.



UM BIPOLAR NUMA VIDA A DOIS




Texto de Maria N.


Por vezes ficamos surpreendidos com acontecimentos que não deviam surpreender-nos. E isto porque os sinais estavam todos lá à espera de serem lidos.

Quando me casei, há mais de três décadas atrás, ainda não se falava em doentes bipolares. A expressão vaga, "sofre muito dos nervos", dava para tudo. E era exactamente o que se dizia do meu ex-marido, que sofria muito dos nervos. Havia quem atribuísse aqueles nervos destemperados ao facto de ter estado na guerra mas a minha sogra confessava-me que ele sempre fora assim de pequenino. Ou estava muito eufórico ou então chegavam-lhe os nervos e, por vezes, se lhe diziam algo que o contrariasse, ficava violento.

Aconteceu ter batido ao médico da terra por algo que este fez, e não devia ter feito, e também a outros às vezes por situações bem curiosas.

O meu ex tinha um sósia na terra onde nos conhecemos. Era um pintor, muito malandreco, que andava sempre a arrastar a asa a mulheres casadas. Ora acontece que o marido duma das amantes desse tal pintor um dia, por engano, agarrou o meu marido pela gabardina e diz ah M….. agora é que não me escapas. E deu-lhe um murro na cara. Embora tivesse percebido que o murro não era para ele o meu ex-marido revidou de tal forma que deixou o outro estendido.

Também, na vida a dois, depressa me apercebi que ele ou estava muito bem ou estava muito mal mas e, mesmo quando estava muito bem, era difícil acompanhar toda aquela energia tresloucada.

Várias vezes fui aconselhada a levá-lo a um especialista mas era sempre difícil abordar esta questão embora ele admitisse que não conseguia ter um comportamento estável como as outras pessoas.

Porém algo veio alterar completamente o rumo dos acontecimentos. Foi num dia em que decidimos fazer jardinagem e mudar algumas plantas duns vasos para outros. O meu marido deu-me um martelo e aconselhou-me a partir os vasos, donde as plantas deviam ser retiradas, devido às muitas raízes que continham.

Comecei a tarefa mas as batidas do martelo enervaram-no de sobremaneira. Chega ao pé de mim transtornado e diz-me: - pára com isso! Começo a rir e respondo: - porque hei-de parar, não disseste para eu os partir?
E continuo a martelar os vasos. Com os olhos fora de órbitas ele agarra-me por um braço e abana-me com força. Eu pergunto-lhe: - vais bater-me por causa disto? Foi a gota de água que faltava. Espancou-me brutalmente em frente ao nosso filho de 10 anos deixando-me cheia de escoriações e com a boca a sangrar e um dente partido.

O meu filho chorava e ele também chorou. Chorou durante muito tempo e teve que ser tratado pelo médico enquanto eu procurei que ninguém soubesse e, por isso, tratei-me a mim própria.

Foi então que ele começou a ser medicado e acompanhado por um psiquiatra que identificou estas alternâncias de humor como sendo “bipolar”.
Porém eu nunca mais fui capaz de dormir com ele situação que se arrastou até culminar na separação.

Embora, da minha parte, a parte emocional tivesse morrido para sempre, consegui perdoar-lhe e ficámos amigos.

Cinco anos depois da separação ele casou com a psiquiatra com quem se estava na altura a tratar e penso que, presentemente, consegue ser feliz e ter uma vida mais ou menos equilibrada.

Já o meu filho nunca lhe perdoou.

90 comentários:

elvira disse...

Uma vida sofrida. Uma doença ainda mal conhecida.
Um abraço

Sophiamar disse...

Um depoimento muito esclarecedor sobre a doença bipolar. Estes doentes tanto estão esfóricos como agressivos, incontroláveis como se viu no post. Muito interessante.

Beijinhosss

Sonia disse...

Um depoimento franco e comovente sobre a pessoa que tem transtorno bipolar. Tenho acompanhado esta série e gostaria de saber mais a respeito dos sintomas e tratamento.

Parabéns mais uma vez Lídia, pelo importante post.

Um abraço!

Paulo Sempre disse...

Li tudo. Só esse casamento com a psiquiatra me deixou confuso...mas, ok.
Um vida a dois que nem quero imaginar...
Abraço
Paulo

Menina do Rio disse...

Lidia, hoje só vim aqui pra te deixar um beijo, vistos que já opinei no outro post. Mas não posso me escusar de dizer que estás de Parabéns por este trabalho informativo, pois abre-se um leque para muita gente que as vezes nem imagina os tipos de patologias existentes. Fora isso, agradeço a visita e afirmo que com certeza tomaremos um café descontraído (ou quem sabe outros), afinal se estamos aqui é porque ainda há um bom trecho a seguirmos juntas!

Desejo que tua semana seja perfeita, querida! Fico feliz que tenhas gostado da torta de maçãs.
Fiz no capricho!

beijinhos

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

oi Lídia,
Uma história triste essa não?
Uma instabilidade muito grande que finalmente achou ajuda na psiquiatra que pelo menos tem os dons acadêmicos para comprender o bipolismo dele, fora isso fica dificíl por causa das agressões fisícas, qualquer outra mulher entender.
Mas cada bipolar é um caso, porque conheço alguns que são incapazes de bater em ninguém.
Um grande beijo amiga e uma boa semana para voce.
Ray

Michael disse...

