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A MENSAGEM DE ZÉ DO CÃO - OS VELHOS VISTOS POR UM IDOSO

Nota prévia: O texto que se segue merece-me uma ternura especial. Não que os outros textos não me mereçam mas porque não é todos os dias que temos alguém, nascido em 1931, a falar sobre idosos como de uma população que lhe seja estranha. José Oliveira tem uma eterna juventude e uma filosofia de vida, que sempre me atraíram, e fizeram dele um dos meus amigos predilectos nestas andanças da blogosfera.

Texto de José Oliveira - ZÉ DO CÃO - Zé do Cão


= Os Velhos vistos por um Idoso =

Sei que sou idoso, o meu Bilhete de Identidade também o afirma. Nasci em 1931 e já tinha um irmão 5 anos mais velho do que eu. Tivemos uma infância feliz, sem sobressaltos, já que meu pai era encarregado fabril e simultaneamente vinhateiro, visto possuir quintas recebidas de herança, por falecimento de meus vós paternos.

Desde cedo toda a gente dizia que o menino Zé era brincalhão, gostava de fazer partidas e rir às gargalhadas pelo efeito das mesmas.

Estudei, tirei curso em Escola Comercial na Cidade de Lisboa, empreguei-me e continuei a ser vida fora igualzinho ao Zé brincalhão que gostava de rir.

Fui sempre saudável e as doenças não me apoquentaram, até que ultrapassando os 40 e tais resolvi casar. Mudanças radicais, não, não tive , mantive o meu estilo de vida, julgando que por ele se deveu a maneira de pensar e agir que sempre tive.

Comer saudavelmente, beber com moderação, recusar bebidas fortes em álcool, não fumar, não perder noites e até na sexualidade houve sempre peso e medida (ás vezes não), viajando, viajando muito, alargando os conhecimentos de vida.

Abandonei o trabalho aos 72, sinto falta dele e arrependo-me de o ter feito, faz-me falta o contacto humano e as preocupações que advinham dele.

Tenho um corpo direito, talvez um pouquito barrigudo, fruto da cadeira, continuo a gostar de rir de fazer uma partida e contar uma boa anedota. Assim, este idoso não se sente velho e de maneira nenhuma o é.

Tenho muita dificuldade em poder apreciar o que é ser velho, o que é ter dificuldades de
locução, de doença, porque não vivo essa realidade.

Estou convicto que quando em nossa casa, existe um velho doente, acamado e sem possibilidades de se lhe poder dar assistência, será um drama naquele lar. E neste momento em quantos lares, asilos ou simples casas com o nome pomposo de repouso, haverá idosos em fim de vida a sofrerem por falta de apoio, dos familiares, filhos sem coração, que recusam dar um carinho e apoio aos seus progenitores, que tudo fizeram durante a sua existência retirando da sua frente os escolhos que lhe podiam fazer frente.

Alguns mesmo, retirando-lhe a possibilidade de desfazendo-se de bens materiais, poderiam ter menos sofrimento durante o curto espaço da sua curta existência.

José Oliveira

61 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão
É com muito orgulho que te tenho aqui e também com muita ternura e muita amizade. Estes tempos de convivência têm-nos aproximado e, efectivamente, tenho-me apercebido da tua riqueza interior e da tua capacidade de desafiar o tempo.
A minha mãe também é assim. Vive e sente-se como uma jovem e recusa-se a ser incorporada no conceito de idoso que remete para todo um conjunto de práticas próprias dos velhos. A minha mãe parece 20 anos mais nova e sente-se como tal. Vive a vida com gosto e com paixão. Afinal o que é ser velho?

Boris disse...

Zé do Cão, oh Zé do Cão
grande homem, homem novo
homem que grita bem alto
e que faz falta ao seu povo.

Homem que vive à maneira
que goza com condição
que ama a brasa e a fogueira
e não diz não à paixão.

Zé do Cão, oh Zé do Cão
contigo a grande lição!

Mocho-Real disse...

Saúdo muito particularmente este jovem maior de 70.

