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UMA VIDA DE PRAZER OU UM PRAZER SEM VIDA?


O prazer é o leit motiv das sociedades modernas. Ele vem directamente associado ao consumo e a um mundo de oportunidades que os meios de comunicação acenam de forma ostensiva. O hedonismo do imediato toma conta de nós das mais diferentes formas. No consumo desenfreado, para o qual não existem recursos, e na necessidade de experiências diferentes qual mundo de emoções nunca antes desbravado.

Há que ver tudo e experimentar tudo. É esse o conceito de viver a vida. Rodar em punho aberto sobre um asfalto traiçoeiro para sentir toda a vertigem da adrenalina.

Maldita inquietação que nos consome. Maldita insatisfação que não se satisfaz e nos deixa mais sozinhos. Maldita solidão que precisa ser saciada com novas experiências. Malditas experiências que se consomem e nos consomem mas que nos deixam necessidades repetidas.

Se eu tenho um tempo de percurso nesta vida, esse tempo tem que me dar o que procuro. Mas o que procuro afinal que não tenha procurado? Onde está o meu chão que de tanto pisado se esqueceu de mim?

Nada é suficiente e cada necessidade gera outra. Ao meu lado estão pessoas endividadas e famintas. Famintas da paz que hipotecaram e dos sítios onde não pararam por serem demasiado pequenos para vistas tão largas.

Ao meu lado está quem confundiu o prazer com bem-estar e felicidade e está arrependido ainda que procure novas doses de prazer para anestesiar a sua ausência.

A vida não tem sentido de tanto sentido que se procurou. Os caminhos mais fáceis revelaram-se os mais difíceis. Porque ninguém avisou que uma vida de prazer se poderá transformar num prazer sem vida? Porque nos deixámos manipular como marionetas numa sociedade de comunicação que procura conduzir a liberdade sob o chicote de intenções ocultas?

Porque a liberdade, que nos conduz ao prazer, nos encarcera porque ninguém é livre quando não pode escolher. E ninguém que não pode escolher pode ser feliz e consegue amar.

Porque se perdem os valores como algo ultrapassado e porque se procura de forma escravizante o que não se pode ter? Porque estamos tão sozinhos nas sociedades modernas e procuramos fugas nas religiões?


A quem servimos e quem se serve de nós? O traficante da droga e da carne humana, o empresário que acumula riqueza desumana, o agiota, quem mais? Está escuro, tão escuro que vai acabar o dia. Talvez o dia tenha que acabar para que se inicie um novo ciclo.

Aconteceu assim em várias civilizações. Porque a insatisfação dói e fere como uma faca afiada. Porque a tentação murmura em surdina e nós não nos afastamos.

Somos o resultado dum fim anunciado quando quebramos os laços de solidariedade e abrimos mãos dos nossos valores.

O prazer pelo prazer é uma miragem. Só o deserto nos fica quando o procuramos. Que cada um de nós reflicta, enquanto for tempo, para que um dia não diga como Bocage:


Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões que me arrastava.
Ah cego eu cria, ah mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.


De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava
Mas eis que sucumbe natureza escrava
Ao mal que a vida em sua orgia dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos
Esta alma que sedenta em si não coube
No abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus, quando a morte à luz me roube
Ganhe num momento o que perderam anos
Saiba morrer o que viver não soube.


Este é para mim o mais belo soneto da língua portuguesa. Pena que tenha sido escrito perante reclassificações que negam toda uma vida na iminência da morte.

Lídia Soares


127 comentários:

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

Lidia , passei aqui para te deixar um beijo e um abraço, e dizer que amei demais a sua visita.
Embora virtualmente nos acostumamos com nossos amigos , e quando eles chegam é uma felicidade só!
Depois volto para comentar com calma..tá?
Beijos , muitos.....
Ray

São disse...

Belíssimo e profundo texto o teu. Aliás, nem surpreende que assim seja, porque de ser humano rico e solidário como tu, só pode sair sempre algo de muito bom.
Querida, que a Luz te acompanhe!

herético disse...

exemplar o teu texto. a diversos título. designadamente por falar de tema inóspito. quem ninguém quer ouvir. importa por isso teimar... sempre!

excelente.

abraços

A Flôr disse...

A própria vida é um prazer! É um prazer estar vivo!