E aqui temos mais que um testemunho sobre o que é ser bipolar. É também um testemunho sobre a violência doméstica e como a mesma se exerce assim sem mais nem menos.
Abraço

Zé do Cão disse...

Silencio Culpado. quanto te admiro.
Silencio Culpado. Porquê? Culpa do Silencio? ou o Silencio da Culpa?
Provavelmente nem uma coisa nem outra.
Mas, ter sofrido em Silencio, doi mais do que a explosão do conhecimento. Pobre criança, filho que amando a sua mãe a vê espancada.
Hoje não é Bj. são 3.

JOY disse...

Olá Lidia ,

Texto bastante esclarecedor do martirio que é conviver diáriamente com esta doença, não só por parte dos próprios mas de todas as pessoas que rodeiam os bipolares.

Abraço forte
Joy

Isabel-F. disse...

Lidia,

è impressionante este testemunho ...

sem dúvida que esta é uma doença muito complicada e deverá ser bem dificil conviver no dia a dia com pessoas assim ...que não se queiram tratar ...

beijinhos

Sérgio Figueiredo disse...

Querida Amiga,

É preciso desmitificar a doença e esclarecer as pessoas que nada sabem da mesma e que fazem comentários sem qualquer valor.

O Doente Bipolar é uma pessoa como outra qualquer, com grandes sentimentos, responsabilidade, ternura. A Doença Bipolar não tem cura, mas a psiquiatria de hoje tem ferramentas que garantem ao doente (desde que seja obediente) uma vida normal e com quem se pode conviver sem medos e amarguras.

É uma doença complicada para quem é portador como para quem convive com ele. Contudo, os medicamentos, a psicologia, a compreenção de quem vive com o doente e Principalmente, a sabedoria do doente que quer aprender e gosta da vida e do Bem-Estar, tornam a doença "despercebida" e perfeitamente equilibrável.

Contribuirei para continuar a falar sobre "O ser Bipolar"

Beijo

São disse...

Eis um testemunho interessante .
Saudações.

Boris disse...

Silêncio minha Silêncio
a doença bipolar
é uma doença bem simples
o que é preciso é tratar.

O bipolar para viver
tem que ser acompanhado
e viver com toda a calma
e nunca andar stressado.

Silêncio minha Silêncio
o que importa é ser amado.

isabel disse...

Interessante testemunho! Gostei do final :)

Um abraço

Sheila disse...

É muito interessante perceber as características da doença e as suas manifestações mas, mais importante, é desmistificar tirando-lhe aquele carácter de irredutibilidade que destrói quem sofre da mesma e quem está à sua volta.
O tratamento adequado e a procura de formas de vida condizentes com as limitações da doença será o caminho mais correcto.
Este post fala duma situação extremada mas percebe-se que a pessoa que a tinha só muito tarde veio a ser tratada. Se tivesse tido o devido acompanhamento, na altura certa, possivelmente muitos danos e sofrimentos teriam sido evitados.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Elvira
Que bom ver-te. Como estás amiga?
Sabes Elvira, há muitas vidas sofridas quando não é duma forma é doutra. Só que há sofrimentos que podem ser evitados. E esta pessoa, bipolar, se tivesse sido tratada não chegaria aos extremos a que chegou.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SOPHIAMAR
Pois estes doentes tanto estão eufóricos como podem, como foi este caso, serem violentos. Todavia o problema é o tabu que se desenvolve à volta da doença e que impede que se fale e que se trate quem precisa, deixando certas situações agravarem-se duma forma dolorosa, como se viu.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SONIA
Obrigada pela tua visita e comentário. O grande especialista nesta matéria é o nosso Sérgio Figueiredo que está a acompanhar estes debates. Tem um blogue magnífico que não podes perder.
Um abraço

Luma disse...

Que difícil convivência! Me compadeci do seu sofrimento e de seu filho. Uma pessoa assim faz toda a família sofrer. Boa semana! Beijus

SILÊNCIO CULPADO disse...

Paulo Sempre
Conheço os protagonistas desta situação e, pelo que me é dado saber, a psiquiatra era uma solteirona já entrada nos entas e sem beleza, enquanto ele é um homem charmoso, culto e talentoso.Foi uma união perfeita uma vez que ele ficou com receituário e medicamentos à mão e quem saiba como proceder em períodos de crise.
Só que podia ter sido tratado muitissimo mais cedo e ter tido uma vida menos turbulenta e com menos efeitos negativos sobre os outros.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Menina do Rio

És uma queridona. Vi mesmo que te tinhas caprichado na torta de maçã.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

RAY
Cada bipolar é um caso. Não vamos extrapolar e pensar que todos os bipolares são violentos.
Eu também conheço pessoas violentas que não são bipolares.
Agora, no caso concreto, o que importa perceber é que este homem há muito muito tempo que precisava de ajuda e que a situação se foi agravando exactamente por não ter sido acompanhada.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Michael
Obrigada pela visita. Cada caso é um caso e a violência doméstica também pode acontecer numa pessoa ansiosa e de humor instável.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão

Eu só o que fiz foi publicar um texto.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOY
Estes problemas têm que ser falados, as pessoas esclarecidas e os doentes tratados e apoiados.
Situações como esta não têm necessidade de acontecer mas, quando acontecem, são irreversíveis pelas sequelas que ficam.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
As pessoas não se querem tratar porque há um certo tabu à volta da doença. Desta e de outras do foro psiquiátrico.
É preciso acontecer quase uma tragédia para o tratamento acontecer.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sérgio
Que bom estares aqui a acompanhar e a esclarecer. O principal de tudo, em meu entender, é exactamente o esclarecimento.
É através dele que a vida se torna possível.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
Obrigada.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Boris
Como tu dizes tudo e tão bem nos teus versos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
É, os jovens têm dificuldade em perdoar situações como estas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sheila
A pessoa bipolar só muito tarde veio a ser tratada.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Luma
Obrigada pela visita e pelas palavras.

Abraço

Aromas de Portugal disse...

Silêncio,

a Maria N. conta uma estória fantástica.Seria o tão falado stress de guerra -pós stress traumático-?

O médico levou... e aí até que foi jogar à defesa.A melhor defesa é o ataque.

Quanto aos vasos... isso faz-se?A Maria N. não reparou que ele estava a ironizar?E foi mesmo partir os vasos à martelada quando para um stressado de guerra, ouvir marteladas lhe fazia lembrar os tiros, os rebentamentos das caricas das garrafas de cerveja que tinha bebido nas inúmeras messes alcatifadas e ao ar condicionado em África?Ou será que foi um combatente a sério naquela guerra?É que os que mais ouço falar em PST são os que nunca deram um tiro, mas andavam sempre com a cabra -bebedeira.

De qualquer modo, é um texto interessante, em que ele, ou já era bipolar, ou o PST invadiu esse departamento psíquico.

A bipolaridade não é um crime. A homopolaridade também não.

Desculpa-me brincar um pouco, mas depois do vídeo do Hotel Califórnia no meu blog, com aquela estória?!Apetece-me...

Na verdade a expressão -sofre muito dos nervos- sempre foi ouvida e ainda continua, em diversos escalões sociais, mas agora a palavra da moda é a depressão. A bipolar é um sucedâneo desta, que após uma má cura, ou recaída forte pode perpetuar, amenizando e aumentando consoante as variações climatéricas, das estações do ano, e perante as pressões.

Um bipolar não deve tomar importantes decisões de imediato.Um PST não consegue por vezes tomá-las...

Uma mistura depressiva, com biploar que se traduz em PST?Será este o caminho da absolvição? Explica-me: se era tão mau, a psiquiátra era masoquista?

Ele há coisas do PST...

um abraço

Aromas de Portugal disse...

Perante o texto do Sérgio Figueiredo digo o seguinte: ser bipolar não é mais do que conviver com alguém que poderá viver na insegurança.
O carinho é o remédio de todas as maleitas.
A insegurança e o medo podem levar a actos agressivos e até de heroísmo...
Nada do outro mundo. No meio é que está a virtude, pois, "de médico e de louco, todos temos um pouco"!

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
E viva a diferença.
Também dos comentadores.


Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Concordo com o que diz o Sérgio e com esta tua visão.

Abraço

Agulheta disse...

Lídia.
Muito informativo o teu post,sobre doença bipolar" pois serão raros os que a conhecem,pois muitas vezes andam enganados pela medicina,anos a fio sem resposta,agora penso que devem ser tratados com carinho e bnão deixar chegar a extremos como chegaste tu.
Doce beijo e obrigada pela partilha e visita. Lisa

Louise disse...

Silêncio/Lídia
Este texto elucida sobre até onde pode chegar "uma doença dos nervos" quando a mesma não é tratada sobretudo porque se tem vergonha de assumir que não se está bem. O receio de que nos chamem malucos, pode levar a situações extremas como a que é relatada. Obviamente que a psiquiatra tem forma de dopar e manter a situação sob controlo.
Abraço

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

Oi Lídia ,
querida se voce perceber bem no meu comentário , eu não disse que todos os bipolares são violentos, pelo contrário até citei que conheço alguns que não o são.
Beijos!
Ray

Meg disse...

Lídia,
Queria poder falar-te, mas este é uma doença que embora sabendo que sempre existiu, só agora está a ser descodificada. Numa determinada altura da minha vida conheci uma senhora viúva, com um filho que sofria de uma doença a que convencionaram chamar esquizofrenia. Aquela mãe apanhou sovas monumentais, ele era um homem na casa dos 20 anos, mas alto e forte.

Até que há cerca de 3 anos soube que lhe foi diagnosticada a doença bipolar, e embora não tenha uma vida normal, melhorou condideravelmente.

O futuro...???

Um abraço para ti

isabel disse...

não!

gostei que ele tivesse ficado com alguém que o pudesse compreender melhor...

Aromas de Portugal disse...