O drama dos idosos que estão em lares à espera do fim da vida é dos mais pungentes que conheço.
Não culpo levianamente as famílias que, por vezes, não têm mesmo possibilidades de os manter em casa e deles cuidar.
Lastimo e acuso acima de tudo a organização das sociedades modernas que usam as pessoas, comendo-lhes o melhor da carne, e as deitam fora quando já não são números de rendimento activo.

Um abraço.

Jorge G.

amigona avó e a neta princesa disse...

Minha querida Lídia,vim a correr dar-te um abraço! A net anda a pregar-me a partida! Se o meu comentário ficar deixo-te um abraço apertado e deixei-te um cravo vermelho para ti! Fica bem querida...logo, logo voltarei...tenho tanto que ler e comentar por aqui!)...beijos...

Zé do Cão disse...

Para o "Silencio Culpado" estou feito num caco. Eu que julgava que o meu texto merecia o caminho da trituradora de papel para que nada resta-se dele, vejo-me confrontado com miminhos e carinhos que não esperava.
O Zé criança, sente-se pequenito.
O Zé dos 12 aos 18 sente-se vaidoso.
Mas o Zé, quer ser um "vulgar de Lineu" e desejar que todos, todos os idosos se sintam felizes e que quando a Banda Passar a tocar na sua rua, ponham as suas melhores colchas nas janelas e venham apludir o Xico, porque isso é viver e contribui para dar continuidade há nossa eterna juventude.

Zé do Cão disse...

Afinal, parece que o senil está a atacar o Zé.
Isto de escrever sem fazer correções dá estes efeitos.

Adenda: Resta-se deve ler-se: restasse
Apludir : Aplaudir

Há nossa eterna : à nossa eterna.

Bj. grandes

Olá!! disse...

É por estas e por outras que a minha estima pelo Zé é ENORME ...
Eu tenho comigo uma menina de 88 quase 89 anos, a minha mãe, sei o que é cuidar de um idoso e sei também o que a eles lhes doi pensar que dão trabalho e são um estorvo...
Um beijo enorme para o Zé e para ti Lídia

António de Almeida disse...

-Muito complicados estes dramas, cada caso é um caso, não se podem aplicar regras generalistas. Em primeiro lugar saúdo o texto do jovem idoso, mais novo que muitos, o resto, no que toca á assistência não é papel do estado, da família ou da sociedade, mas de todos. Procurar adequar a melhor solução a cada caso em concreto.

Isabel-F. disse...

Oi Zé do Cão,


Gostei de te ler ... realmente d evelho nada tens ... antes pelo contrário ... gosto da tua jovialidade e da alegria que transmites ...


beijinhos

Raul disse...

Caro Zé do Cão, (eterno puto), gostei do teu texto, do teu percurso de vida e especialmente de gostares de rir.

A Lídia (e muito bem na minha opinião) deu o cheirinho de uma velhice feliz, que é a tua, como que a querer amenizar o negativismo de como vemos os problemas na terceira idade.

Desculpa eu estar a tratar-te por tu, pois ao meu pai sempre tratei por você até à sua morte e continuo a tratar a minha mãe da mesma forma.
No meu tempo para muitos tratar o pai por tu era falta de respeito. Lembraste do tempo de ir beijar a mão ao pai e pedir a bênção?

Já estive no teu blog e li um ou dois contos dos teus. Escreves muito bem e transportas o leitor para uma realidade que muitos de nós conhecemos num passado não muito distante.

Olha, velhote, se um dia acontecer nos cruzarmos na vida, vou gostar de te ouvir pois és um poço de sabedoria.
Talvez seja a nostalgia do “saber” dos meus avós, que me faz perante alguém como tu sentir-me criança outra vez.
Obrigado por teres conseguido com este teu texto despertar esse sentimento em mim.

Zé … qual velhote qual porra…. Um abraço meu amigo. Desejo que te sintas assim sempre, e que continues a saber fazer uma gestão do teu corpo, até ao fim dos teus dias.
É o que desejo para mim, só que eu não sou nem nunca fui um puto bem comportado como tu.
R. Rudoisxis

xanata disse...

hum gostei muito do texto.. e é bom saber que foram as palavras de alguém, não imaginadas mas sentidas..