Querida muito obrigado pela tua presença lá no meu cantinho....

Ando com tanto tanto trabalho que quase nem tempo tenho tido para visitar os cantinhos amigos... mas penso em todos vós! :))

Tem uma óptima Terça-Feira :D

Flor deixa :-)****** mil beijos doces e floridos

A Flôr disse...

A própria vida é um prazer! É um prazer estar vivo!

Querida muito obrigado pela tua presença lá no meu cantinho....

Ando com tanto tanto trabalho que quase nem tempo tenho tido para visitar os cantinhos amigos... mas penso em todos vós! :))

Tem uma óptima Terça-Feira :D

Flor deixa :-)****** mil beijos doces e floridos

Eduardo P.L. disse...

Lídia,

belíssimo texto dessa sua postagem!

Bjs

Brancamar disse...

Lídia,
Muito interessante o teu texto! Nem de propósito acabei de vir de uma Associação de Teatro Amador onde estive a falar com uma mulher simples, com uma grande família, mas muito sábia e com a qual versei este tema e outros semelhantes, uma mulher com uma espiritualidade enorme e que me soube fazer muito bem esta diferença entre entre o ter e o ser e falar desta alienação pelo consumismo e pelo prazer imediato.
Nunca é demais lembrar, debater, alertar, mas as consciências adormecidas pela normalização não acordam fácilmente.
Como tu dizes "Talvez o dia tenha que acabar para que se inicie um novo ciclo."
Acredito que o principal problema está na educação, poucos ensinam os mais jovens a valorizar as coisas,a conquistá-las. Vive-se num mundo de facilidades que só podem conduzir ao vazio e à tal solidão de que falas.
Bem hajas por teres exposto de uma forma tão extraordinária um tema tão profundo.
Escreves maravilhosamente bem.
Beijinhos

Maria disse...

Gostei de te ler. Muito.
Como gosto sempre que te leio mesmo que não comente.

Um beijo, Lídia

Odele Souza disse...

O tema de que aqui tratas Lídia é ideal para reflexão.Refletir sobre nossos atos, nossas atitudes e principalmente nossos valores. Quanta coisa tida como importante e não tem importância alguma. E o que é importante por vezes nem se nota.

Um beijo.

Oliver Pickwick disse...

Há um clamor de descamisados e excluídos em acensão, cara Lídia. Por enquanto, ainda inaudível para aqueles que manipulam o leme dos destinos do planeta. São rumores subterrâneos, como uma força geológica, potencial e aparentemente inativa, mas que espera o momento para mostrar o seu poder. Infelizmente, sob a égide da violência.
Dos sete grandes impérios descritos na História, todos desmoronaram-se por razões semelhantes às que tão bem descreveste neste artigo.
Quem viver, verá.
Parabenizo-a pela postagem, uma das melhores que já publicou neste site.
Um beijo!

Sophiamar disse...

Um post que caracteriza de forma exemplar a sociedade em que vivemos.Usemo-lo como base de reflexão. Precisamos melhorar muito!

Bem hajas por no-lo teres trazido.

Beijinhos

G.BRITO disse...

Lídia
Um texto excelente como tudo aquilo a que nos habituas. Em ti há uma força e um clamor que abanam as nossas emoções e nos fazem reflectir sobre muitos aspectos da vida em que a voragem da modernidade vai arrasando alicerces construídos em várias gerações.
Não que eu ache que não se deva mudar, mas mudar para a inquietude, a frustração e o isolamento, não me parecem rotas aconselháveis.
Abraço

Marreta disse...

É sem dúvida um excelente texto filosófico sobre prazer, felicidade, lógica existencial e a sua interligação.
Não queria ser tão pessimista, mas citando um tal Jim Morrison que dizia "A vida é sofrimento e ele só acaba quando morremos", não deixo de reconhecer alguma verdade nesta citação.
Mas não! A vida é bela! Em cada pequeno gesto, pormenor, atitude, podemos encontrar o prazer que nos transporta à felicidade suprema, ainda que momentanea. A sabedoria consiste "apenas" em saber manter e prolongar esse momento.
Saudações felizes do Marreta.

Isabel-F. disse...

Parabéns pelo teu texto Lídia ...

bom para todos reflectirem ...


realmente qual o interesse dum prazer sem vida???


beijinhos para ti

ManDrag disse...