Silêncio,

É engraçado que quando se bate numa mulher, num médico, ou se tem problemas de inserção social, tem que haver uma catalogação patológica psíquica, esquecendo-se uma possível patologia social. Por outro lado, teremos que observar os fantasmas de cada um, para poder descortinar a oriegem dessa situação/obseção.

Mais uma vez discordo do linear, ao nivelar-se por igual, as imensas possíveis causas. Agora é moda do -prés à porter- chamar depressão à tristeza e, em beve, quem tiver saudades, estará depressivo.

Aconselho a quem se sentir num estado depressivo, que não se encharque em remédios e para além de uma psiquiatra, recomendo uma boa conversa com uma boa psicóloga, de preferência uma psicóloga clínica.

Nunca tenham medo de ser o que são, desde que não cometam "crime"!Se se sentirem tristes e cansados, não vem mal nenhum ao mundo. Significa que somos de carne e osso. Hoje poderemos sentir-nos em baixo, cansados e desanimados, mas levantemo-nos e caminhemos, de cabeça levantada. É claro que a mesma situação vivida por duas pessoas diferentes, não terá certamente um desfecho igual, ou um caminho do princípio ao fim equitativo.

Viver para agradar, fugindo ao nosso eu, é altamente depressivo e dará mau resultado...

Depois acho que quem sofre desta doença deve ser avisado do que padece, para que possa enfrentar o problema. Dá-lhe mais força saber o que tem.Sou contra os médicos que parece que possuem um diagnóstico -como se em psicologia as coisas fossem matemáticas- mas não o revelam. Se isso suceder, o médico ou detectou uma coisa gravíssima e quer poupar o paciente, ou nem faz ideia porque alguém está à sua frente e lhe está a prescrever lítio, ou fluoxetina -princípio activo do Prozac-.

O tratamento deve procurar as causas para chegar ao efeito.Sem se chegar às causas que criam a situação, o medicamento deve ser monitorizado, e acompanhado em psicoterapia, sendo tomado no mais curto espaço de tempo.

Diz-se que os antidepressivos não causam habituação...será? E causam tantas contra-indicações.

Se a causa/efeito for altamente incapacitante e dolorosa para o paciente, aí sim, deve-se proceder à medicação a longo praso.

Opiniões de um leigo, que gosta muito de estudar o comportamento humano e acredita na psicologia/conversa/psicoterapia antes da medicação compulsiva.

Saudações e um sorriso

M.M.MENDONÇA disse...

Lídia/Silêncio
É claro como a água que o homem deste texto é portador dum grave distúrbio. Pois se até a mãe o dizia e tanto quanto parece mesmo antes da guerra. Também é notório que o fulano estava sempre pronto a saltar em cima da presa fosse em que circunstâncias fosse.
Também não parece que se convencesse à palavra e a vida desta mulher devia ser infernal.
Abraço

Eduardo P.L. disse...

Lidia,

como tem aparecido gente na blogosfera com sintomas ou bipolaridades explicitas! Eu não conhecia na vida REAL tantos casos como nesta VIRTUAL! Por que será?

Aromas de Portugal disse...

Na net tem aparecido tanta "gente" com sentido de inquirir, conduzir, ridicularizar e enganar os outros.

Isso não é bipolaridade, é certamente um defeito de carácter,uma baixeza muito grande, uma subserviência a "alguém" e sabemos o que querem.

Enfim isto na blogosfera é somente um retrato da vida real.

Robin Hood disse...

Bom texto. O tal senhor bipolar não merece ser desculpabilizado.Não é por acaso que o filho nunca lhe perdoou.
Há muita gente bipolar no mundo virtual que usa a net para exorcisar a "telha".
Um abraço

Carla disse...

palavras doridas, palavras sofridas, palavras vividas...como os sentimentos conseguem controlar o ser humano!!!
arrepiei-me com a intensidade destas palavras

Aromas de Portugal disse...

Será que "bipolar" significa agressividade?

Aqui deixo para reflexão:

1 - O QUE É A DOENÇA BIPOLAR?
(Doença Maníaco-Depressiva)

A Doença Bipolar, tradicionalmente designada Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e «mania». Qualquer dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável. As crises podem ser graves, moderadas ou leves.
As viragens do humor, num sentido ou noutro têm importante repercussão nas sensações, nas emoções, nas ideias e no comportamento da pessoa, com uma perda importante da saúde e da autonomia da personalidade.

2 - QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA DOENÇA BIPOLAR?
(Definem-se os que caracterizam cada tipo de crise)

MANIA

O principal sintoma de «MANIA» é um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável. Nas fases iniciais da crise a pessoa pode sentir-se mais alegre, sociável, activa, faladora, auto-confiante, inteligente e criativa. Com a elevação progressiva do humor e a aceleração psíquica podem surgir alguns ou todos os seguintes sintomas:

* Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não acatam os seus desejos e vontades;
* Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis, os pensamentos aceleram-se, a fala é muito rápida, com mudanças frequentes de assunto;
* Reacção excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais;
* Aumento de interesse em diversas actividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
* Grandiosidade, aumento do amor próprio. A pessoa, pode sentir-se melhor e mais poderosa do que toda gente;
* Energia excessiva, possibilitando uma hiperactividade ininterrupta;
* Diminuição da necessidade de dormir;
* Aumento da vontade sexual, comportamento desinibido com escolhas inadequadas;
* Incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e a culpar os outros pelo que corre mal;
* Perda da noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes»;
* Abuso de álcool e de substâncias.