Zé do Cão disse...

Como hoje é dia de e para Velhos
aqui no Blog.

Vim para bater uma letras a "Silencio Culpado", porque na hora do almoço, que acabou agora mesmo, são 13,45 do dia 1 de Março 08, passou-se uma cena com (de) velhos que em vez de fazer um artigo, opto por contar como se fosse ao vivo e já agora aproveito para juntar no auditório (?)a Óla, Pandorabox, Isabel-f e Raul. Cá vai.
:- Os meus sogros, ainda vivos, um pouco mais velhos do que eu, vieram almoçar a minha casa. Foi minha mulher que os foi buscar. Aproveito para dizer que ela é um pouco mais nova do que eu e ainda não tem a idade de reforma.
Sua avó, mãe de meu sogro, de quando em quando tinha assim uns toques de loucura.
Nada a proposito e enquanto nos deliciavamos com uma garoupa assado no forno, minha sogra pergunta assim ao marido.
Quando é que a tua mãe perdeu o juizo?
Resposta do meu sogro. Não sei já não me lembro.
A minha mulher que tinha ido à cosinha buscar qualquer coisa, ao ouvir isto desata a rir à gargalhada, que acabou por contagiar todos, excepto o meu sogro que não compreendeu onde estava a graça.
Portanto. Bj e abraços para todos

JOY disse...

Amigo Zé do Cão

Tu (Se me permites esta ligeireza de trato ) és um exemplo de que o ser velho está no espirito,adorei lêr este texto ,meu amigo é assim que eu quero e acho que é uma boa forma de encarar o somar dos anos .Como já tive oportunidade de comentar noutro post da nossa amiga Lidia é um crime virar as costas a quem por nós se sacrificou para nos dar uma vida o melhor possivel,isto não em nada a ver com as familias que deixam os idosos num lar ,porque como aqui foi dito nem toda agente tem posssibilidades de ter idosos em casa pelas mais variadas razões, estou a falar do abandono quase total ,onde colocados nos lares estão semanas, meses e as vezes anos sem uma visita. Pessoas essas que se esquecem que amanhã serão os futuros idosos.

Um abraço
Joy

Zé do Cão disse...

Raul. Também fui habituado a tratar o meu pai por você. Meus filhos tratam-me por tu. E o saber ser jovem é ter poder de encaixe também para estes pequenos/grandes promenores. A bençoa! até para os tios. E eu tinha qualquer coisa como 35. Era obra, não havia máquinas e a mão de obra fazia falta para o trabalho na casa/campo.
Porque é que em Lisboa havia tantas criadas de servir? Porque as filhas não faziam trabalho de campo (algumas).
Portanto agradeço as tuas palavras sã bonitas, mas sinceramente gostava de ter aí 20 anos e não queria saber mais do que sabe um puto com 2o anos.

Um abraço

C.Coelho disse...

É fascinante este debate sobre a população idosa porque tem trazido a lume aspectos que nós deixamos para trás como a sexualidade, o direito à paixão e mostra-nos esta vida pululante independentemente dos anos contados no B.I.

Zé do Cão é um homem moderno, da época presente, atento à vida e à modernidade. Espreitei no blog dele e maravilhei-me com os belissímos contos e com o facto dele ter um blog, de o alimentar, de responder aos visitantes e de ter feito o texto que agora é publicado no Silêncio Culpado.

Sinto-me fascinada por este Zé do Cão que retira à terceira idade aquele carácter de tristeza e mostra a vida como uma linha contínua e plena de compensações e oportunidades.

Zé do Cão, gostava, se puderes, que me explicasses porque é que tens este nick. Adoras cães, um cão especial? Será isso?

Um beijão

Michael disse...

Este texto revela que há duas velocidades para a velhice: a velocidade dos diminuídos e a velocidade dos sempre jovens.

Zé do Cão disse...

