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FOI O PRETO

Vivemos na sociedade da discriminação. Uma sociedade que se assume como evoluída mas que discrimina, de forma cruel, quem não corresponde aos seus padrões.

Não me refiro à discriminação dos que prevaricam mas sim a uma discriminação que recai sobre características físicas sejam elas étnicas, de deficiência, de sexo ou de aptidões.

Esta forma desumana de apontar o dedo é corroborada por uma comunicação viciada no serviço ao poder que a sustenta e a paixões fáceis que prendem, vinculam e facilmente se incendeiam.

Muitas minorias étnicas que vivem nos subúrbios das grandes cidades desenvolvem hábitos de violência que não praticam nas suas terras de origem. O desenraizamento cultural, a violência das condições de vida propiciam marginalizações de costumes que se transformam nos delitos que todos conhecemos e a comunicação social tão profusamente noticia. Porém estas notícias, ao invés de contribuírem para o esbatimento da situação são, em si, uma fonte duma outra violência: a discriminação fortuita que acaba por justificar para o discriminado os actos de violência que a si próprio associam.

É frequente, a propósito de tudo e de nada, ouvirmos ou lermos na comunicação social: x indivíduos de raça africana, ou de etnia cigana, ou do leste europeu, roubaram ou assassinaram, como se para o conhecimento do acto em si fosse importante este tipo de identificação. Identificação que já não é feita quando se trata dum europeu comum e ainda menos quando esse europeu é natural do País onde a noticia é produzida.

O que relato pode parecer de somenos importância mas não é. A formação da opinião pública é assim trabalhada e muitas pessoas concluem que determinada etnias têm atributos de violência e de inferioridade que as torna propensas ao crime organizado. Poucos pensarão nas condições de vida bem mais responsáveis que a cor da pele ou qualquer outra característica menos valorizada.

Recordo que um dia, ao sair de casa para uma caminhada pela avenida paralela à linha do comboio, ter sido avisada, por uma transeunte, que andava por ali um grupo de cinco “pretos” a roubar e a assaltar e que, por isso, tivesse cuidado.

Não tardei em cruzar-me com o referido grupo que vinha em louca correria e que atirou ao chão uma mala furtada. De etnia africana era apenas um.

E assim se marca com um ferrete, independentemente da culpa e das aptidões, conotando com características censuráveis outras pessoas de bem que sofrem uma discriminação injusta para a qual em nada contribuíram e que não conseguem mudar.

Mas não se diz “foi o preto” quando se refere um jovem nigeriano que ganha a vida a vender lenços de papel junto a um semáforo em Sevilha e que tendo encontrado uma carteira com 2.700 euros, um cheque no valor de 870 euros, um livro de cheques, uma caderneta de aforros, assim como documentação pessoal e empresarial, a foi entregar à polícia que posteriormente encontrou o seu dono, um sevilhano de 68 anos que a tinha perdido quando circulava de mota na estrada Esclusa para realizar uns pagamentos (PD 13-08-08).

Mas eu digo, foi o preto, o autor de tanta integridade que nos faz acreditar nos valores de um mundo em que tantas vezes descremos.

E digo “foi o preto” quando penso nessas pessoas maravilhosas como Eusébio, Francis Obikwelu e Nelson Évora, entre outros, que tanto contribuíram para o prestígio de Portugal no mundo. E digo “foi o preto” quando penso em todos esses imigrantes que trabalham e ajudam a construir um país do qual se sentem irmãos apesar da guerra.

E digo foi o preto, ao servente de pedreiro na casa em reconstrução ao lado da minha, que trabalha com dedicação e faz um sorriso rasgado quando me cumprimenta.


89 comentários:

Paulo disse...

Pretos poderemos ser todos, ou de todas as cores, desde que em nós sobressaia a marca da condição humana sempre em primeiro lugar.

Foi o preto, o begê e até o da côr do arco-iris, desde que tenha sido gente, e que o seja sempre irremediavelmente.

Adorei o post. Parabéns Lídia.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Paulo
Tu vens com uma inspiração divinal. Amigo publica um livro.

Não conseguiria dizer tão bem o que tu disseste.

Abraço

elvira carvalho disse...

Em todo o lado existem boas e más pessoas independentemente da cor.
Em Nampula partilhámos durante seis meses uma casa com um preto, até conseguirmos uma casa só para nós. E nunca tivemos qualquer problema. E fomos sempre amigos até que voltámos. Depois perdi-lhe o rasto como a todos os amigos que lá tive.
Um abraço e uma boa semana

Silvia Madureira disse...

Lídia:

Na verdade, este tipo de pensamentos existem...existem várias descriminações fundadas pelo próprio povo com a ajuda da comunicação social que são perpetuadas ao longo dos tempos.

É um facto. Uma vez, o meu pai disse que não gostaria que casasse com um preto.

Embora acredite que se tal acontecesse ele iria mudar de opinião porque o que ele quer é a minha felicidade...constatei que esta ideia de descriminação se encontra de tal forma alargada que chegou a minha casa.

O que fazer? Penso que a mudança de atitudes começa em nós...a descriminação começa em nós e acaba em nós...

Se cada um contribuir para a sua finalização...maravilha!

Já uma vez disse que tive uma preta como aluna que era excelente e sobressaía no meio dos brancos. Sobressaía na sua educação, inteligência e valores que possuía.

A pessoa não é a cor...a pessoa é o que de humano tem.

beijo

Maria disse...

A integridade e verticalidade não têm cor. Como não têm cor os sentimentos que temos pelos outros. Todos nascemos iguais e morremos iguais.

Excelente post, Lídia!

Beijinho

Pata Negra disse...

Mais uma análise objectiva, sintéctica e acertada daquelas a que já nos habituaste. Ah! Mas quando os pretos ganham medalhas ou jogam bem à bola! Aí sim! Aí são portugueses!
Um abraço mestiço de aceitação e crueldade

MR disse...

