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SER BIPOLAR


Texto de Ana Marques*


Desde que me lembro que ouvia a minha avó dizer referindo-se a mim: esta miúda ou está a rir ou está a chorar. Não conhece o meio-termo.

E realmente eu não conhecia, mas levei tempo, talvez demasiado tempo, para saber isso. E quando soube também não soube o que fazer nem como lidar com a informação.

Na escola era inquieta e tinha dificuldade em concentrar-me. Tudo nas matérias que os professores explicavam, me conduzia a analogias hilariantes. Ria que nem uma perdida e várias vezes fui posta na rua.

Alguns professores achavam que eu gozava com eles e mandaram informações muito negativas sobre o meu comportamento para o encarregado da educação (meu pai) assinar. Ninguém procurou saber o que se passava comigo.

Batiam e punham-me de castigo e eu, quando ia para a escola, levava as mãos transpiradas de nervoso, apetecia-me morrer e levava noites sem dormir a pensar porque é que me ria com tudo e com nada.

Por mais que quisesse suster o riso não conseguia. A dor era imensa. Apesar disso ia tendo resultados mais ou menos satisfatórios porque os meus pais, ambos professores, insistiam em ensinar-me e em pôr-me de castigo a estudar. Eu sentia que os odiava.

Recusei ir para a Faculdade. Fiz o liceu e fui trabalhar para um Banco. Aí conheci o homem com quem casei e de quem tive duas filhas. Contudo a minha doença ia-se agravando.

Se algo, aparentemente simples me podia dar uma alegria esfusiante que era acompanhada duma energia incontrolável que só se saciava com exercício físico, ou com sexo, também qualquer coisa que me dissessem de menos abonatório me fazia mergulhar numa tristeza imensa.

Uma tristeza que me entorpecia por completo, que me apertava a garganta como um garrote e me trazia uma angústia tão terrível que eu sentia necessidade de magoar e de me magoar para que acontecesse algo que fosse mais forte que a minha dor. Mas nada era.

O meu marido sofreu imenso comigo porque quando me chegava a “negra” eu era simplesmente insuportável. Feria-o, humilhava-o, tinha vontade de o contrariar. Mesmo que eu quisesse suster este impulso não havia forças em mim que chegassem para isso.

Foi numa festa de aniversário, em que esteve presente um psiquiatra famoso que este, ao olhar para mim e vendo-me muito excitada e fora de órbita, me disse para eu passar pelo seu consultório. Eu parecia ébria mas não tinha tocado em qualquer bebida alcoólica.

Foi então que a minha doença foi diagnosticada e que comecei a ser medicada.

Aí começou um novo calvário em casa e no trabalho. Ao assumir que sou bipolar assumo a discriminação e, pior ainda, um atestado de incompetência que estão sempre a atirar-me à cara cada vez que quero tomar uma decisão que afecte a outra parte.

Ainda que o meu comportamento se torne mais regular e eu consiga um melhor controle sobre as situações, toda a troca de opiniões, toda a tomada de posição acaba sempre por me mandarem "tratar-me" e isto dito como quem atira um punhal certeiro ao coração da vítima.

Um dia o meu marido sugeriu que mudássemos de terra e que eu procurasse fazer um trabalho que não me criasse ansiedades nem necessidade de gerir equipas.

Comecei a trabalhar por conta própria, numa terra do interior em que organizo a minha vida de modo a não ter pressas. Consigo falar com pessoas simples e participar de várias actividades. Até deixei os medicamentos embora tenha visitas regulares ao médico. Visitas que escondo do meu círculo de amizades.

O meu marido deixou-me depois de eu estar bem. Compreendo que o desgaste de 12 anos foi excessivo. As filhas ficaram com ele. Foram elas que assim decidiram. Vêm ver-me por longos períodos mas nunca quiseram ficar. Para elas eu sou sempre um perigo. Uma espécie de vulcão que pode explodir o que realmente acontecia noutros tempos.

Estou a criar uma menina africana filha duma família numerosa e em dificuldades. Sou a madrinha e ela está comigo há 7 anos e até me prefere. Sem ela não teria sido capaz de sobreviver. O mais espantoso é que nunca tive medo de a amar enquanto com as minhas filhas senti sempre uma certa distância, como se não fossem de todo minhas.

Esta é igual a mim, desamparada e, por isso, não tenho medo.

* A autora não é conhecida por este nome.

119 comentários:

amigona avó e a neta princesa disse...

Li,reli...várias vezes...senti na pele. Não porque seja bipolar mas porque vivo com alguém que o é...vivo tudo isto há muitos anos e há momentos terríveis em que a vida deixa de ter sentido...não sei que dizer porque dói muito, chega a doer DEMAIS! Beijos Lídia e também à amiga "Ana"...

Mário Relvas disse...

Um relato de vida onde se constata, em minha opinião, a instabilidade emocional.Poderá ser bipolar,no entanto encontro traços de insatisfação de vida.Gostaria de perguntar à autora do texto quais foram as metas e graus de exigência em pequena e na adolescência.Verifiquei que os pais eram professores, que buscavam na filha uma super estudante e devem ter escolhido um futuro para ela e por ela.O medo de falhar,trouxe a depressão, com toda a certeza.Depois poderá ter gerido mal a sua cura e ter entrado numa crise que se move em dois ângulos, um com mais autenticidade e medo, outra de fuga e excessos.

Parece-me uma caso depressivo, poderá ter-se tornado numa maníaca-depressiva, ou bipolar, em evolução do quadro por mim traçado.

Gostaria de saber se toma(ou) antidepressivos, ou algum medicamento cujo princípio activo seja o líctio.

Quero lembrar que todos nós podemos gerar casos de ansiedade e ter momentos altos, seguidos de quebras. É preciso ver a intensidade das situações e de repetições deste quadro clínico.

A doença bipolar pode levar à tomada de decisões imponderáveis,umas vezes com sucesso, outras vezes, apenas fiascos totais.

A meu ver, não considero que viver sem "meio termo", seja mau.Acho que na vida devemos tomar decisões e opções, pensadas e sérias, para isso devemos traçar um caminho e se tivermos de mudar de ideias, por constatar que o caminho não é o que esperávamos, façâmo-lo o mais rápido possível.

O doente bipolar oscila entre a falta de confiança e o excesso de confiança.Aqui não se trata de uma opção de vida, de viver sem meios termos, mas de uma situação que interiormente se resume a um conflito que opõe a pessoa a si próprio.

Saudações e um sorriso

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Lídia e um olá para a autora do texto... Li e reli com muita atenção... porque tive de conviver muito de perto, no caso uma prima minha, que tinha comportamentos de instabilidade emocional constantes...
Nós eramos jovens e o convívio durou até eu vir para Lisboa...
Hoje já na casa dos 50 anos, continua a ser 8 ou 80... Mas, além de tomar, anti-depressivos,
ela continua com a sua vida normal.
Sem medicamentos para se controlar, aí torna-se um problema... Pela energia excessiva.
Graças a Deus teve uns pais e mais tarde um marido excelentes, sobretudo muito compreensivos.
Tem dois filhos e já netinhos e é ela a alegria daquela casa.
Eu pessoalmente acho que muitas vezes há falta de apoio e compreenção familiar.
Beijinhos para ti Lídia e para a Ana,
Fernandinha

tagarelas-miamendes disse...