Resposta a C. Coelho, longa como sempre.
Porquê o computador?
Porquê Zé do Cão
Tens cão? Algum em especial?
Aqui vai
Os computadores fascinaram-me, mas só um nabo a mexer nisto.
Porque Zé do Cão. Este nome foi escolhido por causa da Nação Caramela. Vê o Blog
Frente da Libertação Caramela
Cão, não, não tenho. Já tive um de cada vez, várias raças e tamanhas, sempre sem sorte.
Desde a esgana a roubarem-me. Desisti. 2 deles com historias girissimas para contar a seu tempo.
Parece que respondi. um bj grande.
Hoje é sábado e contra meus habitos estou em casa.

Robin Hood disse...

Zé do Cão

Tu não tens idade e assim continuarás por muitos e bons anos. Mas dá para perceber que tens boas condições para curtires a vida nesta fase da vida mais livre e mais sábia.

Cá no Reino a maioria dos velhotes não tem essa sorte e é isso que os faz velhos.

Um abraço

M.M.MENDONÇA disse...

Zé do Cão

Uma existência que mostra que a vida não se interrompe porque os anos do BI ultrapassaram aquele patamar estabelecido que nos faz dizer que já não se é novo.

Zé do Cão, és aquilo que todos gostariam de ser: irreverente, louco, apaixonado, amante da boa vaiela e dos passeios.

Quem me dera poder ter uma lareira e poder andar por aí.

Também já não sou novo mas tenho mais limitações, não do corpo nem da mente mas da vida que me está sempre a dar.

Um abraço, amigão

amigona avó e a neta princesa disse...

"Os meus sogros ainda vivos..." acho um espanto dizeres isto!
Parabéns pela lucidez e pelo amor à Vida! Gostei muito de te conhecer...gostaria de pensar que todos os nossos "velhotes" se sentem jovens como tu! Um abraço...

Odele Souza disse...

Zé do Cão,
É um prazer ler teu texto. É um prazer te "conhecer". Passas muita ternura no que escreves e faz-me sentir assim como estou, com uma vontade enorme de te abraçar. São assim as pessoas especiais. Despertam em nós sentimentos de ternura e emoção sem que precisem estar diante de nós, mas o que escrevem falam mais alto que qualquer vóz. Foi o que tuas palavras me fizeram sentir. E ouvir.

Um beijo.

Posithivo disse...

Um destes dias, estive sentado lado a lado, no mesmo sofá, junto de minha mãe, que tem 70 anos de idade. Assistiamos a um programa de televisão, e ela comentava o mesmo alegremente. De repente, olhei para ela e reparei no seu rosto em pormenor. As rugas, das quais nunca me apercebi, estavam lá todas, marcando teimosamente o tempo que entretanto passou, sem que nunca e também, eu tivesse dado por isso. Senti-me comovido. Enquanto o programa de televisão decorria, minha mãe ia abanando a cabeça em tom afirmativo de uma forma constante, sem que se apercebesse disso. Seus olhos, permanecem sempre molhados, como se estivesse repletos de lágrimas, suas rugas presenteiam todos os anos, um a um da sua vida, já longa. Senti muito orgulho. O tempo passou e continua a passar, mas para mim, e independentemente de todos os sinais exteriores do passar do tempo, a minha mãe continua a ser aquela senhora de outrora, que me pôs no mundo, que me ajudou a crescer, e que insiste ainda em delinear o meu futuro, de uma forma constante e permanente. A velhice é tão linda e pode ser tão boa, a maturidade permite viver assente em tudo o que já se passou na vida, e nem mesmo um susto, ou até mesmo um grande susto, não deitará por terra certamente, anos e anos de sabedoria. A minha mãe é a prova concreta disso mesmo. Faço uma vénia a todos os idosos. Com eles, aprendo a viver a vida, contornando todos os obstáculos, medos e receios. Os idosos são a prova viva de que é possível, sempre possível, ultrapassar todos os obstáculos e vencer todos os desafios. Bem hajam.

ABEL MARQUES disse...

Lídia/Silêncio

Tu para além do teu cunho humanista, e mobilizador de vontades, merecias um outro prémio que proponho aqui que alguém te atribua: a de descobridora de novos talentos.

