de mulher. Pretende-se catalogar certos grupos que são mais encargo do que valor ou que representam capacidades de exploração de mão de obra mais barata para trabalho igual.
Há por isso todo um trabalho de formatação das cabeças para que se olhem certos grupos sociais como matéria desvalorizada e logo inferior.
Os filhos desprezam os pais, ou porque foram desprezados na infância, ou porque foram ensinados, às vezes pelos próprios pais, a desprezar tudo o que não traz valor acrescentado.
Somos o resultado dum processo e não a sua causa.

amigona avó e a neta princesa disse...

Lídia, bem-vinda a este debate. Estava a ver que continuavas só espectadora!!!
Mais uma vez te digo que era bom arranjar forma de "passar" este debate (como o outro, da educação)para mais além...não sei bem o que se poderia fazer...a riqueza do que aqui se diz é muita e é pena perder tudo isto com o passar do tempo. Penso, pelo menos, fazer cópia dos textos e opiniões...voltarei mais tarde...a neta acordou e reclama pequeno almoço...beijos (ah e tens prémios!)

amigona avó e a neta princesa disse...

Quanto à SEDES isso é OUTO debate!!!

amigona avó e a neta princesa disse...

Queria dizer OUTRO!

Vieira Calado disse...

Desde há muito pouco tempo que conheci, pelos blogs, este amigo. Fiquei com excelente impressão dele.
São estas pessoas que mais falta fazem na blogosfera.
Com eles se fica a saber muito e muito se aprende.
Bom resto de fim de semana para si.

Beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Rosário
Tens razão no que dizes sobre os contributos deste debate e do outro sobre educação. Talvez tudo bem trabalhado, e bem integrado, desse para fazer uma publicação, on line, papel, etc, que cumprisse os propósitos de cidadania intervindo activamente.
Agora estou com pouca disponibilidade por problemas familiares de saúde e porque ainda não recuperei da gripe.Mas não quero perder tão bom material.
Obrigada pelo tua ajuda tão fundamental e orientadora.

C Valente disse...

Resto de uma boa noite e um bom domingo
Saudações amigas

Brancamar disse...

Luiz,
Só hoje pude vir aqui e acabei de ler o teu texto. Fantástico! Muito bem documentado, muito bem estruturado e muito esclarecedor.
Como diz a Amigona só falta mesmo tocar na situação de violência sobre os idosos que é um fenómeno que se tem acentuado em Portugal. Desconheço se as outras sociedades o têm. Provávelmente terias falado nele se existisse no Brasil. Aqui penso que é sobretudo um fenómeno da desumanização das grandes cidades e arredores. Nas aldeias e pequenas vilas os mais velhos e os novos ainda se respeitam mutuamente e todas as pessoas entre si vão acompanhando com amizade a situação dos idosos, pelo menos é o que verifico numa aldeia da Beira Alta que frequentei bem por dentro. Também na zona em que vivo ainda é possível as pessoas irem tratando dos seus idosos, mas infelizmente o mesmo não acontece por este país fora.
Deixo-te um beijinho e outro para a Lídia que aqui trouxe um tema tão importante

O Guardião disse...

Acabei de ler os dois últimos post's e ambos focam o problema dos lares, onde há de tudo e nem sequer para todas as bolsas. Se isto é inevitável, não sei, mas que muito podia ser feito para proporcionar uma velhice mais digna, disso estou seguro. Voucontinuar a seguir as diferentes opiniões e tipos de abordagem, com muito interesse.
Cumps

Menina do Rio disse...