Um texto muito sentido. Que nos obriga a pensar.
Existem muitos bipolares nao diagnosticados. E a razao, disso esta no que descreve! Nos nao vamos ao psiquiatra, com a facilidade com que recorremos a qualquer outro medico, e nao o fazemos porque? Devido ao estigma que ainda existe a volta das doencas psicologicas e neurologicas. Uma pena! Deve-se sentir orgulhosa por o ter feito. E ter aprendido a viver com a sua doenca.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
Chegaram-me mais dois relatos tão intensos quanto este.
Para quem está de fora conviver com um bipolar não é fácil. A determinada altura nós sentimo-nos manipulados e vítimas duma situação para a qual não contribuímos.
Penso que devia haver formação para familiares próximos que tenham que conviver com a situação.
É que o desgaste é muito grande.
Abraço

Mário Relvas disse...

Para alguém:

Tristes são aqueles que só aceitam os seus queixumes.Aqueles que se apregoam solidários mediante alguma troca, ou aceitação de ideias.Triste é olhar para centenas de comentários que foram irónicos e falsos durante muito tempo.

Não é triste aquele que diz o que pensa, mas sim aquele que diz o que não pensa.

Saudações e um sorriso

Mocho-Real disse...

Relato forte e impressionante de quem sofre no seu dia-adia a impreparação de muitos para se aperceberem, primeiro, e lidarem depois com o problema.
Provavelmente detectado há mais tempo este caso estaria hoje certamente melhor controlado e alguns sofrimentos teriam sido evitados.

Saudações e um abraço.
Jorge P.G.

fotógrafa disse...

Ser bipolar...é uma complicação...mas tudo tem remédio, desde que haja medicação certa...
Um bom dia para ti, e abraços

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

oi Lídia diante da continuidade do tema , bem interessante, eu fiquei pensando naquela famosa frase de William Shakespeare
Ser ou não?
Será que devemos nos paralizar diante de um nome de um diagnóstico? isto teria a capacidade de anular a nós mesmos?
Procurei e achei este texto de Lua Jeniffer , no JC online.


''É incontável a quantidade de escritores, poetas, pintores, escultores, músicos, enfim, artistas e esforçados da mente que tentaram pelo menos uma vez na vida explicar o que é ser.

"Ser ou não ser? Eis a questão", disse Shakespeare.

"É terrível ser? Dói? É bom? É triste?" indagou Drummond.

"Sê tudo em uma coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes", sugeriu Fernando Pessoa. E assim prossegue por séculos e séculos essa eterna busca, essa exacerbada exigência de encontrar o ser.

Ora, amigo leitor, tu és? Eu sou? Se não és ainda, quando for avisa-me, por favor, pois hei de encontrar meu ser no mesmo lugar em que encontraste o teu. Acho que pensar é ser, ou talvez não, pensar pode ser uma forma de saber que nada é.

Às vezes caminho em lagos, em mares ora tranqüilos, ora revoltos, águas essas que não existem. Às vezes penso que sou uma minúscula célula dentro de outra célula, que por ventura se encontra dentro de outra célula e assim sucessivamente.

Também penso que o universo está dentro de mim e eu estou dentro de uma coisa muito maior que o universo. Penso que o sentir é ilusão, na verdade ninguém sente nada, ninguém é ninguém. De repente uma força cá dentro, talvez o próprio universo querendo explodir, mostrar-me que existe algo que é, algo que sempre será. Daí vomito trilhões de estrelas, estrelas de todas as cores, e finalmente creio que Deus é, que a natureza sábia é, que a vida também é. Do resto nada sei, mas não irei perder tempo em descobrir. Como os filósofos, procurarei usar a lógica: se faço parte de Deus, da natureza, da vida, automaticamente eu sou!

Ah, amigo leitor, meu estimado amigo, tu és?´´

Com saudades!
Ray

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

Lídia queria deixar esta música reflexiva para cada um de nós que temos nossas dores internas , mas que nem por isso deixemos de buscar a felicidade....

QUANDO O SOL BATER NA JANELA DO TEU QUARTO
Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

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Quando o Sol bater na janela do teu quarto.
Lembra e vê que o caminho é um só.

Porque esperar se podemos começar tudo de novo.
Agora mesmo. A humanidade é desumana. Mas ainda temos chance.
O Sol nasce prá todos. Só não sabe quem não quer.

Quando o Sol bater na janela do teu quarto.
Lembra e vê que o caminho é um só.

Até bem pouco tempo atrás.
Poderíamos mudar o mundo.
Quem roubou nossa coragem?

Tudo é dor.
E toda dor vem do desejo.
De não sentirmos dor.

Quando o Sol bater na janela do teu quarto.
Lembra e vê que o caminho é um só.

JOY disse...

Amiga Lidia

A narradora deste texto pode ser bipolar e não ser nada fácil lidar com a situação mas é sem dúvida uma pessoa com um coração enorme e muito corajosa .

Abraço forte
Joy

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Um comentário profundo e que levanta reflexões importantes.
Penso que ser bipolar é algo que ultrapassa em muito a insatisfação pela vida.
A própria Ana Marques confessa que os "altos e baixos" eram incontroláveis e que acabou por ser medicada durante um largo período da sua vida.
E é neste contexto que eu insiro o seu estado como uma patologia clinicamente detectada.
Os meus pais também foram excessivamente exigentes para comigo mas, nem por isso, em qualquer época da minha vida eu tomei sequer um calmante.
As pesquisas que fiz apontam para factores genéticos associados a pressões que o indivíduo, pela sua estrutura emocional demasiado débil, não consegue suportar.
As variantes de humor, de extremo a extremo, levam a comportamentos complicados na sua interacção com os outros e, o pior que tudo, é que as pessoas escondem a doença como uma vergonha que lhes é atirada à cara.
E é neste último aspecto que me centro e procuro desmistificar para que haja uma maior compreensão.
Porém é mais fácil falar do que fazer.Eu própria não consegui ser resposta a uma situação complicada de alguém próximo pois, a dada altura, o esforço de boa vontade não chega. Por isso entendo que chamadas de atenção são sempre oportunas bem como apoios especializados disponíveis a qualquer cidadão e que permitam um aconselhamento eficaz aos familiares para além da terapia neuro-psiquiátrica que se impõe ao doente.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fernanda
Obrigada pela tua contribuição ilustrada por um exemplo prestimoso em como o acompanhamento adequado pode fazer a diferença entre uma vida normal e familiarmente bem integrada ou uma vida marcada pela dor e pela solidão.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Tagarelas-miamendes
Esse estigma é enorme, maior que qualquer outro estigma. Quem sofre destes problemas receia ser conotado como alguém incapaz a quem não se pode dar crédito. Isto é a destruição plena de qualquer pessoa quer familiarmente, quer no trabalho.
Como ultrapassar uma situação destas?
É esta a principal resposta que procuro.

Abraço

Germano V. Xavier disse...

Olá!

Passei por aqui...
Gostei do blog!

Abraços pernambucanbaianos...

Germano
www.clubedecarteado.blogspot.com

Nilson Barcelli disse...

O relato é impressionante.
No essencial, ele mostra uma coisa muito simples: quase ninguém está preparado para lidar com pessoas bipolares.

Beijinhos.

Olá!! disse...