Salve!
A Felicidade e a Liberdade apenas residem no mais profundo âmago de cada um de nós.
Salutas!

Rafeiro Perfumado disse...

"Prazer" e "felicidade" são dois termos que se poderiam equipar a "paixão" e "amor", com todas as diferenças e semelhanças que os caracterizam. Quer numa quer na outra, trata-se de privilegiar o curto ao longo prazo...

RAUL disse...

Não é um texto para ser lido uma só vez, se realmente quisermos compreender o significado das nossas vidas. Talvez o Manuel Maria, no final do seu soneto esteja declarando que não estava preparado para a morte, e que nunca deixou que o fantasma da mesma o impedisse de viver. A vida passada é sempre analisada como fútil e desperdiçada, porque queremos acreditar na continuidade da vida para além da morte sem termos uma certeza de que ela existe. É esta condicionante que nos leva a pensar quando a morte parece ser inevitável, que a nossa vida foi um desperdício. É o julgamento final em que somos juízes e réus de nós mesmos. É o inventar aquilo que já foi inventado há séculos ou mesmo milénios e que deu origem às doutrinas de muitas religiões.
Não sei de onde vim nem para onde vou. Não pedi para aqui estar nem peço para daqui sair.
Uma vida em que a única coisa que sei e da qual tenho a certeza é que não sou de cá. Esta é a minha visão da vida, com a qual muitos não estarão de acordo e nem mesmo eu sei se estarei certo. Tenho fé e acredito que um dia vou morrer, por me achar igual a qualquer ser humano.
Vivo a vida como acho que ela deve ser vivida, perdoando os meus erros cometidos e a cometer. Sei, que não sei quem sou, nem de onde venho ou para onde vou. Existo apenas.

susitour.com disse...

Olá! É a primeira vez que visito este blog, cujo nome me despertou bastante curiosidade.
Estou muito comovida com este post, que retrata bem a nossa sociedade, no seu pior...Se pensarmos bem,a nossa sociedade, tal como a moeda, tem duas faces : por um lado, anseia por ver e experimentar tudo o que é novo e desconhecido (graças a isso já fomos grandes na nossa História) e ,por outro lado, essa busca incansável e consequente insatisfação conduz à sua própria perdição e ao esquecimento de valores tão importantes como a solidariedade,amizade,...
O mal da nossa sociedade não é sonhar ,porque sem sonhos a vida não tem graça nenhuma. O mal acontece quando a insatisfação começa a lançar as suas próprias coordenadas nos nossos sonhos, acabando por desviar o rumo da nossa vida para ideais vazios e pobres de espírito.

Parabéns!
Susana Falhas

Divinius disse...

Belo texto...
Boa semana:)*

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Amiga Lídia, mais uma vez escreves um texto, que eu considero ser mais um, dos muitos bons textos que tens publicado, que aborda todos os temas da nossa sociedade já vivida e a que virá!
Tem a meu ver, uma particularidade, ser acessível a sua leitura, a sua compreenção e acaba como tu tão bem frisas-te, um belo poema de Bocage, já nos términos da sua vida.
Amiga, muitos beijinhos de carinho,
Fernandinha

Zé do Cão disse...

Que profundidade minha amiga. Coisa deliciosa. Quem me dera saber escrever assim, com todo o sentido
que este artigo tem.

Silencio. Um beijo não, milhões deles

Louise disse...

Para mim o sentido do texto é claro e o soneto de Bocage também.
Reparem no soneto: «prazeres sócios meus e meus tiranos». Isto diz tudo. Poderia retirar mais exemplos mas basta-me este.
Quando nos afogamos nos prazeres da vida sem sabermos saborear a vida, a sua tranquilidade e os seus afectos calmos, dificilmente temos pontes que nos permitam o regresso.
Não quero significar com isto que não se viva com paixão o que quero dizer é que devemos sempre avaliar as consequências dos nossos actos e percebermos se temos arcaboiço para eles.
Beijos

joshua disse...

Belo texto e belo trabalho. Mais uma vez os parabéns.

PALAVROSSAVRVS REX

AJB - martelo disse...