Silêncio,
concordo, em parte, com a tua leitura. Se nós -brancos- dizemos "preto", "amarelo", "mulato", etc; pergunto-te como se referem eles à nossa raça? Como nos olham? Infelizmente encontro muito mais distanciamento entre raças aqui, que encontrei alguma vez em Moçambique. Da parte deles encontro um grande distanciamento em relação a nós, também. Não gosto de guetos, mas existem. Muitas vezes forjados no princípio da falta de lucidez na construção de bairros sociais e de políticas do toma lá isto e não te queixes. O racismo de hoje já não é o mesmo de há uns séculos. A escravidão foi abolida -tal como era praticada, outrora. Temos colegas, parceiros e amigos de todas as cores. Eu nasci em África -Moçambique- como sabes, do qual tenho muitas saudades.
O grande problema está na política sócio-educadiva. Quem criamos? Como crescem os indivíduos que vivem em determinados bairros? Que objectivos, para lá da sobrevivência nas ruas, eles têm? Antes de virem para a Europa vêm coisas muito bonitas em filmes e na televisão... Quem lhes diz que aquilo não é para todos?
E cá... Quem lhes leva amparo, fé e sabedoria? Quem os educa? Como sobrevivem as suas famílias há muitos anos? Quantos vivem em cada casa/apartamento/barraca?
Que obrigações têm perante o -desculpa- "Rendimento mínimo GARANTIDO"?
Que hino escutam na escola? Que desporto fazem na escola? Se é que vão à esola. Certamente que encontras muitos brancos com estes traços! Porquê? Porque percorrem um mesmo caminho, de costas voltadas. Formam-se gangues. Formam-se subreviventes no ambiente que foram criados. Lutam por aquilo que ouviram desde miúdos. Ser preto, azul, branco ou amerelo não significa nada nos dias de hoje, no nosso país e noutros mais avançados. A integração não se processa. E o que o PR quis dizer quando não queria guetos depois dos acontecimentos em Loures, era justamente isso: Não criem guetos. Acabem com eles. Insiram-nos. Eduquem-nos, independentemente da cor. A falta de objectvos educativos, o ajuntamento de pessoas -de qualquer cor- leva à exclusão. Há formação de minorias -que não chamo de étnicas- excluídas. Acontece que o ajuntamento de pessoas da mesma cor, com os mesmos problemas, sem objectivos, e nos mesmos locais leva à exclusão social. Aos famosos gangues. Um dia -parece que já existem- crescerão os movimentos extremistas policiais para os combater, independendemente da cor dos agentes e dos arqui-inimigos. Aqui o gangue é formado mediante a actividade e a frustração das gentes de cada lado perante os seus objectivos profissionais e sociais. Quando se prende um criminoso e é solto leva a que os agentes resolvam fazer justiça à civil, em grupo, sendo certo que já são conhecidos como o gangue dos bófias. Flagelam-se nos horários nocturnos. Os jovens que chegam a Portugal -masculinos e femininos- não arranjando emprego, frustrados, querendo sobreviver e enviar dinheiro para a família no Brasil, acabam por se prostituir nas ruas ou em apartamentos. Daí ao convívio com "marginais" frutos da exclusão portuguesa é um passo. Consumo de drogas. Tráfico... Assaltos!
Se olhares bem os jovens que fazem parte de uma claque têm tendência a actuar em grupo, mesmo que as raízes socais sejam diferentes. Ali querem ser todos igauis. Querem actuar sob a mesma bandeira e gritar. Hoje a sociedade está diferente. A criminalidade evoluiu naturalmente. Se no tempo dos regedores eles tratavas de bulhas armadas com facas, ou canivetes de cortar o queijo da serra ou a fruta,e de unmas zangas por causa de trabalho, ou de pertilhas e invasão de terrenos, e de uns copitos a mais, hoje a polícia trava-se com assaltos em que os verdadeiros criminosos trazem armas de combate. Estes lutam para sobreviver e não pelas suas terras, pela honra ou coisas do passado. Os vícios sociais, a publicidade nos OCS são causadores do sentimento do crescer depressa e ser rico. Pergunta aos jovens o que pretendem da vida?
O Nelson, a Naide, a Vanessa, o Emanuel e tantos outros vivem um ambiente de previlégio em realação a tantos outros da geração e meio. Também há o perigo do deslumbre, mas isso...
Os ciganos juntam-se em baracas. Vão para as casas socais e querem ficar juntos. Uma realidade que lhes está no sanque. Que tem que ser atenuada com políticas sérias de não segregação. De lhes incitir que também nós npos separamos das famílias e vivemos em sociedade. Que tentamos respeitar as leis do nosso país. E que respeitamos as leis dos paísese para onde emigramos: felizmente. Há excepções, poucas, que são sancionadas naqueles países. Não temos algum país que não goste dos nossos emigrantes. Podemos ser pouco cultos mas honramos o trabalho e os costumes onde radicamos. Quere que os estrangeiros respeitem os hábitos e costumes -fonte de direito- de um país não é errado. E devemos ter orgulho no nosso país, na nossa raça, seja ela branca, mestiça, ou preta. Temos uma tradição multisecular de misturas étnicas. Nunca nos demos mal com isso. Os povos das nossaqs antigas províncias ultramarinas, depois do conhecimento que tiveram a seu tempo com outros povos, sentem hoje pelos PORTUGUESES um apreço cada vez maior. O Português na sua gemeralidade não é racista.
Sobre a deficiência, acredita que o que sinto é que o desconhecimento, a ignorância são razão maior para exclusão. O comodismo, o conformiswmo estão aí residentes. Vamos tratar do nosso problema.Construimos uma barraca. Colocamos lá uns senhores a guardar os nossos meninos. Quando conseguimos resolver o nosso problema, os outros que se amanhem.Façam o mesmo. Queremos sóciosmas é para contribuir para os gastos dali. E olha que te posso contar algumas estórias pouco católicas praticadas em nome de um fim que em princípio deveria merecer o aplauso em geral, mas... Mais uma vez não se trata da raça, mas do carácter da mistura de grupo. A política de massas. Com mais ou menos gente. Objectivos que vêm de uma realidade comum que faz com que não se olhe para mais nada até atingoirmos os fins sem justificar os meios.
Não é a minha maneira de olhar o associativismo. Não é a minha maneira de olhar os cidadãos. O cidadão não tem cor. Tem que ser, apenas, sério e respeitador. Assim será respeitado também. Claro que há excepções que, para mim, são fruto de ignorância.
Olha, desculpa-mr este lençol, mas saiu-me ao correr da tecla.

abraço

amigona avó e a neta princesa disse...