DEPRESSÃO

O principal sintoma é um estado de humor de tristeza e desespero.

Em função da gravidade da depressão, podem sentir-se alguns ou muitos dos seguintes sintomas:

* Preocupação com fracassos ou incapacidades e perda da auto-estima. Pode ficar-se obcecado com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los;
* Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;
* Pensamento lento, esquecimentos, dificuldade de concentração e em tomar decisões;
* Perda de interesse pelo trabalho, pelos hobbies e pelas pessoas, incluindo os familiares e amigos;
* Preocupação excessiva com queixas físicas, como por exemplo a obstipação;
* Agitação, inquietação, sem conseguir estar sossegado ou perda de energia, cansaço, inacção total;
* Alterações do apetite e do peso;
* Alterações do sono: insónia ou sono a mais;
* Diminuição do desejo sexual;
* Choro fácil ou vontade de chorar sem ser capaz;
* Ideias de morte e de suicídio; tentativas de suicídio;
* Uso excessivo de bebidas alcoólicas ou de outras substancias;
* Perda da noção de realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes» com conteúdo negativo e depreciativo;

Por vezes o/a doente tem, durante a mesma crise, sintomas de depressão e de «mania», o que corresponde às crises MISTAS.

3 - QUANTO TEMPO DURA UMA CRISE?

Varia muito. A pessoa pode estar em fase maníaca ou depressiva durante alguns dias, ou durante vários meses. Os períodos de estabilidade entre as crises podem durar dias, meses ou anos. O tratamento adequado encurta a duração das crises e pode preveni-las.

4 - É POSSÍVEL PREVER AS CRISES?

Para algumas pessoas, sim. Umas terão uma ou duas crises durante toda a vida, outras pessoas recaem repetidas vezes em certas alturas do ano (caso não estejam tratadas!). Há doentes que têm mais do que 4 crises por ano (CICLOS RÁPIDOS).

5 - EM QUE IDADE SURGE A DOENÇA?

Pode começar em qualquer altura, durante ou depois da adolescência.

6 - QUANTAS PESSOAS SOFREM DA DOENÇA BIPOLAR (Maníaco-Depressiva)?

Aproximadamente 1% da população sofrem da doença, numa percentagem idêntica em ambos os sexos.

7 - QUAL A CAUSA DA DOENÇA?

Há vários factores que predispõem para a doença, mas o seu conhecimento ainda é incompleto.
Os factores genéticos e biológicos (na química do cérebro) têm um papel essencial entre as causas da doença, mas o tipo de personalidade e os stresses que a pessoa enfrenta desempenham também um papel relevante no desencadeamento das crises.

8 - DEPOIS DE UMA CRISE DE DEPRESSÃO OU MANIA
VOLTA-SE AO NORMAL?

Em geral, sim. No entanto, devido às consequências dramáticas que as crises podem ter, no plano social, familiar e individual, a vida da pessoa complica-se e perturba-se muito, restringindo de forma marcante a sua capacidade de adaptação e autonomia.
O tratamento adequado para a prevenção das crises (se são graves e/ou frequentes) é essencial para evitar os muitos riscos inerentes à doença.

9 - HÁ TRATAMENTO PARA AS CRISES E PARA A DOENÇA BIPOLAR?

Não há nenhum tratamento que cure a doença por completo. No entanto, há grandes possibilidades de controlar a doença, através de medicamentos estabilizadores do humor, cuja acção terapêutica diminui muito a probabilidade de recaídas, tanto das crises de depressão como de «mania». Os estabilizadores do humor são a Olanzapina, a Lamotrigina, o Valproato, Carbonato de Lítio, Quetiapina, Carbamazepina, Risperidona e Ziprasidona.
As crises depressivas tratam-se com medicamentos ANTIDEPRESSIVOS ou, em casos resistentes, a elecroconvulsivoterapia. As crises de mania tratam-se com os estabilizadores do humor atrás referidos e com os medicamentos neurolépticos ANTIPSICÓTICOS.
Naturalmente, o apoio psicológico individual e familiar é um complemento indispensável para o tratamento.
As crises graves obrigam a tratamento hospitalar em muitos casos.

10 - PORQUE É TÃO IMPORTANTE A CONSCIENCIALIZAÇÃO DOS DOENTES, DOS FAMILIARES E DE OUTRAS PESSOAS SOBRE A DOENÇA BIPOLAR?

A noção de doença mental na opinião pública é, em geral, muito confusa e pouco correcta. Verifica-se uma tendência para considerar negativamente as pessoas que sofrem de doenças psiquiátricas e é frequente a ideia de que as doenças mentais são qualitativamente diferentes das outras doenças. É muito comum imaginar que há uma «doença mental» única («a doença mental»), atribuindo às pessoas que tenham sofrido crises, um prognóstico negativo de incurabilidade, aferido erradamente pelos casos de doentes mentais mais graves e crónicos. Por vezes o diagnóstico médico das diferentes doenças psiquiátricas não se faz na altura própria, por variadas razões, e isso acontece, com alguma frequência, na Doença Bipolar.
O conhecimento, mesmo que simplificado, das características da Doença Bipolar facilita a seu reconhecimento aos próprios (que a sofrem) e aos outros, possibilitando uma maior ajuda a muitas pessoas que carecem de um tratamento médico adequado e de uma solidária compreensão humana.
In ADEB

António de Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
António de Almeida disse...