Do prazer apenas sei que é bom quando sabe bem... mas, muitas vezes, enganador. Se de entra 100 coisas da vida houver pelo menos uma que seja boa, então, nem tudo é mau...
e lamento que do Bocage nos lembremos muito mais da sua ironia e das orgias prazenteiras, da palavra solta do que a sua grande profundidade.
um abraço e um beijo

Agulheta disse...

Lídia
Excelente o post,por muitos motivos, entre oa quais esta sociedade sem rumo e destino,onde as pessoas tem tudo e nada tem,que é o amor e paz de alma,sem falar de outras coisas mais que nos arrelia o coração,todos os dias.
Beijinho Lisa

Robin Hood disse...

É um texto belissímo, profundo e arripiante que nos põe a pensar.
O homem a cada passo tem que decidir só que ele se esquece dessa decisão e quando se dá conta é tarde.
Abraço

Pata Negra disse...

Que bom seria andarmos todos a pé ou de burro para podermos conhecer verdadeiramente o mundo em que vivemos.
Um abraço caminhante

Zé Povinho disse...

O prazer de viver e a responsabilidade das escolhas que fazemos.
Excelente texto e boa a escolha deste soneto do Bocage.
Abraço do Zé

Sheila disse...

Um texto espectacular e muito oportuno porque nós vivemos obsecados pelo prazer do agora sem perceber se ferimos ou hipotecamos o amanhã.
O soneto do Bocage é uma autêntica maravilha. «O tropel de paixões que me arrastava» esse tropel que não é razão nem bom-senso e que deixa consequências dificeis de gerir.
Abraço

O Guardião disse...

Depois de ler este magnífico texto pouco se pode dizer, a não ser que na vida tudo tem limites, umas vezes os nossos, outras os direitos e a liberdade dos outros.
Cumps

Teresa Durães disse...

primeira haviam os deuses. depois, Deus. agora nada há e a insatisfação come as pessoas

Michael disse...

Há um chavão que é muito usado mas que nem por isso deixa de fazer sentido: a minha liberdade acaba onde começa a dos outros.
Há prazeres que são construídos com desprazer para os outros e os outros consomem-se nessa mágoa e quem a provocou também.
Este soneto revela Bocage no seu expoente máximo.
Abraço

Vieira Calado disse...

Grande Bocage, sem dúvida!
Bjs

O Árabe disse...

Lindo texto, Lídia, e esse soneto é realmente fantástico! Muitos são os que confundem o prazer com a felicidade... e na busca de um se afastam da outra. Infelizmente! :( Boa semana, amiga.

São disse...

Amiga do coração, um grande abraço!
Fica bem!

M.M.MENDONÇA disse...

Lídia
Esplêndido mesmo este teu texto acompanhado por um soneto duma qualidade excepcional ou não fosse ele de Bocage.
Todos devemos ler e meditar sobre o que aqui dizes, mas meditar a sério. É preciso que cada um de nós se interrogue sobre o caminho que pisa e que normalmente escolhe.
Abraço

fotógrafa disse...

Belo texto e bem profundo, mas enquanto cada um de nós não se encontrar em si mesmo...será muito dificil entender tudo o que nos rodeia...
obrigada pela visita e um abraço

Menina do Rio disse...

Disseste-o bem, amiga Lidia. Uma necessidade gera outra e passamos a vida a buscar algo que alimente esta carência. Mas a vida real não é o "Admirável mundo novo" e não há "soma" capaz de nos anestesiar; por isso acabamos nesta busca por novos prazeres até nos perdermos no abismo dos nossos desenganos...

Um beijo e obrigada pelo prazer da tua visita

musqueteira disse...

viva silêncio culpado...a felicidade é o ramo mais elevado da floresta da vida;)

Å®t Øf £övë disse...

Lídia,
Tantas perguntas com tantas verdades contidas nelas. Mas agora quem pergunta sou eu: O que fazer para alterar este mundo que se rege por principio que faz parecer que é um mundo ao contrário?
Bjo.

sideny disse...

silencio
muito bom texto comeco a ser sua admiradora.
bej

Silvia Madureira disse...

Li os três primeiros comentários e li o teu texto.

Comecei a lembrar-me de uma cena presenciada numa queimas das fitas à qual fui.

Uma moça talvez da minha idade, no meio do chão, no meio de toda a desertificação que ficou dos concertos, abandonada...

Ouvi dizer, está em coma alcoólico...