A ti MULHER (Lídia) deixo um pequeno mimo no blog... homenagem a todas as mulheres...
Beijosssssssssssss

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Na vida virtual como na real todos nós somos o resultado do que construímos e das pegadas que deixamos nos nossos percursos.
Não precisamos apontar o dedo porque, como diz o ditado, podemos enganar muitos durante muito tempo mas não todos durante toda a vida.
Ou então se quiseres: a verdade vem ao de cima como o azeite na água.

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

mocho-real
A questão é mesmo essa: sem estigmas e com aceitação muitas pessoas que chegam a situações extremas, poderiam ter feito uma vida normal.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fotógradfa
Medicação e sobretudo capacidade de integrar e compreender.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Ray
Tu dizes coisas tão lindas, tão sensíveis que eu fico a matutar nelas.
É verdade que muitas das grandes pessoas foram bipolares. A emoção exacerbada pode atingir níveis ímpares de criatividade. Porém muitas delas foram infelizes, algumas suicidaram-se, outras viveram à deriva. Actualmente com os avanços no conhecimento podemos ir mais longe na felicidade humana. Assim o queiramos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOY
São coisas distintas. Os sentimentos exacerbados podem converter-se em acções humanas de uma grandiosidade imensa. Mas são também um percurso sinuoso de dor e incompreensão. Um percurso de estigmas e de segregações que temos que combater. Porque se os combatermos essas pessoas podem tratar-se e tratando-se podem ter uma vida integrada junto das pessoas que amam ao invés de serem excluídas por feridas que não saram pelos seus comportamentos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

germano v.xavier

Obrigada pela visita.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

nilson barcelli

Puseste o dedo na ferida: quase ninguém está preparado para lidar com pessoas bipolares. Essa situação vai ser mais evidente em relatos que apresentarei noutros posts e que são "os outros" a mostrar o lado cru da situação.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Olá
Os teus mimos são sempre bem-vindos porque vêm de alguém que estimo e aprecio.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Lídia
Os bipolares são uma realidade da qual até há bem pouco tempo pouco ou nada se falava.
Acredito que a percentagem seja bem superior aos 6% que revelam as estatísticas porque muitas pessoas sofrem em silêncio essas provações, muitas ainda se tratam em bruxas e em espiritas e poucas assumem claramente a sua situação clínica.
Um colega meu é casado com uma bipolar profunda. Ela está muito bem, é bonita, é simpática e tem uma alegria e vivacidade enormes. Subitamente numa caixa de hipermercado alguém a chamou de maluca, ou ela pensa que a chamaram, e imediatamente entra em depressão que se acentua até andar com as mãos pelo chão como um animal.
Tem que ser internada quando bate no fundo e tem que ser medicada constantemente. Oscila entre a grande satisfação e a grande angústia mas são sempre factores externos que fazem despoletar as situações.
Bjs

Sérgio Figueiredo disse...

Minha Amiga Lidia,

Quero agradecer-te o teres visitado e comentado o meu blog. Vai aparecendo.

Quanto á doença Bipolar...

Bom, há que admitir que se trata de uma doença bastante ingrata. Começa por ser crónica e não nos dá certezas se amanhã estaremos bem ou mal. É uma incerteza.

A minha experiência e a minha vivência com a doença, tem-me ensinado, em primeiro lugar, a encarar a doença, reconhecer que somos portadores da mesma, pedir o apoio dos nossos médicos em relação aos síntomas e o que fazer,
não ter medo de falar com os amigos e familiares e pedir-lhes ajuda quando estamos numa situação de incerteza se...
Enfim, não fazer da doença um bicho de sete cabeças e viver uma dia de cada vez, sem planeamentos para o futuro.

Principalmente há que:

Vermo-nos ao espelho e gostarmos de nós.
Abrir uma janela e observar-mos os movimentos de, pessoas, carros, animais, nuvens, barulhos de crianças, pássaros...etc, e arranjar a coragem de sair á rua e fazer parte desse rom...rom...

Depois, saber interpretar um síntoma não entrar em pânicos, reconhecer que é apenas um síntoma e que há maneira de fazer qualquer coisa e ultrapassar o síntoma, ir á beira mar, parar num sitio agradável e respirar bem fundo, por a mente a trabalhar e a pensar em algo que tenha causado alegria, enfim...criar a diferença e mantermo-nos tranquilos.

Esta doença dá pano para mangas em termos de conversa e eu tenho muito gosto em partilhar as minhas experiências.

Vivo sozinho e, graças a Deus, não posso estar descontente com o que faço e como passo os dias.

Deixo-te o meu mail se pretenderes discutir um pouco a doença.

serg.fig@gmail.com

Beijo grande

Alice Matos disse...

Seria impossível exprimir aqui e agora a emoção com que acabei de ler este texto... Depressão, autismo, doença bipolar,... são temas que me tocam de forma profunda e muito pessoal.
Obrigada por teres trazido aqui este tema...

Um beijinho grande para ti...

Teresa Durães disse...

sou bipolar do tipo I. Estou a ser seguida por uma médica mas já é a quinta onde vou. Da narratica contaria muito mais sobre a doença que não é fácil de lidar. Sou bipolar com tendências suicídas e de ciclos rápidos. Não dormir durante duas semanas não era novidade e pensava que acontexcia a todos por isso estranhei que me apelidassem de bipolar. O estigma é enorme e não só. Os seguros não querem nada connosco.

entre a agressividade, a paz e a irritabilidade, a depressão profunda, já passei por tudo e fui internada uma vez. À segunda recusei.


Mas é sempre tão pouco quando se fala em bipolar e cada caso é um caso

Silvia Madureira disse...

Olá:

As doenças psicológicas não têm a devida importância que deveriam ter...e são doenças, sofredoras...

Por vezes quem sofre mais ou quem é vitima das doenças psicológicas são as pessoas mais frágeis...

Gostaria que a Ana Marques me esclarecesse algumas dúvidas que tenho relativamente à doença...

É uma doença que apesar de ser maltratada (ser dada pouca importância) afecta muitas pessoas e sobretudo pode ser catastrófica se não for devidamente acompanhada.

Gostaria de esclarecer algumas dúvidas.

Obrigada.

NuNo_R disse...

Texto tocante e muito pessoal.
Aplaudo quem consegue desabafar assim...

Muito forte!

A reação do público em geral em relação ao um "bipolar" é a mesma em relação a um doente fibromialgico. Pensam que tudo é fita em relação á pessoa. E raramente acreditam que a pessoa pode estar debaixo de acesso bipolar.


Bjs

p.s: Lidia,Sem dúvida que mereces um aplauso enorme.
Os temas que debates são de inorme relevância.

AJB - martelo disse...

consultando os estudos de mercado tem-se uma dimensão diferente desta questão, isto é, trata-se de uma patologia muito comum e não é sem motivo que os medicamentos apropriados alcançam vendas de peso...
mas, a doença em si mesma deve ser sobretudo difícil de encarar para o próprio; ninguem é culpado dos desarranjos que trazemos ao mundo...
bjo

António de Almeida disse...

-Impressionante. Se algo existe que desfaz as minhas certezas e abala a minha confiança por completo, são as doenças, que me alertam para outras realidades, sobre as quais nunca tinha pensado. Não vou dizer que estou a gostar desta série de textos, mas sem dúvida que estou a aprender.

Odele Souza disse...