Depois de ler o comentário anterior só posso dizer-te boa-noite amiga...beijos...

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

Lídia minha amiga querida.
Fizeste um texto profundo e triste,
Dese que sua princesa Dona Isabel deu a carta de alforria aos negros , pensou-se que tinha acabado a escravidão ou seja a discriminação aos nossos negros.
Como dizes se um negro faz algo errado como qualquer outro branco que faz talvez até pior , logo dizem o tal preto + termos ultrajantes.
O Brasil é um grande país miscigenado, eu mesma tenho sangue de negros por parte de meu avó materno e de índio por conta da minha avô materna, só sou um pouco mais clara por causa do meu bisavó português.
Todos nós temos um pouco do sangue dos negros e porque não alforria-los
moralmente e internamente dentro de nós?
Já chorei vendo os negros vindo em navios negreiros, apertados uns contra os outros,obrigados a deixar p/ trás os seus e quando aqui chegam se chegavam , sofriam de banzo uma espécie de depressão que saudade impunha.
Já sofreram muito, é preciso que cada de um nós reflita como devenos tratar um negro, nosso irmão.
Um grande beijo.
Ray

SILÊNCIO CULPADO disse...

Elvira Carvalho
Em todo o lado existem pessoas boas e más independentemente da cor da pele.Por isso, jornalistas, não referenciem a cor da pele ou a etnia quando produzem uma noticia.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sílvia Madureira
Pese embora esta forma discriminatória de referir noticias a verdade é que os países desenvolvidos vão deixando para trás esse racismo primário.
No entanto os resquícios continuam cá e manifestam-se em pequenas coisas. Mas não só em relação aos pretos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria
Obrigada, amiga. Na verdade nascemos iguais mas há sempre uns mais iguais que outros.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MR
Tocas em aspectos profundos e relevantes que eu não referi quando fiz o texto centrada apenas na comunicação social e na forma intencionalmente segregadora como dá as noticias.E isto não só em relação às raças ou às etnias. Também, se quiseres, em relação ao idoso, apelidado de também de ancião, sexagenário e daí por diante.
O comentário é longo e de grande substância mas destaco:
1 - Efectivamente existem guetos criados pela ausência de competências no que se refere à lógica de construção dos bairros sociais que, ao invés de resolverem os problemas das minorias, se transformam em núcleos problemáticos.
2 - As políticas socio-educativas.
"Como crescem os indivíduos que vivem em determinados bairros? Que objectivos, para lá da sobrevivência nas ruas, eles têm?" Aqui reside, em meu entender, o cerne da questão. E não só em relação aos africanos. Fazem a cabeça das pessoas uma máquina de consumo desenfreado sem lhes conferirem uma consciência social que lhes permita ver as diferenças e distinguir o supérfluo do essencial.
3 - Que políticas de integração e de inclusão são praticadas no nosso País? Como tu dizes: " Como sobrevivem as suas famílias há muitos anos? Quantos vivem em cada casa/apartamento/barraca?
Que obrigações têm perante o "Rendimento mínimo GARANTIDO"?
3 - Concordo também com a tua visão sobre a formaçao dos gangues e forma como se alimentam.

Abraço

Menina do Rio disse...

Isso é um problema social gravissimo! Julgar as pessoas por sexo, raça ou condição social e negar que somos seres humanos e que merecemos dignidade e respeito, independente de qualquer diferença.

Um beijo pra ti Lidia e uma otima semana

SILÊNCIO CULPADO disse...

AMIGONA
Obrigada, amiga .

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

RAY
Portugal até nem é um País racista. Os africanos são muitos e vêm das antigas colónias falando a mesma língua.
Para além dos problemas de integração, focados no comentário do MR, existe a questão da forma como a comunicação social dá a noticia e que predispõe a uma certa forma de olhar.
Amiga não há raças. Todos pertencemos à raça humana e dentro dela há os melhores e os piores.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Menina do Rio
Os preconceitos ainda não foram eliminados e "pretos" não são só os que têm a pele escura mas todos aqueles que, por um motivo ou outro, passam por qualquer espécie de segragação.

Abraço

Alfazema Azul disse...

Voltei para falar das minhas gentes, da minha serra, das memórias vivas e reais que perduram na minha alma e no meu coração.

Beijinhos

Jorge P.G disse...

É bem verdade o que dizes, Lídia!
O ferrete colado a determinados grupos ou etnias é muito injusto para todos os outros que levam vida honrada.
Para mim, há bandidos, quero lá saber de que côr ou credo são!
E os bandidos, esses, há que combatê-los, sim.

Só deixo uma nota: é que também os pretos classificam qualquer um de nós que não lhe agrade como "o branco". Dá que pensar também, não?!

Um abraço do Jorge Sineiro.

Isabel-F. disse...

Olá Lídia,

Este é um tema que dá não "pano para mangas" .... mas "pano para lençóis" ....
________________

desvalorizar por ser preto , ou valorizar por ser preto, é para mim a mesmissima coisa ... racismo ... enquanto existirem discursos nestes termos, ... a tal da discriminação jamais acabará ... manter esses discursos é alimentar essa discriminação

(onde está "preto", leia-se também cigano, amarelo, às pintinhas, branco, coxo ou cor-de-rosa).....
___________________

não posso deixar de aplaudir as palavras do comentador "m.r.", que exprimem aquilo que eu sinto ...


também eu nasci em África ... foi lá que cresci ... foi lá que me fiz mulher ....

__________

e claro que estou de acordo o Jorge p.g.: há é que acabar com os bandidos
______________





beijinhos

Zé Povinho disse...

Sempre que os problemas sociais se agudizam, com mais desemprego, maior insegurança no trabalho, maior exploração no trabalho e maior insegurança, este tema ganha contornos mais visíveis. A exclusão e a dificuldade de integração não tem cor, antes é terreno fértil para comportamentos desviantes que podem facilmente resvalar para a criminalidade.
O meio influencia o indivíduo, e é por aí que as políticas têm falhado, e em tempos de crise é mais fácil apontar dedos acusadores do que contribuir para soluções.
Muito boa a reflexão aqui deixada no post e bons e atentos comentários dos leitores.
Abraço do Zé

Peter disse...