Entretanto no meio daquelas ruas inundas cheias de copos de cerveja que restaram aparece uma ambulância...o que lhe aconteceu a seguir ...não sei.

Pergunto...o que pode levar alguém a consumir tanto até deixar de ser ele próprio, até esquecer que existe e até se anular...

Quando a moça se dirigiu para ali foi com o intuito de esconder algum sofrimento penso eu. Acabou por não o saber esconder e deu aso à sua anulação.

Isto acontece frequentemente.

A anulação do que somos seja por que meio for para tentar preencher o vazio que nos consome...

É triste o que me rodeia...vejo tanta gente no faz de conta que muitas vezes penso que estamos numa encenação que mais tarde ou mais cedo termina...

beijo

ABEL MARQUES disse...

Lídia
Tu escreves maravilhosamente e sabes ir ao âmago dos temas que propões.
Os conflitos das sociedades consumistas e, naturalmente, hedonistas opõem não só os que ricos e poderosos aos que nada têm como o homem dentro de si próprio.
Saber escolher o caminho e não s edeixar levar pelas emoções/ilusões que nos vendem é a verdadeira sabedoria e o grande desafio.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

RAY
Obrigada pela visita. O teu retorno ficará para quando puderes. O nosso Filipe, esse estará sempre presente.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SÃO
Obrigada, amiga.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético
O que importa debater é sempre o que é inóspito. São mensagens mais difíceis de passar mas que têm que ser passadas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

FLÔR
Obrigada pela visita. A vida merece sempre ser vivida mas temos que saber que vida é que se tem para viver.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Eduardo
Obrigada, amigo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Brancamar
É verdade, amiga. O problema está na educação. Urge criar uma nova geração de educadores.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria
Obrigada, amiga também aprecio muito o que tu escreves.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele

"Refletir sobre nossos atos, nossas atitudes e principalmente nossos valores" é um dever de cidadania. Sem isso seremos nada qual folha arrastada na voragem dos acontecimentos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Oliver
Que clamor, amigo!... E nós não podemos ficar indiferentes. Mas é preciso ir mais além. É preciso descer ao âmago das sociedades consumistas que fabricam a própria desgraça.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SOPHIAMAR
Precisamos melhorar muito, amiga. Mas, para isso, precisamos identificar os nódulos que devemos retirar.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

G.BRITO
O individualismo é sempre a característica dominante nas sociedades materializadas e com ele vem a solidão e a morte, o silêncio e a injustiça.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Marreta
Não temos que ser pessimistas.A vida merece ser vivida e tem momentos extraordinários que nos compensam de tantas agruras. A vida será mais ou menos gratificante consoante a sabedoria com que a saboreamos. Em qualquer dos casos devemos evitar as reflexões amargas.Não adiantam.
Mas as experiências deverão tornar mais maduro o tempo futuro e, nem que esse tempo seja seja apenas dum minuto, não devemos abdicar daquilo que aprendemos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
Um prazer sem vida é um embuste de que nos devemos aperceber a tempo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mandrag
Olha fui ao outro endereço, li mas não consegui comentar. Não grava.
Ambos os teus blogues são magníficos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul:
A interpretação do soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage é mais ou menos esta:
Ele "evaporou" o ser numa lide insana acreditando ser em si quase imortal a essência humana.Não pensou na finitude e mergulhou no "tropel de paixões que o arrastavam".
Perante o medo da morte e a sensação de fracasso ele acolhe-se a um convento e chama por um Deus que renegou durante toda a vida.
Por tudo isto não gosto da postura de Bocage bem diferente da de Camões que, até ao fim, foi sempre igual a si próprio.
É frequente ouvir-se de muitas pessoas que gostariam de voltar atrás sabendo o que sabem agora, porém eu entendo que as opções, boas ou más,foram as resultantes dum sentir e dum olhar em determinadas circunstâncias e que, por isso, nós devemos ser dignos daquilo que fomos. Aprender com o percurso é uma forma de sabedoria. Viver o minuto, a hora, os anos fazendo uso daquilo que aprendemos é uma forma de superação que nos permite desafiar os nossos limites. E é aquilo que considero uma forma de inteligência.
Também não gosto de quem se consome em justificações ou pretende passar a visão do mundo que corresponde às suas opções para provar que as mesmas é que estão certas.
Não importa o erro que é humano. O que importa é a grandeza da alma que o suporta.
Abraço

avelaneiraflorida disse...