-Arrepiante! Nem palavras tenho para descrever estes actos, quando motivados por uma doença.

ABEL MARQUES disse...

Um texto arripiante e que vem lembrar que muito embora um bipolar não tenha que ser necessariamente violento é entre os bipolares e esquizofrénicos que ocorrem grande parte de crimes que nos repugnam. O que vemos é que crimes hediondos, que não estão associados a roubos nem a toxicodependência, são perpetrados por pessoas que são imputáveis do ponto de vista médico mas que revelam distúrbios graves que deveriam ser tratados.
Um indivíduo que sabe que não está bem deverá procurar ajuda médica para que outros não sofram com os seus actos, ou então agarrar na trouxa e ir viver sozinho.
Continuação de bom debate

Miki disse...

Nas asas do sonho, e vestida de fantasia, aqui estou para dar um olá..gostei de andar por aqui
Beijo

Teresa Durães disse...

- Pensamuito depressa mis do que o normal? Tem diferenças de humor elevadas?
(onde está o medidor para saber?)
- É bipolar
Saí com um novo nome. Chamava-me Teresa e passei a bipolar. Restava saber qual e o que tomar.
- O que viveu não é realidade, é doença

(como sei onde está a diferença? a minha vida é uma mentira?)

Saí de olhos rasos de lágrimas teimosas. O que é doença e o que sou?

SILÊNCIO CULPADO disse...

Agulheta
Há que falar sobre os assuntos para desmistificar certas situações.
Só através da integração as pessoas podem ter uma vida gratificante e, para isso, necessário se torna o acompanhamento médico e/ou psicológico nos casos em que as situações o exigem.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Louise
Pois o receio que nos chamem malucos....

Será que esse receio vale que alguém se recuse a ser tratado com os prejuízos daí resultantes?

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Ray, minha querida, as palavras são umas traidoras. Eu também não pensei nem quis dizer que você tinha dito que um bipolar é, por natureza, violento.
Como você diz: pode ser e pode não ser.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MEG
Obrigada pela tua contribuição. Eu acredito que um bipolar, em situações de "baixa" se possa tornar potencialmente agressivo sobretudo se não houver um acompanhamento adequado.
Abraço

Mário Relvas disse...

Olá silêncio,

hoje vi que atrás da minha casa, numa ribanceira ajardinada estão a colocar vedações, para as pessoas não caírem.Assim ali poderão ir meninos, jovens e mais idosos passear com segurança.Um aspecto positivo, apesar de tardio, mas muito bem vindo.A cidadania serve para tentarmos melhorar o que está mal, ou menos bem. Gosto de realçar a positividade na cidade onde vivo e que gosto muito.

Agora um outro facto, e mais a propósito deste post que fala da doença bipolar: existe na cidade um jovem trintão, que deambula solitariamente pela cidade.É filho de família média-alta, já com o pai falecido, mas com uma vivência marcante que o pôs num estado mental grave.Diz a quem fala com ele, que foi posto de lado pelos pais em relação aos irmãos.Era um indivíduo corpulento, bem vestido e que parece ter feito uma tropa especial.Mas, na vida existe a conjunção adversativa -mas- sentiu-se com tratamento diferenciado em relação aos irmãos e começou a isolar-se.Um dia deram com ele a colocar música a altos berros em casa.Repetiu-se e um vizinho queixou-se ( e que vizinho)à mãe.Esta chamou-lhe à atenção e ele, segundo ele, pelo passado bem presente na sua mente, virou-se à mãe e bateu-lhe.O tribunal impôs-lhe um afastamento de X metros de casa da mãe. Ele mora agora num apartamento -será a mãe que paga?- e vai até ao pé do prédio da mãe e uma vizinha traz-lhe a comida cá abaixo, uma vez que ele está impedido de se encontrar com ela.

Durante um tempo meteu-se na droga, e parece que conseguiu sair daquela vida.

No entanto, ficou com altos e baixos, vive isolado e gosta muito de conversar, mas as pessoas têm-lhe medo, pelo seu aspecto solitário.

É uma história da vida real, como tantas outras, em que só o amor, o carinho e a solidariedade podem ajudar a melhorar a situação.

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
Não se trata de compreender mas de conseguir tratar.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Quando se bate a torto e a direito, ou melhor, quando um indivíduo entra em baixa resistência nervosa que o torna agressivo à menor pressão algo não vai bem e tem que ser tratado.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

M.M.MENDONÇA
Claro que o homem é portador dum grave distúrbio e se não assumir isso não pode ter uma vida aceitável para si próprio e para os outros.
O comportamento dele foi sempre acentuando a tendência até que, perante um caso de grande gravidade, aceitou começar a tratar-se. Só a partir daí começou a ter esses impulsos controlados.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Eduardo p.l.
Já reparei nas situações que apontas. Talvez a net seja uma terapia para determinadas pessoas com tendências sociopatas. Não sei.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mários Relvas
Também concordo com isso que dizes.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Robin Hood

Ora aí está uma versão que não me tinha ocorrido. É muito provável.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carla

É para pensar.