Os imigrantes africanos sentiram-se felizes por encontrarem em Portugal empregos que embora humildes (construção civil e limpezas) iriam proporcionar aos seus filhos uma melhor vida que a deles.
E que aconteceu? Os filhos, atraídos pela publicidade que lhes mostra todo um mundo de coisas que gostariam de possuir, não tendo trabalho e não querendo viver a vida de sacrifício dos pais, são facilmente atraídos para a marginalidade. O Governo nada tem para lhes oferecer.

O Profeta disse...

Uma rosa breve
Uma hortênsia de alva cor
A terra molhada pelo sereno
Nos celeste paira um Açor

A madeira verde, a dança do fogo
O embalo do loureiro no vento, o alecrim
Um ribeiro de inquietas águas
Levam o perfume das mágoas em viagem sem fim


Convido-te a sentir a minha paleta de aromas


Mágico beijo

ManDrag disse...

Salve! Lídia
O meu mais profundo preito de agradecimento e admiração. Integras e claras as tuas palavras, em que me revejo repetindo-as uma a uma, sem excepção.
É ao ler textos como os teus que me instigo a que vale a pena continuar a acreditar e continuar a lutar.
Vivo em casa duns amigos, em que um deles é brasileiro. Quando assistimos aos noticiários televisivos e começam reportando mais uma assalto, ele logo geme um trsitemente esperançoso «só espero que não tenha sido um brasileiro». Este meu amigo é pessoa da maior integridade moral, mas como emigrado sente sobre si o peso da discriminação por actos que um qualquer, de qualquer nacionalidade, etnia ou origem poderia cometer.
Salutas!

C Valente disse...

A descriminação não é na cor da mas na atitude,
Quando todos se portam civilizadamente, seja pretos, brancos ou amarelos aqui deverá sim haver igualdade

São disse...

O racismo é tanto que até as notícias sobre Barak Obama o referem como negro, quando ele não o é: é mestiço! Porque não o dizem então branco?!
Mais uma vez, os meus parabéns pela escolha de um tema tão importante como o que aqui nos trazes, Lídia!
Um abraço fraterno, amiga!!

MR disse...

Lídia,

agradeço a tua resposta ao meu comentário, aqui e na anterior postagem. Agradeço-te a solidariedade e amizade sem nada pedir em troca. Sem nos conhecermos. Agradeço-te por visitares o aromas -os teus comentários são sempre bem vindos-. Como o de todos. Agradeço-te por perguntares pelo Bruno. Ele está bem. Eu estou bem. A Necas está com uma infecção na boca, anda a antibióticos, mas está feliz. Feliz, sobretudo porque amamos o nosso filho. Porque enfrentamos a vida sem pedir nada para nós. Quando argumento ou critico alguma coisa, algo faço-o para o bem de todos os autistas e suas famílias, e acredita: muitos precisam mesmo.
Existem pais que, pelo menos um deles, não podem trabalhar em Agosto. Outros teriam que trabalhar por turnos e não o podem fazer ao fim-de-semana, ou à noite.
E já não falo quando alguém adoece.
É bom amar. E, amamos o Bruno. Muito. Muito!

Fica com amizade e respeito

SILÊNCIO CULPADO disse...

Alfazema Azul
As tuas gentes são as nossas gentes. Todos fazemos parte desse património comum que alguns não reparam.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Jorge
Talvez não dê que pensar. Preconceito gera preconceito e não somos nós europeus que nos assumimos como mais desenvolvidos? Então devemos ser os primeiros a dar o exemplo.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
O comentador MR fez um comentário de cinco estrêlas. Daria um excelente post, melhor do que eu escrevi. Porém o que importa relevar é a forma como certas noticias são produzidas e que contribuem para a formação da opinião. Repara, amiga, mesmo nestes comentários ainda ninguém referiu o "preto" extraordinário que apesar de muito pobre entregou à policia um carteira que encontrou com bens e valores.
Porém a discriminação é transversal a todo um conjunto de categorias de indivíduos socialmente desvalorizados.

Abraço.

Odele Souza disse...

Que importa a cor da pele? Importa sim a cor da alma, esta deverá ser sempre clara e transparente.

Um beijo Lidia.

Olhos de mel disse...

Oie minha amiga linda, belo post! A verdade é que apesar do mundo querer mostrar que não mais existe, a discriminação social, ela existe sim, infelizmente! Percebemos isso aqui e na maioria dos países. E seu texto faz um retrato perfeito disso!
Beijos

MR disse...

Lídia,
o "preto" extraordinário é como o "branco" extraordinário. O que ele fez não passa, para mim, de uma acção que devia ser normal. O contrário devia ser a excepção à regra.
Mas compreendo o que queres dizer: que a comunicação social dá muito mais relevo ao que vende jornais -o negativo. Isto passa-se com todas as raças dentro de várias profissões. Por exemplo: pouco relevo se dá a um advogado que roube alguém, mas se um polícia roubar dez cêntimos a comunicação social publica na 1ª página.E fazem parte da mesma sociedade. E têm ambos -ou deveriam ter- o dever de salvaguardar os deveres e direitos da sociedade. Podem ter ambos a mesma origem social, mas passam a ser diferentes pela profissão que exercem.

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho
É um facto que os problemas sociais têm uma relação directa com a criminalidade. Porém é longa a lista dos problemas e multifacetadas as causas que lhes estão subjacentes. Nesta perspectiva,e porque medidas de fundo são de efeitos lentos enquanto o crime requer soluções rápidas, não podemos desresponsabilizar, através das múltipas justificações, os autores duma violência sem precedentes que beneficiam duma moldura penal inadequada a estas situações.
Desviei-me do cerne da questão: a universalidade do ser humano independentemente da raça e do credo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Peter
Há valores que se foram perdendo e, por essa razão, também não se foram transmitindo.
Criou-se um pouco a noção de que todos têm direito a tudo devido a uma publicidade nociva que incrementa a apetência pelo consumo a qualquer preço, como se a realização e reconhecimento do indivíduo passasse pelo acesso a determinados bens materiais de necessidade supérflua.
Abraço

Zé do Cão disse...