Querida Lídia,
Um texto realmente tocante. Imagino como deve ser difícil conviver com uma pessoa com esse transtorno. Por outro lado a pessoa bipolar também sofre o isolamento, consequência de seu estado. Não deve ser nada fácil para ninguém. Vou por aqui passando, lendo e aprendendo.

Um beijo Lídia um abraço carinhoso para a autora do texto.

Mário Relvas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mário Relvas disse...

Silêncio desculpa-me, mas o comentário anterior saiu mal e,

Eu nunca aponto o dedo a minguém. No primeiro comentário, coloquei questões e dei a minha opinião. No segundo enviei um recado... e agora, com toda a amizade e liberdade, caso te importes apagarás o comentário, deixo outro depois deste texto no Violada não Vencida:

Quem sou?

Testemunho verídico de João Soares:
"sabedoria de pastor"

Há dias, um colega bloguista, com ares de dedicado agente da Pide, escreveu, num comentário, que sabe quem sou mas queria que fosse eu a confessar. Ter de confessar é uma imposição do tipo Guantânamo, Tarrafal ou, simplesmente, Rua António Maria Cardoso, mas vou tentar aceitar este desafio.

O que sou? Será que quer saber o peso, a altura, a medida da cintura, do colarinho, do sapato?

Se quer saber o que faço e penso, vou tentar descrever o dia-a-dia do meu intelecto, no mundo sem poluição em que me instalei, pelo menos mentalmente. Vivo a 3 quilómetros a Sul de Gouveia em plena subida para a Serra da Estrela ao lado da estrada que vai para a nascente do Mondego e para as Penhas Douradas. A casa ou casebre onde passo as horas do dia em que não tenho que estar a vigiar o rebanho de cabras que tenho à minha responsabilidade, não tem as comodidades de um prédio urbano com luz, água, esgoto, gás. Mas mantenho-a limpa e com o mínimo de modernidade ao ponto de ter sido convidado a participar no anúncio da netcabo (ele há coisas fantásticas, não há?) de que todo o País gostou.

Os que se recordam desse anúncio, perguntarão como posso em tal casa ter computador e ligação à Internet. Muito facilmente. Tenho uma placa fotovoltaica na cobertura da casa e umas baterias que armazenam e reservam a energia para a noite e, durante o dia, no campo, para não gastar dinheiro em pilhas que ficavam muito caras, tenho uma pequena placa fotovoltaica que dá energia para o rádio de bolso que me mantém ligado ao mundo, através dos noticiários. Esta placa, para não me impedir os movimentos nem ocupar os braços, é transportada como mochila, o que me obriga a procurar estar, o mais possível, de costas para o sol ou, se parado por mais tempo, colocá-la no chão inclinada de forma a que os raios solares incidam nela perpendicularmente. Creio ter sido explícito quanto a energia.

Não transporto comigo o computador portátil, com receio de o danificar, quer pelo mau tempo, quer por quedas ou choques e principalmente, porque ele me distrairia da missão que me foi incumbida de vigiar as cabras. Sem ele, convivo mais livre e atentamente com os meus pensamentos que se debruçam, com o possível pormenor, sobre tudo aquilo que se passa no Mundo inteiro. Esses pensamentos chegam ao ponto de fazer conjecturas que acabam, muitas vezes, por se tornar realidade algum tempo depois. Isso vem confirmar que a humanidade pouco ou nada tem evoluído e o ser humano mantém as virtudes e os defeitos básicos de muitos milénios atrás. Daí, a previsibilidade dos acontecimentos para quem estiver atento e observar sem parti-pris, com isenção e análises apartidárias e imparciais.

Mas, depois desta panorâmica do meu dia-a-dia, a propósito da energia, vou agora tentar fazer uma descrição cronológica. Levanto-me cedo, mal começa no cimo da serra a surgir o alvor da manhã, muito antes de o Sol nascer. Dou uma olhada ao redil para ver se não há novidade, pois concluo das notícias que há por aí ladrões de gado que, durante a noite, carregam grande quantidade de rezes. Felizmente ainda não tive esse azar. Acendo o lume do canto da lareira e aqueço o leite para o pequeno almoço feito de broa de milho, de queijo caseiro e fruta da época e da região e, entretanto, ligo o computador portátil para ver os e-mails recebidos, pois tenho umas dezenas de correspondentes espalhados pelo mundo, como dizia no anúncio de que atrás falei. Dou uma volta pelos jornais online e vejo se tenho novos comentários no meu blog, aos quais respondo de imediato, como podem ver nas horas que neles constam. Entretanto fui comendo o pequeno almoço que tem de ser uma refeição com os ingredientes necessários para aguentar até ao fim da tarde, contando com o «almoço» que é apenas constituído por queijo caseiro, broa e leite ordenhado ali para o tarro.

Depois, lá vamos calmamente para a serra à procura de pasto por entre as fragas. Quando as cabras encontram algo mais apetitoso e abundante, sento-me olho atentamente para a paisagem a perder de vista com a senhora do Castelo e de Mangualde lá ao fundo, e as malditas chaminés de fábricas a sujar os ares com as suas fumaças, sempre com o som do rádio em fundo a não me deixar esquecer que o mundo não é só o meu pensamento mas desgraçadamente e com mais peso, são as tragédias do Iraque, do Sri Lanka, do Quénia, do Tibete, do Kosovo, etc.

Não se espantem, pois esta minha vida de pensador solitário mantém-me mais actualizado do que muitos dos nossos governantes que, fechados nas torres de marfim, rodeados de guarda-costas, de telefonistas e de assessores que lhes filtram toda a informação, vivem de ilusões totalmente alheias às realidades, como se tem visto nas áreas da Saúde, do Ensino, da Justiça, da Economia, das Finanças, das Obras do Jamé, etc.

Aqui, atento a tudo, sem paixões por qualquer opinião de «sábios», apenas socorrido pelos factos filtrados pela lógica e bom senso, consigo formular juízos que como atrás disse, até permitem fazer previsões que, muitas vezes, se tornam realidades. Apesar da minha natural modéstia, chego a pensar que para ser sábio não é preciso ter grandes, estudos, nem comprar diploma de engenheiro no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, bastando usar o raciocínio e observar com atenção o que se pode ver e ouvir. Fora de vaidades, é na gente humilde dos rurais que encontramos os cérebros mais produtivos em pensamentos, simples na sua formulação, mas ricos de saber e senso prático. Não é apenas o António Aleixo, mas há muitos mais de quem pouco ou nada se fala.

A observação das minhas cabras, umas mais inteligentes do que as outras, mas todas com instintos bem desenvolvidos para sua defesa, sobrevivência quanto a alimentação e perigos, a sua ambição de poder para se imporem às outras, o respeito pela chefia, o espírito de grupo que me facilitam a minha obrigação de as manter juntas em autêntico rebanho, etc , esta observação é uma das fontes de saber e de reflexão. Por outro lado, a meteorologia é tratada por nós, rurais, quando bons observadores e habituados a pensar. E essa é uma das minhas tarefas do fim do dia, perscrutando o espaço para prever como estará o tempo no dia seguinte. Viver integrado no terreno, na vegetação e na atmosfera faz parte da globalidade dos interesses imediatos de um pastor que lhe dão um saber tão profundo que não estará ao alcance de qualquer urbano.