Abraço

Mário Relvas disse...

Silêncio,
o que chamas ter que ser tratado?Enfiado numa cela e sedado?

Podia contar diversas vidas duplas de muito "cão grande" como se diz na Beira Alta.

E verias na verdade quem deveria ser tratado e de maneira.Bipolaridade não é sinónimo de criminoso, por enquanto, acho eu.
No entanto algo me tem inquietado nisto td.São temas que mexem contigo...
saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
É uma definição muito útil. Porém muitas vezes as associações viradas para o apoio a certas patologias não mostram as versões mais deprimentes das mesmas. É uma forma de incentivar pela positiva que eu até compreendo.
Abraço

Mário Relvas disse...

bruno relvas
-----------

O Bruno está aqui a despedir-se para ir para a cama. E disse-lhe para escrever o nome dele.Lá andou à procura das teclas e aí está, a primeira escrita na net do meu filhote, o seu nome no blog da Lídia.A letra pequena, mas para mim é muito grande.

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

António de Almeida
Obrigada pela visita.Os factos devem ser enfrentados tal como são.
Só assim eles poderão ser ultrapassados.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

ABEL MARQUES
Pois esse é outro aspecto que tem que ser ponderado. É se pessoas com baixa resistência ao stress e às preocupações se podem tornar potencialmente perigosas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MIKI
Obrigada pela visita.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Teresa Durães
Como eu te compreendo amiga. Tu és daqueles casos em que ser bipolar significa a mente poderosa e criadora. Uma sensibilidade exacerbada mas divinal que eu muito admiro.
Abraço

Mário Relvas disse...

" É se pessoas com baixa resistência ao stress e às preocupações se podem tornar potencialmente perigosas."

As pessoas perigosas são perigosas de natureza.Não confundir quem faz asneiras e depois quer que os outros comam a asneira. Não confundas uma pessoa que grita com outra e não quer ouvir um gritinho...

Não confundas...

Eu continuo a dizer:respeita para seres respeitado.
Isto não é bipolaridade, é falta de educação.

saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Ainda bem que fizeram a tal vedação junto à tua casa para as pessoas não caírem.
Relativamente a esse jovem compreendo em tudo o teu sentir, tu que vives para compreender o teu Bruno e que te enches de paciência para o ensinar.
Eu também não me imagino a pôr de lado um filho porém não sei tudo sobre as razões que estão subjacentes ao acto.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Claro que não acho que alguém deva ser sedado e colocado numa cela.
Mas acho, e conheço casos de pessoas próximas clinicamente identificadas como bipolares, que estavam 15 dias seguidos sem dormir e que, ao menor gesto, saltavam sobre quem o fazia duma forma absolutamente destemperada.
Não sou apologista de sedar as pessoas mas há um mínimo de tratamento e apoio psicológico especializado que tem que ser feito.
Estas situações mexem comigo como muitas outras mexem comigo. Só para te dar um exemplo eu tenho à minha guarda, por decisão de tribunal, um jovem (maravilhoso) que tem agora 15 anos. Quando tinha 7 ele dizia-me: "Lídia o meu coração dói. Às vezes acordo de noite e choro."
E eu sentia uma revolta enorme contra as pessoas que lhe provocavam isso.

Nós temos que ajudar quem tem distúrbios mas nós somos humanos e não superpessoas e, por vezes, a barra fica demasiado pesada.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas.
Um beijo ao Bruno.
Vou guardar este post com muito carinho.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas.

Não digo ao contrário.

Abraço

Mário Relvas disse...

Cara Lídia,

compreendo-te.

Não desistas e conta comigo.Não sei o que possa fazer.Sei que não posso salvar o mundo, mas continuarei a lutar pela igualdade de oportunidades e por maior justiça social neste nosso canteiro.

Os casos que referes de doença bipolar são traumatizantes. Como consegue alguém estar 15 dias sem dormir?deve ficar uma pilha, tipo fósforo junto ao fogo...Compreendo!

Suadações e um sorriso
PS: um abraço para o teu jovem, que muito solidariamente deste a mão.Obrigado por esse teu gesto muito grande, revelador de uma pessoa de afectos e sentimentos fortes.

Sophiamar disse...

Um relato que nos deixa uma forte dor no peito. Uma doença terrível que destrói uma família.

Beijinhossss

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas

Obrigada.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SOPHIAMAR
É por isso que as pessoas devem tratar-se e não terem vergonha em assumir que não estão bem.

Abraço

Dalaila disse...

Ainda pousco se sabe sobre esta doença, mas há quem a consiga controlar.

A Flôr disse...

Um testemunho de vida... de uma vida ao lado de uma pessoa Bipolar.... é possível, mas muito difícil... conheço casos identicos...