Querida Lídia/ Silêncio,

Poema bem intenso e verdadeiro!!!!
Pena que hoje a poesia não faça parte dos gostos da vida!!!!
muitos jovens pensam que "isso" é muito antigo, fora de moda, uma chatice,uma tremenda seca...
E assim prosseguem na vida procurando o imediato e de fácil consumo...
Será que um dia saberão SENTIR????
Bjkas!!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Susitour
Obrigada pela tua visita e pelo excelente comentário que produziste.
Resumes todas ideias que pretendo passar quando dizes:
"O mal acontece quando a insatisfação começa a lançar as suas próprias coordenadas nos nossos sonhos, acabando por desviar o rumo da nossa vida para ideais vazios e pobres de espírito."
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Rafeiro Perfumado
Pois é isso amigo, os fogos de palha fazem grandes labaredas mas duram pouco.
Abraço

Jorge P.G disse...

Lídia:

Deixaste aqui um bom conjunto de reflexões em relação á vida moderna que nos consome em lume brando e que tantas vezes nos vai queimando mais por dentro enquanto nos deixa crus por fora, na superficialidade das relações humanas.
E terminas bem, com um Bocage que menos gente do que seria desejável conhece como um dos maiores poetas de sempre em língua portuguesa.

Saudações.
Jorge P.G.

NINHO DE CUCO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mário Relvas disse...

Vida sem prazer não é vida. Luxúria também não é vida. Divirtam-se e vivam a vida com alegria e jovialidade, mas também com responsabilidade.

Sorrir, chorar, correr, caír, levantar são constantes da vida.Tentemos ter equilíbrio.
Confiar na verdadeira amizade é uma boa forma de viver.
Vivam a vida a sério, sem contudo se levarem demasiado a sério.

Até lá... e um sorriso

Nadja Reis disse...

Belo blog! =)

amigona avó e a neta princesa disse...

Minha querida Lídia, vida sem prazer não é vida! Infelizmente o dia a dia da Vida rouba-nos, muitas vezes, o prazer que devíamos sentir!Beijos linda...

Isabel-F. disse...

Olá Lidia,

Passei à procura de post novo ... como não há ...deixo-te um beijinho e desejos de um bom fim de semana

O Viriato disse...

Encantador, denso, profundo e... belo

Parabéns com estima profunda

fotógrafa disse...

O QUE SOU


Sou pássaro que voa,
sou voz que ecoa,
sou riso, sou choro,
sou mulher feliz!


Sou ar, sou terra,
sou carinho, sou lua,
sou sol que alumia,
o caminho que sigo,
para ser PESSOA!

Sou alma, sou água
sou riso, sou flor
tudo faço porque quero,
faço por AMOR!

(Euzinha)

Bom fds.com muito sol, calor e harmonia…
abraço

Mary disse...

Lídia
Todos nós pagamos, e às vezes bem caro, as opções que fazemos.
O prazer é legítimo desde que não prejudique ninguém. Às vezes somos nós os prejudicados. É o nosso preço.
Um texto muito bom e muito profundo.
Bjs

Nilson Barcelli disse...

Uma excelente reflexão sobre a vida que levamos.
Há muitas passagens do texto que definem de um modo exemplar o que somos neste mundo em mutação permanente.
Esta é apenas um exemplo:
"Somos o resultado dum fim anunciado quando quebramos os laços de solidariedade e abrimos mãos dos nossos valores."

Bfs, beijinhos.

Dalaila disse...

vou reflectir nestas tuas palavras que tocam dentro e nos fazem pensar no nosso dia-a-dia, no que fazemos, no que ambicionamos, no que nos damos aos outros.

