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25 DE ABRIL SEMPRE


Fernando Cardoso



10 comentários:

Fatyly disse...

"Porque a Revolução jamais se cumpriu"...

Apesar dos pesares nestes 36 anos muita coisa mudou para melhor e actualmente dentro de uma crise que a meu ver é essencialmente provocada pelas más políticas dos maus governantes e dos jogos de casino, nada paga a LIBERDADE e quem viveu a ditadura sabe bem a diferença abismal entre...o antes e o depois. Só por isso a REVOLUÇÃO cumpriu-se!!!!

Beijos sempre em LIBERDADE!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fatyly

Tu escreveste um comentário quase ipsis verbis o que eu escrevi noutro sítio. É por esta sintonia que somos amigas.
Temos que ir tomar o nosso cafezinho um destes dias.

Abraço em LIBERDADE

manuel marques disse...

Estou desiludido com as minhas gentes,não vou baixar os braços,mas após a eleiçao do Criminoso Salazar, como o maior português de todos os tempos,será que vale a pena...

Beijo.

São disse...

Por sermos quem somos, temos que erguer a voz para denunciar as traições a Abril e lutar contra a desvergonha instalada.

Bem hajas, Amiga!

Meg disse...

Lídia,

Vou lendo o que se está a escrever.
Posts e comentários.
Esgotadas as palavras, deixo-te um cravo... muitos cravos!

Um abraço

Maria João disse...

Lídia

Na verdade, nem todos os ideais de Abril se cumpriram e muitos foram sendo, ao longo dos anos, esvaziados do seu verdadeiro sentido. Ficou o bem maior, a Liberdade... mas sinto que, bem disfarçadamente (ou nem tanto), existem alguns sinais que fazem pensar que, também ela, começa a estar em causa!
Que a memória do país que fomos, não se perca...

Um abraço

caixadepregos disse...

quem conhece o sabor amargo de subir paredes arranhando com as unhas ...
abraço grande para a Lídia

Odele Souza disse...

É bom ver o reconhecimento de uma preciosa conquistada LIBERDADE, assim como o inconformismo diante do que ainda pode melhorar. Deixo um abraço a tu querida Lídia e a todo o povo português pelo dia de hoje.

Vieira Calado disse...

Infelizmente...

*********

Muito gosto em revê-la, amiga!

Beijocas

Marília Gonçalves disse...

Avenida

Fui ainda há pouco a Lisboa

pensando matar saudades

a vida não se fez boa

a quem fugiu prás cidades

As saudade não se matam

porque logo nascem mais

mas as vozes nos desatam

e fazem de nós pardais

Estou na Baixa, e os meus olhos

não vêem prédios nem chão

só vêm dor, mar d'escolhos

a esbarrar na multidão

Lá anda gente a correr

pela vida aos tropeções

lá estão outros a vender

miséria em sonho aos milhões

O pobre pé, descalçado

não incomoda ninguém

tão visto já, resfriado

e nascido de uma mãe !!!

Não me quero ir já embora

tenho ainda muito que ver

mesmo que me doa agora

eu não me quero esquecer

Que se nascemos com olhos

é para ver as montanhas

de injustiças e de abrolhos

que ao homem rasga as entranhas

Lá vai o miúdo roto

leva as mãos nas algibeiras

com ar gaiato e maroto

dizendo duas asneiras

Mas dentro, lá bem no fundo

andam versos a nascer

e é por ser filho do mundo

que anda por aí a sofrer

Que essas palavras que larga

a desafiar a populaça

são feitas da dor amarga

que mesmo pequeno passa

E agora aqui ao lado

esta um ceguinho a tocar

a pensar também que é fado

andar com fome a cantar

agora... aqui vou eu....

aqui está Martim Moniz

quanta gente a quem mordeu

outra rica, má feliz!

e os meus passos no dia

feito da noite brutal

vão comendo poesia

no homem que vive mal

Enquanto sigo dorida

a olhar o temporal

vou subindo a Avenida

mas firme, no vendaval!!

Já cheguei ao Intendente

e por entre a gente séria

quanta infeliz que mal sente

que não tem mais que miséria

Ai ó senhoras honradas

que me apetece insultar

as vidas despedaçadas

nascem do vosso luxar

Ás que vivem sem sentir

as que choram como nós!

se passarem a sorrir

as mais perdidas sois vós!!

Porque quem vive diferente

se a porta não viu fechada

prá vida passar decente

não lhe custou mesmo nada!

São filhas da noite escura

dum estado podre de velho

e esta ferida que ainda dura

é o seu mais fiel espelho

Mais uns passos, finalmente

eis chego à Praça do Chile

ó povo depressa ó gente

façamos mais um Abril!!!

Marília Gonçalves