O Silêncio Culpado está a passar por um período em que são constantemente apresentados novos textos, de contribuidores, alguns com grandes curricula, mas que nós desconhecemos.

Aparecem pessoas ligadas a causas e aparecem causas desnudadas das mais diferentes maneiras.

Este texto do Zé do Cão, e o seu blog que fui visitar, mostram a importância da amizade virtual e da disponibilização de experiências pessoais e profissionais.

O Zé do Cão é um exemplo a referenciar para aqueles que têm medo de envelhecer ou vêm no envelhecimento uma diminuição das suas capacidades e da suas intervenções.

Zé do Cão está aqui para as curvas e para nos mostrar que podemos ir sempre em frente.

O Árabe disse...

Bela mensagem! Mais uma vez, vejo-me convencido de que a idade está mais no espírito, do que em nossos corpos. :)

Zé do Cão disse...

Abusando da bondade e paciencia de Silencio Culpado, estou aqui a dar respostas, sem sequer lhe pedir autorização.
Espero que me perdoe.
M.M.mendonça, Amigona avó e Neta Princesa,Odele de Sousa, posithivo
Abel Marques o Arabe
Voces são todos uns queridos e dei por mim com os olhos humedecidos.
Bej e abraços.

Zé do Cão disse...

Robin Hood.
Não sei porquê, penso que já trocamos
pensamentos e mails. Não tenho a certeza, mas se és quem penso, digo-te que tenho por ti uma carinho especial. Aproxima-se a Pascoa e tinha gosto em enviar-te uma coisa.
Sabes o meu mail, diz-me alguma coisa
Um abraço de um cóta para outro.

Zé do Cão disse...

Silencio Culpado, efectivamente o nome está muito bem aplicado. Na realidade és culpada de todo este movimento... Que gozo de tá, que satisfação sentes. não é verdade.
Este espaço é teu, inteiramente teu e a partir deste momento, venho só deitar-lhe um olhinho.

hoje vou ao mercado mensal, que existe aqui onde moro, á procura de um objecto para tirar uma fotografia de forma a ilustrar o meu conto, que será publicado na semana da Pascoa .

Zé do Cão disse...

Abusando da bondade e paciencia de Silencio Culpado, estou aqui a dar respostas, sem sequer lhe pedir autorização.
Espero que me perdoe.
M.M.mendonça, Amigona avó e Neta Princesa,Odele de Sousa, posithivo
Abel Marques o Arabe
Voces são todos uns queridos e dei por mim com os olhos humedecidos.
Bej e abraços.

G.BRITO disse...

As pessoas são o que são ao longo de toda a vida. Os idosos passaram por vários estádios de maturação antes de serem idosos e foi da sua forma de ser, daquilo que foram capazes de criar, que foi construída esta fase da vida mais próxima do declínio total.

Há a velha máxima "Se sentes a solidão é porque construíste muros e não pontes".
Quero dizer com isto que a fase tida como da terceira idade com tudo o que tem de bom e de mau é também uma construção do indivíduo ao longo da vida.

Como é óbvio há uns mais iguais do que outros e há quem esteja a sofrer sem ter contribuído para isso.

Zé do Cão é um exemplo vivo de alguém que vive a vida em plenitude, amando e sentindo a sua passagem em perfeita harmonia com o meio ambiente.

Um homem sábio este Zé do Cão e deve ser um amigo bacano.

Dá cá um abraço, oh homem

Sophiamar disse...

Zé do Cão

Foi com muito gosto que li a tua mensagem cheia de esperança, de alegria de viver, de amizade. Não é fácil encontrar uma pessoa que fale de sete décadas de vida como tu mas quando a encontramos é um prazer, um privilégio, desfrutar da sua companhia ainda que virtual. Fizeste uma vida regrada,fizeste felizes os que rodeavam, fazes feliz quem te lê.
Obrigada, amigo!
Vou linkar o teu blog. Não quero perder o convívio contigo.

Beijinhosssss

Louise disse...

Zé do Cão
És um exemplo de vida que dá razão à celebre máxima de Sartre "O homem pode sempre fazer alguma coisa daquilo que os outros fizeram dele".