Regressado a casa e instalado o gado com as comodidades adequadas, preparo o jantar e vou contactar os amigos da Internet, sempre atentos ou viciados (!) que me enchem o Outlook de e-mails com lindos anexos, alguns com muito interesse cultural. Aproveito as últimas horas do anoitecer para colocar mais um tema para reflexão no blog, responder a algum comentário, e surfar um pouco pela blogosfera onde deixo comentários aqui e ali, porque ninguém visitará o meu se eu não deixar comentários nos outros. É o materialismo dos dias de hoje, principalmente entre os urbanos, em que muitos nada dão, só trocam, se tiverem interesse nisso!

Creio ter feito aqui a confissão que me é exigida pelo carrasco. Mas se ainda restam dúvidas, não tenha receio de perguntar concretamente. Ah esquecia-me de falar numa dor no tornozelo direito por ter escorregado numa fraga e feito um pequeno entorse. Mas as papas de linhaça estão a fazer efeito e, dentro de dias, estará bom.

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Inocência "pidesca" de um citadino

Adoro pastores genuínos.Adoro a serra e este texto então, é um ex-libris de vida, de alegria, de coerência, de exemplo, de dignidade.

Parabéns ao autor.

Passei por aqui sem contar com este sublime texto, apenas para dizer que comprei a revista Flash onde está a reportagem sobre a sua Filha Débora.
Os meus parabéns. Continue a dedicar-lhe sempre esse olhar musical, que na senda da vida trará certamente frutos.

Quanto a mim, distanciado da política baratucha, e dos que dela julgam tudo saber, continuarei a alertar para o autismo e para os que sofrem a indiferença da Diferença, e aceitando os que queiram ouvir-nos, sem aproveitamentos eleitorais.

Esse possível "agente da Pide" não deve nada a ninguém e certamente não deverá nunca, porque é mais livre que as cabrinhas selvagens que povoam o interior da (im)pastorice de Portugal.

Cá do alto do sétimo céu, nesta cidade de Braga, lembrando os rebanhos de outrora, sem os carneiros de hoje, envio os meus cumprimentos!

E com isto me despeço cara Lídia Soares, com um obrigado por todos os posts que aqui colocaste neste teu "SILÊNCIO CULPADO"!

Saudações e um sorriso na hora da despedida.
MR

Michael disse...

Ser bipolar não é fácil porque não é fácil sofrer e sofre-se muito.As alegrias intensas são sol de pouca dura e as tristezas imensas essas sim que duram.
Nos dias de invernia a vida torna-se intolerável e tudo nos inquieta e causa insegurança.
As insónias são terríveis, a situação de irreal e nada se resolve nem mesmo com o lítio e outros medicamentos. Quem atura os bipolares também não é feliz porque atura o que não entende e considera que está a ser manipulado por quem faz fitas por tudo e por nada.
É muito duro tudo isto. Conheço as situações porque tenho uma irmã bipolar.

Silêncio, diz-me lá, o que é que se passa aqui para provocar o comentário anterior.

A minha alma está parva.


Abraço, amiga

Mary disse...

As doenças do foro psiquiátrico e neurológico são as piores doenças que se podem ter.
Primeiro ninguém dá o apoio que se disponibiliza a outros tipos de doenças. Depois não há condescendência porque acham que se procedem duma determinada forma é porque querem. A pessoa sente-se mal, sente-se morrer, tem medo de tudo, vive cheia de ansiedades oscilando entre a alegria e a tristeza mas tendo 80% de tristeza e 20% de alegria e se tanto.
É um sofrimento denso e incompreendido.
Vivi com uma pessoa assim e sei do que falo.
Bjs

aiMania disse...

O meu menino do meio foi diagnosticado recentemente com:(palavras do médico) um ligeiro autismo, um ligeiro atraso mental, uma ligeira hiper-actividade. Tudo ligeiro... mas o desgaste é muito. Sendo certo que não se trata da mesma coisa, nem sabem o quanto este texto me ajudou a ganhar forças para continuar a acarinhar e cuidar do meu menino.Não quero pensar que alguém um dia o vá abandonar.
Obrigada

São disse...

A experiência de conviver com a bipolaridade não é fácil, não.
Parabéns a ti, minha querida Lídia, e á autora do texto também..
Boa noite.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sérgio
Que bom conhecer-te e partilhar contigo a stuas experiências.
É através do conhecimento que evoluímos e aprendemos a lidar com a diferença.
Vou contactar-te através do mail para que dês uma colaboração mais desenvolvida aqui neste espaço.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Alice Matos
A vida só tem sentido se formos capazes de compreender os outros. Por isso há que saber lidar com as diferentes facetas com que nos apresentamos nesta vida em interacção com os outros.
É isso que procuro. Mas não há trabalhos individuais e o Silêncio é o resultado duma procura e duma união de vontades. Se quiseres escrever um post terei muito gosto em publicá-lo. Pode ser sob anonimato (lnsoares@aeiou.pt).

Abraço

Marreta disse...

Um testemunho comovente e "aberto" de uma doença que pertence ao "pacote" das doenças passíveis de ostracização.
A sociedade não está preparada para "encaixar" certas diferenças e é cruel em relação a elas.
Saudações do Marreta.

Dalaila disse...

Eu conheço algumas pessoas com este problema e sofrem, e sofrem porque oa extremos são insuportaveis e sofrem e sofrem, não dormem, ou dormem muito, folia, ou tristeza total.... e eu gosto muito delas

ABEL MARQUES disse...

O classificação médica de bipolar é, segundo creio, relativamente recente. Por essa razão suponho que o universo das pessoas que sofrem é esta disfunção seja manifestamente superior ao que as estatísticas apontam. Apesar de se falar que o cérebro não recebe de forma equilibrada os estímulos e que há factores genéticos que propiciam o aparecimento e desenvolvimento da doença, a verdade é que são as situações de stress e de instabilidade a vários níveis as principais responsáveis pela erupção e agravamento da doença.Ter, ou não, uma vida normal está associado a condições de estabilidade emocional obtidas através do apoio familiar e da realização no trabalho.
O lítios e outros fármacos só por si não resolvem.

Carol disse...

Um mundo que desconheço, mas que se revela assustador...

Templo do Giraldo disse...

Passei por aqui para dar uma espreitadela ao teu espaço.Por aqui continua tudo animado como é habito.

Quero também desejar-te um bom fim de semana.

SAUDAÇÕES.

C.Coelho disse...

É doloroso imaginar uma história como esta e, mais doloroso ainda, quando quem a protagoniza reconhece o que lhe acontece mas não consegue ter mão em si mesma.
Chocou-me muito também o aproveitamento feito por aqueles que sabem que a Ana é bipolar e que, ao invés de a ajudarem, lhe atiram à cara o facto como arma de arremesso.

G.BRITO disse...

Fez-me impressão este relato. Esta mulher é uma batalhadora mas foi registando perdas sucessivas devido à ausência de preocupação, por parte dos pais, em verem para além da filha bem sucedida que queriam ter.
Teria sido determinante o diagnóstico nessa altura.
Ana diz que não tem medo de amar a garota africana sua afilhada porque a sente tão desamparada quanto ela. Mas tem medo de amar as próprias filhas porque são como algo que não lhe pertence.

Boris disse...

Silêncio, minha Silêncio
que bom que é regressar
e vir a este teu espaço
ler o que tens p´ra mostrar.