Chama-se a isto tudo prantado "preto no branco"


Beijocas

Luma disse...

O sangue tem a mesma cor, por dentro somos iguais e dizem, Cristo era negro. Álias, toda a população da terra era negra e os habitantes do norte sofreram mutações, se diferenciando. Para nao ficarem por baixo, se entitularam especiais e isso se mantém boca a boca. Veja como o ser humano é ignorante. Tirando a cor da pele, no meu entender, o pior dos preconceitos é contra a pobreza. Beijus

Quase Trinta disse...

Nossa muito bom seu texto.... bem argumentado e super inspirado.
Parabéns

Meg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Meg disse...

Meg disse...
Lídia,
Já leste em algum jornal que um branco assaltou uma bomba de gasolina ou um banco, que assassinou ou sequestrou? Eu, não.
Até porque os brancos agora são caucasianos... mas adiante.
Se me permite, assino o teu post e retenho duas frases tuas:

Muitas minorias étnicas que vivem nos subúrbios das grandes cidades desenvolvem hábitos de violência que não praticam nas suas terras de origem. O desenraizamento cultural, a violência das condições de vida propiciam marginalizações de costumes que se transformam nos delitos que todos conhecemos e a comunicação social tão profusamente noticia.

E uma outra de um comentador:
mr:
Infelizmente encontro muito mais distanciamento entre raças aqui, que encontrei alguma vez em Moçambique( e, acrescento eu, Angola).
Da parte deles encontro um grande distanciamento em relação a nós, também. Não gosto de guetos, mas existem.

Este comentário diz muito da realidade dos nossos dias e dos acontecimentos mais recentes.

Só que eu não tenho esperança, mas rigorosamente nenhuma que a situação se altere.
E tenho muita pena

Um grande abraço

Hermínia Nadais disse...

Preto... não provém da cor da pele... mas da cor do coração que pode atingir qualquer cor de pele, indefinidamente.
Ah!... Se eu pudesse... se tivesse vida livre sem depender de ninguém e ninguém a depender de mim... dedicar-me-ia de corpo e alma e ajudar esses de coração preto, porque a sociedade lho póe assim.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Profeta
Obrigada pela visita. O teu espaço é uma referência que não deixarei de visitar.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

ManDrag
Obrigada pelas palavras e pelo incentivo. Os teus espaços são bem mais eloquentes do que eu consigo produzir. Porém a intenção é a mesma: contribuir para a reflexão sobre determinados temas ainda fracturantes nas nossas sociedades.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

C.Valente
Pois é, amigo, devia ser o comportamento a gerar a consideração ou a desconsideração mas a verdade é que os preconceitos levam a que se encarem os mesmos actos sob diferentes perspectivas. E não me refiro apenas à cor da pele.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
Pois é, minha querida, sempre que se referem ao Barack Obama não deixam de referir que é afro. Porquê? É isso é que é importante para a formação da nossa opinião?

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MR
O Aromas de Portugal é um espaço que reune todo um conjunto de informação que não pode deixar indiferentes os que o visitam.
Ao olhar para as fotos do Bruno vejo um rapaz, como tantos outros, com um olhar límpido e sereno, que nos olha de frente. E imagino o longo percurso de dificuldades que está subjacente aos seus 21 anos de vida. Quanto amor e persistência foram capitalizados para que ele se apresente assim com esse ar feliz.
Comparativamente com pais que têm filhos que não exigem tanto e que os abandonam e maltratam o trabalho que tens feito com a tua mulher merece-me todo o respeito. Mesmo quando às vezes não te compreendo muito bem.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
Minha querida, que importa a cor da pele ou qualquer outro atributo que não tenha haver com aquilo que realmente somos como seres humanos capazes duma consciência cívica?

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Olhos de Mel

Portugal até é um País que não é racista mas, mesmo assim....

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MR
Pois é. Mais uma vez pões o dedo na ferida.
É contra todo e qualquer tipo de discriminação que luto. Contra uma comunicação que refere o idoso, a etnia, o diferente para noticiar acontecimentos que valem por si e não por esse tipo de atributos.
As pessoas valem pelos seus actos, não pela cor da pele, nem pela etnia, nem pela origem social, nem pelo partido político.
O que prejudica os outros (e esse é o meu conceito de mal) é transversal a todos os grupos sociais, a todas as crenças e a todas as ideologias.
Abraço

elvira carvalho disse...

Passei por aqui. Deixo um abraço e votos de bom fim de semana

Maria Dias disse...

Oi Lídia...

Muito bom post!Acho q devemos cada vez mais mostrar atitudes assim como esta, deste rapaz...Abomino qualquer tipo de discriminação principalmente estas que ridicularizam as pessoas pelas diferenças sociais ou por um padrão de beleza que a sociedade criou!Somos TODOS iguais, independente de qualquer coisa...Somos seres humanos!

Abraços

Maria Dias

Mac Adame disse...

Nem mais! Parabéns pelo excelente artigo.

São disse...

Um óptimo final de semana para ti, minha querida Lídia.

Luiz Santilli Jr disse...