Obrigada

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão
Meu querido amigo, tu és o exemplo vivo de quem soube conciliar a irreverência e o "bon vivant" com as raízes e os afectos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Louise
Temos que saber dosear as emoções não só as que dizem respeito aos prazeres mas também no que se refere aos fracassos.
A vida pela vida faz sentido mas há que saber arcar com as consequências.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joshua
Obrigada amigo e volta sempre.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

martelo
O Bocage tem uma obra extraordinária com sonetos dos mais belos da língua portuguesa.
A sua poesia erótica e a vida dissoluta têm também o seu encanto inquestionável.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Agulheta
Esta sociedade sem rumo nem destino é alienadora.
Uma coisa são as nossas escolhas individuais e outra são opções tomadas num contexto social marcado pelo frenesim de consumo seja ele de bens materiais, seja de práticas ou culturas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Robin Hood
O pior é que o homem não decide. Ele tem a ilusão que decide mas na prática é a sociedade que decide por ele.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
Realmente a velociadade impede-nos de olhar.

Um abraço lento

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho
Obrigada amigo. As escolhas que fazemos terão que ser aceites e compreendidas principalmente por nós próprios.
Abraço

Agulheta disse...

Lídia.
Obrigada pela visita e comentário,e deixo abraço bom fim semana
Beijinho Lisa

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sheila
O mais importante, em meu entender, não será o facto de vivermos obsecados pelo prazer do agora sem perceber se ferimos ou hipotecamos o amanhã.O mais importante é não termos a consciência disso a não ser quando sentimos o mundo ruir a nossos pés.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Guardião
Na vida tudo tem limites. Saber isso é ter já uma grande sabedoria. Normalmente as pessoas desafiam os seus próprios limites e esquecem-se de que estão a invadir o espaço dos outros.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Teresa Durães
Para que a insatisfação não nos coma é necessário procurar realizações que sejam realmente gratificantes.

abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Michaellll
As pessoas que magoamos choram a mágoa sobre nós e nós acabamos por ficar também magoados.
Este poema de Bocage é excelente.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Vieira Calado

Bocage é tudo o que temos de melhor de poesia romântica e sobretudo sonetos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

árabe
O prazer também pode ser conciliado com a felicidade. É uma questão de não se perder a mão sobre o que nos acontece.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

São
Abraço, querida.

SILÊNCIO CULPADO disse...

M.M.MENDONÇA
Também é preciso não exagerar. Uma dose de loucura é o tempero essencial à vida. Tudo muito certinho e muito programado é uma grande chatice.
O imprevisto e a voragem bem como a adrenalina resultantes são essenciais. Mas sem perdermos o pé.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fotógrafa
Penso que ninguém se encontra a si mesmo porque nós somos uma surpresa também para nós próprios. Mas temos que conviver com isso e essa será a verdadeira sabedoria.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Menina do Rio

Isso da necessidade gerar outra é mesmo muito tramado e aí é que está o busilis e a dificuldade em termos mão nos acontecimentos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MUSQUETEIRA

A felicidade é o ramo mais elevado da floresta da vida mas não devemos desistir de apanhá-lo.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Å®t Øf £övë

Ao falarmos e trocarmos ideias já estamos a contribuir para a mudança. É um grão de areia no deserto mas o deserto é feito de grãos de areia. Há que insistir.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SIDNEY
Ficarei contente se fores minah amiga.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sílvia
Também não podemos ser pessimistas.Nem tudo é triste e nós devemos procurar a alegria e a boa disposição.
O caso que relatas foi um episódio que mostra que nem sempre nós estamos no nosso melhor. Porém, e mais importante que o episódio,é a forma como saímos dele sem ficarmos com cicatrizes.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Abel Marques
Pois o problema é exactamente esse: um marketing comprometido do ponto de vista ético e que nos arrasta para todo um conjunto de consumos nomeadamente das indústrias culturais.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

AVELANEIRAFLORIDA
A poesia tem que fazer parte dos gostos da vida. O que é a vida sem poesia? E o teu espaço é um óptimo meio de divulgação.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

JORGE P.G.

Citando Sartre: "O homem pode sempre fazer alguma coisa daquilo que os outros fizeram dele". Há sempre espaço de manobra. Assim o queiramos.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas

Ora nem mais.
Façamos pois um hino à alegria a forma mais genuína e profunda de sentir a vida. Um dos males das sociedades modernas é que buscam o prazer mas andam tristes e stressadas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

NADJA REIS

Obrigada pela visita.


Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
Um abraço grande e com prazer.

SILÊNCIO CULPADO disse...