Mas parabéns e obrigado ao Aromas de Portugal pelo seu comentário, onde nos dá uma informação praticamente completa sobre esta doença... li com atenção tudo o que ele nos disse...

Flor deixa um beijo de admiraçao

Anónimo disse...

o silêncio culpado pois estou plenamente de acordo quem está ao lado destes doentes sofre muito vou sofrendo um á duas décadas e tenho três filhos mas já não o posso sofrer mais, ora está de bom humor repentinamente e não se sabe quando quer matar toda a gente tenho sido amparada pelos médicos psiquiátras mas já não posso mais e cada vez com menos paciência faço pela paz e com muito sacrificio se vá vivendo um dia terá fim.

TanC disse...

Vivi a bipolaridade de perto, de perto e depressa. Com a minha irmã, tendencialmente depressiva, cuja bipolaridade se manifestou de uma forma brutal, associada a episódios psicóticos. Muito duro, acabou com a 2.ª tentativa de suicído, num hospital. Conseguiu. Não aguentou o diagnóstico. 5 anos depois ainda não sei viver sem ela...

Anónimo disse...

ola amiga

Li agora o seu testemunho do ex marido, estou a sofrer muito, tenho 29 anos, casada á 5. O meu marido sempre foi um pouco abrutalhado a falar c a mae, mas cmg não, Depois de casado mudou muito, é asneirento, passa se com facilidade, já me deu chapadas, um dia disse lhe que estava a fazer me o mesmo que fez á mae afogou me. se parto um copo já nem almoça, enfia se no sofá aos ralhos. há pouco a tratar de uma conjutivite ao meu filho o menino gritava porque não queria a pomada no olho mas tinha de ser ele em vez de me ajudar a trata lo, não, disse que eu tava a tratar mal o menino, q ia fazer queixa de mim, e disse me vai cagar vai cagar... farto me de chorar... será doença bipolar? didiana_jc@hotmail.com

Eurídice disse...

Boa tarde,

Eu estou a desenvolver um trabalho de Área de Projecto na minha escola acerca de bipolaridade. Entre vários assuntos gostaria de colocar testemunhos e o seu foi deveras marcante. O seu nome não precisa de constar e pode alterar o que quiser, se o quiser no seu texto.

Aguardo a sua resposta e desde já muito obrigado pela atenção.

Giuliano Lemes disse...

Sinto muito por você, vivo com uma pessoa bipolar a 2 anos, já perdi as esperanças por que ela não admite o problema. Seu humor varia de Eufórica, Agressiva e as vezes depressiva. Muito difícil.

Tigresa disse...

...

Tigresa disse...

Já sou veterana nesse mundo das doenças oriundas destas patologias, presenciei de forma direta a discriminação e a forma preconceituosa como a sociedade lida com esses casos.Desde muito jovem a minha mãe foi-lhe diagnosticada uma depressão muito forte, foi tratada na década de 70 e foi tratada com os tais choques elétricos que na altura ainda eram permitidos que surtiram alguns efeitos passageiros. Depois de acamada e vários anos medicada lá conseguiu casar aos 24 anos que naquela altura já era tarde. A nível temperamental é difícil lidar com essas pessoas que oscilam entre a vontade de por termo a vida e à vontade de tomar conta de tudo.Até os 40 anos com as variações comportamentais de variam de extrema fragilidade e exclusão social até percorrer vários quilómetros a pé e provocar as pessoas verbalmente e fisicamente de crise esporádica passou a ter crises anuais! Mas o que quero dizer é que fui educada com mãe com uma depressão nada fácil acrescida ao facto de ter um pai também autoritário, julgando que não se tratava de artimanhas da minha progenitora para chamar atenção lá cresci no meio desse veveno todo e vejo as coisas de outra forma. Para complicar isso tudo cresci e tive um irmão de mais velho do que eu um ano e foi-lhe diagnosticado aos 24 anos uma depressão, mais bipolaridade que se complicou com crises de epilepsia. O meu mais que tudo, foi-lhe diagnosticado isso tudo depois de ter tido umas dores intestinais e em nada parecia pois era um execlente aluno, sociável e muito prestável. Surgiu tudo como uma avalanche, de uma pessoa normal confiante transformou-se em poucos dias num autêntico farapo ambulante, nem a medicação lhe fazia efeito, passei a ter medo do meu próprio irmão e ter medo de ficar com ele sozinho. Pois não me importava as crises de humor mas sim as crises de epilepcia onde ele perdia a conciência e transformava-se num ser violento com os olhos vidrados cheios de fúria, não reconhecia ninguém. Meu deus só eu sei o que eu vivenciei, e tudo lhes foge do controle até voltar em si e não se lembrar de nada, eu sei cresci com ele e sei que era incapaz de fazer mal a uma mosca. A doença nem durou uma ano entre idas as urgências, internamentos e mudança de médicos e medicamentos e ver a própria mãe a afundar-se também.Pôs termos a vida. Lembro-me de quando os ia a ver os dois na psiquiatria tarefa nada fácil. Cresci neste ambiente todo, e posso dizer que ainda hoje vivo sempre em pânico a espera que a minha mãe faça das dela ...Enfim simples desabafo de uma sobrevivente que sofre em silêncio...