Lídia
Quero fazer uma consideração sobre o tema, abordando por um viés pouco falado e pouco conhecido.
A discriminação pela cor ou por aspectos físicos não pode ser vista como um desvio de comportamento socio-cultural consciente!
É preciso que se estude a fundo a origem da humanidade, as povoações primitivas que se distribuiram pelos continentes, quando estes nem eram separados pelas águas dos mares.
Havia muito gelo, os grupamentos humanóides se deslocavam pela superfície da terra, numa frenética luta pela sobrevivência.
Com o início do degelo, há centenas de milhares de anos, as raças foram sendo isoladas em porções de terra.
À medida que as águas avançavam maiores eram as dificuldades para os povos voltarem a se encontrar.
Então parte dos humanos se concentrou no centro da Europa, no norte da Africa, na Oceânia e nas Américas.
E assim, um passado comum começou a tomar a forma de diferentes culturas, de cores, de formas físicas, que no seu DNA guardaram as lutas pela defesa de suas terras, de suas familias, de suas plantações de seus rebanhos!
Essa atual mistura forçada de raças, que lutaram na pré-história, convivem agora de forma desordenada. São culturas diferentes, hábitos diferentes, heranças genéticas talves irreconciáveis por anos de lutas, que se vêm agora ser colocadas lado a lado. Os atritos resultantes não podem ser vistos como uma questão de bons modos, quando não de caridade.
Veja o que ocorre em todos os lugares do mundo, é uma micigenção de raças antagônicas.
Resultado: o permente conflito de reações marcadas muito profundamente no DNA de cada um, que se pretende resolver agora como questão de boa vontade entre os homens!
É simplificar demais um problema genético!
Não vai ter solução a curto prazo e os caminhos adotados passam pela humilhação dos discriminados, piorando as crises!
Eu posso falar pois vivemos uma colonização errada, com negros e indios sendo jogados na mesma arena, em que brancos queriam pouco com o trabalho duro.
Os índios fugiram e os negros, que já eram escravos no Africa viraram super escravos no Brasil.
Depois foram jogados na rua da amargura quando os colonos europeus, mais bem praprados para a lavoura, vieram aos milhões.
Hoje estes imigrantes geraram familias riquissimas, enquanto os negros, abandonados à propria sorte são marginalizados pela mesma sociedade que os importou da Africa e os abandonou!
Acham que só boa vontade pode resolver esta tragédia provocada há mais de um século?
Este é meu viés da questão, e não tenho a formula mágica!

MR disse...

Lídia,
talvez "não me compreendas muito bem" porque tenho sido alvo de coisas incríveis na net. E desconfio um pouco quando me aperecem pessoas muito solidárias que não conheço e de repente ali estão. Sei que há um ditado português que diz: "desconfia de quem é desconfiado"! Sabes que se eu estiver de olhos nos olhos, a coisa é diferente. Mas, eu continuo a andar para a frente de olhos posto no horizonte.
Obrigado pelas tuas palavras amigas.

Abraço

Odele Souza disse...

Lidia,

Passei pra te deixar um abraço e te desejar boa semana.

Obs: Fizeste algum contato com a Ray? O Blog dela está fora do ar e me ponho um pouco preocupada sobre o que lhe possa ter acontecido.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Lídia, estou totalmente de acordo com o teu texto... Parabéns Amiga!
Beijinhos de carinho e amizade,
Fernandinha

M.Relvas disse...

Luís Santilli jr,
faz uma excelente abordagem ao tema pelo lado histórico. Na realidade a genética do passado é transversal a todos os homens. Mas se outrora o homem lutava pela posse de terra,caçava e migrava em constante busca de melhor situação. Se a família era numerosa e trabalhava em colectivo, pergunto:o que vemos hoje? Vemos as famílias com poucos filhos. Apenas preocupadas com o seu bem-estar pessoal e sem espírito real de família ou de grupo -sociedade colectiva.
Evoluiu-se, mas a genética transformou a necessidade no fausto. Na decadência do excesso. Na vontade de ter sempre, aquilo que não se tem. A caça para comer, virou a caça para adormecer, ou viver alienado em droga, em álccol. Sedados com comprimidos pelo stress de uma vida corrida em busca de um fim para o qual nem olhamos. Vemos aquilo que nos apresentam. Dividi-mo-nos pela publicidade, pelo consumismo estúpido e desenfreado. A juntar á luta evolutiva dos povos, principalmente durante o século XX, em que os imigrantes de qualquer cor, viram os seus direitos reconhecidos nos países desenvolvidos, encontramos agora a invasão desenfreada dos povos menos desenvolvidos a imigrarem para o ocidente, movidos pela tentativa de melhorar a sua vida. Impregnados de publicidade enganosa que, sem cultura e preparo para tal, vêm na TV e nos filmes. Matam-se para chegar a um local onde não encontram emprego. Sentem-se mal, enganados por não encontrarem o que pretendem- ainda tiveram que pagar a verdadeiros esclavagistas modernos para cá chegarem- e juntam-se onde possam sobreviver, se não forem devolvidos às suas terras.
Se cá ficam, vão para junto dos que no ocidente vêm tudo menos ouro. Vão para os bairros degradados, onde se juntam aos que lutam pela sobrevivência.
Caro Luís, a genética mudaria se eles fossem colocados num sítio digno. Se em Portugal, no Brasil e no resto do mundo se vivesse a pensar nos outros e não em ter para mostrar aos outros. O capital humano, como ser sexual, quer poder, mais que dinheiro para atingir os seus desejos sexuais e outras necessidades que de uma forma ou de outra circulam todas à sua volta.
A genética maldosa é termos dificuldade em nos aceitarmos como somos, mostrarmos o que somos, sem necessidade de nos escondermos de nós próprios. Quem o faz, em função de outros mata-se lentamente, pois só se engana a si. Aos outros por pouco tempo.
A genética actual é o sonho de ter aquilo que não temos. É ser rico sem trabalhar para tal. É invejar. É tramar e odiar. Enfim, isto pode ser genético. Mas todos temos algo de bom, que muitas vezes não se desenvolve numa pessoa, por traços de insociabilidade derivada à sua situação social e, no seu irmão gémeo, desenvolve-se carinho, amizade, porque teve uma inserção social mais sadia e capaz. Temos que compreender os tempos modernos. Sempre ouvimos dizer aos mais antigos: no nosso tempo é que era. Agora passa-se o mesmo. No meu tempo é que era. Na realidade o nosso tempo é este. E temos que lutar para deixar aos nossos filhos um mundo melhor. Se não o conseguirmos é porque falhámos redondamente -TODOS!

Um grande abraço
PS: Lídia desculpa-me este diálogo com o amigo Santilli jr.!

António de Almeida disse...