Ser bipolar até é bom
desde que se saiba ser,
p´ra quem tem na mente o poder
sofrer e rir é um dom.

Sejamos dignos dos mais
daqueles que vão além
dos que sobem ao mais alto
dos que ficam sem ninguém.

Ser grande por vezes custa
a viver com emoção
imensa alegria agora
seguida da frustração.

Viver com o punho aberto
se é ser bipolar eu sou
não pretendo ser mais esperto
do que aqueles com quem me vou.

Porém não baixo a cabeça
quando me querem matar
porque há sempre quem me peça
e eu tenho sempre p´ra dar.

Um bipolar é igual
a qualquer outra pessoa
sofre mais e ri demais
goza mais e mais magoa.

E afinal que mal faz?
É ou não boa pessoa?

ManDrag disse...

Salve!
Relato duma dignidade só possível pela coragem da honestidade de se expor, sabendo que essa exposição talvez seja útil para outros que sentindo o mesmo, poderão não saber que não são os únicos.
Parabéns pela frontalidade do testemunho.
Salutas!

Robin Hood disse...

É um tema difícil talvez por ser o mais comum, aquele que se passa com pessoas com quem privamos de igual para igual.
Tive uma amiga que passava duas semanas sem dormir e que sofria que nem uma condenada nos meses de Inverno em que não via o sol.
Tentou matar-se por umas três vezes uma das quais deixou-lhe sequelas graves.
A alegria é breve ainda que atinja o pico mas o pico da tristeza é longo.
Abraço

Sheila disse...

Este relato é impressionante pela clareza e pelas marcas que deixa ver.
A dado passo diz:
"Até deixei os medicamentos embora tenha visitas regulares ao médico. Visitas que escondo do meu círculo de amizades."
Até parece que cometeu um crime ou se dedica a uma actividade ilícita.

Mustafa Şenalp disse...

Çok güzel bir site. :)

Odele Souza disse...

"Uma pergunta pode ser mais importante do que qualquer resposta"

Walcir Carrasco
Novelista e escritor brasileiro

Lídia e seus leitores, um abraço e meu desejo de um bom fim de semana para todos.

amigona avó e a neta princesa disse...

Passei para ler os comentários 8alguns são tão deliciosos!!!) e desejar bom fim-de-semana...

Zé Povinho disse...

Um testemunho que nos ajuda a compreender um pouco o drama pessoal de quem sofre desta doença. Ainda bem que o conhecemos para estarmos alertas para o assunto.
Abraço do Zé

Rafeiro Perfumado disse...

Relato impressionante. Mas realmente, quando existe ignorância sobre a origem dos problemas, há sempre um campo fértil para a discriminação.

Louise disse...

A ignorância é a mãe de todos os males mas não é só a ignorância que tem a culpa. Também o não querer ver o que está diante dos olhos e cegar em exigências aos filhos para poderem exibir as suas habilidades em frente aos amigos e aos vizinhos, traz consequências muito graves.
Se os pais da Ana a soubessem amar, não quer dizer que não a amassem à maneira deles,teriam visto que mais importante que os resultados escolares acima da média seria a felicidade da filha e o seu equilíbrio como pessoa.E o mal seria tratado a tempo antes de deixar danos tão profundos.
Bjs

Sonia disse...

Um depoimento emocionante! Muito importante este post, Lídia, para divulgar esse dirtúrbio que até há pouco tempo não se sabia como nomeá-lo.

Um abraço e bom final de semana!

PiresF disse...

Li este post e senti-me obrigado a ler o anterior. Não conhecia a doença, confesso. Nos comentários li o que Mário Relvas escreveu, a tua resposta e outras opiniões sobre o problema como as do Sérgio Figueiredo, da Teresa Durães e o contraponto sob a forma de testemunho, também trazido pelo Mário Relvas, e fiquei com enorme curiosidade em seguir a temática relacionada com esta doença.

Mais uma vez, um excelente post, daqueles que nos acrescentam algo, com excelente complemento por parte dos comentadores.

C Valente disse...

Boa tarde e resto de bom fim de semana. Desculpe só agora contactar, mas tenho tido problemas com o sistema Internet e PC
Saudações amigas, que não esqueço os amigos

M.M.MENDONÇA disse...

Deste testemunho impressionante realço uma passagem para a qual chamo a atenção de todos os educadores (pais e professores).

"Alguns professores achavam que eu gozava com eles e mandaram informações muito negativas sobre o meu comportamento para o encarregado da educação (meu pai) assinar. Ninguém procurou saber o que se passava comigo.

Batiam e punham-me de castigo e eu, quando ia para a escola, levava as mãos transpiradas de nervoso, apetecia-me morrer e levava noites sem dormir a pensar porque é que me ria com tudo e com nada.

Por mais que quisesse suster o riso não conseguia. A dor era imensa. Apesar disso ia tendo resultados mais ou menos satisfatórios porque os meus pais, ambos professores, insistiam em ensinar-me e em pôr-me de castigo a estudar. Eu sentia que os odiava."

Não só não se apoia como se adensa a situação e destrói a capacidade de superar a doença.

abraço

fotógrafa disse...

“Um cobarde é incapaz de demonstrar amor, isso é previlégio dos corajosos”.
(Gandhi)
Hummm…pensamento interessante…
Passando para desejar um bom domingo
Abraço

Alice Matos disse...

Passei para desejar um excelente domingo...

Um beijo...

M.M.MENDONÇA disse...

Vim desejar-te um bom domingo
Abraço

Pata Negra disse...

Que testemunho! Que testemunho!
Um abraço multipolar

isabel disse...

Todos necessitamos de afectos. Na doença bipolar, em tamanho XL. Acompanhado de um grande dose de amor.

Um abraço e parabéns pelos textos.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Teresa Durães
Tu és o exemplo vivo duma mente poderosa cheia de criatividade, de arte, de inspiração.
Também Fernando Pessoa, Florbela Espanca e tantos outros foram bipolares. É o preço de se ser diferente. Por vezes bem superior à média. Um abraço, amiga.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sílvia
Ainda estamos a apresentar situações. Se depois as dúvidas permanecerem dirás o que pretendes ver esclarecido.A Ana, o Sérgio e muitos outros não se pouparão a esforços para desmistificarem o tabu que ainda pesa sobre esta situação.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

nuno r
Obrigada pelas tuas palavras. Felizmente não sou a única a bater-me por causas e o teu blogue é também um alerta permanente sobre o mundo em que se vive.

A incompreensão e a ignorância são os maiores inimigos de todos aqueles que, pelos mais diversos motivos, poderão estar enquadrados no universo dos diferentes.
Por isso é importante falar e esclarecer.

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Martelo
Subscrevo tudo o que dizes e, por isso, temos que fazer um esforço para que essas pessoas se sintam integradas e compreendidas e para que não faltem os apoios necessários ao seu tratamento.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
Nada é fácil. A tua situação também não o é e outras também não serão. Por isso estamos aqui para falarmos do que nos dói porque a dor é de todos e não só daqueles que em primeira mão a sentem.
Abraço

Mac Adriano disse...

Mais um problema sério. Abraço.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Desculpa lá, eu não disse propriamente que apontavas o dedo. Mas como gosto de ver e falar claro, e logo compreender bem do que se fala e não me sentir burra como me sinto às vezes, só tenho a agradecer-te este longo post e a tua paciência em elucidar-me.
É sublime esta descrição bucólica de João Soares.