Tu soubeste amar e fazer amizades e criar à tua volta um ambiente de paz e harmonia.

Não és velho nem mereces sê-lo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão
O Silêncio Culpado é de todos os que para ele contribuem.
Por isso, amigo, continua a falar com as pessoas que se te dirigem e que estão contentes por te conhecerem. É para isso que este espaço foi criado.
Não sei se já te deste conta mas o amigo Raul do Sidadania nomeou o teu blog para o prémio Sidadania do mês de Março.

Beijinhos

Olá!! disse...

Fico feliz de ler estes comentários...
Beijosssssss

ANTONIO DELGADO disse...

Antes de mais agradeço as felicitações deixadas no meu blog pela distinção feita no Cegueira Lusa aos Ecos e Comentários. E quero igualmente deixar uma nota sobre este post que me parece muito pertinente por tratar um assunto muito actual. É pena que os egoísmos da sociedade pós modernista, como alguns teimam em designar a que vivemos, remetam os idosos para essas casas que um dia a história considerará monumentos à inumanidade, onde estão escondidos dos olhares como se fosse tabú ver idosos . Fui criado até uma certa idade num meio aldeão onde os idosos eram considerados sábios e não empecilhos, como parece ser o caso na actual sociedade que nos cabe viver. Todos incluindo as crianças tínhamos respeito por eles. Era também um tempo em que havia mais solidariedade entre as pessoas e esta não era nenhuma consigna partidária.

Ps. Pensei que ontem tinha deixado aqui um comentário

Compadre Alentejano disse...

Uma história de vida fantástica, e umas considerações sobre os mais idosos fantásticas.
Conheço bem a realidade dos lares e do abandono a que muitos idosos são votados.
Tenho um familiar dum lar de Santa Casa de Misericórdia de 5 estrelas, e quando vou visitá-lo é como se visitasse aqueles idosos todos.Porquê? Porque muitos deles, nem a visita dos filhos recebem...
Um abraço
Compadre Alentejano

Cati disse...

Conheço jovens com pensamento mais "idoso". As palavras às vezes são perversas... Velho, idoso, ancião... Cada uma remetendo para alguém com mais idade e experiência. Infelizmente, hoje em dia as palavras ganham novos e tristes matizes que relegam a chamada 3ª idade para uma classe de pessoas que só dá chatices.

Só somos velhos quando assim quisermos. Enquanto formos jovens de espírito, seremos jovens, sempre, mesmo que a idade do corpo nos traia.

E os velhos (e digo isto sem má conotação da palavra!) merecem-me todo o respeito. Deles bebo a sabedoria da experiência que provavelmente não terei tempo de viver.

Um beijinho para a Lídia e para o Zé do Cão.

Fátima disse...

Amiga,

Que grande texto este do amigo Zé do cão!Que grande vivência que grande lucidez!

Parabéns amiga, pelo teu modo de nos pôr a pensar, sobre este tema que é muito actual. Toca-me muito pensar nos amigos que sofrem tantas dificuldades na vida.

:-) beijinhos

Sheila disse...

É realmente excelente esta reflexão, o texto deste nosso jovem amigo de quase 77 anos e as palavras deixadas pelos comentadores.
Por aqui se vê que o ser velho não tem a ver com os anos que somam no BI mas com a postura da pessoa que já tem mais anos, na forma como interage com os outros e, também, nas condições económicas indispensáveis para que exista juventude e qualidade de vida na terceira idade.
Quanto ao Zé do Cão fiquei "apaixonada" pela forma como se exprime e cheia de curiosidade por conhecer o seu blog.
Um beijo para o Zé e outro para a Silêncio.

Silvia Madureira disse...

Lídia:

Antes de mais obrigada pelo excelente comentário sobre Pedro Nunes no meu blog...fiquei mais enriquecida.

De seguida, quero dizer que aqui está alguém que se não dissesse a idade eu pensaria pelo discurso que teria um vinte e tal.

Uma pessoa consciente, de bem consigo próprio e saudável de mente.

De facto é uma mais valia falar com pessoas assim.