-Lídia, não me leve a mal, mas permita-me:

Muitas minorias étnicas que vivem nos subúrbios das grandes cidades desenvolvem hábitos de violência que não praticam nas suas terras de origem.
-Aqui comete a meu ver um erro, para a maioria da população integrante de minorias étnicas, ESTA é a sua terra de origem, logo o desenraizamento cultural tem algo que se lhe diga. Convém percebermos que estamos numa 2ª e 3ª geração de imigrantes, a maioria já são portugueses de facto. Portugal não é, e nunca foi racista, nem Salazar cometeu tal erro, quanto muito existe racismo entre minorias étnicas, e agora xenofobia de forma mais ampla (o que é diferente, como sabe). A existir alguma réstia de racismo na maioria da população, apenas uma comunidade terá razões de queixa, a cigana, mas também é verdade que são os primeiros a colocarem-se a jeito para que tal aconteça, já por cá andam há 500 anos, mas ainda não se integraram, serão eles uns coitadinhos? Repare que tanto em Portugal como no Brasil (ex-colónia portuguesa), o racismo não é uma questão primordial, o que não quer dizer que esteja totalmente erradicado. Mesmo na colonização, julgo ser consensual que fomos menos racistas que Ingleses, Franceses ou Belgas. Quando cita os bons exemplos, bem todos sabemos que se alguém entregar uma carteira não é notícia, se roubar é, independentemente de raça, sexo ou religião. Vivemos numa época sensacionalista. De resto completamente em acordo, não discrimino, nem admito vê-lo fazer à minha frente.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão
Nem mais, amigo: preto no branco.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Luma
Na prática todos os preconceitos são contra a pobreza e os próprios preconceitos já são em si uma pobreza de espírito.
Porém existem e fazem estragos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quase Trinta
Obrigada pelo incentivo e sê bem vinda ao Silêncio Culpado.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MEG
Eu também tenho muita pena que a situação não se altere pelo menos não se vislumbra que isso aconteça nos tempos mais próximos e de forma substancial. Mas acredito que os maus ciclos também chegam ao fim e que uma nova consciência colectiva poderá emergir das cinzas. E o teu blogue, descobridor de talentos artísticos, nomeadamente nos países dos "pretos", mostra que a alma humana tem potencialidades para nos melhorar como pessoas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Hermínia Nadais

O teu comentário fez-me muitissima impressão. É que alguém disposto a ajudar os que têm o coração preto (porque a vida lhes pôs o coração preto)....
Hermínia quando a prioridade é essa a alma é muito grande e concilia-nos com a vida e as suas incongruências.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Elvira
Obrigada, amiga, por me visitares.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria Dias
Somos todos seres humanos mas alguns esquecem-no e outros fomentam a diferença para se sentirem superiores.
Infelizmente.
Abraço

C Valente disse...

Boa semana
Saudações amigas

Oliver Pickwick disse...

Os costumes de cada país são curiosos. Aqui no Brasil, referir-se a um membro da raça regra como "preto", carregava um sentido pejorativo, desrespeitoso, ofensivo até. Eles preferiam o tratamento "negro". Em tempos recentes, este tratamento mudou para afro-brasileiro ou afro-descendente.
Muda-se a terminologia, mas a hipocrisia continua a mesma. Enrustida e sutil.
Mais um ótimo artigo, querida amiga.
Um beijo!

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
Obrigada, amiga por estares sempre presente.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mac Adame
Obrigada pela visita e pelo incentivo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Santilli
Os seus comentários são fascinantes e cientificamente aprofundados.
Este viés antropológico acrescenta conhecimento e levanta questões.
Em minha opião o grande mal da humanidade reside em procurar padronizar todas as diferenças numa postura etnocêntrica redutora, castradora e anti-natural. A diversidade cultural e até genética, é um motor do desenvolvimento humano por conter uma imensidade de desafios no domínio da descoberta e da aceitação.
A integração das minorias deveria, em meu entender, focalizar-se apenas na necessidade do respeito mútuo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MR
O mundo da blogosfera espelha o mundo real onde encontramos uma selva de emoções mas também sentimentos e afectos.
Porém há temas que são fracturantes, nomeadamente quando mete política, o que revela que as pessoas continuam a ser muito intolerantes, mesmo quando não partilham o mesmo espaço de interesses. Basta que se vislumbre uma ideia contrária.
Apesar de tudo entendo, mesmo quando não entendo (e não me estou a referir a ti)que as pessoas não se dividem nas más e nas boazinhas. Há em cada um de nós uma parte lunar que umas vezes se manifesta mais do que outras mas que temos obrigação de combater e educar para criarmos a tal consciência colectiva com que eu gosto de sonhar muitas vezes.
E há causas que, pela sua profundidade e dimensão, deverão merecer de nós o melhor que temos e podemos dar. O autismo é uma delas. E não penso apenas nas crianças e nos jovens que constituem uma população a que sou particularmente sensível. Penso nos Pais e em todos aqueles que souberam fazer da diferença projectos de vida grandiosos onde puseram todos os seus sonhos e toda a sua capacidade de amar.
Lembro-me, há muito tempo, de ter lido no Aromas a descrição que fizeste dum momento em que a tua mulher foi ao hospital ou a um centro de saúde, e tu foste mostrar ao Bruno uma exposição de carros num stand e que o Bruno descobriu um carro com a chave na ignição e o pôs a trabalhar perante a tua aflição.
São episódios simples mas que revelam quanto empenho e quanta dedicação estas situações requerem.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
Obrigada pela visita. Tanto quanto me é dado conhecer a Ray anda muito cansada e já algum tempo que se sentia sem forças para manter o blogue.
Penso que terá sido isso.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fernanda

Obrigada pela visita, amiga. Eu tenho estado um pouco distante mas não é por mal.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MR
Partilhar conhecimentos e pontos de vista é ajudar a compreender os fenómenos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Almeida
Há referências culturais que não são incompatíveis com o respeito devido ao País de acolhimento.
Contava-me uma cigana a quem foi imposta como condição para ser aceite como recepcionista num determinado complexo turístico, que não se vestisse "à cigana". Porém a rapariga não percebia a razão da exigência porque na recepção havia outra jovem com uma roupa que lhe mostrava o umbigo e que a cigana considerava menos adequada.
A diversidade é uma grande riqueza que torna a vida multifacetada e interessante. Por quê padronizar de forma rídicula? Não falo propriamente de racismo mas da superioridade com que certas civilizações julgam as outras.
Claro que há um respeito que é devido e regras que têm que ser cumpridas para que esse respeito se confirme mas não exageremos.
Ainda há dias assisti num supermercado um casal de brasileiros com uma criança ao colo ultrapassaram a fila argumentando que, para além da criança de colo, a mulher estava grávida. Houve logo na fila quem se insurgisse e os mandasse de volta para o Brasil.
Mas o mal não está propriamente aqui: está nas políticas de imigração, está no facto de muitos imigrantes serem mal olhados pelos residentes por fazerem certos trabalhos por um salário mais baixo, está na imigração clandestina, está nas políticas de realojamento, etc, etc.
Abraço

M.Relvas disse...