Quanto a ti tens um espaço rico de informação e dedicação à causa do autismo e tens sido um visitante prestimoso que tem contribuído com comentários valiosos para o debate dos diferentes posts que tenho produzido.
Continuarei a visitar o teu espaço, que muito me acrescenta e com o qual sou solidária, e sentir-me-ei orgulhosa com a tua visita sempre que a queiras fazer.

Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MICHAEL
O que é que na vida não é duro? A vida é difícil mas se nós procurarmos que seja menos difícil ela não se tornará fácil nas será, sem dúvida, muito melhor vivida.

abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MARY
O grande problema é o estigma que leva a conotar-se com "maluco" toda a pessoa que precisa ou recorre a apoio psiquiátrico.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

AIMANIA
Bem vinda ao Silêncio Culpado e obrigada pelo teu contributo. Destas parcelas se fará um todo que nos deixará mais conscientes duma realidade que, sendo mais comum do que se imagina, continua a passar-nos ao lado.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
Nada é fácil mas vamos fazer com que seja menos dificil e que os portadores da doença e os que com eles convivem saibam construir as pontes entre os afectos, as partilhas e uma imensidão de coisas boas que podemos dar e receber mesmo em situações particularmente contingentes.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Marreta
Enquanto vivermos em sociedades em que haja doenças passíveis de ostracização, estaremos longe da evolução e da maturidade necessárias à nossa realização.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Dalaila
As pessoas sofrem e sofrem e precisam de nós para que não sofram ou, pelo menos, sofram menos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Abel Marques
Há linhas de investigação que defendem que embora existam factores genéticos propicíos à bipolaridade, é a pressão e a incompreensão que vão despoletar e agravar a doença.

abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carol
Só é assustador o que se desconhece. Depois aprende-se a lidar com as situações e a encará-las de forma natural.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

C.Coelho
O estigma. Nada dói mais que o estigma. Nada é mais absurdo e desumano que o estigma.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

G.Brito
O teu comentário recordou-me um filme que vi sobre macacos.
Uma macaca, que foi abandonada pelos pais, quando foi mãe desprezou os filhos.
Ana Marques foi desamada por pais que exigiram muito e compreenderam pouco. Ela própria tem medo de desiludir. A afilhada é alguém que precisa de dupla protecção e, por isso, a Ana sente-se à vontade com ela. A tal identificação que lhe falta em relação às filhas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bóris
Quando tu versejas tudo o que há para dizer fica dito.
Obrigada pela tua presença e melhoras do teu braço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Templo do Giraldo
Obrigada pela visita.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MANDRAG
São estes realtos frontais que nos ajudam a entrar num universo que muitos desconhecem e que outros, conhecendo-o bem, o vivem de forma solitária.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

robin hood
Obrigada pelo teu testemunho sempre tão oportuno.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SHEILA
É verdade, amiga, até parece que cometeu um crime. Mas nós ao nso revoltarmos com estigma estamos já a ajudar para que tal não aconteça.

Abraço

herético disse...

abraços.

gosto das tuas causas. e da forma como por elas te bates...

SILÊNCIO CULPADO disse...

mustafa senalp
Right!

Thank you

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
Uma pergunta bem formulada é já uma resposta. Porque ninguém tem respostas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
É verdade amiga. Os visitantes deixam comentários muito interessantes. Às vezes superam o post. Não será este o caso porque a Ana apostou em abrir-se para que possamos melhor entender do que se fala.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho
Nós precisamos entender mas tem que haver uma rede de apoios a nível de tratamento e de prevenção.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Rafeiro Perfumado
Dizes tudo quando afirmas que "quando existe ignorância sobre a origem dos problemas, há sempre um campo fértil para a discriminação."

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Lpoiuse
Puseste o dedo numa ferida que é muito comum e que é ocasionada por pais que querem que os filhos superem todas as frustrações que eles pais tiveram. Os filhos têm que ser os melhores e os maiores em tudo.
Isto é destrutivo.
abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sonia
Obrigada, amiga. Há que falar nos problemas para que eles se dissipem.
Aguardo o mail que disseste que me enviavas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Piresf
Ainda bem que o post e os comentadores contribuiram para que tomes contacto com uma realidade que, não sendo propriamente rara, é ainda muito pouco debatida.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

C.Valente
Obrigada pela tua presença sempre tão amiga.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

M.M.MENDONÇA
Pois é amigo. Muitos professores não estão preparados para lidar com estas situações. E deviam estar.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Alice Matos
Bom domingo também para ti, amiga.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
É realmente um relato e tanto. Que se tirem as verdadeiras ilacções.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fotógrafa

Bom domingo.

Gandhi tinha grandes máximas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
Bem vinda ao Silêncio Culpado.
Precisamos de afectos mas nem sempre sabemos recebê-los e transmiti-los.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mac Adriano
Abraço, amigo

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético

Obrigada pela tua presença.

Um abraço

Lillyando disse...

Domingo no Brasil à procura de informações sobre o tema BIPOLARIDADE. Encantei-me com teus esclarecimentos sobre o assunto, Lídia. Obrigadíssima!

Brunno M. Perlati disse...

Li todos os comentários, sou brasileiro, tenho 29 anos, fui diagnosticado com 26, me casei ha 4 meses minha esposa disse que está me conhecendo só agora, tenho medo de perdê-la pois a amo muito, quanto a colocação que me fazem " vc precisa se tratar" realmente é uma facada no peito muito forte, ainda mais vinda do seu emprego. Faço faculdade de Direito, descobri no 4º ano que realmente não gosto disso, mas como falta um ano devo terminá-la, sou músico e compositor, descobri ha pouco que compondo me sinto vivo e as pessoas que ouvem minha música me admiram, mas não posso deixar meu trabalho e estudo de lado para me dedicar a música afinal sou casado. Sinto dor demais, dor e solidão neste momento, não consigo sequer falar com as outras pessoas, faço de tudo para passar desapercebido. Eu odeio estar eufórico pois eu sei que vai acabar o êxtase e logo vem a tristeza e vai a tristeza e vem o êxtase sem motivos. Desculpe o desabafo, mas é que aqui no Brasil, como em outros lugares do mundo o bipolar é descriminado ou está inventando desculpa pra aparecer... um abraço a todos

Marcia Batista disse...