Esse é um problema sério! Praticamente impossivel de resolver.
Primeiro - Em outros tempos havia uma população menor, inclusive as áreas urbanas, pelo menos no Brasil. A maior parte da população vivia na zona rural, onde as pessoas de idade trabalhavam; nem havia aposentadoria para o homem do campo. Com o tempo foram migrando aos grandes centros, que foram expandindo-se e muitos passaram a viver se salário, onde a contribuição à previdência não cobriria jamais os anos pós aposentadoria. Há que se levar em conta que em outros tempos, os filhos adotavam os pais idosos e viviam todos numa grande família que foi se desintegrando á medida que as mulheres sairam de casa pra gerar fonte de renda, impossibilitando-as de cuiadarem dos pais idosos. Mal se consegue dar assistência aos filhos! A taxa de natalidade foi caindo; o que dificultou mais ainda, pois a a tarefa de cuidar dos pais que era geralmente dividida entre os filhos, acabava pesando sobre o filho único, sem contar que muitos filhos também migraram para pontos distantes. (Isso eu avalio por mim, pois sou de uma família de 7 irmãos, espalhados por vários estados, onde apenas um ainda vive próximo a minha mãe já de idade avançada...).
Vieram as instituições chamadas "asilos", mas a maioria não tem condições de manter em função dos altos custos.
O dinheiro arrecadado pelos anos de contribuição não cobre os anos restantes de um idoso inativo. Afinal, vc trabalha 30/35 anos contribuindo com 20% dos seus ganhos e terá que viver mais 25/30 anos com o resultado desta contribuição com o agravante que os gastos com assistência e medicamentos para os idosos estão acima das condições financeiras da maioria.
Claro que há o descaso do Estado que se fosse mais organizado, amenizaria este problema, mas o que ocorre é que a União é um saco sem fundo que vai sugando inclusive as contribuições dos ativos para cobrir rombos.
Juntando tudo, eu pergunto: Qual a solução? Criar um modêlo é fácil, mas faze-lo funcionar é que é o Xis da questão

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Amiga Lidia e demais companheiras do SILÊNCIO CULPADO

Queridos amigos que freqüentam este fórum de debates, quero agradecer a atenção a o apoio de todos vocês, revelado na grande quantidade de comentários que fizeram.
SILÊNCIO CULPADO é uma tribuna altamente voltada ao entendimento de questões, que mesmo não sabendo como resolvê-las, devemos ter a consciência cívica de que elas existem, são graves e deverão nos balizar em futuras escolhas ideológicas e políticas.
O tema foi abordado por mim de forma mais técnica e conjuntural e menos emotiva. Fica evidente que externei apenas a minha opinião pessoal, sem a pretensão de que seja a palavra final, muito pelo contrário, é um ponto de partida para que outros amigos, mais adequados do que eu, possam apresentar suas opiniões abalizadas, tudo convergindo para que tenhamos uma concepção clara do problema.
Fiquei satisfeito com a concordância de pontos de vistas que tivemos, registrados em mais de cinqüenta comentários, o que mostra o interesse e a vontade das pessoas de participar desses debates, sempre esclarecedores.
Agradeço especialmente à Lídia e suas amigas responsáveis por esse trabalho, colocando-me à disposição para dar minha opinião, sempre como uma possível contribuição ao debate de questões polêmicas.
Luiz Santilli Jr.

Oliver Pickwick disse...

O mestre Santilli - de quem fui usuário dos seus famosos cadernos de desenho técnico, há muito transcendeu as fronteiras das cotas, traços e linhas, como mostra tão bem neste elucidativo artigo a respeito da terceira idade, enfatizando em especial o segmento da previdência.
A sua advertência acerca do perigo do "cartão da Terceira Idade, um cartão de crédito ao idoso registrado, com desconto do débito feito automaticamente pelo banco a favor do Agente financeiro, antes do provento cair na conta do idoso", é verdadeira e capaz de levar o usuário a um endividamento perpétuo.
As previdências de todos os países necessitam de reformas urgentes, sob pena de uma crise mundial sem precedentes, pois convém lembrar que com o desemprego crescente, é cada vez maior o números de parentes dependentes das aposentadorias de parentes idosos.
Beijos, prezada Lídia, e parabéns por patrocinar este ótimo artigo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Luiz Santilli
Agradeço-lhe imenso a sua participação que tanto tem ajudado a esta salutar troca de opiniões que vai continuar com a apresentação de mais contributos e, logo, de outros angulos de análise que conduzem a diferentes reflexões.
Sem pretender assumir os debates como trabalhos de alto rigor cientifico não deixo, no entanto, de relevar a sua importância para o esclarecimento e formação duma consciência cívica, um dos papeis que a blogosfera poderá desempenhar de forma construtiva.
A sua presença, amigo Santilli, é sempre uma mais valia nestas discussões.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Oliver Pickwick
Realmente Santilli é um mestre e é bom tê-lo aqui assim como a você e a tantos outros de além mar que visitam o país irmão e nos honram com a sua presença.
Bjs