Neste discurso denota-se alguém que repara no abandono dos idosos não porque o sinta na pele mas porque é sensível e bom observador...

Entendo todas as suas palavras...

Compreendo...

Não tenho mais a dizer.

Belo discurso.

Mário Relvas disse...

Um texto cheio de esperança.O amigo Zé é um JOVEM!

saudações e um sorriso

Joseph disse...

Não restam dúvidas que este texto tem algo de muito especial: desmistifica o bicho-papão idade mostrando alguém rico de vivências e de afectos, que sabe dar e receber e que teve a sorte de poder ser jovem num país de velhos.

VIVA O ZÉ DO CÃO

parvinha disse...

Tenho que passar com calma como gosto para ler tudo.

Lídia é dia de mimos no meu blog, quando te apetecer passa.

Beijinhos

Gi

AJB - martelo disse...

Pois é... este Zé dá gosto e tomara que a velhice de todos fosse parecida, mas a realidade é dura , muito dura e para muitos.Mas, parabens para o Zé a quem a vida e o ânimo têm sido uma companhia...

René disse...

A vida deve ser encarada como uma sucessão de ciclos cada um deles com as suas vantagens.
A terceira idade tem experiência, sabedoria e pode ter uma maior liberdade de acção pela disponibilidade de tempo, por ter cumprido a missão de criar filhos e por não estar preso a um trabalho que absorve todas as energias.
O Zé do Cão sente falta da profissão mas a maioria das vezes o trabalho é um desgaste fisico e emocional.
Mas é pena que, chegados aqui, o racíocinio nos leve sempre para as condições materiais que proporcionam, ou não, essa qualidade.
Quem não tem capacidade económica que permita usufruir desta maior liberdade, ter uma alimentação saudável, fazer exercício físico (Zé tens que perder essa barriguinha), viajar e ir a eespectáculos e eventos culturais, acaba por viver a pensar na finitude, por se sentir limitado e acaba por ser um peso para terceiros.
Ainda bem que há quem, como o Zé do Cão, seja um jovem ao longo da vida.
Um abraço Zé

htsousa disse...

Porque ser idoso ou sentir-se velho são coisas extremamente diferentes.

A minha avó viveu até aos 100, e nunca foi velha, nem mesmo quando teve de ser acamada.

Dalaila disse...

é de facto uma visão diferente, muito mais real, do que eu opinar sobre o assunto,
gostei deste relato, muito

Odele Souza disse...

Lidia,
Ja estive aqui comentando este post do qual gostei muito. Estou aqui agora para te agradecer pela visita e comentário deixado lá no blog de Flavia e te dizer que claro, podes copiar e reproduzir aquele post de Flavia, onde quiseres.
Boa semana.
Um abraço.

Zé do Cão disse...

Toda esta gente boa que me estimula merecem um destaque e como eu gostaria de recebe-los todos com umas tortas e um moscatel (da terra onde vivo), conhecer-nos todos em vez do virtual. O G.brito atirou uma palavras sábias "Se sentes a solidão é porque construiste muros em vez de pontes". É isso, sempre construí pontes, e tenho amigos por todos os sitios por onde passei, e foram tantos,tantos sitios.
Sophiamar,louise, OLÁ!!, antonio Delgado,Compadrer alentejano, Cati,, fátima, sheila, Silvia Mad,
Mario relvas, Joseph, parvinha,aj.b-martelo,rené,htsousa e dalaila, bj e abraços consoante m/f, são uns queridos, obrigado por tudo.
Na próxima 4ª feira, vai sair no meu blog um conto titulado "A Galinhola" . A personagem tem o nome trocado faço-o sempre, mas é um conto verdadeiro de um homem pobre,meu amigo, mas rico de espirito e sempre com uma disposição invulgar. Aliás o conto titulado de "Carapaus Fritos" também é ele a personagem. Abusando da v/ bondade, faço um convite a todos, passem por lá.
Para a minha querida amiga Lídia (é a primeira vez que uso o seu nome)
tenho um conto especial que lhe dedico em que o personagem sou eu, e sairá pela Pascoa.
Designa-se por "Almoço em Férias na Páscoa". Será para ela as minhas amendoas.
Bj.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão
Quero agradecer-te esta excelente participação que veio desmistificar a ideia de que pertencer a uma fase da vida mais avançada tem, forçosamente, que nos tornar velhos.