Lídia,
agradeço as tuas respostas. Fica com a certeza de que eu não tenho qualquer preconceito. Nem sexual, nem religioso, nem partidário. Bem pelo contrário. Sou contra os preconceitos. Gosto mais de dar do que de receber.Gosto de discutir as coisas. Da discussão nasce a luz. Por vezes olhamos vértices que nunca reparámos, quando comparamos com as opiniões dos outros. Por causa de gostar de ouvir, de apoiar e incentivar, já levei nas orelhas algumas vezes. Dos autistas nunca. Dos familiares que se constituem numa espécie de associação, já! De professores também. Mas nunca fui rancoroso. Nunca. Aceito as opiniões de olhos nos olhos. Não aceito que pessoas queiram a "lealdade" mas nunca a tenham prestado. Pelo contrário, fizeram o inverso. Submestimaram-me. Sei que estão arrependidos. No entanto terão que o dizer pessoalmente se um dia o entenderem. É bonito o ditado: respeita para seres respeitado!
Podia contar-te muitos episódios do Bruno e de nós. Podia querer vingar-me de alguns cretinos. Mas sou daqueles que vai seguindo o seu caminho. Tudo tem hora e a verdade é como o azeite. Tenho muitos defeitos, como humano que sou, mas a traição e a cobardia não fazem parte deles. Sou um pascácio que gosta da honestidade. Que não tolera os hipócritas, os sem palavra. Ou aqueles que se armam em anjos e apontam os dedos aos outros. Muitas das vezes sem saberem a verdade. Verdade essa que agora assusta gente importante. Por isso às vezes "investigo"!! Mas ainda não fiz uso porque detesto a chantagem. Amo o meu país, as minhas gentes, mas não suporto que se sirvam de nós. Vejo tanta gente mal, que finge ter tudo sob controle. Tenho pena deles. Só mentem a si próprios.

Fica bem

M.Relvas disse...

Lídia,
não falei no preconceito racial porque já estava explícito nos comentários anteriores. Penso eu; mas reafirmo-o novamente. Sou absolutamente contra o racismo. Volto a dizer que o racismo parte de qualquer raça em relação a qualquer outra raça. Não são apenas os brancos que cometem racismo.
E, é com raça que me despeço de ti. A raça de ser português e de amar a multiplicidade de cores e dialectos que se unem em torno da nossa bandeira, fruto do aventureirismo de quem deu novos mundos ao mundo!

São disse...

Vim s+o para te deixar um grande. grande abraço.linda.

heretico disse...

abraços.

amigona avó e a neta princesa disse...

Lídia, minha amiga,voltei! Tenho tanto para ler! E saudades? Nem falo!!! Beijos querida...

António de Almeida disse...

-Lídia, mas os ciganos são por si só um case study, visto que já cá estão há 500 anos sem se integrarem. Tivemos outros, os judeus por exemplo, nada de confusões com Israel, foram perseguidos, humilhados, massacrados, assimilados, os ciganos estão por cá há 500 anos, falou que aos brasileiros (e outros, acrescento eu), há quem diga, "vai para a tua terra", os ciganos ESTÃO NA TERRA DELES. No entanto são a étnia mais discriminada, porque também recusam integrar-se. Daria um interessante estudo.

Luiz Santilli Jr disse...

M.Relvas

Muito adequadas sua colocções!
O que mais me irrita é a hipocrisia social tratar questões tão fortes como sentimentos que se cristalizaram ao longo de século, como mera questão social, que se resolve apenas com bom-mocismo ou boa vontade!
Eu vou ser claro: se uma filha me aprsentasse um negro como pretendente à sua mão, seria o maior desgosto de minha vida!
Por ele ser negro? Nunca!
Mas não posso ser hipócrita de dizer que acharia a coisa mais normal do mundo!
Minha filha é clara e de olhos verdes! Meu sonho para seu pretendnente é alguém igual, de sua mesma raça e mesma cor!
Isso é meu código genético que manda!
Não saio pelas ruas matando pessoas por causa de sua cor, mas em minha vida tenho projetos para mim e os meus, calcados na história de meus ancestrais, não posso agir de forma diferente!Mas está cheio de gente por ai que vai dizer: o Santilli é preconceituoso!!
Então eu pergunto: qual desses acharia normal sua filha ou seu filho casar com alguém de outra raça?
Eles achariam isso normal na família dos outros, não na sua!!!

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Oliver Pickwick
A discriminação existe mesmo nas cabeças dos que dizem que a não praticam.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas

Estou em sintonia com as opiniões que aqui expressaste tanto mais que afirmas que és contra o racismo. Eu também sou.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Santilli
Não conhecia essa tua faceta de exclusão do "preto" na familia.
Não sinto assim apesar de nalguns pontos também ser conservadora. Gosto da minha bandeira, do meu hino, de sentir a minha identidade.
Não gostava de pertencer a Espanha. Tenho orgulho da minha História e do meu passado cultural.
A minha nora é loura mas se fosse africana para mim seria a mesma coisa. Há várias característas em pessoas e em grupos que me agradam, ou que não me agradam, mas elas são transversais a raças, etnias, religiões ou áreas políticas.
Porém adorei a forma como expões o teu olhar e sentir sobre as coisas sem falsos complexos nem hipocrisias, dando-nos outra visão e outra perspectiva.

Abraço

Luiz Santilli Jr disse...

Só um reparo, Lídia:

Eu não disse preto, disse negro!
Isso no Brasil pode dar problema!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Santilli
Obrigada pela correcção.
Abraço

Å®t Øf £övë disse...

Lídia,
Efectivamente tens razão nesta tua análise, mas quando o nosso Presidente da República fala no dia da raça, acho que está tudo dito, e não há mais nada a acrescentar.
Bjo.