ISABEL
Para manter vivo o diálogo tenho que manter o mesmo post uns quantos dias. Senão não dá até porque gosto de visitar os espaços dos meus amigos com os quais aprendo todos os dias.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Viriato
Obrigada pelas tuas palavras.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fotógrafa

Lindo poema.
Que bom que é fazer tudo por amor.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MARY
Se é esse o preço que seja.É preciso haver reservas de grandeza e dignidade para o pagar.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Nilson Barcelli

Até em comunidades de animais encontramos a solidariedade. O ser humano quando a perde está abaixo deles.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Dalaila
De vez em quando há que parar para pensar. É um exercício que ajuda e que as pessoas raramente fazem nestas sociedades das pressas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Agulheta

Beijinho.

sideny disse...

silencio
terei todo o prazer em ser sua amiga.
e tambem de a conhecer pessoalmente.
o raul podera dar-lhe o meu n de telemovel ja lhe dei autorizacao.
caso esteja interessada
um bej.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sidney

Claro que sim.
lnsoares@aeiou.pt

Abraço

Benó disse...

Somos o resultado das batalhas que travamos no dia-a-dia nesta sociedade deformada e portanto, fazemo-nos a nós próprios, ou somos o produto do meio ambiente onde estamos inseridos?
Cada um terá que escolher, o que nem sempre é fácil.
Parabéns pelo tema abordado e tão actual.
Um abraço e bom fim de semana.

Mário Relvas disse...

" A vida não tem sentido de tanto sentido que se procurou. (...)
Leia em SILÊNCIO CULPADO"
In SIDADANIA

Já esperava!

Saudações e um sorriso

NuNo_R disse...

Olá...

Não conhecia mas gostei muito mesmo.
é digno de se reflectir sobre ele...

Bjs bfds

René disse...

Um grande texto e um grande poema que dizem tudo sobre quem quer viver a vida sem medir as consequências dos seus actos.

Um beijo

C.Coelho disse...

Embora o prazer faça parte da vida não podemos deixar que se transforme em nosso tirano.
Esse poema do Bocage, que não conhecia, é do melhor que tenho lido.
Parabéns pelo texto.

Menina do Rio disse...

Vim ver-te e desejar-te um final de semana muito feliz

beijinhos

Joseph disse...

Lída
Vim desejar-te um bom fim de semana e deixar-te os parabéns por este post magnífico sobre o qual todos devemos reflectir.
A vida é só uma e há que vivê-la mas vivê-la conscientemente e com respeito por ela.
Abraço

JOY disse...

Olá Lidia ,

Tenho andado arredio , a vida não está fácil e não sobra tempo para nada,mas não esqueço os amigos e por isso aqui estou para devorar mais um texto excelente ,que vindo de ti não admira .Fazes uma leitura lúcida da doença que afecta a nossa sociedade onde predomina o Status , Gânancia ,Inveja ,Obtenção de riqueza seja de que maneira for ,não se apercebendo que aos poucos caminhamos para o abismo ,por isso acho este teu texto tão lúcido.
Tem um bom fim de semana

Abraço forte
Joy

SILÊNCIO CULPADO disse...

BENÓ
Bem vinda ao Silêncio Culpado.
As escolhas terão que ser feitas mas será que nós somos livres quando as fazemos?
Será que detemos o necessário conhecimento que nos permitirá avalizar as diferentes vertentes e suas implicações?

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas

Pois.


Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Nuno R
Este soneto do Bocage é talvez o melhor soneto de língua portuguesa. É a minha modesta opinião e também de alguns craques da nossa literatura.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

René
Será que nós, num determinado momento em que a isso nos propomos, temos todos os dados que nos permitam fazer as nossas escolhas?
Duvido.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

C.Coelho
Nem sempre depende de nós impedir que o prazer se transforme em nosso tirano.

Este poema é excelente sem dúvida.

abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Menina do Rio
Bom fim de semana também para ti.

abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOSEPH
Bom fim de semana também para ti.
Há que viver a vida conforme dizes.
Mas não sei bem como é isso, confesso.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOSEPH
Bom fim de semana também para ti.
Há que viver a vida conforme dizes.
Mas não sei bem como é isso, confesso.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOY
É sempre um prazer ver-te até porque sei quão difícil é para ti dispores de tempo para nos visitares.
Tem um bom fim de semana também.
Vamos reflectindo sobre estes temas porque nunca é demais parar para pensar.
Abraço