fiquei emocionada porque tenho que conviver com isso todos os dias.o meu namrado é bipolar e nem sempre é facil viver cm ele..ha dias em que este tudo bem mas a outros em que é tudo um verdadeiro pezadelo..nao sei se ele é assim por ter essa doença ..nunca pode ser contrariado, quando isso acontece porque ele na esta certo ja imagino o que vai acontecer..cocmeça a tratar me mal.a insultar me e ate me bate ..eu que sempre estive d lado dele..a dias que na se levanta para ir trabalhar..gasta muito dinheiro tudo o que gosta tudo quer comprar,chegamos a ficar sem dinheiro para o resto d mes porque tem que ser ele a gerir dinheiro..depois atira me a cara que sou eu que ganho pouco..ha diAS QUE NAO AGUENT COMO HOJE..nao tem nçao das coisas muitas vezes..admito que vivo o dia a dia cheia de medo por tudo o que ele ja me fez passar..desde escandalos na rua, chegando a agredir me na rua e quando esta erritado se falo com ele ja me culpa de tudo..a minha familiavirou me as costas por na perceber prque de eu viver assim neste vida..posso dizer que nao tenho amigos..nada..apenas tenho uma vida da qual nao consigo me libertar..porque as vezes tudo é fantastico escondendo as magoas porque parece que ele ja nem se lembra de nada..cada dia acorda com uma ideia nova,pensando que tudo o que ele quer ele pode ter..é estranho porque a moments que eu sinto que amo..e que sei que ele tem um problema e penso na minha cabeca que isso é desculpa para tudo que ele faz..hje comecou a descutir comigo porque ele queria ir a casa de banho e eu estava la ..tento nao falar mas se nao falo é porque o estou a ignorar se falo nunca mais se cala..infelizmente é assim o meu dia a dia..ja na sei se tenho forças..ja sinto que ele me esta a sugar a energia..eu sei que ele consegue ser muito queridoo e tambem quando eu preciso ele esta comigo mas é tudo demaziad forte para mim..tenho medo de elouquecer aserio..tenho medo..medo de voltar a levar porrada,medo de falar,medo ds ataques deles...ja lhe disse para voltarmos a ir a uma consulta mas diz que nao tem tempo ..ja falei com a mae dele mas ele nao gosta de mim porque pensa que o filho nao é feliz quando na verdade ele nem sabe o que ele me faz..aqui quem parece perdida sou eu e nao ele..penso que quando um dia eu olhar para ele e sentir que é normal acabo porr o deixar..olha para ele e apesar de tudo tenho pena dele..e muita magoa na verdade quem ama nao trata mal com medo de perder..ja me ameaçou que se o enganar que me mata..naa verdade uma vez depois de me bater senti me mal e nem me ajudou..no dia a seguir chora e pede me perdao..eu sinto que é cinsero mas na verdade perdoamos mas nao esqueço..ele é a unica pessoa que conheço que é bipolar..nao sou feliz e ele tambem nao..as vezes por momentos é..força a todos..tenho esperança que um dia ist vai passar

Anónimo disse...

Há dias a única coisa que eu faço é lê sobre bipolar. Meu namorado é bipolar, mas até então eu não tinha presenciado nenhuma crise, somente sintomas fáceis de serem contornados. Há um mês fui surpreendida com uma mensagem eletrônica dele dizendo que queria um tempo. Meu mundo caiu, eu tinha conversado com ele no domingo e estava tudo bem e na segunda ele me pede um tempo. Até a semana passada ele oscilava o tempo todo, uma hora conversava comigo no telefone e queria ficar comigo, desligava o telefone e em 15 minutos dizia que realmente queria um tempo.Fui conversar com ele e ele me disse que estava em crise, deprimido, tendo reações agressivas, já emagreceu 15 kilos e inclusive tem pensado em suicídio com frequencia. Ele não quer que eu fique do lado dele, disse que estou perdendo o meu tempo, que eu não mereço passar por isso, que não mereço viver ao lado de um doente. Ele disse que tem medo de me fazer sofrer e de ter alguma reação agressiva comigo. Estou sem saber como devo agir. Se dou esse tempo para ele, se continuo insistindo. Estou perdida não sei como agir com ele, se alguém puder me dá uma luz.

Nina disse...

Olá!
Vim aqui parar porque comecei a pesquisar sobre esta doença, visto que estou apaixonada por um bipolar.
Já li este texto e o anterior, apesar de serem antigos...deixaram-me confusa...
um bji gde
Nina

curtytm disse...

SINTO NA PELE A DIFICULDADE DE CONVIVER COM UM BIPOLAR!MEU FILHO MAIS VELHO O É !DIAS ,MESES ,ANOS VIVENDO ESSA EXPERIENCIA ,Ñ É FACIL!SE TRISTE SE ISOLA E MAGOA !SE EUFORICO VAI POR VEZES AO EXTREMO ! DOI NELE E DOI EM MINHA ALMA! BJSSSS

triteza a dis. disse...

li,reli.
tou a 20 anos viendo com uma pesoa
bipolar,o meu caso e especial porque ela abusa do alcol,estou sempre na defenciva,por causa da agrecividade. já tive que sair correndo,para nao tentar segurar ela,pois a primeira vez que tentei segurar, ela deu queixa na delegacia dizendo que eu a agredi,ja pensei me separar teho muita pena por saber que se trata de uma doença aliaz duas o problma e que ja esto ficando doente.

triteza a dis. disse...

li,e vi que a historia se repete a cada pessoa que convive e que sou apenas mais um a conviver com isso adimirei a coragem e osentimento sei que a angusatia impera tenho muito medo e preucupação com a alegria esesiva da minha esposa vou ler mais veses e procurar ajuda muitisima obrigada.

Claudia. disse...

Há mais de 2 anos convivo com meu marido que tem essa doença. Por favor preciso de ajuda estou ficando louca junto com ele. Li as historias e estou impressionada com tudo. Tudo que li é o que acontece no meu relacionamento. Por favor alguem me ajuda.

Alberto disse...

Todos os comentarios me ajudaram muito a ter uma ideia melhor do que e conviver com uma pessoa com bipolaridade. Estou namorando uma pessoa que amo muito e e bipolar. Infelizmente esta pessoa rejeita assumir esta posicao de bipolar e nao se trata. Temos momentos muito bonitos, mas tambem passei por momentos extremamentes tristes onde fui muito humilhado e ofendido. Talvez por saber do estado da pessoa releguei tudo. Hoje com um relacionamento proximo a familia dela todos estao de acordo do estado de bipolaridade, porem eal agora se afastou de todos e inclusive de mim e esta passando por uma fase depressiva. Estou junto a familia tentando ver uma maneira de convence-la a se tratar pois este processo tem sido muito dificil e nao estou seguro vamos conseguir. Se alguem puder dar alguma sugestao agradeceria muito. Roberto

Diário de um pai bipolar disse...

Criei um blog para tentar ajudar meu pai e expor para muitas pessoas que tratam a bipolaridade como uma doença boba e clichê, porém ela muito séria e queria que as pessoas tivessem conhecimento disso.
Quero novas dicas e novas formas de tentar ajudar ele.
Convido vocês para acompanhar meu blog e me ajudar.

http://diariodeumpaibipolar.blogspot.com/

Paulo Cesar de Mello disse...

Meu nome é Paulo Cesar; tenho 57 anos de idade, a três fui diagnosticado como bipolar.
Tive o privilégio de trabalhar por mais de 30 anos na condição de engenheiro eletricista. Tudo quanto consegui durante tal período, inclusive mulher e filhos me foram tomados por essa devastadora, e invisível (ao menos aos olhos dos que se dizem normais) doença. Além de tudo, sofro de uma grave cardiopatia congênita a qual me impede do exercício de minhas atividades laborais. Após muito ler, e me informar sobre esse terrível transtorno; cheguei a triste conclusão que "estamos sós neste planeta". Muito se escreve, muito se fala; no entanto absolutamente ninguém além de nós mesmos leem, ou levam em consideração essa triste realidade. Me perdoem; pois foi apenas um breve desabafo por parte de alguém que está com a vida por um fio. Muito obrigado. Que Deus ilumine a todos