Estou ansiosa por ir a tua casa provar das tuas surpresas que são sempre deliciosas.

Beijinhos

Rafeiro Perfumado disse...

Um poderoso testemunho, de quem sabe efectivamente aproveitar esta dádiva que é a vida.

Oliver Pickwick disse...

Já li algumas histórias do Zé do Cão. Realmente são divertidas, o bom humor é uma de suas marcas. Acredito que este atributo é um dos segredos da longevidade e vida saudável. Eu, por exemplo, pretendo viver até o último dos meus dias com o mesmo bom humor que me acompanha desde a tenra infância. Tenho uma vida de muito trabalho como todo mundo, mas até hoje ainda me divirto com jogos de computador, ando de bicicleta, e costumo rir até de mim mesmo.
77, hein Zé? E não adiantar inverter os números. Parabéns pelo estilo e pela filosofia de vida. Simples. Aliás como são as grandes verdades.
Mais um ponto para você, amiga Lídia!
Beijos!

Capriccio disse...

Enquanto estava a fazer um trabalho no meu PC,e é quase 1.00 h da manhã, passei por acaso neste cantinho, é o post mais bonito que vi até hoje,vou fazer o possivel para passar mais vezes no blog da silêncio culpado e outro dia visitarei o Ze do Cão,sempre penso para mim, quando encontro pessoas como o Ze do Cão, se eu chegar a esa idade quero ser assim, estou cheia de sono, mas tive que deixar um comentario(desculpe os erros ortográficos) Um beijão para os dois e parabéns:)

fotógrafa disse...

Passando só para desejar um dia radioso!!!
abraço

parvinha disse...

Eu bem digo que vale a pena passar cá com calma...

Lindo texto, sem mais adjectivos, simplesmente lindo!

Grande Zé, já tinha passado no blog dele nunca imaginei tal proeza!

Zé, dá-me um pouco desse elixir para a juventude.

Um bem haja para ti meu querido e parabéns!

Lídia, muitos beijinhos

Zé do Cão disse...

Silencio, não porque se vá cantar o Fado. Mas porque amanhã há Galinhola e estás convivada para o jantar.
Recordas o JJ dos Carapaus Fritos, pois o personagem é o mesmo.
Beijinho muito ternos....

Zé do Cão disse...

Rafeiro, obrigado pelas tuas palavras. Faço os possiveis por saber viverUm abraço Barreirense

Zé do Cão disse...

Meu caro OLIVER PICKWICK. Gostei de ler "Rir de ti mesmo".
Já o disse por aqui, que há l ano e tal morreu o meu melhor amigo. Vitima do tabaco.
No dia em que fez um ano de falecido, fui sozinho ao cemitério, pesaroso, cheio de sentimento estar com ele a sós cerca de uma hora.
Recordei ocasiões extraordinárias passadas com ele e dou comigo a rir, não sozinho, porque estava com ele que desfrutou comigo aqueles momentos. Tenciono ir lá mais vezes tenho saudades dele.
Foi o personagem do "celular".
Um abraço grande

CAPRICCIO
Portas abertas sempre que queiras aparecer.
Fotografa: Admiração especial
Bj.
Parvinha - Já te tinha encontrado no blog do Capitão e até já tinha feito por aí um comentário ao capacete.
Um Bj.

conchita disse...

O texto é muito bonito, e tenho muita pena daqueles velhinhos que estão num lar e nem a visita de familiares têm, é muito triste acabar sozinho sem o apoio da familia!!
Beijos e continuação de uma boa semana :)

Capitão Merda disse...

Grande Zé!

Sonia disse...

Gostei de ler o seu depoimento!
Você transmite entusiasmo e alegria! Abraços!

São disse...

Lê-lo foi como se estivesse de novo ouvindo meu Pai e , por isso, lhe fico muito grata.
Bem haja!